Sexta-feira, Julho 31, 2009

Madonna e o seu "Celebration"

Ouvi o novo single da Madonna - que anda lançando disco na mesma velocidade com que troca de roupa - no blogue Sound + Vision e achei de uma pobreza descomunal. Não consegui ouvir até o final. A musiquinha é tudo aquilo que eu costumo chamar de "som de Ibiza" que são aquelas canções dançáveis ultraproduzidas que infesta as "rádios dance" do planeta. Nesta "celebration" a voz de Madonna é posta em segundo plano e os sintetizadores, no meio de tanta trafulhice, se estapeiam na busca de protagonismo, numa música que se não serve para dançar, pelo menos vai encher os bolsos da cantora.

Sexta-feira, Julho 24, 2009

A morte (de João Bénard) e a (nova) vida da Cinemateca

Eu nem ia falar nada aqui sobre a morte desse senhor - mesmo porque já tinha falado dele de uma forma não muito agradável aqui quando ele ainda era vivo - mas na hora da morte, esta fria e imprevisível senhora de negro, as pessoas parecem que perdem o passo e não sabem como reagir.As coisas que alguns dos seus detractores mais ferrenhos escreveram na imprensa sobre ele parece brincadeira de mau gosto. E nem estou falando de falta de respeito com a morte alheia, porque isso é outra conversa. João Bénard da Costa, que eu tive o desprazer de conhecer numa situação passada, mostrou-se para mim tudo aquilo que seus maravilhosos textos escondiam: uma truculência de um cowboy disfarçada sob a capa de intelectual e um autoritarismo nauseabundo que era quase impossível de se acreditar. Já na Cinemateca, eram muitos os que reclamavam a sua demissão ou a deposição do seu cargo de director, tamanha era a sua comodidade de cargo público canonizado, do alto do seu trono inabalável. Já ninguém mais aguentava as mesmas coisas, os mesmos filmes, os mesmos ciclos. A Cinemateca já não era património público, era património dele. Mas claro, não era preciso que fosse a morte que lhe tirasse estupidamente das suas funções. Isso tudo para dizer o quê? Que apesar do título pretensioso desse post, eu espero - e acredito que o caminho será este - que (mesmo sem director ainda) a saída do senhor Bénard da Costa è frente da Cinemateca seja um dos belos e grandes motivos para se voltar a ver cinema com prazer naquelas salas míticas. Porque há muito tempo que isso não se via por aqueles lados e porque a Cinemateca de Lisboa é um dos pequenos tesouros guardados dessa cidade. Seria uma pena deixar essa oportunidade passar ao lado agora. Viva a nova Cinemateca!

O "Anticristo" de Lars Von Trier e a fronteira da dor

"Faremos uma versão católica para os mercados mais conservadores que possa cumprir os requisitos de censura. Ainda não sabemos que cenas serão eliminadas, estamos em conversações com as distribuidoras para encontrar a fronteira da dor"

disse o director da Zentropa, Peter Aalbaek Jensen, em declarações ao diário Berlingske Tidende.