06/01/09

Melhores de 2008 - Os Discos

1º  THIRD - Portishead

Nas primeiras audições foi um choque para todo mundo: cadê a banda excepcional dos irretocáveis «Dummy» e «Portishead»? Aquela batida de «Machine Gun» não fazia sentido algum. Passada a primeira audição de frustração calculada, é que entendemos, «Third» é um disco do futuro. Um futuro frio, apocalíptico e cercado de uma beleza hermética quase imperceptível aos ouvidos não-iniciados. Fomos abduzidos e estava desvendado o segredo. Os Postishead continuam perfeitos e geniais e sabem a exacta localização dos chacras do nirvana. Fomos salvos mais uma vez e lá estavam «We Carry On» e «Silence» para nos provar. Ao terceito disco, os Portishead mostram que estão uma escala acima daquela linha imaginária que separa os pobres mortais dos verdadeiros deuses.


2º  HOLD NOW, YOUNGSTER - Los Campesinos

A boa música pop, assim como o cinema, é muito difícil de fazer. Um bom disco, daqueles criados por mãos imaculadas que nos ganha a primeira então, é um verdadeiro oásis num deserto. Foi o que aconteceu comigo e os Los Campesinos, paixão à primeira vista. Num ano em que o último disco que me fez saltar de felicidade assim logo a primeira audição foi lançado em 1994, só tive de agradecer aos céus. «Hold On Now, Youngster» lançado em fevereiro mas que só chegou por aqui agora, é sério candidato ao conjunto de canções pop mais perfeitas desde «Funeral» dos canadianos - óbvia fonte de inspiração - Arcade Fire. Este é daqueles discos que desperta em nós aqueles sentimentos obscuros que nem dezenas sessões de terapia consegue. Quem gosta de emoções fortes e desconstruções musicais com elegância não pode perdê-lo por nada na vida.


3º  MIDNIGHT BOOM - The Kills

Quando Alisson Mosshart canta a determinada altura de «Midnight Boom» "What the city used to be...What New York used to be.." já é quase que meio caminho andado para explicar a luxúria que este disco emana da primeira a última faixa. Se é que prazeres dessa magnitude se explica. Ao terceito disco, os The Kills deixam a pose cool estrategicamente encenada dos discos anteriores para se entregar aos prazeres da carne. Pegaram naquilo que fizeram as bandas dos finais dos '90 - o hedonismo como lema máximo - e elevaram-no a enésima potência. Em 2008 os The Kills mataram a cobra e mostraram o pau. E deixaram bem claro como New York deveria ser.


4º  THIS GIFT - Sons & Daughters

Foi o primeiro grande álbum de 2008. «This Gift» sucede ao soberbo «The Repulsion Box» e já há algum tempo que por aí andava a nos provocar com "Gilt Complex" o viciante single que  abre o disco. Alguns dias depois, logo em inícios de Janeiro veio confirmar: este é um daqueles poderosos albuns onde o indie-rock-cowboy-dançante dos escoceses nos faz bater os pés até cansar e pedir por mais. E berrar a viciante «Iodine» numa pista lotada é daquelas coisas lúdicas que toda gente deveria tentar. A consumir sem moderação.


5º  JUKEBOX - Cat Power

O oitavo álbum da belíssima Chan Marshall, chegou às minhas mãos logo que saiu no final de janeiro último, mas não captou de imediato a minha atenção e por alguma conjunção cósmica passou pelo meu CD Player voando. Numa destas noites solitárias reencontrei o álbum com outro sabor e vivacidade e... me apaixonei. Tento rememorar os sentimentos iniciais, mas poucas coisas daquelas audições retornam à minha memória castigada por prazeres não pronunciáveis. A diferença do modus operandi deste «Jukebox» faz com que o apelo indie dos primeiros álbuns desapareça cedendo lugar à uma sonoridade classuda que transpira charme, elegância e um swing que faz arrepiar os cabelinhos da nuca. A felina cresceu, e foi preciso deixar a bebida para fazer um disco para bêbados e amargurados. E este Cat, é o meu melhor elogio.

8 comentários:

Joe disse...

TYens razão no que dizes sobre o "third", e com tanta quantidade de música para ouvir se calhar não lhe dei o tempo necessário de maturação. acredito que daqui a uns tempos me esteja a perguntar como é que não me entrou logo ás primeiras audições.
Os Kills e a Cat Power estariam na minha lista se esta fosse de 25... :) Já em relação aos Campesinos, confesso que nutro por eles alguma irritação. É assim a pop, impossível de agradar a todos.
Um grande abraço e um 2009 sempre na crista da onda

Shumway disse...

No top 3 estamos em sintonia. Já o ultimo da Cat não me cativou tanto como discos anteriores. Tenho de insistir :-)

Abraço

lopo disse...

Gostei da tua lista, este álbum dos Portishead é realmente muito bom e como tu dizes do futuro embora com referencias aos 60's quanto a mim, quando oiço "We Carry on" faz-me sempre lembrar sempre Jefferson Airplane e "machine Gun" os Pink Floyd por exemplo. Feliz ano novo!

gonn1000 disse...

Já esperava algo assim tendo em conta os discos ali do lado direito. Também gostei dos Kills e Sons & Daughters, dos Campesinos fartei-me no EP mas talvez pegue no disco e dos Portishead gostei de algumas coisas mas a sofreguidão incomensurável da Beth é um bocado irritante. A Cat Power nunca foi uma prioridade, ainda assim talvez ouça o álbum.
Cumps

strange quark disse...

Bom 2009!

Confesso que nenhum dos discos que mencionas consta na minha lista de preferências (os Los Campesinos, nem conheço... de ouvir). Os Portishead talvez venha a pegar neles daqui por uns anos, mas faltou-me alguma paciência para o que ouvi. Os restantes, qualquer um deles acho discos agradáveis, mas como o orçamento não é grande nem estica, as minhas escolhas são sempre muito selectivas e vou vagueando por diferentes estilos musicais que, de alguma forma, me surpreendem. Ouvir só rock, guitarras e ritmo deixa-me cansado e aprecio momentos de reflexão musical.

O teu endereço no gmail está activo? Lancei-te o repto do café mas não obtive resposta...

Um abraço

Wellington Almeida disse...

Joe » Obrigado pela visita Joe. Realmente «Third» é daqueles discos que só sabem bem com o tempo. E acho que deverias dar mais uma chance aos Campesinos porque os meninos (e meninas) são mesmo bons! Abs.

Shumway » em sintonia q.b não é? Já que os Kills meteste-os lá no 398º lugar hehehe isso não se faz rapaz. Abs.

Lopo» Obrigado pela visita ao Prepúcio, não gosto das bandas que citaste mas vou ouvir os Airplane para comparar com o «Machine Gun» fiquei curioso...um abraço forte.

Gonn1000 » Tens razão. Só não acrescentei os outros porque colocar discos numa lista só para preencher posições (geralmente 10) sem tê-los achado no mínimo, muito bons, parece-me desonesto. Embora devo dizer que quase que icluíria aí em 6º posição a banda sonora assustadora que o Greenwood fez para «There Will Be blood»

Quark » Caro Mário, não só respondi teu e-mail do café como também o do Natal. Não os recebeste? Vou confirmar nos meus enviados e falamos melhor depois por mail.

Quanto ao comentário do post...eu também pretendo ser sempre selectivo na minhas escolhas, é para isso mesmo que me serve o mp3! Portanto o "orçamento que não estica" de que falas, tbm cá por estes lados, só aplicadas àqueles que valham mesmo a pena. Também gosto de ouvir outras coisas para além de guitarras, mas claro, isso é tudo muito idiossincrático, e minhas escolhas acabam sempre por elevar o que realmente me desperta interesse. Cat Power, Portishead como sabe, não tem nada que ver com os outros dessa lista. E já agora, recomendo vivamente e com muito entusiasmo que ouça os Los Campesinos. Eu descobri através de uma rádio online (woxy.com) onde eles têm o cuidado de tocar música (dentro dos universos alternativos) que realmente interessa. Los Campesinos pegou-me à primeira, escutaram Arcade Fire a exaustão e foram criar seu próprio som, mais insano e menos levado a sério que os seus professores canadianos. Estou maravilhado com o disquinho de estréia deles (13€ Fnac Colombo) no final de outubro, editaram o segundo, também recomendável mas à sombra do primeiro.

Um gde abraço.

strange quark disse...

De facto não recebi nenhum dos teus mails... tenta mandar-me um mail e deixa também uma mensagem no meu blogue para confirmarmos se há algo que não bate certo...

Quanto ao comentário que fiz, foi só uma forma de sintetizar que cada um de nós na realidade dá ênfase a estilos de música diferentes, e eu então ando muito por fases, como o Picasso. Há pessoal que gosta mais da pop dançável, outros das electrónicas, outros do material mais pesado, outros são os indefectíveis do rock, outros vão para os experimentalismos, enfim... sou capaz de ouvir NIN ou Young Gods, bem como jazz, ou clássica, ou muitas outras coisas. No entanto, há estilos que me cansam mais que outros e por isso, por exemplo, é que não ligo assim tanto a novas propostas electrónicas a menos que me deixem uma marca profunda. No caso da lista que apresentaste, creio que qualquer deles (os Los Campesinos não os ouvi) poderia ser um potencial disco que um dia me dará na gana de comprar, e ouço-os com algum prazer (confesso), mas os Portished coloquei-os de parte cedo. Mas também pode ser que os venha a descobrir mais tarde. Ainda me lembro que quando os The Smith debutaram, eu olhava-os com muita desconfiança e hoje são uma das minhas referências de 80. É assim a vida, em constante mudança...

Um abraço

Luís disse...

Olá! O link refere-se ao teu ultimo post :)
Ou seja, sempre que publiques um novo post vai lá estar um novo aviso :) (é um novo add-on do blogger em que podes "seguir" os blogs que queiras).
Abraço, Luís C.