24/07/09

A morte (de João Bénard) e a (nova) vida da Cinemateca

Eu nem ia falar nada aqui sobre a morte desse senhor - mesmo porque já tinha falado dele de uma forma não muito agradável aqui quando ele ainda era vivo - mas na hora da morte, esta fria e imprevisível senhora de negro, as pessoas parecem que perdem o passo e não sabem como reagir.As coisas que alguns dos seus detractores mais ferrenhos escreveram na imprensa sobre ele parece brincadeira de mau gosto. E nem estou falando de falta de respeito com a morte alheia, porque isso é outra conversa. João Bénard da Costa, que eu tive o desprazer de conhecer numa situação passada, mostrou-se para mim tudo aquilo que seus maravilhosos textos escondiam: uma truculência de um cowboy disfarçada sob a capa de intelectual e um autoritarismo nauseabundo que era quase impossível de se acreditar. Já na Cinemateca, eram muitos os que reclamavam a sua demissão ou a deposição do seu cargo de director, tamanha era a sua comodidade de cargo público canonizado, do alto do seu trono inabalável. Já ninguém mais aguentava as mesmas coisas, os mesmos filmes, os mesmos ciclos. A Cinemateca já não era património público, era património dele. Mas claro, não era preciso que fosse a morte que lhe tirasse estupidamente das suas funções. Isso tudo para dizer o quê? Que apesar do título pretensioso desse post, eu espero - e acredito que o caminho será este - que (mesmo sem director ainda) a saída do senhor Bénard da Costa è frente da Cinemateca seja um dos belos e grandes motivos para se voltar a ver cinema com prazer naquelas salas míticas. Porque há muito tempo que isso não se via por aqueles lados e porque a Cinemateca de Lisboa é um dos pequenos tesouros guardados dessa cidade. Seria uma pena deixar essa oportunidade passar ao lado agora. Viva a nova Cinemateca!

2 comentários:

O Puto disse...

Agora vejo de quem falavas naquele texto. Admiro a tua coragem e frontalidade neste texto. Desde há muito tempo que separo (e gosto de separar) os autores das suas obras. Só assim consigo arrumar algumas ideias e justificar alguns gostos, se é que isso necessita de justificação. Abraço!

O Puto disse...

Já agora, peço também uma extensão da Cinemateca no Porto.