26/02/08

Um filme à beira de um ataque de nervos

E eu não gostei mesmo nada de «Juno». Fui lá para a sala escura com a melhor das intenções e à metade do filme o meu tédio e constrangimento já beiravam a barreira do insuportável. Sei que minha opinião não é nada consensual e nem quero entrar aqui em polémicas desnecessárias. O problema de «Juno» é que o pretenso «coolness» do argumento é tão calculadamente programado que torna-o caricato, no mau sentido. O cinismo excessivo lambuzado a piscadelas de olho à cultura pop é quase um grito desesperado por atenção, como um adolescente a pedir para ser aceite na turma. Bastam meia duzia de diálogos para vermos ali Diablo Cody (a argumentista) a exibir-se na sua pretensão supostamente smartie, a praticar a sua rebeldia feminima de pacotilha. Funcionou para muita gente, o filme já arrecadou mais de 110 milhões de dólares desde a sua estréia e vem ganhando muitos elogios da crítica pelo mundo afora. Se é isto o que chamam de «novo cinema independente americano» eu passo reto.


* O hamburguer-fone da foto, adereço da personagem título, foi uma prenda estrategicamente oferecida aos membros da Academia que votam no Oscar. Ainda bem que ninguém se vendeu por tão pouco.

7 comentários:

Eduardo Negrão disse...

subscrevo! Muito muito aquém do que esperava, completamente hype. Aqueles diálogos... nem vou dizer nada. O filme não é mau, mas é muito muito muito abaixo das críticas veneram o filme a torto e a direito.

Wellington Almeida disse...

Abaixo ao Hype! hahaha

Obrigado pela visita, Eduardo!

Eduardo Negrão disse...

E mais! A linguagem pseudo-cool e das expressoes, como tu disseste, smartie nao se transportam para a lingua portuguesa facilmente nas legendas, entao isto é colmatado com legendas extremamente ridiculas quando a linguagem falada é normal! Triste.
Fala: "Really?"
Tradução: "P'a valer?"
Assim não dá...

gonn1000 disse...

O balanço é positivo, embora concorde com o que escreveste e acho que tanto hype em torno de só mais um filme indie que em nada inova é irritante.

Wellington Almeida disse...

Eduardo, essa historia das traduções dava uma novela haha

E Gonçalo, ja vi que tu escreveste algo dos Furslide no meu Google Reader...quero ver, pois eu adoro, adoro aquele disco.

abraços!

Demoiselle Retro disse...

vi Superbad ontem, hilário, e o miúdo que ta em Juno é excelente, não dava muito por ele no "arrested development".
Agora vou ver o hypado Juno, com bem menos expectativas, depois do que li aqui.

Wellington Almeida disse...

Demoiselle, «SuperBad» é o máximo! Fiquei fã do gordito e do Michael Cera (do Juno)mas nem isso ajudou a melhorar este filme forçado que é Juno. Nem a música linda da Cat Power (sea of love)que toca no final. Vai ver e depois falamos.

;) Beijinhos