22/02/09

Os meus óscares

Este ano, comparando com os últimos três, talvez seja o ano mais interessante do Oscar. Muitos bons filmes para ver e cada vez menos filmes com o "selo oscar de qualidade". Em 2009, este posto ficou a cargo de dois deles: «O estranho caso de Benjamin Button» e «O Leitor». Apesar dos seus realizadores, Fincher e Daldry, terem o meu mais absoluto respeito e algumas obras-primas no currículo, parecem-me filmes certinhos demais, filmes com cara de oscar. Eu quase que incluíria «A Troca» do Clint Eastwood nesse balaio, mas Clint Eastwood está acima de qualquer suspeita e já provou há muito o que tinha para provar.
O meu favorito para o prémio de melhor filme é o muito controverso «Slumdog Millionaire». Acho um disparate sem fim dizerem que o filme faz pornografia da pobreza. Acho-o poderoso, pujante, original. Sou fã de Boyle há muito tempo (ok, esqueçam «A Praia» e «Milhões») e desde «28 dias depois» não o via em tão boa forma. Esta é a sua grande volta, o ano da sua consagração, finalmente.
Se o prémio não fosse para o filme de Boyle, provavelmente eu daria para o filme que menor chances tem de sair com alguma estatueta, «Frost/Nixon». Há qualquer coisa de muito adulta e coerente no último filme de Ron Howard. E estou a falar de um dos piores realizadores dos ultimos tempos, o homem que faz filmes politicamente correctos e aborrecidos como «Uma mente brilhante» e «O Código Da Vinci». Parece que com «Frost/Nixon» alguma luz se acendeu ali. E por falar em filmes politicamente correctos, saí com uma pontinha de decepção da projecção de «Milk». Gus Van Sant é um cineasta assombroso, faz obra-prima atrás de obra-prima mas em «Milk» parece que segue a cartilha do academismo norte-americano minuciosamente, de uma forma que as vezes chega a dar sono. Carlos Merten, jornalista do Estadão, perguntou no seu blogue dias atrás: "Será possível não gostar de «Milk»?" dada a ovação unánime e as críticas positivas ao filme. Ninguém fal mal de «Milk», se tornou um pecado capital. Eu até gosto do filme, não é esta a questão, mas há qualquer coisa de xiita nessa bajulação toda. É sim um belo filme, Sean Penn merece sim o oscar (mais que Rourque até) mas é de uma convencionalidade ortodóxica que assusta. E eu não esperava isso do senhor Van Sant.
Para acabar, devo dizer que o filme "do oscar" que mais me impressionou e que merecia estar entre os cinco indicados, é o belíssimo «Revolutionary Road». Há muito tempo não via filme tão dilacerante. Sam Mendes volta ao que sabe fazer melhor, olhar pelo buraco da fechadura a terrível realidade que povoa as vidas aparentemente perfeitas. Desde «Magnólia» que não via um objecto de cinema tão belo e tão corrosivo.

1 comentário:

O Puto disse...

Concordo contigo em relação ao "Revolutionary Road". É um filme belo e brutal! Abraço!