02/10/10

Motelx e os filmes da década: Os Olhos da Cidade São Meus*


Começou desde quarta-feira o Motelx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Um dos melhores e mais bem organizados festivais de cinema acontecendo em Lisboa. Esta 4ª edição, está tão boa e tão brilhantemente programada que arrisco dizer que é a melhor edição de todas. 
Li em algum lugar que o facto de o Queer Lisboa ter acontecido ali dias antes possa ter prejudicado uma promoção mais elaborada por parte do Motelx, pois a impressão de que houve uma overdose de festivais em tão pouco tempo ainda ecoava na memória dos lisboetas. 
Pelo que eu vi até agora, acho que a organização tem andado bem satisfeita. As salas estão quase sempre cheias, o merchandising disponível é impecável e super informativo e a lista de convidados deste ano está - sem trocadilhos - assustadora. Esqueçam lá um pouquinho o George Romero, façam favor. Está cá um dos mestres vivos do novo terror britânico, está cá o Neil Marshall, minha gente. O homem que fez The Descent (A Descida ou O Abismo do Medo depende em que continente você está) e que não precisa fazer mais nada para morrer canonizado e respeitado.


Aliás The Descent passou na quinta-feira e como já disse alguém na página do festival no Facebook, é um filme que tem de ser visto na tela grande para funcionar em toda sua grandiosidade. O filme agradou a tanta gente justamente por se destacar de todos estes pastiches requentados que infestam os cinemas todas as semanas. E desenvolvia, sem pressas, todas as personagens - seu passado, seus traumas e fantasmas - para depois criar aquela tensão aterradora em crescendo, sempre com subtileza e mão ágil, para depois fazer cada uma delas liberar os seus instintos mais primitivos na luta pela sobrevivência. Neil Marshall virou realizador de culto instantaneamente, trazendo uma ressurreição (sim, mais uma) ao género terror. Para quem perdeu o filme dessa vez, aconselho esperar por reposição na cinemateca ou algo assim. Ou nada feito.
Neste mesmo ano de 2005, outro pequeno filme independente, crescia no boca-a-boca dos festivais mundo afora. Era o fabuloso Wolf Creek do australiano Greg McLean e começava aí na segunda metade da década uma série de novos filmes perturbadores que não lhe iam deixar dormir como tão bem fazia antigamente.

Na edição de 2008 do festival aterrissava, desta vez vindo da França, outro ovni empenhado em fazer plateias inteiras se contorcerem de pânico e terror na sala do São Jorge. Era o brutal Frontiére(s) que testava os limites humanos de um grupo de amigos perdidos algures na Holanda e do qual já comentei aqui. E o filme francês foi só um aperitivo para este ano de 2008, pois alguns meses mais tarde, inspirado num conto do Stephen King, chegava discretamente às salas lisboetas um dos filmes mais perturbadores destes últimos anos: The Mist. Daquele senhor que já nos tinha acostumado a tantos filmes maus e piegas, o norte-americano Frank Darabont. Neste filme, ele consegue atingir um nível de sobriedade surpreendente e faz, para mim, o melhor filme de toda sua carreira. No final fica difícil perceber o que assusta mais: se é o estranho nevoeiro que cai sobre a cidadezinha ou a fanática religiosa personificada por Marcia Gay Harden.
E para acabar esta pequena lista, queria mencionar aqui também o apavorante 30 Days of Night. Filme que se passa no Alasca onde das terras geladas da inóspita região surge uma força do mal que espalha terror entre os habitantes da cidade. Sam Raimi queria ter realizado o filme (e detinha os direitos de adaptação) mas acabou passando a bola ao britânico David Slade, mais conhecido pela sua elogiada estreia Hard Candy ou o último filme dos vampiros vegetarianos, o Eclipse. O filme foi baptizado em Portugal de 30 Dias de Escuridão e o link da felicidade você encontra aqui.

* o título do post é uma brincadeira com o título em Português que um clássico do género, Anguish de Bigas Luna, teve no Brasil.

2 comentários:

roskoff disse...

com um título destes

ao menos pornografia

nem que fosse só de gadjos

ou com ciganos gay's

AR disse...

n fui ao motelx...
mas tinha q comentar aqui pela ref ao the MIST! ihihih, ^^