15/10/11

Marilyn Manson, um novo homem na Vogue Itália

Parece que Marilyn Manson deixou de ser cool da noite para o dia ou foi só impressão minha? Ou será que ele nunca sequer foi cool? Eu, longe do fã que era dez anos atrás, devo dizer que ainda gosto muito dos seus primeiros discos (em especial «Antichrist Superstar» e «Mechanical Animals») e que já o vi duas vezes ao vivo e fiquei muito impressionado com a sua atuação. 


E tudo isso para dizer o quê mesmo? Para dizer que eu acho mister Manson super talentoso, inteligente e bem articulado mas que não deixou de deslizar na cartilha dos lugares-comuns do rockstar: se repetiu em montes de discos banais, namorou vedetas pop de Hollywood, arranjou brigas e desavenças com vacas sagradas (Trent Reznor chegou a dizer que Manson era "um cara malicioso, que passa por cima de qualquer pessoa para chegar ao sucesso e cruza qualquer linha de decência. É um palhaço drogado") e se afundou nas indispensáveis substâncias químicas.


Mesmo assim, Manson parecia imparável. Seus discos seguintes, cada um pior que o outro, reproduzia aquela mesma cartilha do choque gratuito: Deus, religião, sexo e culpa. Em plena década dos zeros, perfeitos antítodos contra a insônia.
Mas eis que Manson retorna das trevas e, para fechar o ciclo comeback com chave de ouro, faz ensaio fotográfico para a Vogue Italiana com o disco novo Born Villain na bagagem. "Eu fiz este álbum com o mesmo espírito que eu tinha dez anos atrás quando eu ainda desejava o sucesso. Depois de ter tudo e perder tudo, estou de volta com a mesma energia" diz Manson em discurso mea culpa



O ensaio é perturbador: a maquiagem que lhe era tão característica ficou de fora, as caras e bocas e os maneirismos que lhe deram fama também. Manson agora é um novo homem. Que aprendeu com os erros, que aprendeu com as drogas, que aprendeu com o sucesso que quase o engoliu. Mas que continua a rezar a sua missa, seguindo one by one cada um dos clichês da história da música pop. 

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