06/01/10

Melhores de 2009 - Guilty Pleasures

Assim como nos anos anteriores este blogger preparou uma listinha com os prazeres culpados do ano, este ano segue mais uma. Mais tímida, porque a memória guilty de 2009 ja está castigada demais para voltar a funcionar mas, mesmo assim, precisa. Nos próximos posts publicarei melhores músicas, discos e filmes que fizeram em 2009 a cabeça do Prepúcio. Sem trocadilhos, por favor.


Confessemos todos: esta é uma das delícias pop de 2009 e pronto. Além do clipe que, de tão simples e tão bom, gerou paródias pelo mundo todo tem um gancho pop ali que é impossível ficar indiferente. Beyoncé consegue reinventar-se mais uma vez, e mesmo abusando dos sintetizadores que fazem a fama das Ladys Gaga da vida, ainda mantém fincado um pézinho nas raízes negras e faz um hit pop improvável. Funk classudo e cheio de swing retro, "Single Ladies" faz por 2009 o que 'Umbrella' da Rihanna fez por 2007. E isso já basta para garantir o seu lugar nos anais dos clássicos pop.


Taí uma música que me venceu pelo cansaço. Minha primeira audição foi ódio a primeira vista mas depois, como que por vingança, a música me perseguiu por todos os bares e discotecas onde eu estava e a cada vez que eu a escutava, entrava uma coisinha aqui e outra acolá. Kitsch sem limites, disfarçada de musa indie, La Roux - se tudo der certo - será produto de um hit só. Mas até ela sumir do mapa dá para se acabar na pista com esta 'Bulletproof' e depois chegar em casa e ajoelhar-se sobre milho, para pagar todos os pecados e continuar a vida de consciência limpa.


As meninas do 'The Veronicas' posam de rock stars indie-góticas e tal nos clipes mas não enganam ninguém. São umas meninas bonitas que fazem música pop teen do mesmo saco de onde saiu a Avril Lavigne. Ou se quisermos sermos um bocado mais cínicos: róquinho rebelde. Ouvi o disco uma única vez e fiquei enjoado. Aliás, na terceira música você já nem sabe mais o que está ouvindo. Mas essa 'Untouched' é um caramelo com camada dupla. Relembrando os bons tempos (?) das lesbo-russas T.A.T.U juntam todos os clichês das boas canções pop (amor, perda, redenção) à falsestes e riffs ganchudos de guitarrinhas de plástico e fazem um dos melhores guilty pleasures do ano. Agora só falta tocar na rádio e ganharem o mundo. Pose, beleza e roupas pretas já têm.


Sim, você leu direito. Marley & Eu. Nem nos meus sonhos mais loucos eu podia pensar que este filme pudesse ocupar qualquer espaço que fosse neste blogue. Fui ver o filme esperando o pior. Há algum tempo atrás vendo os extras do DVD de 'O Diabo Veste Prada' fiquei irritado com uma entrevista do diretor David Frankel [o mesmo do 'Marley']. Na entrevista, ele dizia que não gostava do primeiro guião que recebeu de 'O Diabo' porque achava-o muito 'negro' e então quando chegou a versão suave, ele soube imediatamente que era isto o que iria filmar. Quem leu o 'Diabo' diz que o filme é uma caricatura politicamente correcta do livro mas qualquer um que também conheça o trabalho anterior de Frankel sabe que ele não era capaz de muito mais que isso. Frankel faz filmes para toda a família, e isso já diz tudo o que é preciso saber. Foi então com uma estranha surpresa que vi, numa história aparentemente idiota, um dedo inquisidor apontando para todos os totens e valores familiares que o 'cinemão família' tanto defende: casamento, felicidade, estabilidade... Era muito fácil falar mal de 'Marley & Eu' mas no meio do status quo hollywoodiano, Frankel conseguiu ser gente grande e fez sim um filme para toda a família mas sem deixar de lhes puxar o tapete no final. E só por isso, ele merece uma vénia.

1 comentário:

Anónimo disse...

wow! fiquei mesmo impressionado em ver o Marley & Eu aqui..hehe agora tenho mesmo de vê-lo.

abracos

Pedro