27/05/08

Cat Power ao vivo - Coliseu de Lisboa

Dói muito dizer isto, mas que grande decepção foi o concerto da linda Chan ontém no Coliseu dos Recreios. O que se ganhou em profissionalismo, perdeu-se naquilo que a felina era melhor: na imprevisibilidade, na química com o público, nas versões melhoradas das suas canções de estúdio. Ontém vimos a menina que chegou à idade adulta, e agora mais segura do seu grande talento, só quer cantar e brilhar. E dá-lhe com o novo «Jukebox» quase na íntegra e de uma assentada só, para logo depois tocar umas versões indigestas de três temas do «The Greatest» («The Moon», «The Greatest» e « Lived in Bars»). Num coliseu esgotado, Chan parecia inquieta, incomodada (abandonava o palco incessantemente para reclamar com o tipo da iluminação) como se tivesse ainda a pagar pelos pecados cometidos com o público português há uns anos am Matosinhos. Sua banda, a Dirty Delta Blues Band cada vez mais se assemelha àquelas bandas que tocam em casamentos com teclados estridentes e músicos virtuosos. E que já se notava desde o àlbum anterior. Seguiu-se então uma versão em castelhano de «Black Angels (Angelitos Negros)» com uma cábula A4 nas mãos e completamente desafinada para acabar em grand finale com «I've Been Loving You Too Long (To Stop Now)» a meio do público entre milhares de vénias e «I love you». Que saudades daquele concerto maravilhoso de dois anos na aula Magna.

7 comentários:

Nessuno disse...

lá está =|

Wellington Almeida disse...

Mas mesmo os maus concertos dela valem os euros gastos..hehe
E aquele final, em que ela não abandonava o palco, foi lindo.

Tiago Pereira da Silva disse...

Realmente as opiniões sobre o concerto dividem-se...lol
Eu sou dos que continua a achar que uma cantora demonstrar as suas imensas incertezas, pouco à vontade e fragilidades em palco, cobre-a de uma autenticidade muito rara...nos dias de hoje. Não tendo sido excpecional... foi um bom concerto, com uma voz instável mas para recordar por muitos e muitos anos, tal como alguns episódios do concerto.

margarida. disse...

a Dirty Delta Blues Band é de um talento irrepreensível.
o registo da Chan Marshall, não há dúvida que evoluiu de um modo diferente, e o concerto é apenas reflexo disso (e embora eu concorde que talvez ganhasse se as interpretaçoes do "the greatest" não fossem tão lineares, é óptimo ver alguém que se reinventa constantemente, resultando melhor ou pior.)
A voz está melhor que nunca...e aquela expressão que dá, cada vez melhor, cada vez mais, a cada música...dão-lhe um charme e um carisma difícil de encontrar, e de esquecer.
:)
mas como dizia o outro, "opiniões sao opiniões".

Joana Amoêdo disse...

Em Matosinhos e um ano depois em Paris, cantou 3 músicas e começou a exigir whiskies, a insultar o público e caiu bêbeda no chão. Muito mal mesmo e nem o talento a salva dessa falta de respeito pelo público. Pelo menos a Amy ainda cantou do princípio ao fim...;)

Ana Coelho disse...

Não vi esse concerto, mas vi o último que tinha dado na aula magna e saí de lá decepcionada.
Dêem as desculpas que quiserem, que ela não atinou com a acústica ou que o próprio som estava uma merda (desculpa a expressão), a verdade é que esperava muito mais e tive muito menos
Beijocas

Rui Lança disse...

Gostos não se discutem...mas ok. Andava eu aqui na net à procura de comentários sobre o concerto de Lisboa e deparei-me com isto.

Confesso que ao início me meteu muita impressão o facto de ela estar sempre a sair e a entrar por causa de qualquer coisas, mas aos poucos fui ficando 'conquistado'.

Os 'Angelitos Negros' foi dos momentos mais marcantes dos concertos que vi e aquele final, a empatia do público em ficar ali a bater palmas durante 10' a 15'...não é para qualquer um. Mas ok...gostos não se discutem!