14/09/10

Porque «Do Começo ao Fim» deve ser o pior filme do ano

Quando os créditos finais deste Do Começo ao Fim chegaram ao fim eu quase saí correndo da sala antes mesmo de as luzes se acenderem. O meu constrangimento, talvez por ser brasileiro, era tanto, que saí da sala no mais absoluto silêncio. Parecia aquela fatídica sessão de Turistas, há quatro anos, nos cinemas nefastos do Colombo.
Vi o filme em Berlim há alguns meses, numa sala lotada de um festival que já não me lembro do nome e antes do filme começar, entrou um homenzinho careca de microfone na mão para fazer uma pequena introdução ao filme. Ele explicou aos presentes, que o filme "tinha dado o que falar" no Brasil e que foi alvo de muitos boicotes por parte dos defensores da boa conduta moral por aqueles lados. Coisa impensável num país com tantos corpos à mostra, os alemães devem ter pensando. Mas depois da introdução inflamada do homenzinho, quem já estava curioso para ver o tal filme ficou em pulgas. Eu incluído.


Indo direto ao ponto: «Do Começo ao Fim» é um filme fetichista, ridículo e inofensivo. É um videoclipe homoerótico de hora e meia com objetivo único de fazer barulho. Tudo aqui soa falso e inverossímil. Desde a mise-en-scène artificial aos diálogos mecânicos e canastrões.
O filme é suposto ser uma história de incesto, sobre dois irmãos que se apaixonam, mas aqui o conflito foi jogado para um canto. Se existiu mesmo polêmica, esta se deu simplesmnete pelo facto de que desde o começo nós (espectadores) sabemos que eles são irmãos. Só nós, porque os protagonistas e todo o resto do elenco parecem ignorar este detalhe por completo. A simbologia fraternal aqui é um mero detalhe.  Não existe questionamento aos valores morais, às convenções sociais (familiares e religiosas), nada. Tudo se resume a um banal conto erótico de amor entre dois homens bonitos e saudáveis.
O diretor, Aluízio Abranches, disse numa entrevista que não queria fazer política nem se posicionar moralmente sobre o tema e que seu filme é "pós-tudo". Mas ao se desvencilhar da responsabiliadade (e da oportunidade) de fazer um filme "político" ou uma abordagem mais complexa, Abranches faz um filme que é "pós-nada". Pois o seu filme levita num vazio de ideias ocas e, como disse João Nunes - crítico do Correio Popular -  está mais para um "comercial de margarina" que para qualquer outra coisa.
O filme abre o 14º Queer Lisboa o festival de cinema gay e lésbico de Lisboa, que começa já na próxima sexta-feira no cinema São Jorge.

2 comentários:

Abraço-te disse...

Ainda bem que todos temos gostos diferentes, assim como opiniões, porque gosto, e gostei muito do filme... Achei que ultrapassou toda essa polémica, que afinal, não passa de 2 homens apaixonados!!! Tem uma boa narrativa, tem cumplicidade entre os dois, acho que não está nada em excesso!!!Um excelente e pura historia de amor...

Abraço-te

Wellvis disse...

E viva a liberdade de ideias e expressões não é Abraço-te?

Abraço pra ti tbm ;-)