12/11/07

Someone that cannot love

Fiz um comentário no blogue do Nuno Markl que deu para o torto, falei mal do David Fonseca e fui apedrejado por uns quantos. Até o próprio Markl respondeu. Pudera, o homem é um totem inquebrável em Portugal. Nas palavras do Markl, o David continua o mesmo gajo «porreiro, low profile e despretensioso» que ele conheceu há alguns anos. A mim, ele não engana. Continuo a acha-lo exactamente a mesma pessoa desde que o conheci. Como disse um amigo meu, é preciso acabar com alguns cânones.

5 comentários:

RAA disse...

Não tenho nada contra a pessoa. Como músico, acho-o um chato do caraças.

oaktree disse...

Concordo. O rapaz até pode ser simpático (dizem que sim e, de facto, ele até aparenta uma certa bonomia), mas toda aquela sua empáfia e a vassalagem que lhe é prestada, tanto pelos fãs como pelos media, causam-me um certo prurido.
Afinal, porquê tanto alarde? O que é que o Sr. David Fonseca trouxe assim de tão novo e relevante ao panorama musical português que justifique o espalhafato? Absolutamente nada. Música banal e corriqueira sem grande chama nem rasgo de criatividade.
Não é bom nem é mau. Mas irrita.
***

Wellington Almeida disse...

Raa: não o conheço como pessoa, o que me irrita é mesmo aquilo que toda gente vê. Abraços.

Oaktree: Concordo plenamente, prinmcipalmente o penúltimo paragrafo. Abraços.

strange quark disse...

Sabes que isto por cá é um pouco por "cenas". Houve a cena dos Gift, antes eram os Silence 4, etc... Pessoalmente, nem gosto nem desgosto do David Fonseca. Considero-o um compositor talentoso pelo sentido melódico que dá às suas canções, que conseguem entrar no ouvido. Acredito que se vivesse em Inglaterra seria seguramente uma "estrela", mas nada disso significa que a sua música seja particularmente inovadora, tal como muito hype que por aí anda nem o queria para banda sonora de um elevador.

A música moderna portuguesa parece demasiado agarrada a cânones importados, sem capacidade de trabalhar matérias-primas potenciadoras de uma reinvenção das estruturas musicais. A começar por esta insistência em cantar em inglês, que em parte não me chateia mas em demasia aborrece. Às tantas dou comigo a ficar mais atento a músicas pelas letras que falam a minha língua, que de outra maneira não lhes passaria cartão.

Mais uma vez não me canso de dizer que o pessoal cá neste canto dá pouca (ou nenhuma) atenção a uma banda (que tu agora conheces) e que é a mais importante que alguma vez cruzou o espectro sonoro português: A Banda do Casaco. Numa entrevista recente, um dos seus elementos fundadores disse algo com que concordo inteiramente: as raízes da música portuguesa são muito pobres. Daí que a sua abordagem tenha reflectido muito reinveção com múltiplas fontes, de tal forma que são uma banda inclassificável, mas extraordinariamente original. Tal como na literatura ou no cinema, é sempre bom olhar para os clássicos, e na música há muita sensação de "do it yourself" com referências a produtos de consumo rápido e pouco profundos. É o que dão as heranças do punk levadas às últimas consequências...

Um abraço

Wellington Almeida disse...

Mário, obrigado pelos teus comentários sempre coesos e urgentes. Concordo com quase tudo.
Eu tbm ouço muitas bandas brasileiras que cantam em inglês, os JERKS que eu adoro, por exemplo. Não há espaço para hipocrisias aqui, não há «verdade» no discurso quando ele é em inglês e pior, quando é levado demasiado a sério. A declaração do elemento da Banda do Casaco, ele sabe do que fala.

Outra coisa o teu comentário que eu gostei muito foi a tua última frase sobre o punk ser levado às últimas consequencias. Uma frase destas dá muito que pensar. Um gde abraço.