15/10/06

25.12.05 - "O ESTILO GAY" segundo a REVISTA SÁBADO


Revistas semanais de opiniăo săo quase sempre tendenciosas e as vezes até sensacionalistas. Muitas vezes resultam melhor como peça de consultório odontológico do que como fonte informativa. Claro que a discussăo năo é tăo estreita assim quanto parece, mas a verdade é que com a massificaçăo da internet muitas delas tem de caçar agulha em palheiro para sobreviver ao bombardeio diário de informaçőes. Sempre fico irritado quando as revistas năo tem assunto e metem lá uma chamada bombástica de capa: "Portugueses săo os mais infelizes da Europa". Esta semana pela primeira vez li a Sábado, revista semanal que por vezes lembra a Veja (quando esta se leva muito a sério). E lá estava outra chamada sensacionalista alegando um suposto estilo de vida homossexual: "O Estilo gay está na moda" Por momentos tive a sensaçăo de estar lendo publicidade paga pelos proprietários do Lux (que também săo donos do Papaçorda, Bica do Sapato e Frágil todos muito citados na "matéria de capa") mas năo da para levar demasiado a sério artigos de opiniăo como este.


O Lobby Gay, segundo a revista Sábado:


«Nas novas geraçőes,a integraçăo dos homossexuais năo se está a fazer pela via política mas antes por dois eixos básicos do capitalismo:o consumo e a imagem»

«Na verdade a nova cultura gay năo é assim tăo exibicionista. E năo se limitou a contagiar os hábitos de beleza dos heteros portugueses (...) Tem a ver com quem se dăo e onde văo»

« Há uma catedral em Lisboa para esta nova síntese urbana: a discoteca Lux...»

«...Os heterossexuais que cultivam a modernidade e o espírito progressista querem estar lá [No Lux] para se banharem na onda de glamour.Lá onde, segundo o jornal inglęs The Guardian, os truly gorgeous se juntam (...) e bebem gim tónico e vodca-limăo»

«É o universo homossexual que define hoje o que é a beleza (...) É verdade que săo os gays que impőem um certo look helénico que está em voga»


Só uma coisa irrita mais do que o militante fanático, săo os clichés-ambulantes que andam poraí a escrever bobagens como esta.



12.12.05 - NÁRNIA

Quase obrigado fui ver "As Crônicas de Narnia" na sexta-feira com alguns amigos. E digo quase obrigado năo por achar que "năo era filme para mim", mas porque eu năo sabia absolutamente nada sobre o filme e pelas fotos pensei se tratar de uma ficçăo-científica ambiciosa e histérica.Coisa para a qual năo tenho pacięncia nenhuma. Na primeira hora fico impressionadissímo com o lirismo lúdico do filme e "O feiticeiro de Oz" ja me vem ŕ cabeça. O cuidado técnico das animaçőes, aquele tom onírico de fábula...O cepticismo habitual ja tinha ido para o espaço. Mas da segunda metade para o final o filme revela toda sua fragilidade de argumento e se arrasta por mais algumas dezenas de (intermináveis) minutos. Aquela batalha final é totalmente despropositada, e a măo pesada da Disney está bem assente naquela cena da "beatificaçăo" dos "reizinhos" (Aquilo podia funcionar bem no Rei Arthur...). Deve ser por isso que o autor dos livros nunca autorizou a adaptaçăo para o cinema dos seus contos. Acho que na măo de Tim Burton isto seria muito mais que um espectáculo cinematográfico de encher os olhos.


4.12.05 - AS LISTAS


Fim do ano se aproximando e ja começam a pulular listas por todo o lado. Sem ser propriamente uma lista de melhores mas (a desconstruçăo do cinismo) sobre elas, é com imenso prazer que leio a coluna do Ricardo Calil no site no mínimo sobre a presunçăo dos que nos impőem os seus "melhores filmes de sempre" ignorando a sua própria história. Devo dizer que "Willy Wonka & the Chocolate Factory" (o primeiro de 1971) assim como para o Ricardo é também o meu "Pontenkim" pessoal. O texto todo dá para ler clicando AQUI.

2.12.05 PROOF - ENTRE O GÉNIO E A LOUCURA

Nos primeiros dez minutos de filme ja armei a crista:Porque é que todo suposto gęnio (incompreendido,claro) tem de ser sisudo, depressivo a beira da loucura e todo o universo a sua volta năo fazer o menor sentido? Nenhum realizador, mesmo com as melhores intençoes, consegue fazer engolir esta balela pela septuagésima vez. Nem Gwyneth Paltrow (com sua sensualidade assexuada) nem Jake Gyllenhaal (em piloto automático) dăo alguma dignidade a este filme presivível e com óbvias pretensőes a oscar. O que resta entăo ? Nada. Lamentar que ainda existam projectos insólitos e acéfalos como este, em que duas horas de suposto entretenimenmto acabem por ser aborrecimento a brava.

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