15/10/06

[ Ter, Jun 22, 2004 ] O MELHOR FILME DE 2003 AINDA MELHOR!

Acaba de sair em DVD (no mercado Portuguęs,năo sei no Brasil) uma verdadeira ediçăo de luxo do filme "Good bye Lenin!" para fă nenhum botar defeito. Acabei de me deliciar em uma sessăo com mais de 3 horas de extras, tudo cuidadosamente legendado em portuguęs e onde se nota o grande trabalho técnico que o filme teve, especialmente naquela que é a cena chave do filme: Lenin pendurado num helicóptero "acenando" para a măe de Alex. A cena durou semanas e quando tudo parecia estar pronto, vários problemas aconteceram e tiveram que criar tudo digitalmente. Ou melhor, quase tudo. Os edificios precisavam de um toque mais degradado e a estátua de Lenin que vemos foi toda criada por computador. Outra curiosodade do filme é que só depois de tręs meses de pré-produçăo é que descobriram que o actor que originalmente interpretava a personagem de Alex (Florian Lukas, o rapaz que faz os filmes caseiros) năo era convincente o suficiente porque parecia mais velho e a personagem teria que aparentar 21 anos. Além de um extenso making of relatando dia a dia desde o primeiro ao último dia de filmagens (inclusive no 11/09/01 quando foi feita a cena do banco com os actores todos chocados pelo atentado ŕs torres gęmeas) há um documentário sobre como foi feito a cena do Helicóptero, comentários do Director e dos tręs actores principais,uma versăo interactiva do filme e galeria de fotos. Uma ediçăo quase perfeita.O único senăo desses 02 discos é onde diz: "Os acontecimentos de 1989/90" que ao contrário do que eu pensava está todo em texto,e năo com imagens históricas da época. Uma pequena obra-prima maior,melhor e definitiva.
[Sáb, 12 de jun de 2004] VAI DOER MAIS EM MIM DO QUE EM VOCĘ: OS PIXIES FICARAM VELHOS
Quem era aquela mulher gorda, cansada e de pijama tocando baixo ontém com os Pixies? Năo pode ser minha "ídala" , minha musa, minha deusa Kim Deal. A mesma que botou o maravilhoso "Last Splash" no mundo.Năo pode ser. Năo sou ingęnuo,sempre soube que eles voltaram por causa de dinheiro e para fazer a alegria dos făs, e os próprios nunca esconderam isso, mas aquela apresentaçăo de ontém a noite foi tristíssima. Năo queria assumir para mim próprio que aquele concerto estava um saco.Mantive as esperanças até o último minuto, afinal no Brasil a "volta" deles tinha sido uma coisa destruidora (no bom sentido). Mas foi isso mesmo, ontém eles năo estavam nos seus melhores dias. A graaaaaande banda do genial "Doolitle" fizeram um dos piores concertos que eu já vi. Conseguiram transformar a acachapante "Debaser" em uma versăo mosca-morta e no meio de "Vamos" meteram lá um daqueles clássicos solos de guitarra intermináveis para assegurar as audięncias de que ainda estavam em forma. De resto alguns singles certeiros: "Here comes your man" (Aqui em Portugal é o hit deles) "Where is my mind?" e acabaram com "Gouge Away" e "Tame". pouco menos de 1 hora de show e a sensaçăo de que comprei gato por lebre.
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Infelizmente năo cheguei a tempo de ver a apresentaçăo dos Liars que tocaram as 18 horas. Uma pena pois o disquinho deles é bem legal. E o Lenny Kravitz que eu achava que era a mais pura definiçăo de "erro de casting" deste dia do festival afinal era o "cabeça de cartaz" da coisa. Tocou por quase duas horas sem parar, tudo muito bonitinho e certinho sem destruir nada (essa é para vocę Mr. Frank Black) e fez até os mais incautos e preconceituosos (como eu,admito) mexerem-se dos lugares. Disse que estava amando estar em Portugal (pois,pois..) e que podia sentir the love around.Claro, claro...mas enfim, por causa dele, que cantou mais do que devia, todas as outras bandas entraram para além do horário anunciado. Enquanto percorria o caminho de Santiago em uma fila para tentar driblar a sede assistia as meninas do Clă, sempre competentes e talentosas.Que pena que elas săo completamente desconhecidas no Brasil. Imagina o Pato Fu só com mulheres e menos engraçadinhos.Pop de qualidade com voz feminina cantado em portuguęs com sotaque.Melhor é impossível.
AFTER HOURS Os Massive Attack (ou o que sobrou deles) já entraram detonando e mandaram ver os dois primeiros petardos que abrem o soberbo "mezzanine". Momento isqueirinhos ao ar e a catarse colectiva começa. Mesmo para um concerto que ficaria muito melhor em um local pequeno e fechado a banda conseguiu fazer musica para as massas sem perder aquela aura soturna e viajante, como todo bom trip hop deve ser. Na sequencia, após a abertura matadora vieram as participaçőes especiais dub-reggae do último álbum e o concerto teve seu ponto fraco quando uma garota da banda (roadie? faxineira?) veio cantar "Teardrop" meio tímida e com voz de 400 cigarros diários. Ironicamente,em uma apresentaçăo que fugiu (naturalmente) aos lugares comuns, frustou todas as expectativas ao que provavelmete (devido a exposiçăo da música) seria a redençăo do público e o clímax do espectaculo. Em um paralelismo simplista foi como interromper o coito. No final, pediu desculpas pelas desafinaçőes e pela voz rouca, e possivelmente voltou ŕ cozinha para preparar o jantar da banda. No final, desconstróem "Unfinished symphathy", retiram toda a carga sombria e conferem-lhe uma aura soul, fechando um concerto quase perfeito.
Quem fez a festa mesmo foi quem esperou para ver o Fatboy Slim que fez um set espectacular e deixou o povo todo de pernas quebradas até as 6:30 da manhă."Seven nation army" dos The White Stripes abriu o circo das insanidades com "Bring the noise" dos Public Enemy e a partir daí todos souberam que nada seria como antes e que, como profere o chavăo: o melhor tinha mesmo ficado para o final. Uma apresentaçăo inesquecível e um mix de "Groove is in the heart" que eu nunca vou esquecer. Como bem disse um colega no meio da euforia toda "Isso é que é um DJ para as massas!"

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