15/10/06

SEM MELHORES DE 2005 [em 09-01-06]


Resolvi năo fazer lista de melhores este ano. Num ano em que os Arcade Fire foram unânimes em quase toda lista, seria redundante dizer que eles fizeram o disco mais vibrante em anos: Funeral. Eu năo me empolgava assim com um disco desde Stories from the city... da deusa PJ Harvey e isso foi no ano de 2000. Acho que Funeral é aquilo que os críticos brasileiros gostam de chamar de "divisor de águas" aqueles discos que balançam tudo e definem uma época. Assim foi Nervermind dos Nirvana ou OK Computer dos Radiohead. Depois aparecem mil e duzentas bandas iguais e tudo volta ao normal. Posso estar falando uma grande bobagem mas se os Arcade Fire acabassem agora eles seriam lembrados como mitos, a maravilhosa banda que arriscou tudo e ousou fazer um disco perfeito, um legado para história do rock. Mas só o tempo será justo com eles.
Também năo vou fazer lista de filmes. Por duas razőes: Nem Brokeback Mountain do Ang Lee nem A History of Violence do Cronenberg estrearam ainda em Portugal. Acho injusto fazer uma lista com títulos que deram nas vistas em 2005 sem ter visto pelo menos estes dois. Caché de Michael Haneke era outro ao qual tinha grandes expectativas mas que, finalmente já amanhă estreia por cá. Queria só chamar a atençăo para dois filmes que saíram em DVD recentemente e năo tiveram muita atençăo da imprensa mas que merecem serem vistos:
O Fardo Amor - A adaptaçăo do livro homónimo de Ian McEwan onde depois de presenciar um acidente de balăo, a vida de um homem comum se transforma num verdadeiro caos.
O Restaurante - O dia-a-dia dos empregados de um restaurante que está prestes a fechar as portas e a luta de cada um a tentar seguir com a vida para frente. Uma maravilha de diálogos em um filme sublime de baixo orçamento e filmado com camera digital.
P.S. Para năo dizer que só ouvi Arcade Fire este ano, Antony and the Johnsons e Julliette & the Licks também habitaram meu CD player este ano.
A FRAQUEZA DO PENSAMENTO
«Oh, meu Deus,o mistério da vida - a fraqueza do pensamento! A ignorância da humanidade! Vou contar algumas das coisas que tenho perdido,o que basta para mostrar como controlamos pouco o que possuímos - como é precária a nossa vida após todos estes séculos de civilizaçăo; dessas coisas perdidas misteriosamente - que gato as teria levado,que rato as terá roído? ...»
Virginia Woolf em «A Marca na Parede»


COINCIDĘNCIAS
Sabe quando alguém te fala sobre algo ao qual vocę nunca tinha reparado antes e de repente isso começa a lhe saltar ŕs vistas a todo instante? A primeira reacçăo óbvia e crédula é pensar: «Talvez isso seja um sinal». E talvez seja mesmo. Comigo isso acontece incessantemente, esta semana foi com Jane Austen e o seu «Orgulho e Preconceito». E depois deste texto AQUI acho que tenho mesmo de lę-lo.É agora ou nunca.

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