15/10/06

[ Qui, Julho 10, 2003 ] BJORK É BRASILEIRA!

Ao contrário do que todo mundo pensava, o concerto da Bjork na noite de 05 para 06 de julho no meco foi inesquecível:ela botou todo mundo para dançar.repito: todo mundo! Depois de ter passado pelo Sónar na Espanha há algumas semanas e apresentado "Véspertine" quase que na totalidade, era normal que ficássemos apreensivos, e apesar de ter tocado tres temas inéditos [extraídos da recente caixa "Family tree"] năo fugiu ao certeiros hits e mandou ver "Joga", "Hunter", "All is full of love" (que ficou hiper-dançante) "Bacherollete" "Isobel" e o ponto alto "Pluto" quando saía tochas de fogos do palco e pulava , gritava, mostrava a lingua feito uma criança feliz. O mais legal era sua roupa, beeeem Bjork: um tipo de,hă,vestido com babados,tiras e balangandăs com as cores verde,amarelo azul e branco (já visso em algum lugar...) e com um tipo de, leque de penas, nas orelhas que na terceira música mandou-os longe.Depois de muita gritaria volta para o bis com "Human Behavior" e acaba seu show com um final apoteótico. detalhes: * Quando Bjork entrou em palco foram desligadas todas as tendas e qualquer fonte de som do festival tudo para que a esquimó brilhasse sózinha. * Enquanto cantava "Pagan Poetry" eram projetadas em um grande telăo ao fundo imagens belíssimas feitas exclusivas para tal efeito e que pareciam retiradas das sobras do clip "Cocoon". * Os tres temas inéditos apresentados foram: "Where is the line" "Nameless" e " Desired Contellation". * A chatinha "It´s in our hands" virou um electro desconcertante e transformou o meco numa rave de poeira e corpos suados. Moby Coitado do Moby. Disse duzentas vezes para a imprensa portuguesa que esse concerto ia ser totalmente diferente daquele apresentado em outubro passado e que ia dar "o que as pessoas querem ouvir" e fez tudo a mesma coisa de sempre. As mesmas piadas, as mesmas versőes para clássicos do rock as mesmas gritarias.Eu adoro o Moby e acho que ele é um grande entertainer mas năo aconselho ve-lo mais que uma vez.Entrou cantando uma música do "Play" e depois tentou fazer uma gracinha-sem-graça: "A Bjork foi fantástica, năo foi? o que eu mais gostei foi do fogo. me senti como Beavis and Butt-head gritando: fire! fire! " e todo mundo morre de rir como se aquilo fosse a coisa mais engraçada do mundo. mas Moby é Moby e ele pode, só ele. Celso Fonseca e DJ Marky O Brasil estava bem representado no festival, tudo em uma tenda só: a Zone. O problema é que eu năo tenho muita paciencia para MPB (música pretensiosa brasileira) e aqueles caetanismos de sempre e fui ver os Spaceboys que abriam o palco principal.O DJ Marky estava com um setzinho de drum ´n bass muito meia-boca de repente,lá no meio, mete um sampler: "Dadinho é o caralho! meu nome é Zé pequeno, porra!" e a tenda toda vem abaixo. Como se a frase do filme "Cidade de Deus" estivesse sido imortalizada pelo cinema. Desperadoz Quase cinco da manhă e noto uma das tendas abarrotadas de gente.as pernas já năo aguentam mais e os abençoados DJ´s desperadoz bota uma versăo dance de "London Calling" do Clash e o chăo começa a tremer. a partir daí só clássicos: "Boys & Girls" do Blur, "Seven nation army" do White Stripes e uma porrada de música boa. Delírio geral!




[ Seg, Julho 07, 2003 ] UM GAY UM HETERO E UMA VIRGEM

Eu tinha escrito um texto imenso sobre o filme "the rules of attraction" inspirado no livro de mesmo nome do Bret Easton Ellis o mesmo que escreveu American Psycho. Tinha escrito porque o filme havia dado o que falar lá nos EUA e porque mostrava o James "Dawson" Van Der Beek totalmente junkie e lembro-me de ter lido que ele dava uma trepada legal com um cara no filme.Bem, eu também queria aproveitar e fazer campanha [engrossando a ja feita pela PREMIERE] para que o filme estreasse aqui aproveitando o festival de cinema gay & lésbico que por aqui se começava mas qual foi minha surpresa quando leio que o filme estreava esta semana em Portugal.E o filme é bem bacana.Muito bom chega a ser elogio exagerado.Bem, a história começa com Lauren perdendo a virgindade.Năo era bem o que ela imaginava, queria que fosse especial,com o cara certo e blá blá blá.Ela está inconsciente sendo fodida por um junkie qualquer enquanto seu "principe ideal" esta filmando tudo e ela começa a se dar conta da realidade.Até que o cara vomita em cima dela e ela diz: "Eu sabia que ia ser assim" e o filme volta a história até chegar em Paul o tal gay da história que está a procura de uma foda qualquer até se apaixonar por Sean (Van Der Beek) que por sua vez descobre apaixonado por Lauren que estava a "guardar" sua virgindade ao antigo namorado Victor que estava fazendo um "tour" pela Europa e nem se lembra da tal namorada.O filme tem uma direçăo muito esperta e se dá muito bem quando manipula a imagem de voltar atrás na história até chegar a um personagem específico e contar o ponto de vista dele. Embora quando o filme acaba dá-se a impressăo que foi tudo chupado de "Go" ("Vamos nessa" no Brasil) mas fui checar no livro de Ellis (que foi escrito em 1987) e a história é contada exatamente como no filme. Aliás, a tal cena que o "Dawson" faz sexo com um cara do filme é balela (ao contrário do livro) .O que acontece é uma cena bem sutil quando a personagem Paul imagina transar com ele aí eles tiram as camisas e dăo um beijico rápido.Pronto é só isso, o que vocę queria? eles tem uma imagem a zelar. O Diretor/argumentista disse que esse é o filme "para acabar com os filmes de adolescentes".Se chegar poraí, năo perca.



[ Seg, Junho 16, 2003 ] CERVEJA,RELVA & ROCK AND ROLLl

Posso já ser curto e grosso? Eu esperava (eu e as 20 mil pessoas que estavam la) muuuuito mais do que o Senhor Manson apresentou naquela noite.Istoé, năo que o show foi um desastre, năo foi. Muito pelo contrário. Mas ELE deixou muito a desejar. Pra quem năo sabe do que eu to falando ou tá lendo isso do Brasil, é sobre o 1ş SUPER ROCK IN LISBON que aconteceu dia 29/05/03 no estadio de Alvalade aqui em Lisboa e que segundo os organizadores (que esperavam 60 mil pessoas) era uma prévia para o ROCK IN RIO que vai ter sua versăo lisboeta ano que vem.E era também a "despedida" ao famoso estádio,que vai ser demolido dentro de alguns dias. Mas enfim, o cartaz também năo era lá estas coisas: O Primitive Reason, uma banda portuguesa que tem varios integrantes de outras nacionalidades em sua formaçăo[mas em entrevistas diz que năo se considera uma banda nacional] e que faz um som meio Asian Dub Foundation meio Naçăo Zumbi [e isso năo é elogio!]abriu o circo de horrores as 17:00 conforme o combinado e em menos de 40 minutos apresentou o disco novo e desfilou alguns hits.Fim do espetaculo e a impressăo que deu é a de que havia uma meia duzia de pessoas para ve-los. Segue-se um enoooooorme intervalo para preparar o palco para a próxima banda [leia-se:vender mais cerveja].Lá fora a fila ainda estava kilométrica e o Disturbed é a segunda banda a se apresentar.Confesso que o único motivo da minha presença neste festival era o Marilyn Manson e que das outras bandas năo conhecia nada ou quase nada.No caso do Disturbed eu nunca tinha ouvido sequer falar mas nunca me diverti tanto enquanto eles tocavam.Entenda-se, eu nao estou falando do som da banda mas sim da postura Ricky Martin do vocalista: ele se requebrava,rebolava, jogava as pernas,fazia beicinho [só vendo!] e virava o traseiro para o publico fazendo a linha "I´m too sexy!".Depois pediu-nos que gritasse "We are... Disturbed!". Alguem do publico atira para o palco um grande pedaço de relva e quase acerta no vocalista.Pronto,todo mundo começa a arrancar a relva do estadio e atirar para cima e para o palco aí segue-se a maior nuvem de relva [e terra] que se tem noticia. Insanidade total e uma apresentaçao historica [le-se:hilariante] para quem nunca tinha ouvido falar na banda,como eu. Mais um intervalinho para os patrocinadores venderem cerveja e sem muita pretensăo o Audioslave entram em palco.Na verdade havia muita gente ali para ve-los tamanha era a concentraçao de făs perto das grades e confesso humildemente nao conhecer quase nada da banda e nem do passado do vocalista no Soundgarden. Do resto da banda gostava muito do Rage Against the Machine mas nao me sinto capaz de fazer comparaçoes e passo para a próxima: o Deftones foi a banda que mais me surpreendeu nesse festival.Nunca pensei que eles fossem tăo bons ao vivo.Tudo que eu conhecia deles era uma unica audiçao do White Pony que năo achei lá grande coisa.Mas tenho de dar o braço a torcer:os caras săo fodissimos em palco. O show começou com Chico Moreno berrando Feiticeira e povo todo cantando junto como se fosse um hino e o vocalista uma espécie de Morrissey da música pop.E ele parecia eufórico, gritava, sussurrava, passava a măo pelo corpo como se tivesse a um ponto do orgasmo e o publico respondia aos urros.Chico se pendura nas grades (perecia que ia fazer um mosh a qualquer momento) e fica la a maior parte do show em completo catarse coletivo.Após um pequeno discurso contra a industria ele volta ao palco e traz um fă para cantar a próxima música e o garoto até que năo se sai mal. Ultima musica e começa o coro "Chico! Chico! " mas o pedido é em văo e a melhor [e a mais barulhenta] banda do Super Rock in Lisbon deixa o palco do festival deixando saudades aos făs e a satisfaçao de quem pagou 25 euros para ver um punhado de apresentaçőes medianas. Mais um intervalo looooongo-penso- e a constataçao:pelas camisetas pretas dos presentes [cujas idades năo passavam dos 17] notava-se que 90% das pessoas queriam era mesmo ver Marilyn Manson.E foi aqui que começou o stress: esperamos,esperamos e esperamos. Quase 23:00 hs e sob trilha sonora de filme de supense o Anticristo Superstar dá as caras e ja começa com a porrada Disposable Teens, a prima pobre de Beautiful People. [continua...]
JA VIU DONNIE DARKO?
Năo? e está esperando o quę? Bem, trata-se de um dos filmes mais geniais dos ultimos anos-e por que năo exagerar-o primeiro filme de culto da década.Se vocę o perdeu ao cinema sua chance é agora que ele acabou de sair em video e DVD.(er...pelo menos em portugal) e apesar de a versăo para videoclubes ser capenga-só o filme e nada de extras-mesmo assim vale assisti-lo. A história, meio complicada de se explicar é mais ou menos assim:Donald 'Donnie' Darko é um adolescente que sofre de sonâmbulismo e faz análise, devido ao que parecem ser problemas psicológicos graves. Estas perturbaçőes incluem um żamigo imaginárioż, um coelho gigante chamado Frank, que, certa noite, lhe diz para sair de casa e o informa que o mundo acabará dentro de 28 dias, seis horas, 42 minutos e 12 segundos, ou seja, na noite de Halloween, a 31 de Outubro de 1988. Donnie começa a tomar conscięncia de certas realidades metafísicas e a interessar-se por viagens no tempo, já que Frank,muito sereno e seguro afirma vir do futuro, ao mesmo tempo que demonstra dificuldade em comportar-se civilizadamente na escola ou em atividades sociais na pequena cidade onde mora. Frank, entretanto, convence Donnie a cometer alguns atos censuráveis, sem que este perceba com que fundamento e as consequencias que o seguirăo.E para além do final genial o filme tem varios outros momentos brilhantes e citaçoes cinematograficas inesqueciveis, como as referencias a E.T.,Evil Dead que está a passar num cinema da cidade junto com A Ultima tentaçao de Cristo. Um filme que nao pode passar batido. *e eu já li textos muito bacanas na Internet sobre o filme e suas muitas interpretaçoes e referencias.se vocę ja viu, gostaria de saber o que achou.me escreve aí vai:well0009@yahoo.com.br Os 50 maiores filmes de culto E por falar em filme de culto a Enterteinement Weekly última (5,95 em portugal) fez uma matéria muito bacana sobre os tais 50 maiores filmes de culto e no meio de muitos curiosos e divertidos titulos fiquei muito feliz em ver na lista um filme que achava que só eu tinha o visto e o qual nunca li uma linha sequer sobre:Dazed & Confused. O filme se passa no ultimo dia de aulas de uma escola qualquer na América nos anos 70 e se năo fosse pela originalidade e despretensăo da história poderia ser mais um filminho de adolescentes alienados.É legal ver uma penca de gente famosa começando: Ben Affleck,Jason London,Milla Jovovich,Matthew Mcconaughey e outros. O filme de vez em quando passava no Intercine da Globo e já me esqueci do nome traduzido aí no Brasil, aqui em portugal chama-se: Juventude inconsciente (!!). well [5:51 PM] [ Sábado, Junho 14, 2003 ] Bem, tenho algumas coisas para falar: o festival SUPER ROCK IN LISBON e umas tantas coisas. sei que ando meio esquecido do blog mas ta tudo bonitinho salvo em disquete, só falta umas coisitas. e dia 05 de julho tem o festival do meco com BJORK , Moby, nightmare on the wax e outros e dia 21/06 tem o sonic fresh com a miss kittin como cabeça de cartaz. vai estar tudo aqui logo, logo... enquanto isso pode me mandar beijos:well0009@yahoo.com.br até segunda... well [7:02 AM] well [Segunda-feira, Julho 07, 2003]Desce a lenha!:getComments('3557174');0 [ Sexta-feira, Julho 04, 2003 ] Beth Gibbons e Eu Era suposto começar as 21:30 mas acho que devido a casa ainda năo estar cheia e a fila lá fora kilométrica,deram mais um tempo pro pessoal ir se chegando(e para acabarem de vender os bilhetes restantes,claro).Com 15 minutos de atraso, uma portuguesinha com saia de cigana abre o show, cantando, em ingles.Tipo, banquinho,voz e violăo. Algumas vezes sua voz tinha uns ecos de Fiona Apple, outras vezes de PJ Harvey.Pensei: "Ela tem talento" mas mudei de opiniăo alguns minutos depois. A cada intervalo de uma música a outra dava umas explicaçoes pretensiosas para as músicas: "Essa música é uma visao pseudo-sarcástica da morte" ou " Essa música fala da tristeza...(riso forçado) mas năo da tristeza óbvia,da tristeza positiva" e seguiu com um repertório que parecia năo acabar mais.Afinal, penso eu, 98% das pessoas que ali estavam,pagaram para ver a Beth. Enfim, anunciou a ultima música (todo mundo disfarçadamente aliviado) agradeceu,em portugues,e foi-se embora. Quase 22.30 e entram várias pessoas no palco, uns sete músicos.Dava para ver que ela estava lá ao meio perdida [onde?] mas a escuridăo do palco nao dava para ver nada.Todos a postos, as luzes acendem e o Coliseu dos Recreios vai abaixo.Beth, de calça jeans justa e blusa preta de manga comprida, toda linda abre o concerto com a belíssima cançăo que abre o seu disco solo e manda ver na soturna "Mistery". O jogo de luzes năo ajudava muito a identificar os músicos e Beth Gibbons.Só na segunda música, "Romance" (a melhor do disco,diga-se) que vemos quem é quem no palco.E é impressionante como sua voz nessa música parece mesmo com a de Billie Holiday. Em "Tom the model" o hit, todo mundo grita, faz barulho e mandam sinais para ela como se quisessem dizer "Agora sim!" e ela canta,sempre segurando o microfone com as duas măos levemente curvada,e faz cara de quem carrega uma cruz nas costas...agora vejo que é a verdadeira Beth Gibbons, a torturada, aquela mesma que nos emocionou com os discos maravilhosos do Portishead quem está ali, logo ali, há 3 metros de mim a cantar. No meio do espetaculo, apos várias músicas e Beth Gibbons tocar violăo e teclados, reparo que ela está em muito boa forma, "que corpăo!"-penso "ela ja deve ser uma quarentona".Eu sei, eu sei, mas é impossível năo reparar nestas coisas, afinal trata-se uma ESTRELA ali na minha frente.OK,agora uma pausa para os músicos e todo mundo pensa que o show acabou.começa o coro do berra-berra,bate-pé e tudo o mais que faça barulho para que eles voltem. Dois minutos depois a trupe volta, Beth toma uma aguinha e enquanto a banda se prepara, ela vai lá ao fundo do palco pega um cigarro, volta e pede fogo para alguém da platéia (poderia ter sido eu-pensei) agradece ao rapaz com um sorriso e se poe a postos para começar a cantar de novo.Uma garota duas cadeiras atrás de mim grita: "You are beautiful !!" e ela, surpresa, dá um sorrisăo e começa a cantar "Drake". Ainda com a voz da garota ecoando nos ouvidos [suponho eu] ela meio que se desconcentra da música, ri de novo e volta a ficar séria, agora concentrada e oh, sofre mais uma vez.Segue-se uma cover do Velvet Underground (que eu nao conhecia) e "Rustin Man" fecha o concerto.Fim de espetaculo, é aplaudida de pé durante uns 5 minutos e diz qualquer coisa confusa, gesticula com as măos. Depois pede desculpa pelo que disse e é mais clara : "Desculpe, estava a tentar dizer "thank you" em portuguęs mas esqueci-me" e desce para a platéia e fica a dar autógrafos durante uns 15 minutos...Inesquecível.

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