15/10/06

27.11.05 - LIVROS E BRITNEY SPEARS
No DNA de duas sextas atrás, o seu editor, Pedro rolo Duarte, proferiu um editorial, no mínimo curioso. Disse que sabia que a frase era desarmante mas que "năo lia imenso". Começava a ler um livro e se encontrasse outro mais interessante parava de ler este e começava outro. As vezes nem retornava ŕ leitura do anterior. E eu que me sentia péssimo quando tentava pela nonagésima vez acabar A Náusea do Sartre agora estou muito mais aliviado... Por falar em livros, um dia deste li uma critica a propósito de um cd qualquer, que dizia que uma banda nunca devia por uma grande música no início de um álbum porque as expectativas para as restantes faixas seriam bem maiores. Isso fez-me lembrar do Michael Cunningham que acabou de pôr livro novo nos escaparates. Quando acabei de ler As horas pensei: Tenho que ler tudo o que este senhor ja escreveu. E lá fui eu me aventurar nos seus dois romances anteriores, Sangue do meu Sangue e Uma casa no fim do mundo (este último, uma bela e ignorada adaptaçăo para o cinema). E parecem todos variaçőes do mesmo livro.Cunningham consegue como poucos descrever o abismo de emoçoes que é a natureza humana mas escreve pesado, nota-se um imenso esforço em se parecer grande. Tenho a impressăo de que As Horas năo seria o fabuloso livro que é se năo existisse Mrs Dalloway por trás. Parece que está sempre sob a sombra deste. No seu último Dias Exemplares (que demorou sete anos a ser escrito, assim como Uma Casa..) há também um importante autor na penumbra:Walt Whitman. Perguntado pelo DN:"Teve Virginia Wolf n`As Horas.Agora Walt Withman. Vai precisar de outro escritor no próximo livro?" ele respondeu: "Năo. É como as mulheres a fazer bolos em As Horas e Uma Casa...Só faço estas coisas duas vezes. Năo me repito mais...É a minha conta!" Entăo tá.
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Dia destes encontrei o vocalista de uma nova banda emergente do mundinho "indie" portuguęs numa outra actividade laboral minha a qual ele frequenta. Quis fazer uma social e soltei esta: "Ouvi o teu disco,gostei. Muito bem produzido" e ele com a maior cara de indiferença superstar do mundo respondeu... "Fixe" e me deixou com cara de palhaço em pose de tiro ao alvo. Nunca demorei tanto a me arrepender das asneiradas que falo mas desta vez năo passei dos tręs segundos...
E fiquei chocado quando vi que a Britney já tem filho! Ela năo era virgem?? Năo foi ontém que ela beijou a Madonna? De onde veio este filho? Alguém a viu grávida? Respostas para o meu e-mail por favor.
AS CONFISSŐES DE MADONNA
Năo consigo passar da faixa cinco do último disco da Madonna. A primeira metade do disco é tăo boa que podiam tirar as outras sete faixas restantes. Na primeira audiçăo torci o nariz, mas ja me deixei render pelos loops setentistas do álbum. O melhor de tudo foi um trecho da crítica que saiu na FOLHA e que transcrevo aqui:
«Confessions on a Dance Floor» năo parece um disco feito por uma mulher de 47 anos, măe de dois filhos, casada com um cineasta medíocre e que vive num castelo no interior da Inglaterra e passa o tempo escrevendo livros infantis. "Confessions on a Dance Floor" parece um disco feito por uma jovem cantora saída da puberdade, hedonista, casada com Sean Penn, freqüentadora dos clubes nova-iorquinos e alvo da Igreja ao cantar "Like a Virgin" com um vestido de noiva.

10.11.05 - CANTAR EM INGLĘS
Para qualquer brasileiro, minimamente interessado em música, que caia de pára-quedas em Portugal, constatar que 90% das bandas pop/rock portuguesas cantam em inglęs é no mínimo a coisa mais estranha do mundo. Soa como uma espécie de traiçăo: como se os "pais" da nossa língua mestre (e peço perdăo pelo lugar-comum) nos desse uma apunhalada pelas costas. Năo quero que isto pareça um planfeto fundamentalista da língua portuguesa, năo sou nenhum purista, estou longe disso mas acho que cantar em inglęs para se divertir, fazer covers etc. é completamente diferente de compôr (pensar) em uma lingua que năo é a nossa. O "Y" da semana passada deu capa ŕquele sujeito que cantava nos Silence 4, David Fonseca, a respeito do seu segundo disco a solo Our hearts will beat as one. A entrevista é uma piada: o homem fala empolado, respira pretensăo (sim, este maldito adjectivo) e tem aquele discurso elitista de "só a arte me interessa". Abaixo, seleccionei algumas das suas pérolas: "...Se a lucidez se perder, pode-se cair na tentaçăo de fazer coisas a que năo se compreendam muito bem o que săo.No limite, tornam-se um exercicio de estilo." "...Muitas bandas gostam de álbuns mais abertos no ínicio,mais fechados no meio e abertos novamente no fim.Eu gosto mais de montanhas." "...Năo tenho muita criatividade para inventar personagens.Acho mais divertido subverter o artista que está aqui" "Ainda hoje năo sei como é possível que as pessoas tenham tanto acesso ŕ minha música e que gostem dela, porque minha atitude năo é tăo facilitista quanto a maior parte do que se encontra num meio mainstream" "Sou horrível a ver DVDs. Se estiver com mais pessoas e passar por uma cena que me interesse, paro tudo e volto atrás para perceber como foi montada. Por vezes gostava de ver cinema como alguns amigos meus, que absorvem simplesmente a história.Eu presto atençăo a vários factores,o que é inevitavel, dado que os estudei" Como dizem lá no Brasil: Ninguém merece.
CARTAZ NO MCDONALDS
E um amigo que veio de férias da Alemanha ficou pasmo com o cartaz que exibia o McDonalds: "GOD SAVE THE DRAG QUEENS".

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