
E eu não gostei mesmo nada de
«Juno». Fui lá para a sala escura com a melhor das intenções e à metade do filme o meu tédio e constrangimento já beiravam a barreira do insuportável. Sei que minha opinião não é nada consensual e nem quero entrar aqui em polémicas desnecessárias. O problema de «Juno» é que o pretenso «coolness» do argumento é tão calculadamente programado que torna-o caricato, no mau sentido. O cinismo excessivo lambuzado a piscadelas de olho à cultura pop é quase um grito desesperado por atenção, como um adolescente a pedir para ser aceite na turma. Bastam meia duzia de diálogos para vermos ali Diablo Cody (a argumentista) a exibir-se na sua pretensão supostamente
smartie, a praticar a sua rebeldia feminima de pacotilha. Funcionou para muita gente, o filme já arrecadou mais de 110 milhões de dólares desde a sua estréia e vem ganhando muitos elogios da crítica pelo mundo afora. Se é isto o que chamam de «novo cinema independente americano» eu passo reto.
* O hamburguer-fone da foto, adereço da personagem título, foi uma prenda estrategicamente oferecida aos membros da Academia que votam no Oscar. Ainda bem que ninguém se vendeu por tão pouco.