31/05/08

Amy Winehouse - Rock in Rio Lisboa

Foi triste e terno, ao mesmo tempo, ver uma jovem cantora no auge do seu talento em progressiva degradação como aquela que vimos ontem. Foi triste porque, apesar de todas as polêmicas em torno da excessiva exposição da sua vida pessoal, Amy confirmou todos os clichês à volta do mito e fez a festa dos seus detratores.
Foi terno porque, por momentos, pareceu quase que um ritual religioso, ela nos dava o seu máximo e nós, do outro lado, também. Um tremendo esforço coletivo, muito em grande parte do público que só estava ali para se divertir e ver a grande estrela da noite sair do palco com um pouquinho de dignidade. Eu, um fã confesso de Winehouse, fiquei de rastos. Queria ter ligado para ela no final do show a dizer que estava tudo bem. Mas não, não estava.
Tudo começou com 35 minutos de atraso e durou exatamente 55. Amy expôs sua imensa fragilidade à frente de quase cem mil pessoas. Chorou a meio de «Love is a Losing Game», quase caiu no palco duas vezes, derrubou o microfone outras tantas, esqueceu a letra do seu maior hit («Rehab») e afônica, limitava-se a sussurrar as letras das suas canções (uma salva de palmas aos seus backing vocals que constantemente estavam a salvá-la do embaraço).
Um concerto histórico e único, nas mesmas proporções daquele que os Nirvana deram em São Paulo no extinto Hollywood Rock em 1993. Onde a banda, completamente drogada, fez um dos piores shows da sua vida e Cobain teve a brilhante ideia de mostrar o pênis às câmeras da Globo e simular uma masturbação. Só esperamos, de dedos cruzados, que a bela Amy não tenha o mesmo fim.

27/05/08

Cat Power ao vivo - Coliseu de Lisboa

Dói muito dizer isto, mas que grande decepção foi o concerto da linda Chan ontém no Coliseu dos Recreios. O que se ganhou em profissionalismo, perdeu-se naquilo que a felina era melhor: na imprevisibilidade, na química com o público, nas versões melhoradas das suas canções de estúdio. Ontém vimos a menina que chegou à idade adulta, e agora mais segura do seu grande talento, só quer cantar e brilhar. E dá-lhe com o novo «Jukebox» quase na íntegra e de uma assentada só, para logo depois tocar umas versões indigestas de três temas do «The Greatest» («The Moon», «The Greatest» e « Lived in Bars»). Num coliseu esgotado, Chan parecia inquieta, incomodada (abandonava o palco incessantemente para reclamar com o tipo da iluminação) como se tivesse ainda a pagar pelos pecados cometidos com o público português há uns anos am Matosinhos. Sua banda, a Dirty Delta Blues Band cada vez mais se assemelha àquelas bandas que tocam em casamentos com teclados estridentes e músicos virtuosos. E que já se notava desde o àlbum anterior. Seguiu-se então uma versão em castelhano de «Black Angels (Angelitos Negros)» com uma cábula A4 nas mãos e completamente desafinada para acabar em grand finale com «I've Been Loving You Too Long (To Stop Now)» a meio do público entre milhares de vénias e «I love you». Que saudades daquele concerto maravilhoso de dois anos na aula Magna.

21/05/08

THE TING TINGS - We Started Nothing

O hype em torno deles nas terras da rainha era tão grande que muitos duvidavam que eles fossem capazes de criar um álbum completo. Pois eis que acaba de sair este «We Started Nothing» pela mega Sony. Um início em grande, podem pensar alguns. Mas é precisamente este o problema. Com uma grande major por trás de um projecto que já existia - e muito bem - na cena, digamos "alternativa" londrina, a estréia do duo acabou por sair a meio gás. A pop dancável com piscadelas de olho à indie deu espaço a canções ingénuas e facilmente descartáveis. Da baladinha insossa de «Traffic Light» à afunkalhada e aborrecida «Fruit Machine» (que por momentos lembra Avril Lavigne!) o àlbum tem mais baixos que altos. Apesar destas manchas todas, o disquinho ainda vale pelas já conhecidas pérolas descobertas através do MySpace da banda. O desabafo da loirinha Katie White em «That's not my name» o hit «Great DJ» (que já tem clipe rolando na MTV há um bom tempo), a delícia pop que incita à luxúria em «Shut up and let me go» e o momento mais indie do àlbum, no tema-título, em que a voz da vocalista parece a da sua conterrânea PJ Harvey. Um disco simpático, que talvez faça a banda chegar ao grande público e gozar um pouquinho mais da merecida popularidade.

myspace da banda

Youtube: That's not my name Great DJ

17/05/08

Reservation Road - Traídos pelo destino

Saí um bocado desapontado com o desfecho desse Reservation Road que tinha uma premissa muito interessante. Um advogado (Mark Ruffalo) vê-se corroído pela culpa ao atropelar fatalmente o filho de 10 anos de um Professor (Joaquim Phoenix) e abandonar o local do crime sem prestar socorro. Dias depois, este mesmo Professor, procura os seus serviços para ajudar a encontrar o assassino do seu filho. Grandes actores (Jennifer Connelly rouba as [poucas] cenas em que aparece) num filme mediano que tinha argumento para muito mais. Um pouquinho mais de ousadia e um trabalho de edição mais enxuto, teríamos um belo filme.

15/05/08

Madonna em piloto automático avariado


Alguém disse que este era o pior disco que Madonna alguma vez tinha feito e eu titubeei. "Pior que American Life?" pensei eu "não é possível". É sim. Não sei se foi o desespero em se desvincular logo da Warner ou o quê, mas com o Confessions on the Dancefloor tão fresco na memória ainda, este disco bem podia maturar por mais uns bons anitos. Lixão pop vagabundo ultra-mega produzido. Já vimos este filme antes.

A primeiras reacções a «Blindness»

E já começam a chegar as opiniões sobre Blindness que abriu o Festival de Cannes ontém. Apesar de estar dividindo a crítica, as reacções são mais negativas que positivas. O João Lopes do DN não gostou e um crítico da Variety disse que o romance nunca deveria ter sido adaptado. A jornalista Wendy Ide da Times deu duas estrelas e disse que duvida muito que Sean Penn "o imprevisível líder da competição deste ano" vá premia-lo. Por outro lado, o The Guardian disse se tratar de um "trabalho de mestre" com "idéias soberbas e alucinatórias imagens do colapso humano". Em Portugal, Ensaio sobre a Cegueira de Fernando Meirelles só chega em Novembro (!) avisa a Castello Lopes. Aguardemos ansiosos tentando driblar as (elevadas) expectativas.

O humor dos "Contemporâneos"

Fazendo um zapping um domingo destes, dei de caras com a nova aposta humorística da RTP: Os Contemporâneos. Já o primeiro sketch, com o insuportável e insípido Bruno Nogueira, quase me fez mudar o canal mas a piada sobre a menina Madeleine era tão boa que resolvi dar uma chance. Mais do mesmo, como eu já esperava. E o programa até tinha outras piadas boas, como o concurso para avaliação dos Professores, o elevador com excesso de peso... Mas depois - e aqui é aquela parte chata que era inevitável - tudo o que não é genuíno acaba por deixar cair a máscara uma hora ou outra e não há mais nada que o salve do fiasco. Quero dizer, há muitas idéias interessantes por detrás daquilo tudo. Bons actores a dar a cara (Maria Rueff tem talento nato para comédia, Nuno Lopes irreconhecível) etc e tal, mas tem alguma coisa (ou muitas) que no balanço final, não funciona. Não tenho a solução, caso algum indignado me pergunte, mas este é o tipo de humor que se eu quiser ver, basta ligar minha tv em qualquer hora do dia. Com tantos nomes "quentes" nos créditos, era de se esperar algo melhor. É tão cansativo ver aquela tentativa forçosa em fazer humor subversivo (que se resvala para o politicamente correcto alguns minutos depois) passivamente no meu sofá. Aquelas mesmas piadas sobre o PSD, sobre o Benfica, sobre o tema do dia qualquer (e que é matéria-prima nas mãos dos humoristas que estão poraí) já não interessam a mais ninguém. O Herman faz isso, os Gato fedorento, o Inimigo Público, os tipos do Levanta-te e Ri... esqueci de alguém? As vezes fico confuso, é o mercado que está monopolizado? É humor para português ver? O que é certo é que fazer humor sobre nada é mesmo coisa para poucos e eu pagaria para ver. Até lá, vamos nos contentando com estas bobagens.

Ah, já ia me esquecendo, alguém precisa avisar o Nuno Markl que ele a rebolar suas formas arredondadas às câmeras não foi uma idéia lá muito feliz. Se fosse no Brasil, não diriam que ele "pagou um mico" e sim um gorila.

14/05/08

Radiohead em Portugal (?)

Agora as bolsas de apostas na internet começam a crescer vertiginosamente com a possibilidade de os Radiohead virem a Portugal num dos festivais de verão. Uns até dizem a percentagem (23%) de isto acontecer, vá-se lá saber como é que chegam a estes números. Eu, acho que nenhuma produtora seria estúpida o suficiente para os escalar para um concerto que não fosse em separado dos festivais. Onde teriam a possibilidade de cobrar quantias exorbitantes por bilhetes que seriam comprados (e esgotados) religiosamente em poucas horas. Acreditar que Radiohead venha para o Super Bock é o mesmo que acreditar no coelho da Páscoa.

O cachê da Amy

Uma fonte lá dentro do Rock in Rio (será que posso falar que é você, Bia?) apurou aqui a este blogger cusqueiro que, caso a Amy Winehouse dê um piripaque qualquer e não compareça por aqui no dia 30, há uma cláusula no seu contrato que a obriga a pagar um multa quase tão alta quanto o seu cachê. Que aliás, é o mais alto dessa edição do Rock in Rio. Mais do que Metallica também. Chiçaaaaa!

Amy ficando em forma após sair da prisão esta semana (eh lá que isto parece legenda do Correio da Manhã!)