A revista Super Interessante fez esta semana uma lista de 15 videoclipes que "marcaram época" e que ajudaram a fazer a história da MTV, quando foi criada em 1º de Agosto de 1981. No sábado passado, quem fez aniversário foi a sua filial brasileira (22 anos) e o blogue da revista aproveitou para compilar a sua listinha.
Pelos títulos listados (tirando, claro, Michael Jackson e Madonna - talvez os maiores responsáveis pela "invenção" do videoclipe) pareceu que a blogueira tem a mesma idade que a MTV e, por isso mesmo, ignorou grande parte do que aconteceu nos anos '90 (talvez a década de maior intensidade criativa do videoclipe) e deixou escapar outras experiências da estética audiovisual que já tinham feito barulho muito antes de Lady Gaga surgir.
Relembro aqui a lista da Pitchfork para os 50 melhores clipes dos anos noventa e o meu post sobre os meus melhores dos anos 90.
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08/11/12
28/07/11
E aí Björk, será que é desta?
Tenho uma relação de amor e ódio com Björk. Acho que ela fez três dos mais importantes álbuns dos anos 90 (a saber: «Post» «Homogenic» e «Vespertine»), reinventou o videoclipe nessa mesma década e baralhou gêneros, criou um som único, próprio e merece todos os créditos por isso.
O problema é que nos últimos anos Björk se transformou numa chata de galocha: discos "conceituais" que não levaram à lugar nenhum, virou notícia mais pelos seus escândalos constantes com a imprensa do que pela música e de uma hora para outra perdeu o rumo da sua brilhante carreira. Sua música já não era mais relevante.
Felizmente, os novos caminhos que apontam para «Biophilia», o próximo e muito aguardado novo disco da cantora islandesa, parecem apontar para um lado mais feliz. A provar isso, são as duas ou três músicas divulgadas na mídia nos últimos meses. Daqui, a gente só torce que tudo corra bem. Sem afetação, sem virtuosismo e no auge daquilo que Björk tem de melhor: o talento absurdo.
Update: fui avisado por uma amiga que «Vespertine», na verdade, é de 2001. O que não deixa de tirar a sua relevância aqui para o post pois é um dos melhores álbuns de Björk e marca a transição dos seus ábuns anteriores e o início da década dos zeros.
26/08/10
Breaknews: Spike Jonze era o homenzinho de 'Praise You' !
Voltando ao assunto do último post, só depois de postar meu comentário à lista da Pitchfork é que descobri que o homenzinho desajeitado que lidera o grupo de dança no clipe de Praise You é o Spike Jonze himself! Além de dirigir e atuar, ele é o criador da coreografia que ficou tão famosa. Pura falta de atenção minha, porque pelos vistos, todo mundo já sabia, menos eu.
E não ficando por aqui, na noite de "descobertas" que foi ontém, fui pesquisar sobre a participação de Jonze no clipe do Fatboy Slim e acabei por desenterrar mais uma: a ginasta protagonista do Elektrobank dos Chemical Brothers (dirigido também por Jonze) é ninguém menos que... Sofia Coppola!
24/08/10
Os 50 melhores clipes dos '90 segundo o Pitchfork

Vi lá no Pedro que o Pitchfork fez uma lista com os 50 melhores vídeos dos anos 90. Ultimamente ando lendo muita coisa sobre uma tal "ressurreição" do videoclipe em tempos onde nem a própria MTV já os passa mais. E "ressurreição" esta, na maioria das vezes, atribuída à tal da Lady Gaga. Coisa que eu acho de um total absurdo mas que não é relevante para a discussão em causa. Eu acho que a popularização do You Tube, do MySpace e outros sites de partilha de vídeo, os "culpados" pela tal morte do video dizem alguns, foram (e são) impulsionadores do formato e chegaram para somar. Houve sim uma mudança de hábito de quem consumia videoclipe, como é óbvio, mas não acredito que existiu de fato uma "morte". A internet deu maior democratização e projeção ao videoclipe, mesmo que sem o impacto que ele teve nas décadas anteriores mas com muito mais liberdade criativa e experimentação. E os clipes novos dos Yeasayer "Madder Red" ou o belíssimo "Cold War" da Janelle Monae estão aí para me dar razão.

Mas voltando à lista, acho que tem muita coisa boa por lá. E ela já começa despertando logo meu interesse com Man Size da grande PJ Harvey na 50ª posição. O genial Everything is Everything da Lauryn Hill, onde Deus é o dj e até faz uns scratches não podia nunca ficar de fora. E por falar em Deus, tem Closer dos Nine Inch Nails, clipe que me deixou muito perturbado na época quando saiu. E a referência à Deus mencionada, que eu nem me atrevo a traduzir, está logo no começo do seu refrão herético. Claro que toda lista é completamente arbitrária mas achei que faltaram algumas coisas importantes, como Smack My Bitch Up dos Prodigy e algum do Marilyn Manson, quando ele chutou o pau da barraca com o fabuloso Mechanical Animals. Deste disco, há vídeos memoráveis como os policiais se beijando em "Dope Show" ou recriando a morte de John Kennedy na lindíssima "Coma White".

Nos lugares cimeiros tinha de constar, obviamente, Björk. E botaram logo dois. Acho que depois de Michael Jackson (nos anos 80) e Madonna (cadê "Express Yourself" do David Fincher na lista? cadê "Bedtime Story"?) Björk foi a verdadeira revolução do videoclipe nos anos 90 levando-o à uma outra dimensão. Mas nem um dos que figuram na lista é o meu preferido. Eu daria o primeiríssimo lugar ao alucinante e poderoso Army of Me , dirigido pelo então desconhecido, Michel Gondry.
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