Julianne Moore ficou a cara da Sarah Palin na adaptação cinematográfica pela HBO do best seller Game Change. O filme conta ainda com Ed Harris na pele de John MacCain e Woody Harrelson. Aguardamos ansiosos!
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22/12/11
19/12/11
Pulp Fiction em ordem cronológica
E se Pulp Fiction, o clássico de Tarantino que fez o cinema independente norte-americano cruzar a barreira que separava os "indies" dos "mainstreams" fosse lançado em sua ordem cronológica? O filme completo, editado em ordem cronológica, surgiu em finais de outubro no YouTube como um projeto de estudantes e logo virou febre entre cinéfilos e bloggers pelo mundo afora.
O mais curioso é que mesmo mais de 1 mês depois do seu upload no site, o vídeo continua lá no YouTube, com mais de 25 mil visualizações. É caso para ir correndo ver antes que alguém apareça para acabar com a festa.
30/08/11
Drew McWeeny, Sundance e «The Woman»
"Lucky McKee is, without question, a radical feminist horror filmmaker. All you need to do is go back to his first feature "May" and then work your way forward. His sensitivity towards his actresses, and the perspective each of his films takes, is practically political. He returns to themes of power inequality and gender struggle, and he externalizes his subtext. He has been consistent in his interests, and as a result, he hasn't been making $50 million studio films. He doesn't seem terribly interested in remaking something or doing the easy jump-scare thing, and that can lead to some very difficult years for any horror filmmaker."
Drew McWeeny famoso ex-colaborador do Ain't It Cool News sobre a - já popular - tumultuada apresentação de «The Woman» no último festival de Sundance. Drew era um dos presentes na sessão e fala sobre o filme e a sua visão do infame episódio (vídeo). O texto na íntegra pode ser lido aqui.
27/08/11
Red State - o novo Kevin Smith que promete
Estou com as mãos coçando para ver o último Kevin Smith «Red State» sobre um grupo de fundamentalistas religiosos que sequestram três rapazes que estavam à procura de sexo anônimo. O filme passou no último Fantasy Film Festival (do qual eu já falei aqui) e eu perdi, mas os poucos amigos que viram dizem que é arrepiante. Kevin Smith ficou conhecido no começo dos anos 90 pelo seu filme filme cult «Clerks» ('O Balconista' no Brasil) depois sentiu o gosto amargo da decepção da crítica e público com o filme seguinte «Mallrats» (para mim, o melhor filme de Smith) mas depois voltou à ribalta do cinema independente com os insossos «Chasing Amy» e «Dogma» onde Alanis Morissette interpretava Deus.
Depois disso Smith afundou num ostracismo sem fim fazendo filmes sem qualquer interesse, flops de bilheteria um atrás do outro, passando por aquele filme infame com Ben Affleck que era uma suposta tentativa de fazê-lo fazer as pazes com o público. Tudo em vão.
Agora com o novo «Red State» causando comoção pelos festivais por onde passa (um grupo de religiosos da Igreja Baptista tentou impedir a exibição do filme em Sundance) e se aventurando num gênero em que não lhe era nada familiar (o terror) Smith vê a sua chance de brilhar novamente. E se depender do trailer - que faz arrepiar os pelos já nos primeiros segundos - «Red State» tem tudo para fazer uma respeitável carreira no cinema. Aguardamos ansiosamente.
26/08/11
Famosa livraria de 'Nothing Hill' vai fechar
... a não ser que uma alma caridosa de último minuto apareça para dar um final feliz à história. Vi lá no Ípsilon.
02/08/11
Lost in Translation (parte 4) - Bad Teacher
É incrível a imaginação que as distribuidoras do Brasil têm na hora de "traduzir" os títulos dos filmes para o mercado brasileiro. A última pérola (ou vítima, depende do ponto de vista) é a comédia norte-americana com a Cameron Diaz «Bad Teacher», que no Brasil foi rebatizado de... «Uma Professora Sem Classe». Simplesmente genial.
01/08/11
Mesa para dois no Dorsia
É uma das cenas mais icônicas (dentre muitas) de «American Psycho», a sátira social que Mary Harron dirigiu em 2000. Patrick Bateman (Christian Bale) liga, em cima da hora, para tentar reservar uma mesa no badalado restaurante Dórsia. Só que este não é um restaurante qualquer e Bateman recebe na cara, o gostinho do próprio veneno: a gargalhada histérica e desdenhosa de quem está do outro lado.
Eis que, procurando o vídeo no YouTube me deparei com isto: um suposto Dorsia que abre suas portas em setembro, em Londres. Para ter muito, muito medo.
Eis que, procurando o vídeo no YouTube me deparei com isto: um suposto Dorsia que abre suas portas em setembro, em Londres. Para ter muito, muito medo.
29/07/11
Another Year, o último filme de Mike Leigh
Só recentemente vi o último Mike Leigh «Another Year» em DVD, porque em Berlim - uma pena - já tinha saído de cartaz há algum tempo. Leigh é um dos maiores e mais talentosos cineastas vivos e autor do que é para mim, a resposta habitual para aquela pergunta infame sobre o filme da minha vida: que é o irretocável «Segredos e Mentiras».
Mas fazia um bom tempo que eu não gostava tanto assim de um filme dele como gostei de «Another Year». O filme conta a história de um casal de idosos (interpretado pelos soberbos Ruth Sheen e Jim Broadment) que a cada ano que passa, vão levando a vida a dois de forma tranquila e saudável. Felizes e sem crises, os dois se tornam espectadores ativos da decomposição emocional de todos os amigos que os cercam e Leigh propõe o mesmo questionamento do seu filme anterior «Happy-Go-Lucky»: como lidar com a estabilidade e a felicidade alheia?
Mas fazia um bom tempo que eu não gostava tanto assim de um filme dele como gostei de «Another Year». O filme conta a história de um casal de idosos (interpretado pelos soberbos Ruth Sheen e Jim Broadment) que a cada ano que passa, vão levando a vida a dois de forma tranquila e saudável. Felizes e sem crises, os dois se tornam espectadores ativos da decomposição emocional de todos os amigos que os cercam e Leigh propõe o mesmo questionamento do seu filme anterior «Happy-Go-Lucky»: como lidar com a estabilidade e a felicidade alheia?
14/07/11
24/11/10
Os 20 filmes mais subestimados dos últimos 20 anos
Já faz um tempinho que o IMDB fez essa listinha com os vinte filmes mais subestimados dos últimos 20 anos mas só agora me lembrei de comentá-la por aqui. O mais interessante da compilação é que a lista, apesar de absolutamente idiossincrática, claro, é bem heterogênea e foge das obviedades que nós julgaríamos "subestimadas". Por exemplo, se fosse eu a fazê-la, nunca incluiria o fabuloso Leaving Las Vegas na compania daqueles filmes. Não só porque sou um fã confesso do longa mas porque o filme de Mike Figgis (talvez o único bom filme da sua filmografia) fez uma respeitável carreira nas bilheteiras, ganhou uma série de prêmios importantes - entre eles globo de ouro e oscar para Nicolas Cage, nomeação de melhor actriz à Elisabeth Shue e melhor realizador ao Mike Figgis - e virou instantaneamente objecto de culto dos anos 90. Uma outra curiosidade associada ao filme é que John O'Brien, o autor da autobiografia que deu origem ao filme, suicidou-se duas semanas após o filme ter entrado em produção. E o realizador Mike Figgis, que quase chegou a abandonar o projecto, resolveu levá-lo adiante e transforma-lo numa belíssima homenagem a O'Brien. Por isso, não entendi muito bem a sua inclusão na lista e nem o IMDB se deu ao trabalho de explicar. A lista completa pode ser vista aqui.
19/11/10
18/11/10
Porque «Scott Pilgrim vs. the World» é (e não é) divertido
Sejamos honestos com nós próprios: Scott Pilgrim vs. the World é muito barulho por nada.
Se você, assim como eu, não é um daqueles fãs "xiitas" da banda desenhada que dá nome à personagem e, portanto, caiu completamente de pára-quedas numa sessão do filme, provavelmente você deve estar pensando o mesmo que eu: que Scott Pilgrim não é lá estas coisas. Para despacharmos já isto sem mal entendidos, acho que o único problema de Scott Pilgrim vs. the World é o hype em doses cavalares injectados ao longo dos últimos meses. Só quem estava em Marte não ouviu falar da adaptação ao cinema da cultuada banda desenhada.
Dito isto, o que é que fica? Um filme despretensioso, com alguns momentos acertados, outros nem tanto e que tem uma banda sonora que quase vale pelo filme todo. Banda sonora, aliás, que garante os melhores momentos (e as melhores piadas) do filme. Se você ainda não o viu (passou no Estoril Film Festival mas estreia em Portugal dia 09 de Dezembro) aconselho que então vá vê-lo sem expectativas elevadas. Porque senão a decepção vai ser catastrófica. Abaixo eu listo (eba! lista!) as razões porque Scott Pilgrim vs. the World deve ser visto (em doses moderadas).
1 - O genérico inicial, com a banda [fictícia] Sex Bob-omb quebrando tudo.
2 - Os Sex Bob-omb, a banda do Scott Pilgrim, que são cool até a medula e que deviam sair da ficção e vir para a vida real.
3 - Michael Cera, que é cool até a medula mesmo interpretando a si próprio pela bilionésima vez.
4 - A baterista ruiva e de poucas palavras interpretada por Alison Pill.
5 - Os Crash and the Boys que também são fictícios e que são o máximo.
6 - Os The Clash at Demonhead, banda também fictícia, que faz uma versão matadora de "Black Sheep" dos canadianos Metric.
7 - A referência à Seinfeld.
8 - "We are Sex Bob-Omb and we are here to make you think about death and get sad and stuff."
17/11/10
«The Kids Are All Right» estreia em Portugal

Quase duas horas de fila depois, finalmente consigo bilhetes para o último dia da Berlinale deste ano. The Kids Are All Right - o segundo filme de Lisa Cholodenko - foi o filme escolhido e, felizmente, acertei em cheio. O filme teve cinco sessões no festival e no dia em que vi, foi um verdadeiro hit, aplaudido de pé entusiasticamente no final. A versão apresentada na Berlinale, finalizada as pressas para entrar na competição, é ligeiramente diferente da versão actual do filme, mas nada que tenha afectado significativamente o produto final.
O filme anterior de Lisa Cholodenko "Laurel Canyon" (que em Portugal recebeu o título de "Atracção Acidental") já mostrava o seu olhar atento e cuidadoso às imperfeições humanas e as suas relações. Em The Kids Are All Right ela volta a cutucar umas feridas abertas e para isso recruta Mark Ruffalo para desestabilizar a relaçao do casal formado por Julianne Moore e Annete Benning.
No filme, Josh Hutcherson e Mia Wasikowska dão vida aos dois irmãos que decidem encontrar o homem que doou o sêmen que os gerou, pois ambos são filhos de um casal lésbico (Moore e Bening). Após a chegada do doador, a harmonia da família fica irremediavelmente abalada.
Cholodenko conhece bem as suas personagens e desenvolve-as uma a uma, com a subtileza e elegância que lhe é habitual. O filme é uma comédia dramática mas transita com segurança entre os dois géneros sem nunca deixar as personagens caírem na caricatura ou estereotipos banais tão comuns às comédias dramáticas.
Especulou-se muito a questão do "tema polémico" que o filme trata: duas mulheres, homossexuais, que têm filhos através de inseminação artificial e que têm vidas completamente estáveis. Mas Lisa Cholodenko tratou o "tema" com a leveza necessária, desdramatizando e desconstruindo expectativas desnecessárias e não cedendo nunca à tentação de levantar qualquer bandeira política. Mesmo assim, o filme venceu o Teddy Bear na Berlinale, o prémio do festival dedicado às cinematografias com temática gay. Em Portugal estreia comercialmente amanhã com um título ligeiramente diferente do anunciado anteriormente pela Castello Lopes: Os Miúdos Estão Bem.
O filme anterior de Lisa Cholodenko "Laurel Canyon" (que em Portugal recebeu o título de "Atracção Acidental") já mostrava o seu olhar atento e cuidadoso às imperfeições humanas e as suas relações. Em The Kids Are All Right ela volta a cutucar umas feridas abertas e para isso recruta Mark Ruffalo para desestabilizar a relaçao do casal formado por Julianne Moore e Annete Benning.
No filme, Josh Hutcherson e Mia Wasikowska dão vida aos dois irmãos que decidem encontrar o homem que doou o sêmen que os gerou, pois ambos são filhos de um casal lésbico (Moore e Bening). Após a chegada do doador, a harmonia da família fica irremediavelmente abalada.
Cholodenko conhece bem as suas personagens e desenvolve-as uma a uma, com a subtileza e elegância que lhe é habitual. O filme é uma comédia dramática mas transita com segurança entre os dois géneros sem nunca deixar as personagens caírem na caricatura ou estereotipos banais tão comuns às comédias dramáticas.
Especulou-se muito a questão do "tema polémico" que o filme trata: duas mulheres, homossexuais, que têm filhos através de inseminação artificial e que têm vidas completamente estáveis. Mas Lisa Cholodenko tratou o "tema" com a leveza necessária, desdramatizando e desconstruindo expectativas desnecessárias e não cedendo nunca à tentação de levantar qualquer bandeira política. Mesmo assim, o filme venceu o Teddy Bear na Berlinale, o prémio do festival dedicado às cinematografias com temática gay. Em Portugal estreia comercialmente amanhã com um título ligeiramente diferente do anunciado anteriormente pela Castello Lopes: Os Miúdos Estão Bem.
02/10/10
Motelx e os filmes da década: Os Olhos da Cidade São Meus*
Começou desde quarta-feira o Motelx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Um dos melhores e mais bem organizados festivais de cinema acontecendo em Lisboa. Esta 4ª edição, está tão boa e tão brilhantemente programada que arrisco dizer que é a melhor edição de todas.
Li em algum lugar que o facto de o Queer Lisboa ter acontecido ali dias antes possa ter prejudicado uma promoção mais elaborada por parte do Motelx, pois a impressão de que houve uma overdose de festivais em tão pouco tempo ainda ecoava na memória dos lisboetas.
Pelo que eu vi até agora, acho que a organização tem andado bem satisfeita. As salas estão quase sempre cheias, o merchandising disponível é impecável e super informativo e a lista de convidados deste ano está - sem trocadilhos - assustadora. Esqueçam lá um pouquinho o George Romero, façam favor. Está cá um dos mestres vivos do novo terror britânico, está cá o Neil Marshall, minha gente. O homem que fez The Descent (A Descida ou O Abismo do Medo depende em que continente você está) e que não precisa fazer mais nada para morrer canonizado e respeitado.
Aliás The Descent passou na quinta-feira e como já disse alguém na página do festival no Facebook, é um filme que tem de ser visto na tela grande para funcionar em toda sua grandiosidade. O filme agradou a tanta gente justamente por se destacar de todos estes pastiches requentados que infestam os cinemas todas as semanas. E desenvolvia, sem pressas, todas as personagens - seu passado, seus traumas e fantasmas - para depois criar aquela tensão aterradora em crescendo, sempre com subtileza e mão ágil, para depois fazer cada uma delas liberar os seus instintos mais primitivos na luta pela sobrevivência. Neil Marshall virou realizador de culto instantaneamente, trazendo uma ressurreição (sim, mais uma) ao género terror. Para quem perdeu o filme dessa vez, aconselho esperar por reposição na cinemateca ou algo assim. Ou nada feito.
Neste mesmo ano de 2005, outro pequeno filme independente, crescia no boca-a-boca dos festivais mundo afora. Era o fabuloso Wolf Creek do australiano Greg McLean e começava aí na segunda metade da década uma série de novos filmes perturbadores que não lhe iam deixar dormir como tão bem fazia antigamente.
Na edição de 2008 do festival aterrissava, desta vez vindo da França, outro ovni empenhado em fazer plateias inteiras se contorcerem de pânico e terror na sala do São Jorge. Era o brutal Frontiére(s) que testava os limites humanos de um grupo de amigos perdidos algures na Holanda e do qual já comentei aqui. E o filme francês foi só um aperitivo para este ano de 2008, pois alguns meses mais tarde, inspirado num conto do Stephen King, chegava discretamente às salas lisboetas um dos filmes mais perturbadores destes últimos anos: The Mist. Daquele senhor que já nos tinha acostumado a tantos filmes maus e piegas, o norte-americano Frank Darabont. Neste filme, ele consegue atingir um nível de sobriedade surpreendente e faz, para mim, o melhor filme de toda sua carreira. No final fica difícil perceber o que assusta mais: se é o estranho nevoeiro que cai sobre a cidadezinha ou a fanática religiosa personificada por Marcia Gay Harden.
E para acabar esta pequena lista, queria mencionar aqui também o apavorante 30 Days of Night. Filme que se passa no Alasca onde das terras geladas da inóspita região surge uma força do mal que espalha terror entre os habitantes da cidade. Sam Raimi queria ter realizado o filme (e detinha os direitos de adaptação) mas acabou passando a bola ao britânico David Slade, mais conhecido pela sua elogiada estreia Hard Candy ou o último filme dos vampiros vegetarianos, o Eclipse. O filme foi baptizado em Portugal de 30 Dias de Escuridão e o link da felicidade você encontra aqui.
* o título do post é uma brincadeira com o título em Português que um clássico do género, Anguish de Bigas Luna, teve no Brasil.
E para acabar esta pequena lista, queria mencionar aqui também o apavorante 30 Days of Night. Filme que se passa no Alasca onde das terras geladas da inóspita região surge uma força do mal que espalha terror entre os habitantes da cidade. Sam Raimi queria ter realizado o filme (e detinha os direitos de adaptação) mas acabou passando a bola ao britânico David Slade, mais conhecido pela sua elogiada estreia Hard Candy ou o último filme dos vampiros vegetarianos, o Eclipse. O filme foi baptizado em Portugal de 30 Dias de Escuridão e o link da felicidade você encontra aqui.
* o título do post é uma brincadeira com o título em Português que um clássico do género, Anguish de Bigas Luna, teve no Brasil.
29/09/10
«Lola» de Brillante Mendoza é cinema a céu aberto
Uma vez, há alguns anos, um rapaz moçambicano que trabalhava na Cinemateca de Lisboa me disse que Juventude em Marcha de Pedro Costa era um filme para ser visto com camisa de forças, num cinema lotado e apertado no meio de uma fileira completamente cheia de pessoas, sem chance de escapatória possível. Me lembrei das suas sábias palavras quando vi o último filme do filipino Brillante Mendoza.
Lola é um destes filmes, negro, grandioso e do qual é mais muito mais fácil fugir do que enfrentar. O filme conta a história de duas avós, uma à procura de enterrar o neto assassinado a outra de redimir o neto que perpretou o crime. O destino das duas avós se cruza e afecta a vida de todos à volta.
Assistir Lola na sala escura é como segurar a respiração debaixo d'água pelo maior tempo possível para depois emergir aliviado, deixando para trás aquele cenário cruel que insistentemente volta a ecoar na memória após a projecção. As imagens de Manila são uma experiência visual maior que a vida e, por isso mesmo, maior que cada uma daquelas tristes personagens que improvisam dentro do seu universo caótico.
20/09/10
Lost in Translation (3) - The Kids Are All Right em Portugal
A Castello Lopes acaba de divulgar o trailer do fabuloso The Kids Are All Right que estreia em Portugal no próximo 04 novembro. O filme, que foi uma verdadeira sensação na última Berlinale, vencendo o Teddy Bear, ganhou um título em Português digno da série «lost in translation»: Os Miúdos Estão na Boa. Mas o filme de Lisa Cholodenko é tão bom que nem o título dado pela Castello Lopes consegue ofuscar as suas (muitas) qualidades. Prometo falar mais sobre o filme em breve.
14/09/10
Porque «Do Começo ao Fim» deve ser o pior filme do ano
Quando os créditos finais deste Do Começo ao Fim chegaram ao fim eu quase saí correndo da sala antes mesmo de as luzes se acenderem. O meu constrangimento, talvez por ser brasileiro, era tanto, que saí da sala no mais absoluto silêncio. Parecia aquela fatídica sessão de Turistas, há quatro anos, nos cinemas nefastos do Colombo.
Vi o filme em Berlim há alguns meses, numa sala lotada de um festival que já não me lembro do nome e antes do filme começar, entrou um homenzinho careca de microfone na mão para fazer uma pequena introdução ao filme. Ele explicou aos presentes, que o filme "tinha dado o que falar" no Brasil e que foi alvo de muitos boicotes por parte dos defensores da boa conduta moral por aqueles lados. Coisa impensável num país com tantos corpos à mostra, os alemães devem ter pensando. Mas depois da introdução inflamada do homenzinho, quem já estava curioso para ver o tal filme ficou em pulgas. Eu incluído.
Indo direto ao ponto: «Do Começo ao Fim» é um filme fetichista, ridículo e inofensivo. É um videoclipe homoerótico de hora e meia com objetivo único de fazer barulho. Tudo aqui soa falso e inverossímil. Desde a mise-en-scène artificial aos diálogos mecânicos e canastrões.
O filme é suposto ser uma história de incesto, sobre dois irmãos que se apaixonam, mas aqui o conflito foi jogado para um canto. Se existiu mesmo polêmica, esta se deu simplesmnete pelo facto de que desde o começo nós (espectadores) sabemos que eles são irmãos. Só nós, porque os protagonistas e todo o resto do elenco parecem ignorar este detalhe por completo. A simbologia fraternal aqui é um mero detalhe. Não existe questionamento aos valores morais, às convenções sociais (familiares e religiosas), nada. Tudo se resume a um banal conto erótico de amor entre dois homens bonitos e saudáveis.
O diretor, Aluízio Abranches, disse numa entrevista que não queria fazer política nem se posicionar moralmente sobre o tema e que seu filme é "pós-tudo". Mas ao se desvencilhar da responsabiliadade (e da oportunidade) de fazer um filme "político" ou uma abordagem mais complexa, Abranches faz um filme que é "pós-nada". Pois o seu filme levita num vazio de ideias ocas e, como disse João Nunes - crítico do Correio Popular - está mais para um "comercial de margarina" que para qualquer outra coisa.
O filme abre o 14º Queer Lisboa o festival de cinema gay e lésbico de Lisboa, que começa já na próxima sexta-feira no cinema São Jorge.
O diretor, Aluízio Abranches, disse numa entrevista que não queria fazer política nem se posicionar moralmente sobre o tema e que seu filme é "pós-tudo". Mas ao se desvencilhar da responsabiliadade (e da oportunidade) de fazer um filme "político" ou uma abordagem mais complexa, Abranches faz um filme que é "pós-nada". Pois o seu filme levita num vazio de ideias ocas e, como disse João Nunes - crítico do Correio Popular - está mais para um "comercial de margarina" que para qualquer outra coisa.
O filme abre o 14º Queer Lisboa o festival de cinema gay e lésbico de Lisboa, que começa já na próxima sexta-feira no cinema São Jorge.
07/09/10
O remake de «Let The Right One In» estreia em Outubro
Estou muito curioso para ver o remake norte-americano do chatíssimo filme sueco Deixa-Me Entrar (ou Deixa Ela Entrar no Brasil) que estreia em Portugal dia 14 de Outubro ao mesmo tempo que a estreia nos Estados Unidos. A direção é do talentoso Matt Reeve (que dirigiu Cloverfield há dois anos) e no papel da garotinha protagonista está a (outra talentosa) Chloe Moretez, que deu vida à irmã guru de Tom em 500 Days of Summer e estourou agora como uma das protagonistas em Kick-Ass. As poucas reações que saíram na imprensa lá fora dizem que o filme é verdadeiramente assustador. Esperemos que sim, porque o original parecia que estava mais empenhado em curar a insônia. A intelligentsia cinéfila que me perdoe.
04/09/10
«Moon» uma bela surpresa ignorada nos cinemas
Fui ver ontem Moon por pura falta de opção (de filmes legendados nas salas berlinenses) e fiquei incrivelmente surpreendido. Sam Rockwell é Sam Bell, um funcionário contratado pela Lunar Industries enviado à lua com um contrato de três anos a fim de extrair e estudar uma substância que produz energia para a Terra. Perto das últimas semanas do fim do contrato Sam sofre um acidente no qual as consequências irão mudar para sempre a sua vida.
Prosseguir com a história sem revelar dados importantes para o seu desenvolvimento (e a sua surpresa) é praticamente impossível (e por isso recomendo que NÃO vejam o trailer cheio de spoilers) então paro já por aqui. Moon é um tour de force de Sam Rockwell, que é o único protagonista e que carrega o filme todo nas costas. Kevin Spacey faz a voz do Robô Gerty fazendo nos lembrar a todo momento o aterrorizante HAL 9000, o robô cheio de más intenções do clássico 2001 - uma odisseia no espaço do mestre Kubrick.
Prosseguir com a história sem revelar dados importantes para o seu desenvolvimento (e a sua surpresa) é praticamente impossível (e por isso recomendo que NÃO vejam o trailer cheio de spoilers) então paro já por aqui. Moon é um tour de force de Sam Rockwell, que é o único protagonista e que carrega o filme todo nas costas. Kevin Spacey faz a voz do Robô Gerty fazendo nos lembrar a todo momento o aterrorizante HAL 9000, o robô cheio de más intenções do clássico 2001 - uma odisseia no espaço do mestre Kubrick.
O filme é do estreante Ducan Jones, filho de David Bowie e vi que vai estar na retrospectiva "Um Ano de Cinema" que o cinema King vai promover de Setembro a Outubro. A não perder.
03/09/10
O bom mocismo de «Brothers» o último filme de Jim Sheridan
Jim Sheridan é um homem que faz filmes cheio de boas intenções. Mas como reza o chavão, de boas intenções o inferno está cheio. Meu Pé Esquerdo abusava da sacarina mas era um belo drama, Em Nome do Pai era maniqueísta mas tinha o poderoso e denso romance do Humerto Eco por trás e Na América um belíssimo conto moral sobre uma família que resolve começar sua vida do zero. Todos eles bons filmes, munidos das melhores intenções, mas que na hora de decolar, voaram baixo e ficaram aquém do que prometiam.
Quero com isto dizer que Sheridan faz filmes medíocres? Nada disso. Sheridan é homem talentoso mas que tem um medo absurdo do risco. Seus filmes jogam sempre pelo seguro, têm sempre uma causa social ou política por trás e talvez este seja o maior problema da sua filmografia: começam com uma boa premissa e acabam resvalando para o bom mocismo.
Em Brothers a coisa não é diferente. Tommy Cahill (Jake Gyllenhaal) e Sam Cahill (Tobey Maguire) são irmãos. Sam é um homem de família, orgulho do pai e casado com sua namorada do secundário, Grace (Natalie Portman), com quem tem duas filhas. Tommy é o filho rebelde, passou os últimos meses na prisão por assalto à mão armada e é liberado pouco tempo antes da partida de Sam para o Afeganistão. Semanas depois da sua partida Grace recebe a notícia de que Sam foi morto em combate. Tommy e Grace então se tornam próximos e daí nasce um relacionamento amoroso. Até que um belo dia, Tommy - que está vivíssimo da silva - volta para casa e o caos se instala.
Com uma premissa destas era impossível fazer um filme mediano. Mas Sheridan não soube explorar a tensão que o trailer sugeria, e desperdiça tempo na relação de Grace e Tommy, e depois num triâgulo amoroso insípido e sem interesse algum. Não existe tensão alguma, as disputas de poder e território entre os irmãos é jogada para um canto e o filme se arrasta por quase duas horas sem grandes novidades. Sheridan está mais interessado em contar uma outra história. A história que corre em paralelo quando Tommy estava no Afeganistão e foi dado como morto mas, quando decide contá-la, o filme já está pela metade. E aí é tarde demais para recuperar o tempo perdido e principalmente, o nosso precioso interesse.
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