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18/01/10

Melhores de 2009 - As Músicas

Quando acabei minha rápida pesquisa para fazer esta lista, já estava em mais de trinta canções. Não foi nada fácil chegar a estas dez. Apesar do ano não ter sido lá estas coisas para os discos, os bons e certeiros hits fizeram a festa em 2009. Mesmo em discos medianos como a estréia dos ingleses Fanfarlo («Harold T. Wilkins») ou o «Balf Quarry» dos desconstrutivistas Magik Markers («Don't Talk In Your Sleep») tinha um petardo daqueles impossíveis de não chamar sua atenção. Como queria me limitar a apenas dez, as músicas que se seguem chegaram aqui a ferro e fogo. E todas - sem excepção - capaz de deixar um sorriso largo de duas horas estampado na cara. Assim sendo, segue então meu top ten canções de 2009 com os devidos links para o seu próprio deleite.

01 - «Mouthful Of Diamonds» - Phantogram
02 - «This Is Our Lot» - Wild Beasts
03 - «Basic Space» - The XX
04 - «Little Secrets» - Passion Pit
05 - «Solo» - Chew Lips
06 - «Two Weeks» - Grizzly Bear
07 - «Heads Will Roll» - Yeah Yeah Yeahs
08 - «1901» - Phoenix
10 - «Surf Solar» - Fuck Buttons

Melhores de 2009 - Os Discos

Confesso que o meu melhor disco de 2009 é, na verdade, de 2008. Descobri os canadianos Land Of Talk e o seu début «Some Are Lakes» através da fabulosa 'Give me back my heart attack' e foi paixão imediata. Ultimamente, coincidência ou não, o que se faz de melhor na música indie/pop está vindo do Canadá e bandas como Controller.Controller, Pony Up! (as novas Sleater Kinney? espero que sim) e Fucked Up estão aí para não me deixar mentir. Apesar de estar nos tops do meu media player, infelizmente, o Canadá não está presente no meu top ten do ano. Já que os londrinos The XX arrasaram tudo com o seu álbum destruidor de estréia (do qual eu já falei muito por aqui) «XX». A medalha de prata da casa vai para o irretocável «Eyelids Movies» dos abençoados Phantogram. Um disco feito de camadas electrónicas, samplers ganchudos, ruídos herméticos e descontruções pop sem nunca perder a elegância. E que a cada audição cresce um pouco mais. Os Phantogram também foram os autores da melhor música do ano e espero que nos próximos anos não nos dêem descanso, porque nesse mar de trivialidades que se tornou a música pop - graças ao mp3 - só sobrevive quem é mesmo bom. E o duo nova-iorquino é muito, muito bom. Eis o meu top discos de 2009.

01 - The XX - XX
02 - Phantogram - Eyelids Movies
03 - Passion Pit - Manners
04 - Phoenix - Wolfgang Amadeus Phoenix
05 - Washed Out - Life Of Leisure (EP)
06 - Fuck Buttons - Tarot Sport
07 - Grizzly Bear - Veckatimest
08 - Wild Beasts - Two Lovers
09 - Yeah Yeah Yeahs - It's Blitz
10 - Micachu & The Shapes - Jewllery

Melhores de 2009 - Os Filmes

Já tinha preparado há algum tempinho minha lista de melhores filmes do ano. Então li este post sobre «Mary & Max» e céptico, fui fazer o meu último visionamento de 2009. E vi a luz. «Mary & Max» é beleza em estado bruto. É daqueles filmes que penetram no mais profundo do nosso íntimo e nos rouba algo que inexplicavelmente não conseguimos explicar. A (belíssima) animação em stop-motion é um mero dispositivo estético e narrativo porque «Mary & Max» está muito longe de ser um filme para crianças. É um filme adulto, sério, com a morte sempre a espreitar por cima do ombro. O humor aqui é quase desesperado, feito de subtilezas, de camadas negras e feridas secas que se vão abrindo a medida que os protagonistas trocam cartas. «Mary & Max» é como um abraço apertado de um amigo esquecido. Na última cena do filme, as lágrimas de plasticina correm pelos olhos da protagonista e, quando nos damos conta, as lágrimas da vida real estão a escorrer pelo nosso próprio rosto. 2009 foi uma caixinha de bons bombons recheados no que toca ao cinema e, por isso, escolher os dez mais que listo abaixo foi uma tarefa mais que árdua.

01 - Revolutionary Road

02 - Mary & Max

03 - 500 Days of Summer

04 - Phoebe in Wonderland

05 - Districto 9

06 - O Complexo Baader Meinhof
07 - Frost/Nixon
08 - Precious
09 - Wendy & Lucy
10 - Slumdog Millionaire


06/01/10

Melhores de 2009 - Guilty Pleasures

Assim como nos anos anteriores este blogger preparou uma listinha com os prazeres culpados do ano, este ano segue mais uma. Mais tímida, porque a memória guilty de 2009 ja está castigada demais para voltar a funcionar mas, mesmo assim, precisa. Nos próximos posts publicarei melhores músicas, discos e filmes que fizeram em 2009 a cabeça do Prepúcio. Sem trocadilhos, por favor.


Confessemos todos: esta é uma das delícias pop de 2009 e pronto. Além do clipe que, de tão simples e tão bom, gerou paródias pelo mundo todo tem um gancho pop ali que é impossível ficar indiferente. Beyoncé consegue reinventar-se mais uma vez, e mesmo abusando dos sintetizadores que fazem a fama das Ladys Gaga da vida, ainda mantém fincado um pézinho nas raízes negras e faz um hit pop improvável. Funk classudo e cheio de swing retro, "Single Ladies" faz por 2009 o que 'Umbrella' da Rihanna fez por 2007. E isso já basta para garantir o seu lugar nos anais dos clássicos pop.


Taí uma música que me venceu pelo cansaço. Minha primeira audição foi ódio a primeira vista mas depois, como que por vingança, a música me perseguiu por todos os bares e discotecas onde eu estava e a cada vez que eu a escutava, entrava uma coisinha aqui e outra acolá. Kitsch sem limites, disfarçada de musa indie, La Roux - se tudo der certo - será produto de um hit só. Mas até ela sumir do mapa dá para se acabar na pista com esta 'Bulletproof' e depois chegar em casa e ajoelhar-se sobre milho, para pagar todos os pecados e continuar a vida de consciência limpa.


As meninas do 'The Veronicas' posam de rock stars indie-góticas e tal nos clipes mas não enganam ninguém. São umas meninas bonitas que fazem música pop teen do mesmo saco de onde saiu a Avril Lavigne. Ou se quisermos sermos um bocado mais cínicos: róquinho rebelde. Ouvi o disco uma única vez e fiquei enjoado. Aliás, na terceira música você já nem sabe mais o que está ouvindo. Mas essa 'Untouched' é um caramelo com camada dupla. Relembrando os bons tempos (?) das lesbo-russas T.A.T.U juntam todos os clichês das boas canções pop (amor, perda, redenção) à falsestes e riffs ganchudos de guitarrinhas de plástico e fazem um dos melhores guilty pleasures do ano. Agora só falta tocar na rádio e ganharem o mundo. Pose, beleza e roupas pretas já têm.


Sim, você leu direito. Marley & Eu. Nem nos meus sonhos mais loucos eu podia pensar que este filme pudesse ocupar qualquer espaço que fosse neste blogue. Fui ver o filme esperando o pior. Há algum tempo atrás vendo os extras do DVD de 'O Diabo Veste Prada' fiquei irritado com uma entrevista do diretor David Frankel [o mesmo do 'Marley']. Na entrevista, ele dizia que não gostava do primeiro guião que recebeu de 'O Diabo' porque achava-o muito 'negro' e então quando chegou a versão suave, ele soube imediatamente que era isto o que iria filmar. Quem leu o 'Diabo' diz que o filme é uma caricatura politicamente correcta do livro mas qualquer um que também conheça o trabalho anterior de Frankel sabe que ele não era capaz de muito mais que isso. Frankel faz filmes para toda a família, e isso já diz tudo o que é preciso saber. Foi então com uma estranha surpresa que vi, numa história aparentemente idiota, um dedo inquisidor apontando para todos os totens e valores familiares que o 'cinemão família' tanto defende: casamento, felicidade, estabilidade... Era muito fácil falar mal de 'Marley & Eu' mas no meio do status quo hollywoodiano, Frankel conseguiu ser gente grande e fez sim um filme para toda a família mas sem deixar de lhes puxar o tapete no final. E só por isso, ele merece uma vénia.