
1 - Eu tenho uma confissão estranha a fazer. Eu sinto uma certa inveja das pessoas que adoraram Inception e, pior, que conseguiram acompanhá-lo - sem perder o fio da meada - em toda a sua grandiosa narrativa nada linear. Eu gosto de praticamente tudo o que Christopher Nolan já fez (com a excepção, nada consensual eu sei, de Memento que eu vi com exageradas expectativas e detestei.) e estava preparado para mais outra 'experiência' quando entrei na sessão do filme sábado passado. Mas, para minha surpresa, saí de lá com uma pontinha de decepção indisfarçável. Uma sensação de que ficaram algumas (ou muitas) pontas soltas no ar ou, confesso, de que eu não entendi diversas situações que o filme não se preocupou em esclarecer e, especialmente, o seu final. O meu amigo que me acompanhava, adorou, mas depois que comentávamos algumas cenas, percebi que ele também não tinha entendido nada! Será motivo para eu me preocupar?

2 - Divertido também foi ler as reações - das mais diversas - que
Inception andou provocando. Na crítica brasileira, percebi que eu não estava sozinho:
Zeca Camargo escreve uma resenha entusiasmada no seu blogue e ironiza dizendo que 'acha' que entendeu o filme. Fiquei aliviado. O colunista do Estadão Alexandre Matias, no seu blogue Trabalho Sujo, passou as últimas duas semanas monotemático:
49 postagens só sobre
Inception.
Ana Maria Bahiana, sempre elegante e bem articulada, escreveu as mais belas palavras sobre o filme que eu já li. Bahiana admite que é fácil se perder na narrativa (ufa!) mas acha que um blockbuster em pleno verão que não se dá ao luxo de mastigar tudo ao espectador é uma coisa a ser louvada.
Bingo was his name. Por outro lado,
André Barcinski , sempre polêmico, detonou o filme na Folha de São Paulo. E após a enxurrada de e-mails insultuosos dos fãs do filme, resolveu re-acender aquela velha discussão
crítica vs fãs no seu blogue. Para terminar, o Carlos Merten do sisudo Estadão, perde a compostura no
seu blogue e chama o Barcinski de "uma besta qualquer" por ele ter falado mal do filme. Isso tudo sem sequer ter lido a crítica publicada. Preciso, definitivamente, rever
Inception.