Com apenas três músicas na internet o duo AroarA já me conquistou logo na primeira audição. Há pouquíssimas informações sobre eles mas já sabemos que Andrew Whiteman e sua mulher Ariel Engle são do Canadá (de onde mais?), ex-integrantes da super banda Broken Social Scene e estão prestes a lançar o disco de estreia «In The Pines», que ainda não tem uma data definida.
Surgiram no começo de 2011 abrindo para o Here We Go Magic e logo foram criando um certo burburinho na blogosfera indie por conta das suas sublimes apresentações ao vivo.
O álbum de estreia «In The Pines» é o visionário livro de poesias (de mesmo nome) da escritora e poeta norte-americana Alice Notley, publicado em 2007. Whiteman e Engle decidiram transformar o livro em música e o resultado são 14 canções-poema onde o duo adicionou guitarras, beats, falsetes dando uma aurea de modernidade aos poemas de Notley.
Recentemente foram convidados para ser a banda de suporte e também abrirem os shows de Marta Wainwright nas suas turnês americana e europeia que começa logo no fim desse mês.
Para quem gosta de Arcade Fire, Broken Social Scene, Tilly and The Wall, The Kills, Velvet Underground, etc. As três músicas divulgadas na página oficial da banda você pode ouvir AQUI.
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16/10/12
03/01/12
Melhores Músicas de 2011 - Podcast
2011 para a música, já diria a capa da última revista SPIN, foi um ano foda. Ou "do caralho" dependendo da tradução. Pela primeira vez, nos últimos três anos, não tive muito trabalho para pesquisar os discos/singles lançados este ano e fiz uma lista com mais de 30 canções em menos de 15 minutos. Trabalho foi ter chegado a estas 20. Se eu pudesse, faria um ex-aequo com todas as músicas dos últimos discos das «Girl in a Coma» e «St. Vincent» juntos mas como elas já estão bem posicionadas no top discos de 2011, não era necessário. Aproveitando o encejo, preparei uma seleção (de pouco mais de hora e meia) com todas as músicas abaixo num podcast para quem quiser fazer o download ou ouvir em streaming. Senhoras e senhores, as minhas 20 melhores músicas do ano:
Prepúcio - Melhores de 2011 by Wellington Almeida 1
1 - The Weeknd - House of Balloons/Glass Table Girls
2 - Nicolas Jaar - Why Didn't You Save Me
3 - St. Vincent - Cruel
4 - Metronomy - The Look
5 - Washed Out - Far Away
6 - The Joy Formidable - The Greatest Light is the Greatest Shade
7 - Cults - Abducted
8 - The Pains of Being Pure at Heart - Belong
9 - Girl in a Coma - Control
10 - Balthazar - Blood Like Wine
11 - Gang Gang Dance - Mindkilla
12 - The Kills - DNA
13 - Björk - Mutual Core
14 - Little Scream - Cannons
15 - Eleanor Friedberger - Inn of the Seventh Ray
16 - The Rapture - In The Grace Of Your Love
17 - Oh Land - Wolf & I
18 - David Lynch - Noah's Ark
19 - The Do - Too Insistent
20 - Hercules and Love Affair - My House
Download do Podcast
05/12/10
The Hundred in The Hands, seus lindos
A minha intenção inicial era escrever aqui sobre os concertos que vi nos dois dias do Super Bock em Stock que aconteceu nesse fim de semana em Lisboa mas estou tão entusiasmado com o duo maravilha The Hundred in The Hands que não tenho olhos, digo ouvidos, para mais ninguém. A banda é composta por Eleanore Everdell e Jason Friedman, e eles vêm de onde têm saído as mais interessantes bandas dos últimos anos: do Brooklyn.
Lançaram um EP no comecinho do ano (o fabuloso "This Desert") e mais para o final do verão o debut que leva o nome da banda no título. Os Hundred já foram comparados a novas bandas como Crystal Castles e os Sleigh Bells mas a disparidade de géneros que se ouve nos dois registos editados pelo duo foge a qualquer catalogalização reducionista. É dificil fugir dos rótulos, eu sei, e os The Hundred in The Hands não são uma banda indie por excelência mas vai lá beber muitas influências. Poderia descrever o seu som como um electro-indie intenso que mistura influências que vão da música de dança minimalista ao power pop mais exaltado passando de leve pelo pós-punk.
Ao vivo, transpiram sensualidade e fazem-nos lembrar, por vezes, uns The Kills mais hedonistas ou, exageremos, uns White Stripes menos pretensiosos. Mérito da lindíssima Eleanore Everdell, que faz as vezes de mestre de cerimónias entre banda e público e interpreta cada canção de forma desesperada como se fosse a última vez.
Tive de deixar o concerto explosivo do Kele a meio e fui correndo para a garagem do Marquês de Pombal para chegar a tempo de vê-los a entrarem em palco, pois os concertos - ao contrário do segundo dia - começavam religiosamente no horário. A banda tocou cronometrados 45 minutos que mais pareceram cinco e eu de simpatizante curioso passei a fã incondicional.
06/01/09
Melhores de 2008 - Os Discos
1º THIRD - Portishead
Nas primeiras audições foi um choque para todo mundo: cadê a banda excepcional dos irretocáveis «Dummy» e «Portishead»? Aquela batida de «Machine Gun» não fazia sentido algum. Passada a primeira audição de frustração calculada, é que entendemos, «Third» é um disco do futuro. Um futuro frio, apocalíptico e cercado de uma beleza hermética quase imperceptível aos ouvidos não-iniciados. Fomos abduzidos e estava desvendado o segredo. Os Postishead continuam perfeitos e geniais e sabem a exacta localização dos chacras do nirvana. Fomos salvos mais uma vez e lá estavam «We Carry On» e «Silence» para nos provar. Ao terceito disco, os Portishead mostram que estão uma escala acima daquela linha imaginária que separa os pobres mortais dos verdadeiros deuses.
2º HOLD NOW, YOUNGSTER - Los Campesinos
A boa música pop, assim como o cinema, é muito difícil de fazer. Um bom disco, daqueles criados por mãos imaculadas que nos ganha a primeira então, é um verdadeiro oásis num deserto. Foi o que aconteceu comigo e os Los Campesinos, paixão à primeira vista. Num ano em que o último disco que me fez saltar de felicidade assim logo a primeira audição foi lançado em 1994, só tive de agradecer aos céus. «Hold On Now, Youngster» lançado em fevereiro mas que só chegou por aqui agora, é sério candidato ao conjunto de canções pop mais perfeitas desde «Funeral» dos canadianos - óbvia fonte de inspiração - Arcade Fire. Este é daqueles discos que desperta em nós aqueles sentimentos obscuros que nem dezenas sessões de terapia consegue. Quem gosta de emoções fortes e desconstruções musicais com elegância não pode perdê-lo por nada na vida.
3º MIDNIGHT BOOM - The Kills
Quando Alisson Mosshart canta a determinada altura de «Midnight Boom» "What the city used to be...What New York used to be.." já é quase que meio caminho andado para explicar a luxúria que este disco emana da primeira a última faixa. Se é que prazeres dessa magnitude se explica. Ao terceito disco, os The Kills deixam a pose cool estrategicamente encenada dos discos anteriores para se entregar aos prazeres da carne. Pegaram naquilo que fizeram as bandas dos finais dos '90 - o hedonismo como lema máximo - e elevaram-no a enésima potência. Em 2008 os The Kills mataram a cobra e mostraram o pau. E deixaram bem claro como New York deveria ser.
4º THIS GIFT - Sons & Daughters
Foi o primeiro grande álbum de 2008. «This Gift» sucede ao soberbo «The Repulsion Box» e já há algum tempo que por aí andava a nos provocar com "Gilt Complex" o viciante single que abre o disco. Alguns dias depois, logo em inícios de Janeiro veio confirmar: este é um daqueles poderosos albuns onde o indie-rock-cowboy-dançante dos escoceses nos faz bater os pés até cansar e pedir por mais. E berrar a viciante «Iodine» numa pista lotada é daquelas coisas lúdicas que toda gente deveria tentar. A consumir sem moderação.
5º JUKEBOX - Cat Power
O oitavo álbum da belíssima Chan Marshall, chegou às minhas mãos logo que saiu no final de janeiro último, mas não captou de imediato a minha atenção e por alguma conjunção cósmica passou pelo meu CD Player voando. Numa destas noites solitárias reencontrei o álbum com outro sabor e vivacidade e... me apaixonei. Tento rememorar os sentimentos iniciais, mas poucas coisas daquelas audições retornam à minha memória castigada por prazeres não pronunciáveis. A diferença do modus operandi deste «Jukebox» faz com que o apelo indie dos primeiros álbuns desapareça cedendo lugar à uma sonoridade classuda que transpira charme, elegância e um swing que faz arrepiar os cabelinhos da nuca. A felina cresceu, e foi preciso deixar a bebida para fazer um disco para bêbados e amargurados. E este Cat, é o meu melhor elogio.
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