"O prazer é uma das coisas que mais incomoda os outros. As pessoas não gostam de ver os outros sentindo prazer. É isso o que acontece com as bicicletas. É um modo de vida diferente daquele do sujeito que tem de trabalhar de carro e está preso no trânsito. Pode parecer um clichê, mas é verdadeiro também. A liberdade dos outros incomoda quando você está preso."
31/07/11
Bernardo Carvalho e o prazer alheio
30/07/11
Metronomy por Erol Alkan
O quarteto de Brighton, Metronomy, é o autor de um discos mais deliciosos e viciantes de 2011 «English Riviera» que eu prometo falar mais aqui em breve. Por enquanto, vou só deixar esse novo remix que aportou lá no Hype Machine esta semana: uma remistura de Erol Alkan para «The Bay». Confere só a pedrada, que é coisa fina.
Metronomy - The Bay (Erol Alkan's Extended Rework) by SeekSickSound
Is This It - 10 anos
Se não fosse pelos Strokes e este «Is This It» talvez nenhuma destas bandas existiriam hoje: White Stripes, Yeah Yeah Yeahs, The Kills e mais recentemente, Artic Monkeys. Você pode até tentar argumentar que os White Stripes já existiam antes dos Strokes terem lançado o primeiro disco deles mas sem o caminho que «Is This It» abriu - com todo aquele revival "garage rock" no início da década de 2000 - os White Stripes não tinham sequer chegado ao segundo álbum.
a capa da edição americana (acima) e a que foi censurada (topo) e virou ícone no resto do mundo
«Is This It» é o «Nevermind» dos anos 2000: foi um divisor de águas, ressucitou o rock que estava quase morto e enterrado no final dos '90 e deu origem à milhares de bandas, que tentavam desesperadamente pegar carona no sucesso dos meninos de Nova Iorque.
A estreia do quinteto fantástico, liderado por Julian Casablancas, foi explosiva. Stooges, Velvet Underground, e rock garageiro dos anos 70: as influências estavam todas lá e, mesmo assim, o disco soava absurdamente novo e excitante. O disco era tão bom que parecia uma coletânea de singles.
Na época do lançamento o respeitado Pitchfork deu nota 9,1 (uma das mais altas da história do portal) e em 2009, o semanário londrino NME elegeu «Is This It» o melhor disco da década de 2000. Classicaço absoluto.
29/07/11
Facebook bane capa icônica de Nevermind
Como já falei aqui antes, o disco seminal do Nirvana «Nevermind» está completando 20 anitos de existência. E para comemorar a ocasião, o site oficial do Nirvana vai reeditar uma versão deluxe do disco com 4 CD's + 1 DVD no próximo 26 de Setembro.
A capa da edição deluxe, com a foto clássica do bebê pelado na piscina, foi publicada no Facebook pela página oficial do Nirvana e imediatamente retirada pela rede social. O Facebook alegou que a foto "violava os temos e condições" daquele site: Facebook does not allow photos that attack an individual or group, or that contain nudity, drug use, violence or other violations of the Terms of Use.
Em outras palavras: material de ouro para benefício próprio que o concorrente Google+ não pode perder.
Another Year, o último filme de Mike Leigh
Só recentemente vi o último Mike Leigh «Another Year» em DVD, porque em Berlim - uma pena - já tinha saído de cartaz há algum tempo. Leigh é um dos maiores e mais talentosos cineastas vivos e autor do que é para mim, a resposta habitual para aquela pergunta infame sobre o filme da minha vida: que é o irretocável «Segredos e Mentiras».
Mas fazia um bom tempo que eu não gostava tanto assim de um filme dele como gostei de «Another Year». O filme conta a história de um casal de idosos (interpretado pelos soberbos Ruth Sheen e Jim Broadment) que a cada ano que passa, vão levando a vida a dois de forma tranquila e saudável. Felizes e sem crises, os dois se tornam espectadores ativos da decomposição emocional de todos os amigos que os cercam e Leigh propõe o mesmo questionamento do seu filme anterior «Happy-Go-Lucky»: como lidar com a estabilidade e a felicidade alheia?
Mas fazia um bom tempo que eu não gostava tanto assim de um filme dele como gostei de «Another Year». O filme conta a história de um casal de idosos (interpretado pelos soberbos Ruth Sheen e Jim Broadment) que a cada ano que passa, vão levando a vida a dois de forma tranquila e saudável. Felizes e sem crises, os dois se tornam espectadores ativos da decomposição emocional de todos os amigos que os cercam e Leigh propõe o mesmo questionamento do seu filme anterior «Happy-Go-Lucky»: como lidar com a estabilidade e a felicidade alheia?
28/07/11
E aí Björk, será que é desta?
Tenho uma relação de amor e ódio com Björk. Acho que ela fez três dos mais importantes álbuns dos anos 90 (a saber: «Post» «Homogenic» e «Vespertine»), reinventou o videoclipe nessa mesma década e baralhou gêneros, criou um som único, próprio e merece todos os créditos por isso.
O problema é que nos últimos anos Björk se transformou numa chata de galocha: discos "conceituais" que não levaram à lugar nenhum, virou notícia mais pelos seus escândalos constantes com a imprensa do que pela música e de uma hora para outra perdeu o rumo da sua brilhante carreira. Sua música já não era mais relevante.
Felizmente, os novos caminhos que apontam para «Biophilia», o próximo e muito aguardado novo disco da cantora islandesa, parecem apontar para um lado mais feliz. A provar isso, são as duas ou três músicas divulgadas na mídia nos últimos meses. Daqui, a gente só torce que tudo corra bem. Sem afetação, sem virtuosismo e no auge daquilo que Björk tem de melhor: o talento absurdo.
Update: fui avisado por uma amiga que «Vespertine», na verdade, é de 2001. O que não deixa de tirar a sua relevância aqui para o post pois é um dos melhores álbuns de Björk e marca a transição dos seus ábuns anteriores e o início da década dos zeros.
Nevermind - 20 anos
Nevermind o discaço dos seminais Nirvana que dividiu águas, mudou o curso do rock e a vida de muita gente, fez 20 anos este mês. E para comemorar a ocasião, a revista Spin editou um disquinho só com covers de outras bandas (disponíveil para download di grátis) com cada uma das faixas! Você só tem de dar um "like" na página da revista no Facebook e partir pro abraço.
27/07/11
Oh Land
Oh Land é banda de uma mulher só: Nanna Øland Fabricius. A líndíssima dinamarquesa sediada no Brooklyn que acaba de lançar seu segundo disco, homônimo, pela Epic Records. Ainda nem cheguei ao final do disco mas já posso garantir: «Wolf & I» é de destruir o coração de tão linda que é.
Amy, as piadas e a imprensa cor de rosa
Sei lá, ainda acho de muito mau gosto as piadas sobre a morte da Amy que ando lendo poraí. Posso parecer careta com esse discurso, mas tenho a impressão que é mais fácil para alguns lidar com o assunto em tom de escárnio do que tentar entender porque perdemos uma menina de 27 anos para as drogas. Triste isso.
26/07/11
Ricky Gervais strikes back
Se Seinfeld não estivesse acima de Deus, e já não tivesse garantido ad eternum o topo da lista de melhor série de humor da história, esse lugar seria obviamente ocupado por Extras, do übergênio Ricky Gervais. Eis que esta semana circulou pela internet o vídeo de divulgação de Life's Too Short.
A série conta a vida do ator anão Willow (uma personagem ficcionada do próprio ator Warwick Davis) nos mesmos moldes de The Office, criando uma atmosfera de (falso) documentário. E acreditamos, como tudo o que Gervais poe a mão, que deve ser genial.
Eleanor Friedberger a solo
A belíssima Eleanor Friedberger, vocalista dos sublimes The Fiery Furnaces, acaba de se aventurar em carreira solo com o super aguardado «Last Summer». O disco - que estava disponível na íntegra há algumas semanas no site NPR - não funcionou muito comigo na primeira audição. Mas depois, insistindo mais um pouco, redescobri essa «Inn on the seventh ray» que recupera o lado mais lírico dos Furnaces numa canção que beira a perfeição, em cada um dos seus acordes.
24/07/11
Adeus, Amy
Fui à procura do que eu tinha escrito aqui no blogue sobre aquele show desastroso no Rock in Rio em Lisboa e me deparei, sem palavras, com a minha própria frase que fechava o post comparando Amy à Kurt Cobain: «Só esperamos, de dedos cruzados, que a bela Amy não tenha o mesmo fim».
A irônia de uma tragédia anunciada, onde todos assistimos passivos e cínicos, como num Big Brother inimterrupto, ao fim de uma das mais promissoras carreiras surgidas nos últimos tempos. Mundo estranho esse, onde os bons morrem tão jovens.
17/07/11
Melhores de 2010 - Os Discos
01 - Arcade Fire - The Suburbs
02 - The Joy Formidable - A Balloon Called Moaning
03 - Yeasayer - Odd Blood
04 - Warpaint - The Fool
05 - Darwin Deez - Darwin Deez
16/07/11
Melhores de 2010 - As músicas
02 - Land of Talk - The Hate I Won't Commit
03 - The Hundred in the Hands - Tom Tom
04 - Yeasayer - O.N.E
05 - Sleigh Bells - Rill Rill
06 - Caribou - Odessa
07 - LCD Soundsystem - Dance Yrself Clean
08 - Céu - Grains de Beaute
09 - Charlotte Gainsbourg - La Collectionneuse
10 - Warpaint - Undertow
14/07/11
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