21/12/09

Em defesa de 'Avatar'

Engraçado como se tem discutido muito onde está o 'cinema' em Avatar. Em quase todas as críticas que li - especialmente na imprensa portuguesa - há uma séria discussão e questionamento se a história que James Cameron quer contar é uma fachada por detrás do 3D. O crítico João Lopes (do DN) levanta questões séríssimas ali no seu blogue sobre o 'futuro do cinema' que já é tão mais velho que o próprio cinema. E num outro blogue que já não me lembro qual vi uma reflexão muito interessante sobre a 'morte' da convencionalidade em se contar uma história em favor das infinitas possibilidades que a 'tecnologia' pode fazer. Pessoalmente, essa discussão me interessa muito pouco. É difícil separar o que é realmente relevante nesta chuva de argumentos e o que só é conservadorismo inconsequente. Luís Miguel de Oliveira fez muita gente discutir - e cair matando - a questão dos óculos (no caso do visionamento em 3D) na caixa de comentários no Ipsilón online e, confesso, isso me dá uma canseira dos diabos. Como diria meu conterrâneo Macunaíma ai, que preguiça! Me lembro que na altura que saiu o 'The Blair Witch Project' (1999) houve - num outro contexto, exactamente o oposto do que se discute aqui - toda uma discussão sobre se 'aquilo' era cinema ou não. Eu vi muito e muito bom cinema em 'A bruxa de Blair' mas sou - do auge da minha reconhecida insignifância - a pessoa menos indicada para tentar discutir uma possível morte do cinema. Acho muito mais válida as discussões em torno das reacções emocionais e sensoriais que o cinema, ou aquilo ao que acostumamo-nos a chamar 'cinema' desperta em mim e nos outros como espectador do que qualquer outra coisa. Acho que essa é a verdadeira e mais importante questão. Fui ver 'Avatar' com algumas expectativas em relação à tudo o que tinha lido, sobre essa tal 'revolução' que Cameron trouxe para o cinema. Meia hora depois, passada a frustração em descobrir que 'aquilo' não era o futuro de coisíssima alguma, me deixei levar pela história do soldado tetraplégico em busca de redenção num mundo completamente desconhecido. A clássica parábola do auto-descobrimento, da viagem interior contada pela enésima vez. Saí da projecção e pouco me lembro do 3D, dos óculos ou da tecnologia 'jamais vista'. Sai de lá sem ter visto nada disso. Nem de uma tal famosa perseguição de 20 minutos me lembro. De facto, a experiência 3D do filme é um espectáculo visual eu diria que quase religioso, é um show à parte. E também que James Cameron tem sim essa maneira maniqueísta e simplória de 'ver o mundo', de contar uma história. Mas acho que é mesmo essa limitação narrativa, essa opção em deixar a subtileza em segundo plano, os dispositivos que jogam a seu favor. No final da projecção, ouvi meus amigos todos falarem em 3D, em tecnologia, e nos malditos óculos. O que eu vi foi um filme majestoso, daquelas aventuras clássicas dispostas a mexer com alguma coisa escondida dentro de cada um ali naquela sala. Mesmo que o cinismo nauseabundo faça bloqueios mentais, 'Avatar' é mais que um simples filme em 3D. É uma experiência sensorial. E quem se deixa levar por ela, tem garantida quase três horas de uma viagem apocalíptica sem volta.

16/12/09

'500 days of Summer'

Li em todo lugar que o estreante Marc Webb subverteu a comédia romântica americana com '500 days of Summer' e levou-a a outro patamar. Eu discordo completamente por uma única razão: '500 days' não é uma comédia. É sim um conto ácido de amor - apesar do narrador anunciar logo no começo que não é - com um pedaço de vidro espetado no coração. Mas não é nunca uma comédia. Quando faz graça, sorrimos amarelo. Aqui não há redenção, não há joguinhos de sedução e não há final feliz. É tudo brutalmente despejado à nossa cara com uma sinceridade tão dilacerante que quando os créditos sobem é muito difícil não verter uma lágrima. Há uma cena em '500 days' que de tão real que é, ficou ecoando na minha cabeça horas depois de ter visto o filme. Na cena, Summer (Zooey Deschanel, linda) está na cama com Tom (Joseph Gordon-Levitt ainda melhor que em 'Mysterious Skin') contando sobre seus ex namorados. 'Mas e aí, o que aconteceu?' Tom pergunta intrigado em saber porque seus relacionamentos não duraram. E Summer com a maior naturalidade do mundo, como que a um nível acima dos pobres mortais que ainda não entenderam essa coisa misteriosa e complexa que são as relações humanas, responde 'o que acontece com todos os relacionamentos: life'. Ouvir isso é como levar uma facada nas costas. E quando vem da boca do seu objecto do desejo, quando a paixão está no seu ápice romântico, é de uma crueldade sem fim. E só quem nunca passou por isso, vê '500 days of Summer' como uma simples comédia romântica. Marc Webb fez um filme sobre o amor e sobre os buracos negros que são os relacionamentos. E ele sabe muito bem do que está falando.

13/12/09

Precious

E como sobreviver a 'Precious' ? Como sair da sala escura e, como disse o Zeca Camargo em seu blogue, saber que há uma ou mais Precious morando não muito longe de você e não fazer nada? Assistir simplesmente ao desfile de horrores como se fosse impossível mudar alguma coisa? Se existir uma palavra no dicionário que identifique o antónimo de 'esperança', é este o sentimento pós 'Precious'.

05/11/09

Música do Dia: You've Got the Love (XX remix)

Nunca achei grande coisa da Florence + the Machine, confesso. Tem umas músiquinhas divertidas e tals mas nunca entendi essa histeria e popularidade toda. Mas este remix/versão da sua "You've Got the Love" pelos The XX é uma pequena pérola pop que vicia logo na primeira audição.

20/10/09

não perder de vista: Washed Out


A edição online do The Guardian elegeu como a banda da semama e lá fomos nós conferir: Washed Out é uma delícia pop que não pode passar despercebida jamais. Ernest Greene é o homem por trás da banda. Webdesigner desempregado na Georgia, começou o projecto apenas por hobby e com a disseminação à velocidade da luz da internet, foi parar nos blogues in do mundo indie e até no Pitchfork. O som é uma espécie de synth-pop muito original resultado de um híbrido entre uma psicodelia seventie e a electrónica de países frios europeus. Ernest gravou, mixou e masterizou tudo sozinho e o resultado disso foi o EP "Life of Leisure" que saiu no final do ano passado pelo selo independente Mexican Summer. Segundo o mesmo artigo do Guardian, o álbum é já para o final de Outubro. Vá direto às faixas «You'll See It» e «Feel It All Around» e diga se não vale cada centavo investido.


18/10/09

Filmes chatos e amados


O badalado filme sueco «Let the right one in» (Deixa-me entrar em Portugal) estreou há uma semana no Brasil e como não podia deixar de ser, a crítica brasileira também escreveu maravilhas sobre. Fiquei aliviado quando vi o crítico de cinema do Estado de São Paulo Luiz Carlos Merten dizendo no seu blogue que não tinha gostado: "Não vou dizer que é o pior filme que já vi (embora talvez seja o pior de vampiros, porque é metido a besta). Sério. Não entendi nada. Filme jovem, original, cheio de ideias. Não sei não, mas os filmes sobre os quais tenho ouvido essas referências ultimamente são os que menos ideias expressam, ou as que menos têm me interessado." O filme conta a história de uma estranha amizade entre uma garota de doze anos que é vampira e um menino da mesma idade. Da primeira vez que vi, pensei que as minhas expectativas tinham estragado o meu visionamento. Hoje vi pela segunda vez para tirar a prova dos três, e o Luiz Merten está certíssimo, que filme chato e pretensioso.

17/09/09

A agenda de concertos de Berlim

Shannon Wright, Dirty Projectors, The Fiery Furnaces, Micatone, Skunk Anansie, Lydia Lunch, The Gossip, Ellen Alien, MSTRKRFT, Sonic Youth, Passion Pit, Morrissey... pára! Assim, não dá. Com tantos concertos borbulhando em Berlim, não tem nem como um gajo comprar o pão de cada dia...

08/09/09

Juliette Lewis: disco novo, capa asquerosa

Não me entendam mal. Eu adoro a Juliette, desde «Natural Born Killers», que é um dos meus filmes de cabeçeira. E mesmo que eu sempre tenha achado seus discos sofríveis (com ou sem os The Licks), ainda nutro um simpatia infinita pela moça. Mas a capinha desse «Terra Incógnita» vamos combinar né, minha gente? Mais asquerosa, impossível. Produzida no fundo do quintal pelo seu vizinho mexicano com photoshop em casa. Mas não tô nem aí: dia 04 de novembro estarei na filinha para ouvir e ver suas loucuras em palco. O amor é cego. E surdo.

22/08/09

As 500 melhores músicas da década segundo o Pitchfork

A década dos 00 ainda nem acabou mas o Pitchfork já deu seu parecer sobre as 500 melhores e mais importantes músicas da decada. Como não podia deixar de ser, não podia discordar mais. Uma rápida vista de olhos pelos primeiros 10 lugares já se percebe a arbitrariedade da coisa. Por mais que eu goste de ver os Arcade Fire várias vezes na lista, colocar "B.O.B" dos Outkast em primeira posição e "Crazy In Love" da Beyoncé em quarto parece piada de humor negro (sem trocadilhos, por favor). Nas 100 primeiras posições - com pequenas excepções - quase tudo é composto por canções editadas na segunda metade da década. Onde estão os Strokes? Não foi com "Is This It" que renasceu este "revival" garage-rock morto e enterrado nos anos '90? Pelo menos uma música do disco tinha que constar obrigatoriamente ali. Como manda o lugar comum, fiz uma pesquisa rápida pelas 500 canções do site e elaborei uma lista minha (quem é que resiste a uma lista?) com as minhas 20 melhores músicas da década. Por alguma razão que desconheço (ou talvez nem desconheço tanto assim, afinal sou um rato dos anos '90 e consumidor compulsivo de "riot girl rock") a primeira metade da década aparece em peso, portanto, uma lista absolutamente idiossincrática.

01 - "A Place Called Home" (2000) - PJ Harvey
02 - "Better Living through Chemistry" (2000) - QOTSA
03 - "Last Night" (2001) - Strokes
04 - "All Medicated Geniuses" (03) - Pretty Girls Make Graves
05 - "No Cars Go" (2005) - Arcade Fire
06 - "We Used To Be Friends" (2003) - The Dandy Warhols
07 - "Standing In The Way Of Control" (2006) - The Gossip
08 - "Like A Pen" (2006) - The Knife
09 - "Seven Nation Army" (2003) - White Stripes
10 - "Unison" (2001) - Björk
11 - "Portray" (2004) - Shannon Wright
12 - "Svo hljótt" (2005) - Sigus Rós
13 - "Hate to Say I Told You So" (2002) - The Hives
14 - "2+2=5" (2003) - Radiohead
15 - "Train" (2003) - Goldfrapp
16 - "Kanske Ar Jäg Kar I Dig" (2007) - Jens Lekman
17 - "You Know I'm No Good" (2007) - Amy Winehouse
18 - "The Fox" - Sleater Kinney
19 - "Mistery Girl" (2002) - Yeah Yeah Yeahs
20 - "Crystal" (2002) - New Order

17/08/09

Radiohead funky

Ouvindo a WOXY nessas madrugadas de insónia e descubro esta cover fe-no-me-nal dos Radiohead feita pelo Mark-Valerie-Ronson e fico maravilhado. Fui correndo para o Google e descobro que esta pequena pérola é de 2007! Provavelmente o mundo todo ja a conhecia, só eu é que não.

16/08/09

The XX - "XX"

O disco só sai amanhã mas se você, assim como eu, não consegue esperar a versão paga e física - que ocupará aquele lugar especial da sua colecção destinado só aos iluminados - pode começar por aqui a se deleitar já.

07/08/09

The XX vai destruir o seu coração


Desde que ouvi falar dos The XX, ou melhor, desde que ouvi as suas poucas músicas disponiveis na internet, foi paixão à primeira vista. Sem disco ainda sequer editado (sai no próximo dia 17), a estréia dos The XX para mim já é seguramente o acontecimento discográfico do ano. Sei que isto é um chavão mais que gasto, mas cada música dos XX é tão linda e tão absurdamente perfeita que fica difícil racionalizar aqui em palavras o quanto estes meninos de Londres mexem com este meu coração cético e petrificado. A banda é formada por dois meninos e duas meninas (Romy, Oliver, Baria e Jamie) entre os 17 e os 19 anos e fazem um som que remete para uma certa atmosfera soturna e minimalista que algumas bandas dos anos 80, como os Young Marble Giants, faziam.
Mas, no caso do The XX, com um toque de modernidade e classicismo que é quase impossível de se acreditar quando se descobre a idade dos garotos. Nas primeiras audições me veio logo à cabeça um disco lindíssimo de uma banda que já nem existe, os belgas Thou, que na sua estréia «Put us in tune» (2001) produzida por John Parish, usaram os mesmos estúdios que os Portishead e lhe pediram as sobras e restos de materias sonoros não usados pela banda de Bristol para trabalharem o seu début.
O resultado foi um auspicioso e quase irretocável disco que, apesar de achar que os meninos dos The XX nunca nem sequer ouviram, gosto de acreditar que sim e que quiseram fazer o seu próprio «Put us in tune» versão 2009. Canções para corações dilacerados ou a espera de uma segunda chance.

05/08/09

2 + 2 = 5

O que aconteceria se se fundissem os Tv On The Radio + Animal Collective + uma pitadinha de dEUS ? Os Cymbals Eat Guitars!

31/07/09

Madonna e o seu "Celebration"

Ouvi o novo single da Madonna - que anda lançando disco na mesma velocidade com que troca de roupa - no blogue Sound + Vision e achei de uma pobreza descomunal. Não consegui ouvir até o final. A musiquinha é tudo aquilo que eu costumo chamar de "som de Ibiza" que são aquelas canções dançáveis ultraproduzidas que infesta as "rádios dance" do planeta. Nesta "celebration" a voz de Madonna é posta em segundo plano e os sintetizadores, no meio de tanta trafulhice, se estapeiam na busca de protagonismo, numa música que se não serve para dançar, pelo menos vai encher os bolsos da cantora.

24/07/09

A morte (de João Bénard) e a (nova) vida da Cinemateca

Eu nem ia falar nada aqui sobre a morte desse senhor - mesmo porque já tinha falado dele de uma forma não muito agradável aqui quando ele ainda era vivo - mas na hora da morte, esta fria e imprevisível senhora de negro, as pessoas parecem que perdem o passo e não sabem como reagir.As coisas que alguns dos seus detractores mais ferrenhos escreveram na imprensa sobre ele parece brincadeira de mau gosto. E nem estou falando de falta de respeito com a morte alheia, porque isso é outra conversa. João Bénard da Costa, que eu tive o desprazer de conhecer numa situação passada, mostrou-se para mim tudo aquilo que seus maravilhosos textos escondiam: uma truculência de um cowboy disfarçada sob a capa de intelectual e um autoritarismo nauseabundo que era quase impossível de se acreditar. Já na Cinemateca, eram muitos os que reclamavam a sua demissão ou a deposição do seu cargo de director, tamanha era a sua comodidade de cargo público canonizado, do alto do seu trono inabalável. Já ninguém mais aguentava as mesmas coisas, os mesmos filmes, os mesmos ciclos. A Cinemateca já não era património público, era património dele. Mas claro, não era preciso que fosse a morte que lhe tirasse estupidamente das suas funções. Isso tudo para dizer o quê? Que apesar do título pretensioso desse post, eu espero - e acredito que o caminho será este - que (mesmo sem director ainda) a saída do senhor Bénard da Costa è frente da Cinemateca seja um dos belos e grandes motivos para se voltar a ver cinema com prazer naquelas salas míticas. Porque há muito tempo que isso não se via por aqueles lados e porque a Cinemateca de Lisboa é um dos pequenos tesouros guardados dessa cidade. Seria uma pena deixar essa oportunidade passar ao lado agora. Viva a nova Cinemateca!

O "Anticristo" de Lars Von Trier e a fronteira da dor

"Faremos uma versão católica para os mercados mais conservadores que possa cumprir os requisitos de censura. Ainda não sabemos que cenas serão eliminadas, estamos em conversações com as distribuidoras para encontrar a fronteira da dor"

disse o director da Zentropa, Peter Aalbaek Jensen, em declarações ao diário Berlingske Tidende.

18/06/09

Capas de Discos

Certamente que a capa deste disco, da nórdica Silje Nergaard «A Thousand True Stories» é uma das mais belas vista por este que vos fala, no ano que corre. O disco é secundário - composto daquelas musiquinhas que enchem os barzinhos modernos do Bairro Alto - mas a capa é um show à parte. Optima para impressionar aqueles amigos leigos que julgam discos pelas capas.

10/06/09

Prepúcio Recomenda: Be Your Own Pet

Pronto, ja deixei o disquinho dos Los Campesinos! de lado...

Melhor música do ano, já?

Eles nem tem disco ainda, apenas três belas cançonetas. É hit no Incógnito e hype nos bas-fond londrinos são autores do hit - e do refrão - mais delicioso do ano!

Directos do Rio: Glass and Glue


Pelo que li pelos blogues da vida, os Glass and Glue bandinha indie-pop nascida no Rio de Janeiro estão bombando na cena underground carioca já há algum tempinho. Fui ouvi-los no MySpace da banda e gostei muito. A primeira da lista "Bipolar" é uma pedrada arrasa-quarteirão e "Good Enough" me fez lembrar tanto dos Hole do primeiro disco que até deu vontade de ligar para Courtney Love. Recomendadíssimos!

11/03/09

PJ Harvey e a Casa da Música

Só tenho uma palavra para o comportamento da Casa da Música em relação à venda dos bilhetes para PJ Harvey a 02 de maio: palhaçada. Quem não vive no Porto (ou é funcionário/amiguinho/you name it da Casa da Música) e passou os últimos dois meses a garimpar nas Fnac's e lojas virtuais da vida, sabe muito bem do eu estou falando.

03/03/09

Sacanas Sem Lei?



É, parece que este é o título em português (Portugal) do próximo filme do Tarantino "Inglorious Besterds".E no Brasil? A minha aposta é qualquer coisa como «Uns tiras doidos pra caramba».

22/02/09

Os meus óscares

Este ano, comparando com os últimos três, talvez seja o ano mais interessante do Oscar. Muitos bons filmes para ver e cada vez menos filmes com o "selo oscar de qualidade". Em 2009, este posto ficou a cargo de dois deles: «O estranho caso de Benjamin Button» e «O Leitor». Apesar dos seus realizadores, Fincher e Daldry, terem o meu mais absoluto respeito e algumas obras-primas no currículo, parecem-me filmes certinhos demais, filmes com cara de oscar. Eu quase que incluíria «A Troca» do Clint Eastwood nesse balaio, mas Clint Eastwood está acima de qualquer suspeita e já provou há muito o que tinha para provar.
O meu favorito para o prémio de melhor filme é o muito controverso «Slumdog Millionaire». Acho um disparate sem fim dizerem que o filme faz pornografia da pobreza. Acho-o poderoso, pujante, original. Sou fã de Boyle há muito tempo (ok, esqueçam «A Praia» e «Milhões») e desde «28 dias depois» não o via em tão boa forma. Esta é a sua grande volta, o ano da sua consagração, finalmente.
Se o prémio não fosse para o filme de Boyle, provavelmente eu daria para o filme que menor chances tem de sair com alguma estatueta, «Frost/Nixon». Há qualquer coisa de muito adulta e coerente no último filme de Ron Howard. E estou a falar de um dos piores realizadores dos ultimos tempos, o homem que faz filmes politicamente correctos e aborrecidos como «Uma mente brilhante» e «O Código Da Vinci». Parece que com «Frost/Nixon» alguma luz se acendeu ali. E por falar em filmes politicamente correctos, saí com uma pontinha de decepção da projecção de «Milk». Gus Van Sant é um cineasta assombroso, faz obra-prima atrás de obra-prima mas em «Milk» parece que segue a cartilha do academismo norte-americano minuciosamente, de uma forma que as vezes chega a dar sono. Carlos Merten, jornalista do Estadão, perguntou no seu blogue dias atrás: "Será possível não gostar de «Milk»?" dada a ovação unánime e as críticas positivas ao filme. Ninguém fal mal de «Milk», se tornou um pecado capital. Eu até gosto do filme, não é esta a questão, mas há qualquer coisa de xiita nessa bajulação toda. É sim um belo filme, Sean Penn merece sim o oscar (mais que Rourque até) mas é de uma convencionalidade ortodóxica que assusta. E eu não esperava isso do senhor Van Sant.
Para acabar, devo dizer que o filme "do oscar" que mais me impressionou e que merecia estar entre os cinco indicados, é o belíssimo «Revolutionary Road». Há muito tempo não via filme tão dilacerante. Sam Mendes volta ao que sabe fazer melhor, olhar pelo buraco da fechadura a terrível realidade que povoa as vidas aparentemente perfeitas. Desde «Magnólia» que não via um objecto de cinema tão belo e tão corrosivo.

Vencedores do Oscar...já?

Encontrei a lista abaixo no Movie Crunch e em meio mundo de blogues espalhados pela blogosfera. De acordo com o Movie Crunch, a lista foi postada por um blogue anónimo que depois foi retirado do ar. O que, segundo eles, aumenta ainda mais as suspeitas de que tudo pode ser verdade. Uma pena, pois eu devo ser a única pessoa que torce fervorosamente para o oscar ir parar às mãos do Sean Penn e não do Mickey Rourque.



11/02/09

Morrissey e as Capas


Morrissey já nos mostrou que tem um gosto bem peculiar em relação às capas que escolhe para os seus discos. «I'm Throwing My Arms Around Paris» é o primeiro single do álbum «Years of Refusal», gravado em Los Angeles e produzido por Jerry Finn que foi editado na última segunda-feira. Na capa, Morrissey aparece nu, com os outros membros da banda que o acompanham e  - desculpem-me o cinismo nauseabundo - com Photoshop gritando por atenção. Já que, se bem me lembro, até há pouco tempo, Moz ostentava um corpitcho bem rechonchudo que a idade lhe impôs. Daqui do Prepúcio a gente lamenta: não era preciso Morrissey, a sério que não.

A felina e a Levi's


Depois dar o bolo à Channel e posar para as malas Louis Vuitton eis que a belíssima Chan Marshal (a.k.a Cat Power) agora ataca de Levi's. E a gente não tem mais nada para dizer sobre o assunto.

05/02/09

...E os piores filmes de 2008

«The Happening» uma comédia involuntária

01 - JUNO/O ACONTECIMENTO

Nem sei qual é o pior dos dois. Por isso vai ser um ex aequo. Lembrei-me daquela balança que o Willy Wonka usava para saber quais eram os produtos estragados e que media a "ruindade" de cada um. O que prestava era usado na fábrica de chocolate o que não prestava, caía automaticamente num buraco directo para lata do lixo. Estes dois de certeza que nem precisariam da balança, são tão ruins, tão pretensiosos e, pior, tão inconscientes da própria ruindade que me fez rir no cinema. Risos nervosos de constrangimento.

02 - OS FRAGMENTOS DE TRACEY

Se este blogue fosse responsável pelos framboesas de ouro, o "oscar" dos piores do cinema, a chata da Ellen Page ganharia disparado este ano logo dois galardões pelas suas ridículas prestações neste filme cheio de boas idéias mas que foi completamente destruído por uma mão pesada e no «Juno» aqui acima. Ela se tornou numa espécie de ódio de estimação para mim que só de saber que ela está em algum filme, perco automaticamente o interesse por ele. Vai ser má actriz assim bem longe de mim.

03 - DESTRUIR DEPOIS DE LER

Nem consigo falar mal dos Coen simplesmente porque acho-os geniais e porque fizeram algum do melhor cinema indie dos últimos 20 anos. Mas esta má fase começada após o fabuloso «Brother, Where are thou?» parece que não tem mais fim. E o pior de tudo é que ainda lhes dão oscar por filmes medíocres, como no ano passado, aí eles acham que estão no caminho certo. Não rapazes, não! Voltem a ser o que eram. Voltem ao cinema de «Arizona Dream» e «Fargo». Nós suplicamos.

04 - UMA SEGUNDA JUVENTUDE

Quando eu era criança, e ouvia na televisão a ênfase e o respeito que emitia a voz do locutor da Globo quando anunciava um filme "de Francis Ford Coppola" eu pensava: este deve ser o Messias do cinema. Foi preciso alguns anos depois para ver que ele era um cineasta brilhante que variava muito entre o irregular e o muito bom. Esta experiência cinematográfica tão propagada com Tim Roth a levar o filme nas costas só confirmou a minha teoria. Gerou muita expectativa, alguns elogios da crítica mas fica aquém de tudo isso: é um desastre homérico de todos os tamanhos, redundâncias à parte.

05 - DIÁRIO DOS MORTOS

Este filme tem ali uns cinco minutos de qualquer coisa de genial que nos capta a atenção e faz ter esperança outra vez no cinema de género. Como se fosse preciso um mestre para fazer renascer os bons filmes de terror [ver o espanhol «REC»]. Erro absoluto, isto é mais um produto do mais preguiçoso e inerte cinema fantástico dos últimos tempos. Nem como série B engana, aqui é mesmo série Z.

01/02/09

A propósito de «Slumdog Millionaire» (I)

Há alguns dias, deparei-me com um texto do jornalista da SIC Notícias e do DN, João Lopes que me deixou no mínimo muito intrigado. O texto, publicado no seu blogue Sound + Vision dava conta de uma certa injustiça cometida pela Academia ao ignorar a presença da realizadora indiana Loveleen Tandan como co-realizadora do magnifíco «Slumdog Millionaire». No texto, João Lopes refere-se a realizadora como uma pessoa "de cor". Minha primeira reacção foi escrever um e-mail em forma de protesto ao jornalista. Alguns dias depois, num acto que considerei muito nobre - e contrariando as minhas expectativas - o senhor João Lopes, fez a gentileza de responder-me e de dar sua "explicação" final. Que pode ser vista aqui no seu blogue e que passo a publicar na íntegra por estes lados também:


"Slumdog Millionaire": ele e ela (cont.)

A nomeação de Danny Boyle para os Oscars, como realizador do filmeSlumdog Millionaire, tem suscitado algum debate de ideias. Como referi em post anterior, há quem considere que a não-nomeação da co-realizadora Loveleen Tandan representa uma forma de discriminação: a crítica Jan Lisa Huttner defende mesmo que é importante fazer pressão sobre a Academia de Hollywood no sentido de alterar a regra (só pode haver um nome nomeado na categoria de melhor realização) que "justifica" tal omissão. Nesse post escrevi:

>>> Tentando contrariar esta lógica, a crítica Jan Lisa Huttner tem chamado a atenção no seu blog The Hot Pink Pen — empenhado na defesa dos direitos de mulheres realizadoras e argumentistas — para o anacronismo da regra, considerando mesmo que se está a perder a oportunidade histórica de nomear a primeira mulher de cor para melhor realização (...) <<<

Estas palavras levaram um dos nossos visitantes, Wellington Almeida, a dirigir-me um mail. Eis a sua argumentação:

>>> Não tenho aqui muito a dizer e nem vou entrar em dissertações sociológicas a respeito das disparidades semânticas que uma palavra possa vir ter e vou directo ao assunto: como grande apreciador dos seus textos — sejam eles peças jornalísticas ou mesmo as "informais" aqui no blogue — acho extremamente perigoso que o senhor use este eufemismo "de cor" para designar a raça "negra". Já há muito tempo muita tinta é gasta sobre este tema (negro? preto?) e nem estou a fazer suposições sobre suas políticas pessoais, mas esta quase que "suavização" da palavra NEGRO torna-se inequivocadamente ofensiva para mim. Quero dizer, estão a perder a oportunidade histórica de nomear a primeira mulher de cor para melhor realização mas...de que cor? <<<

* * * * *

1. Começo por esclarecer que o eufemismo “de cor” não designa a raça “negra”: Loveleen Tandan é indiana e tem a pele castanha. Aliás, num artigo da Newsweek em que é referida a não-nomeação de Tandan como co-realizadora, Ramin Setoodeh escreve uma frase de certeira ironia: “[O filme]Slumdog está cheio de rostos castanhos (brown faces) mas, no palco dos Oscars, praticamente todas as pessoas que forem receber prémios por ele têm rostos brancos.”

2. O “anacronismo da regra” a que me refiro — e que Jan Lisa Huttner aponta — decorre, não da cor da pele seja de quem for, mas apenas do facto de não ser possível nomear mais do que uma pessoa na categoria de melhor realização (mesmo quando, como é o caso de Loveleen Tandan, alguém aparece citado no filme como “co-realizador”).

3. Foi a própria Jan Lisa Huttner a referir-se à situação utilizando a expressão “of colour” (“de cor”). A citação está disponível no IMDb: “Ao longo de 80 anos, apenas três mulheres foram nomeadas para o Oscar de melhor realização — Lina Wertmuller, Jane Campion e Sofia Coppola — e apenas dois homens de cor: John Singleton e Ang Lee, que ganhou por Brokeback Moutain. Se Loveleen Tandan for co-nomeada pelo seu trabalho em Slumdog Millionaire, então será a primeira mulher de cor a ser nomeada para o Oscar de melhor realização e, se ganhar, será a primeira mulher a receber tão grande honra.”

4. O meu texto contém um erro de citação: a expressão “primeira mulher de cor” deveria surgir entre aspas, desse modo remetendo para o discurso de Jan Lisa Huttner.

5. A questão de fundo que se coloca está exemplarmente resumida por Wellington Almeida quando pergunta: “(...) estão a perder a oportunidade histórica de nomear a primeira mulher de cor para melhor realização mas...de que cor?” A resposta directa à sua pergunta é: de cor castanha. Mas, de facto, cada palavra e cada expressão está muito longe de se esgotar no discurso de um indivíduo, seja ele quem for, ou nas suas intenções. Podemos reavaliar a complexidade semântica, simbólica, política e afectiva de tais questões através de um didáctico artigo de William Safire (‘On language; people of color’), publicado em 1988 em The New York Times — depois de comentar as muitas convulsões históricas das expressões que se referem à cor da pele, o autor conclui assim: “Quando usada por brancos, people of color [pessoas de cor] transporta normalmente uma conotação amigável e respeitosa, mas não deverá ser usada como sinónimo de negro [black]; refere-se a todos os grupos raciais que não são brancos.”

6. O meu texto contém um segundo erro, este de avaliação de linguagem. De facto, ao traduzir a expressão em causa (de cor), embora a tenha assumido no sentido que decorre do seu contexto de enunciação (americano), não tive em consideração os inevitáveis efeitos — simbólicos e de leitura — que podem ser arrastados pela passagem de uma língua para outra.

7. Wellington Almeida escreve que não faz “suposições” sobre as minhas “políticas pessoais”. Pelo contrário, creio que o pode e deve fazer, sobretudo quando, como é o caso, tenta fazer algo a que atribuo a máxima importância: a interpretação dos subtextos simbólicos que um discurso — por vezes, uma simples palavra — pode arrastar. Repudio todas as formas de racismo, pelos actos e pela escrita. Mas as declarações de princípio não devem impedir o reconhecimento de erros como aqueles que cometi. Por eles me penalizo, apresentando as minhas desculpas.



29/01/09

Os Melhores Filmes de 2008

Juro que este ano não ia fazer lista. Nem era uma forma de protesto nem nada, apenas não chegava facilmente a dez títulos de grande relevância para enumera-los como "melhores do ano". Mas aí, seguindo a tradição de enviar todos os anos a listinha para o site Cinema2000, fiz um esforço maior e cheguei a dez belos filmes. Então resolvi publicá-la aqui também. 

01 - HAVERÁ SANGUE

Paul Thomas Anderson deverá ser um daqueles jovens realizadores - a juntar-se a Orson Wells - que conseguiu abrir a caixa de pandora do cinema e guardou os segredo só para si. Obra-prima atrás de obra-prima (mesmo quando brincou às comédias românticas em «Punch-Drunk Love» e deu-lhe uma versão negra e complexa) Anderson não erra um segundo e mostra que conhece cada centímetro do terreno onde pisa. Este «Haverá Sangue» é um tratado monumental sobre a complexidade da natureza humana e desde já um dos filmes da década.

02 - WALL-E
03 - IN BRUGES
04 - GONE BABY GONE
05 - O CAVALEIRO DAS TREVAS
06 - LUZ SILENCIOSA
07 - NOS CONTROLAMOS A NOITE
08 - THE MIST - NEVOEIRO MISTERIOSO
09 - ANTES QUE O DIABO SAIBA QUE MORRESTE
10 - THE SAVAGES


19/01/09

PJ Harvey no Porto em Maio


Acabei de ver no MySpace da überdeusa inglesa Polly Jean Harvey, as datas da turnê européia com John Parish e está lá, o Porto, incluído na sua próxima paragem por terras nortenhas. Espero que até lá alguém tenha o bom senso de trazê-la a Lisboa. O disco ‘A Woman A Man Walked By’ sai a 30 de março e, segundo informações da mesma página "...The album has been described by journalist, John Harris, as “…mischievous, deadly serious, elegant and poetic, and possessed of a brutal power – it is doubtful that you will hear a record as brimming with creative brio and musical invention this year…” Estamos a contar os dias.

06/01/09

Melhores de 2008 - Os Discos

1º  THIRD - Portishead

Nas primeiras audições foi um choque para todo mundo: cadê a banda excepcional dos irretocáveis «Dummy» e «Portishead»? Aquela batida de «Machine Gun» não fazia sentido algum. Passada a primeira audição de frustração calculada, é que entendemos, «Third» é um disco do futuro. Um futuro frio, apocalíptico e cercado de uma beleza hermética quase imperceptível aos ouvidos não-iniciados. Fomos abduzidos e estava desvendado o segredo. Os Postishead continuam perfeitos e geniais e sabem a exacta localização dos chacras do nirvana. Fomos salvos mais uma vez e lá estavam «We Carry On» e «Silence» para nos provar. Ao terceito disco, os Portishead mostram que estão uma escala acima daquela linha imaginária que separa os pobres mortais dos verdadeiros deuses.


2º  HOLD NOW, YOUNGSTER - Los Campesinos

A boa música pop, assim como o cinema, é muito difícil de fazer. Um bom disco, daqueles criados por mãos imaculadas que nos ganha a primeira então, é um verdadeiro oásis num deserto. Foi o que aconteceu comigo e os Los Campesinos, paixão à primeira vista. Num ano em que o último disco que me fez saltar de felicidade assim logo a primeira audição foi lançado em 1994, só tive de agradecer aos céus. «Hold On Now, Youngster» lançado em fevereiro mas que só chegou por aqui agora, é sério candidato ao conjunto de canções pop mais perfeitas desde «Funeral» dos canadianos - óbvia fonte de inspiração - Arcade Fire. Este é daqueles discos que desperta em nós aqueles sentimentos obscuros que nem dezenas sessões de terapia consegue. Quem gosta de emoções fortes e desconstruções musicais com elegância não pode perdê-lo por nada na vida.


3º  MIDNIGHT BOOM - The Kills

Quando Alisson Mosshart canta a determinada altura de «Midnight Boom» "What the city used to be...What New York used to be.." já é quase que meio caminho andado para explicar a luxúria que este disco emana da primeira a última faixa. Se é que prazeres dessa magnitude se explica. Ao terceito disco, os The Kills deixam a pose cool estrategicamente encenada dos discos anteriores para se entregar aos prazeres da carne. Pegaram naquilo que fizeram as bandas dos finais dos '90 - o hedonismo como lema máximo - e elevaram-no a enésima potência. Em 2008 os The Kills mataram a cobra e mostraram o pau. E deixaram bem claro como New York deveria ser.


4º  THIS GIFT - Sons & Daughters

Foi o primeiro grande álbum de 2008. «This Gift» sucede ao soberbo «The Repulsion Box» e já há algum tempo que por aí andava a nos provocar com "Gilt Complex" o viciante single que  abre o disco. Alguns dias depois, logo em inícios de Janeiro veio confirmar: este é um daqueles poderosos albuns onde o indie-rock-cowboy-dançante dos escoceses nos faz bater os pés até cansar e pedir por mais. E berrar a viciante «Iodine» numa pista lotada é daquelas coisas lúdicas que toda gente deveria tentar. A consumir sem moderação.


5º  JUKEBOX - Cat Power

O oitavo álbum da belíssima Chan Marshall, chegou às minhas mãos logo que saiu no final de janeiro último, mas não captou de imediato a minha atenção e por alguma conjunção cósmica passou pelo meu CD Player voando. Numa destas noites solitárias reencontrei o álbum com outro sabor e vivacidade e... me apaixonei. Tento rememorar os sentimentos iniciais, mas poucas coisas daquelas audições retornam à minha memória castigada por prazeres não pronunciáveis. A diferença do modus operandi deste «Jukebox» faz com que o apelo indie dos primeiros álbuns desapareça cedendo lugar à uma sonoridade classuda que transpira charme, elegância e um swing que faz arrepiar os cabelinhos da nuca. A felina cresceu, e foi preciso deixar a bebida para fazer um disco para bêbados e amargurados. E este Cat, é o meu melhor elogio.