Uma vez, há alguns anos, um rapaz moçambicano que trabalhava na Cinemateca de Lisboa me disse que Juventude em Marcha de Pedro Costa era um filme para ser visto com camisa de forças, num cinema lotado e apertado no meio de uma fileira completamente cheia de pessoas, sem chance de escapatória possível. Me lembrei das suas sábias palavras quando vi o último filme do filipino Brillante Mendoza.
Lola é um destes filmes, negro, grandioso e do qual é mais muito mais fácil fugir do que enfrentar. O filme conta a história de duas avós, uma à procura de enterrar o neto assassinado a outra de redimir o neto que perpretou o crime. O destino das duas avós se cruza e afecta a vida de todos à volta.
Assistir Lola na sala escura é como segurar a respiração debaixo d'água pelo maior tempo possível para depois emergir aliviado, deixando para trás aquele cenário cruel que insistentemente volta a ecoar na memória após a projecção. As imagens de Manila são uma experiência visual maior que a vida e, por isso mesmo, maior que cada uma daquelas tristes personagens que improvisam dentro do seu universo caótico.







