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17/11/10

«The Kids Are All Right» estreia em Portugal


Quase duas horas de fila depois, finalmente consigo bilhetes para o último dia da Berlinale deste ano. The Kids Are All Right - o segundo filme de Lisa Cholodenko - foi o filme escolhido e, felizmente, acertei em cheio. O filme teve cinco sessões no festival e no dia em que vi, foi um verdadeiro hit, aplaudido de pé entusiasticamente no final. A versão apresentada na Berlinale, finalizada as pressas para entrar na competição, é ligeiramente diferente da versão actual do filme, mas nada que tenha afectado significativamente o produto final.
O filme anterior de Lisa Cholodenko "Laurel Canyon" (que em Portugal recebeu o título de "Atracção Acidental") já mostrava o seu olhar atento e cuidadoso às imperfeições humanas e as suas relações. Em The Kids Are All Right ela volta a cutucar umas feridas abertas e para isso recruta Mark Ruffalo para desestabilizar a relaçao do casal formado por Julianne Moore e Annete Benning.
No filme, Josh Hutcherson e Mia Wasikowska dão vida aos dois irmãos que decidem encontrar o homem que doou o sêmen que os gerou, pois ambos são filhos de um casal lésbico (Moore e Bening). Após a chegada do doador, a harmonia da família fica irremediavelmente abalada.
Cholodenko conhece bem as suas personagens e desenvolve-as uma a uma, com a subtileza e elegância que lhe é habitual. O filme é uma comédia dramática mas transita com segurança entre os dois géneros sem nunca deixar as personagens caírem na caricatura ou estereotipos banais tão comuns às comédias dramáticas.
Especulou-se muito a questão do "tema polémico" que o filme trata: duas mulheres, homossexuais, que têm filhos através de inseminação artificial e que têm vidas completamente estáveis. Mas Lisa Cholodenko tratou o "tema" com a leveza necessária, desdramatizando e desconstruindo expectativas desnecessárias e não cedendo nunca à tentação de levantar qualquer bandeira política. Mesmo assim, o filme venceu o Teddy Bear na Berlinale, o prémio do festival dedicado às cinematografias com temática gay. Em Portugal estreia comercialmente amanhã com um título ligeiramente diferente do anunciado anteriormente pela Castello Lopes: Os Miúdos Estão Bem.

13/02/10

Eu e a Berlinale

Eu subestimei a Berlinale. Quando peguei a programação em mãos, e circulei todos os filmes que eu queria ver, não fazia a minima idéia do tamanho da minha ingenuidade. Conseguir um mísero bilhete para a Berlinale, desde a estréia na 5ª feira, é uma ilusão. Mesmo com os valores dos bilhetes - onze euros - a preços nada populares. Fiquei na fila 40 minutos e desisti. Tentei então comprar pela internet mas tudo o que estava disponível online já estava completamente "sold out". Tentei chegar de manhazinha no local (as portas abriam as dez da manhã) mas a fila de pessoas acampando em frente a bilheteira era desanimadora. Uma mulher ontém perambulava pela Potsdamer Platz com uma plaquinha "compro 2 bilhetes para The Ghost Writer pago bem" mas algo me diz que ela não teve muito sucesso na sua busca. 'The Ghost Writer', o novo Polanski, era um dos filmes mais esperados da Berlinale. Apesar de uma recepção fria por parte do público, já há um rumor na imprensa alemã de que o prémio pode ir para Polanski por puro protesto à sua prisão na Suíça. A Berlinale dura até dia 21 e ainda pretendo fazer umas tentativas pelas sessões menos concorridas. Caso contrário, vou ter de me juntar ao povão que vai todo dia à Postdamer Platz ver as estrelas acenarem no tapete vermelho do festival. Saudades do IndieLisboa.