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03/11/11

Os Phantogram estão de volta



Alguém aí se lembra dos Phantogram? O duo de Saratoga Springs, composto por Josh Carter e a lindíssima Sarah Barthel lançaram o seu debut em 2009 e, fora dos Estados Unidos, foram completamente ignorados. O disco «Eyelid Movies» foi uma das estreias mais promissoras dos últimos anos (incluídos aqui no Prepúcio entre as melhores músicas e discos de 2009) com concertos esgotados lá no hemisfério norte e abrindo para bandas como Metric, Caribou, The xx e Yeasayer. Porém, continuavam ilustres desconhecidos na Europa e no Brasil. 
O disco fazia uma espécie de releitura da música pop eletrônica dos anos 2000. Por entre sintetizadores e guitarras cortantes, a voz cristalina de Barthel (por vezes se revezando com a de Carter) dava um clima lírico àquele conjunto de onze canções, como se eles tivessem encontrado a fórmula mágica de criar canções pop perfeitas. Me fez lembrar uma outra estreia deslumbrante, a dos Portishead, lá no longínquo ano de 1994. Esta semana os Phantogram editam novo disco, o EP «Nightlife» que a revista Spin disponibiliza para audição na íntegra aqui. O disco não chega a superar a qualidade do seu antecessor mas ajuda a entender a fase de amadurecimento do som que a banda produz. E que venha logo o próximo!

06/01/09

Melhores de 2008 - Os Discos

1º  THIRD - Portishead

Nas primeiras audições foi um choque para todo mundo: cadê a banda excepcional dos irretocáveis «Dummy» e «Portishead»? Aquela batida de «Machine Gun» não fazia sentido algum. Passada a primeira audição de frustração calculada, é que entendemos, «Third» é um disco do futuro. Um futuro frio, apocalíptico e cercado de uma beleza hermética quase imperceptível aos ouvidos não-iniciados. Fomos abduzidos e estava desvendado o segredo. Os Postishead continuam perfeitos e geniais e sabem a exacta localização dos chacras do nirvana. Fomos salvos mais uma vez e lá estavam «We Carry On» e «Silence» para nos provar. Ao terceito disco, os Portishead mostram que estão uma escala acima daquela linha imaginária que separa os pobres mortais dos verdadeiros deuses.


2º  HOLD NOW, YOUNGSTER - Los Campesinos

A boa música pop, assim como o cinema, é muito difícil de fazer. Um bom disco, daqueles criados por mãos imaculadas que nos ganha a primeira então, é um verdadeiro oásis num deserto. Foi o que aconteceu comigo e os Los Campesinos, paixão à primeira vista. Num ano em que o último disco que me fez saltar de felicidade assim logo a primeira audição foi lançado em 1994, só tive de agradecer aos céus. «Hold On Now, Youngster» lançado em fevereiro mas que só chegou por aqui agora, é sério candidato ao conjunto de canções pop mais perfeitas desde «Funeral» dos canadianos - óbvia fonte de inspiração - Arcade Fire. Este é daqueles discos que desperta em nós aqueles sentimentos obscuros que nem dezenas sessões de terapia consegue. Quem gosta de emoções fortes e desconstruções musicais com elegância não pode perdê-lo por nada na vida.


3º  MIDNIGHT BOOM - The Kills

Quando Alisson Mosshart canta a determinada altura de «Midnight Boom» "What the city used to be...What New York used to be.." já é quase que meio caminho andado para explicar a luxúria que este disco emana da primeira a última faixa. Se é que prazeres dessa magnitude se explica. Ao terceito disco, os The Kills deixam a pose cool estrategicamente encenada dos discos anteriores para se entregar aos prazeres da carne. Pegaram naquilo que fizeram as bandas dos finais dos '90 - o hedonismo como lema máximo - e elevaram-no a enésima potência. Em 2008 os The Kills mataram a cobra e mostraram o pau. E deixaram bem claro como New York deveria ser.


4º  THIS GIFT - Sons & Daughters

Foi o primeiro grande álbum de 2008. «This Gift» sucede ao soberbo «The Repulsion Box» e já há algum tempo que por aí andava a nos provocar com "Gilt Complex" o viciante single que  abre o disco. Alguns dias depois, logo em inícios de Janeiro veio confirmar: este é um daqueles poderosos albuns onde o indie-rock-cowboy-dançante dos escoceses nos faz bater os pés até cansar e pedir por mais. E berrar a viciante «Iodine» numa pista lotada é daquelas coisas lúdicas que toda gente deveria tentar. A consumir sem moderação.


5º  JUKEBOX - Cat Power

O oitavo álbum da belíssima Chan Marshall, chegou às minhas mãos logo que saiu no final de janeiro último, mas não captou de imediato a minha atenção e por alguma conjunção cósmica passou pelo meu CD Player voando. Numa destas noites solitárias reencontrei o álbum com outro sabor e vivacidade e... me apaixonei. Tento rememorar os sentimentos iniciais, mas poucas coisas daquelas audições retornam à minha memória castigada por prazeres não pronunciáveis. A diferença do modus operandi deste «Jukebox» faz com que o apelo indie dos primeiros álbuns desapareça cedendo lugar à uma sonoridade classuda que transpira charme, elegância e um swing que faz arrepiar os cabelinhos da nuca. A felina cresceu, e foi preciso deixar a bebida para fazer um disco para bêbados e amargurados. E este Cat, é o meu melhor elogio.