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02/08/11

Amy Winehouse e os falsos profetas

"(...) Aliás, foi “a falta de amor a Deus” que matou Amy, muito se escreveu comentando o falecimento da cantora. A morte de Amy, ocasionada pela doença e pelo acaso, foi uma previsão de muitos moralistas. “Ah, eu já sabia”. Atenção, falsos profetas, eu também posso dizer: eu sei que todos aqui vão morrer. Eu já sabia disso desde que nasci, até eu mesmo sei que um dia irei morrer. Dentro desse “eu já sabia” esconde-se o ovo da serpente, um moralismo da pior qualidade, pois ele camufla aquele que condena o modo de vida dos outros."

Vítor Angelo, jornalista e escritor, certeiro e afiado no seu Blogay lá na Folha de São Paulo sobre a morte da Amy e os moralistas de plantão. A íntegra do post pode ser lida aqui.

27/07/11

Amy, as piadas e a imprensa cor de rosa

Sei lá, ainda acho de muito mau gosto as piadas sobre a morte da Amy que ando lendo poraí. Posso parecer careta com esse discurso, mas tenho a impressão que é mais fácil para alguns lidar com o assunto em tom de escárnio do que tentar entender porque perdemos uma menina de 27 anos para as drogas. Triste isso.



24/07/11

Adeus, Amy


Fui à procura do que eu tinha escrito aqui no blogue sobre aquele show desastroso no Rock in Rio em Lisboa e me deparei, sem palavras, com a minha própria frase que fechava o post comparando Amy à Kurt Cobain: «Só esperamos, de dedos cruzados, que a bela Amy não tenha o mesmo fim». 
A irônia de uma tragédia anunciada, onde todos assistimos passivos e cínicos, como num Big Brother inimterrupto, ao fim de uma das mais promissoras carreiras surgidas nos últimos tempos. Mundo estranho esse, onde os bons morrem tão jovens. 

09/06/08

Notas sobre o Rock in Rio

Por causa da Amy e por um acidente do destino, eu estive no Rock in Rio nos dias 30 e 06. Foi engraçado ver meus preconceitos caírem todos à minha cara logo de entrada. A Ivete Sangalo, que eu pensava ser um erro de casting daquele dia (e de todo o festival), pôs as quase cem mil pessoas que ali estavam a pularem feito doidas no minuto que pisou palco adentro. Fiquei com medo.

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O mesmo se passou no último dia com os insuportáveis Linkin Park e Offspring. Era inacreditável como aquelas pessoas todas estavam lá para vê-los e pior ainda, cantar junto todas as letras de cor. É duro ser indie.

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Minha amiga Bia, que esteve ilustre na produção do evento, disse que o Livro de Reclamações (!!!) do festival nunca esteve tão requisitado. Maior incidência de reclamações: os concertos que não começavam as horas certas. Existe melhor invenção que o Livro de Reclamações? Portugal Rulezzz!

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Quem teve a sorte de ter telemóvel da TMN ficou completamente incomunicável no primeiro dia do festival. A desculpa dada foi que as linhas todas estavam bloqueadas devido ao enorme fluxo de usuários no mesmo lugar ao mesmo tempo. Por uma coincidência infeliz do destino, quem era Vodafone (a patrocinadora oficial do RIR) passeava lindamente pelo recinto com seus telemóveis brilhantes e funcionais. Então tá, me engana que eu gosto.

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Ah, e esta é muito boa. Uma colega de trabalho de uma amiga disse que pensava que o nome «Rock in Rio» era por causa da proximidade do festival com o rio. Só que o Tejo. Maravilha!

04/06/08

Em defesa da Amy Winehouse

1. A adoração, de toda a gente, por Amy Winehouse.



“O quê? Não gostas dela, nem da música dela? Além de seres um anormal, és sempre do contra!”. É mais ou menos aquilo que oiço quando digo, orgulhosamente, que não gosto nada dela. Da música, do fenómeno, do cabelo horrível e principalmente da toda euforia à volta dela (levando pessoas que não deveriam cantar, nem no banho, a invocar as suas vozes bem alto no metro daquela musiquinha irritante em que ela diz que não quer ir para uma clínica). Enfim, não vou dizer que ela canta mal. Voz tem. E muito boa por sinal. Mas não é a única. Para mim a Alice Russel canta tão bem ou melhor, tendo muito mais nível que Amy, mas como não dá tanto nas vistas nem tem problemas com a justiça, álcool e drogas vende bem menos. Sei respeitar os gostos dos outros. Conheço uma pessoa que gosta de Toy e não ando a espanca-la sempre que o encontro. Mas uma coisa é gostos variados e selectos, outra é uma onda de euforia estúpida criada pelos media dizendo que é uma diva à antiga com uma voz que não se ouvia já a algumas décadas, fazendo com que milhares de pessoas digam que aquilo é óptimo e ela é espectacular.Amy Winehouse é uma praga. Oiço-a quer na Radar, quer na Mega FM. Porra, não gosto NADA do que ela faz.




O Pedro em seu Despertar da Mente num post intitulado «Ódios».

Entendo perfeitamente a embirração do Pedro com a Amy Winehouse. Eu mesmo tenho os meus ódios de estimação que são tótens da media e do público (exemplos: Bob Dylan, U2, David Lynch, Robert De Niro...) e não consigo entender a paixão suscitada à volta deles. Mas claro, respeitando as opiniões alheias, acho que, independente de se gostar de Winehouse ou não, acho que serão sempre pelas razões erradas. E lendo o editorial do Miguel Francisco Cadete na Blitz (edição de papel) deste mês - que por irónia traz a Amy na capa - encontrei a resposta ideal para o post do Pedro.

«Há, pelo menos, dois erros fatais no mundo da música. Ou em tudo o que está relacionado com comunicação. O primeiro e mais comum, é aquele que leva a confudirmo-nos com o mercado. Quer isto dizer que somos tentados a pensar que o estimável público tem um gosto semelhante ao nosso. O segundo erro é aquele que nos faz classificar canções ou artistas de acordo com os suportes mediáticos em que surgem. Exemplo: uma canção que faça parte da banda sonora de uma telenovela é automaticamente uma bimbalhice. O resultado destes dois erros costuma ser fatal. Mas eles são também muito mais comuns, e interligados, do que parece. Vem isto a propósito de Amy Winehouse. Mais do que às suas canções, a notoriedade de Amy deve-se às tropelias em que se tem visto envolvida e que são o pão-nosso de cada dia da imprensa tablóide britânica. (...) O certo é que Amy Winehouse ganhou reputação enquanto presença em certos media, como uma espécie de Paris Hilton, e daí se concluir que é uma artista comercialona, capaz de aproveitar a fome insaciável dos malditos tablóides. Estará portanto consumado o segundo erro: ao contrário de se ouvir a música de Amy Winehouse, ela é classificada e provavelmente criticada, pelo seu desempenho quotidiano mais ou menos privado. O contrário também é verdade e acontece quase tantas vezes. Que seria de Björk se, ao invés da capa na revista Wire aparecesse no Daily Mail ou no The Sun? Pior ainda, que era feito da credibilidade indie dos Radiohead se tivessem estado em alta-rotação na MTV desde o início da carreira? (...) O primeiro erro é muito mais fácil de ser diagnosticado. Acontece sem darmos por ele, todos os dias. É fácil, comum, e eu acrescentaria, ordinário. Porque não nos leva a tentar perceber a razão por que os outros gostam tanto daquilo que nós não gostamos. Agora a minha declaração de interesses: eu gosto de Amy Winehouse. Diria mesmo que ela é a maior artista do século XXI. Uma espécie de Keith Richards dos nossos dias, que passou pelas mesmas provações, castigos e desvarios. É sim, é intérprete de uma música que vale toda a pena ouvir. porque não faz parte de qualquer nova tendência inventada por estetas baratos - ou marketeers dispendiosos. Porque é real, autêntica e genuína em toda a encenação de um tempo impossível de se viver hoje. E isso, já se sabe, tem o seu custo por estes dias. obrigado Amy.»

31/05/08

Amy Winehouse - Rock in Rio Lisboa

Foi triste e terno, ao mesmo tempo, ver uma jovem cantora no auge do seu talento em progressiva degradação como aquela que vimos ontem. Foi triste porque, apesar de todas as polêmicas em torno da excessiva exposição da sua vida pessoal, Amy confirmou todos os clichês à volta do mito e fez a festa dos seus detratores.
Foi terno porque, por momentos, pareceu quase que um ritual religioso, ela nos dava o seu máximo e nós, do outro lado, também. Um tremendo esforço coletivo, muito em grande parte do público que só estava ali para se divertir e ver a grande estrela da noite sair do palco com um pouquinho de dignidade. Eu, um fã confesso de Winehouse, fiquei de rastos. Queria ter ligado para ela no final do show a dizer que estava tudo bem. Mas não, não estava.
Tudo começou com 35 minutos de atraso e durou exatamente 55. Amy expôs sua imensa fragilidade à frente de quase cem mil pessoas. Chorou a meio de «Love is a Losing Game», quase caiu no palco duas vezes, derrubou o microfone outras tantas, esqueceu a letra do seu maior hit («Rehab») e afônica, limitava-se a sussurrar as letras das suas canções (uma salva de palmas aos seus backing vocals que constantemente estavam a salvá-la do embaraço).
Um concerto histórico e único, nas mesmas proporções daquele que os Nirvana deram em São Paulo no extinto Hollywood Rock em 1993. Onde a banda, completamente drogada, fez um dos piores shows da sua vida e Cobain teve a brilhante ideia de mostrar o pênis às câmeras da Globo e simular uma masturbação. Só esperamos, de dedos cruzados, que a bela Amy não tenha o mesmo fim.

14/05/08

O cachê da Amy

Uma fonte lá dentro do Rock in Rio (será que posso falar que é você, Bia?) apurou aqui a este blogger cusqueiro que, caso a Amy Winehouse dê um piripaque qualquer e não compareça por aqui no dia 30, há uma cláusula no seu contrato que a obriga a pagar um multa quase tão alta quanto o seu cachê. Que aliás, é o mais alto dessa edição do Rock in Rio. Mais do que Metallica também. Chiçaaaaa!

Amy ficando em forma após sair da prisão esta semana (eh lá que isto parece legenda do Correio da Manhã!)

17/03/08

Boas e más notícias: Gossip dia 12 de julho e Scout Niblett no mesmo dia que a Amy

Pois é. Parece brincadeira de mau gosto, mas é verdade. Depois da minha previsão para os The Kills ter dado para o torto (afinal, nada de Lisboa na digressão por Portugal) agora é a Scout Niblett, mais um dos meus pedidos aos deuses das boas acções, que está confirmada para a ZDB no dia 30 de maio. Fazendo assim, escudo de ferro com a Amy Winehouse no mesmo dia lá no Rock (cof!cof!) in Rio que na verdade é em Lisboa. E a boa notícia é que teremos Gossip mais uma vez, assim como os Cansei de Ser Sexy no Optimus Alive! em julho. Esperamos que desta vez a banda de Beth Ditto, se não for cabeça de cartaz, que pelo menos tenha um horário decente. E um viva às nossas falidas carteiras.

17/12/07

Melhores de 2007 - Os Discos e as Canções


OK Computer, eis a minha lista. Devo fazer algumas considerações antes. Diferente do ano passado, 2007 não foi um ano de grandes discos, daqueles que nos ganha à primeira audição. Teve discos que quando os ouvi achei que iam figurar nesse top, como o dos «The Go! Team» e dos «New Young Pony Club» mas o prazo de vencimento deles era demasiado curto e acabaram por ficar no banco de reserva... Por outro lado, teve discos que por puro preconceito, eu fugia como o diabo foge da cruz e que no fim, se revelaram verdadeiras pérolas pop (a Amy e o Mika, por exemplo). Mas enfim, tudo estatísticas. E o ano ainda não acabou, eu sei. Mas como «Portishead» já não vem mais e apesar de eu não ter ouvido o «Burial» todo ainda, não gostei do que já ouvi, então deixo aqui as minhas escolhas para álbuns e canções do ano. Os fab-five que fizeram minha vida mais colorida em 2007.

1. «Neon Bible» - Arcade Fire
2. «Widow City» - The Fiery Furnaces
3. «Back to Black» - Amy Winehouse
4. «Night Falls Over Kortedalla» - Jens Lekman
5. «This Fool Can Die Now» - Scout Niblett

- canções -

Vi alguns blogues botando «No Cars Go» aí nos melhores singles do ano e fiquei tentado e dar-lhe o primeiro lugar. Afinal, é a melhor música dos Arcade Fire ever, ever, ever. Mas não, eu ja conheço aqueles versos há uns bons anos e não ficaria muito bem. E também porque minha versão preferida é aquela que eles fizeram para a BBC (que depois apareceu num bootleg chamado «BBC Sessions») e que no início Win Butler avisa «this is not a wedding!» Também pensei muito em incluir uma das três novas músicas dos Gossip (que soltaram há umas semanas no MySpace) mas como ainda não existe edição física dos singles alguém podia chiar. Mas, what hell, quem escolhe aqui sou eu o quê? Por isso, aqui têm minha lista com os dez singles arrasa-quarteirão do ano. Uma compilação com estas dez músicas valem mais que ouro.

01. «Kanske Ar Jäg Kar I Dig» - Jens Lekman
02. «My Egyptian Grammar» - The Fiery Furnaces
03. «Fake Empire» - The National
04. «Back to Black» - Amy Winehouse
05. «Hide and Seek» - Scoutt Niblett
06. «Don't Lose Yourself» - Laura Veirs
07. «Grip Like a Vice» - The Go! Team
08. «Hiding on the Staircase» - NYPC
09. «Everybody's Got Their Own...» - Shannon Wright
10. «Down Boy» - Yeah Yeah Yeahs