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03/09/10

O bom mocismo de «Brothers» o último filme de Jim Sheridan



Jim Sheridan é um homem que faz filmes cheio de boas intenções. Mas como reza o chavão, de boas intenções o inferno está cheio. Meu Pé Esquerdo abusava da sacarina mas era um belo drama, Em Nome do Pai era maniqueísta mas tinha o poderoso e denso romance do Humerto Eco por trás e Na América um belíssimo conto moral sobre uma família que resolve começar sua vida do zero. Todos eles bons filmes, munidos das melhores intenções, mas que na hora de decolar, voaram baixo e ficaram aquém do que prometiam.
Quero com isto dizer que Sheridan faz filmes medíocres? Nada disso. Sheridan é homem talentoso mas que tem um medo absurdo do risco. Seus filmes jogam sempre pelo seguro, têm sempre uma causa social ou política por trás e talvez este seja o maior problema da sua filmografia: começam com uma boa premissa e acabam resvalando para o bom mocismo.
Em Brothers a coisa não é diferente. Tommy Cahill (Jake Gyllenhaal) e Sam Cahill (Tobey Maguire) são irmãos. Sam é um homem de família, orgulho do pai e casado com sua namorada do secundário, Grace (Natalie Portman), com quem tem duas filhas. Tommy é o filho rebelde, passou os últimos meses na prisão por assalto à mão armada e é liberado pouco tempo antes da partida de Sam para o Afeganistão. Semanas depois da sua partida Grace recebe a notícia de que Sam foi morto em combate. Tommy e Grace então se tornam próximos e daí nasce um relacionamento amoroso. Até que um belo dia, Tommy - que está vivíssimo da silva - volta para casa e o caos se instala.
Com uma premissa destas era impossível fazer um filme mediano. Mas Sheridan não soube explorar a tensão que o trailer sugeria, e desperdiça tempo na relação de Grace e Tommy, e depois num triâgulo amoroso insípido e sem interesse algum. Não existe tensão alguma, as disputas de poder e território entre os irmãos é jogada para um canto e o filme se arrasta por quase duas horas sem grandes novidades. Sheridan está mais interessado em contar uma outra história. A história que corre em paralelo quando Tommy estava no Afeganistão e foi dado como morto mas, quando decide contá-la, o filme já está pela metade. E aí é tarde demais para recuperar o tempo perdido e principalmente, o nosso precioso interesse.

13/08/10

Duas ou três coisas sobre 'Inception'

1 - Eu tenho uma confissão estranha a fazer. Eu sinto uma certa inveja das pessoas que adoraram Inception e, pior, que conseguiram acompanhá-lo - sem perder o fio da meada - em toda a sua grandiosa narrativa nada linear. Eu gosto de praticamente tudo o que Christopher Nolan já fez (com a excepção, nada consensual eu sei, de Memento que eu vi com exageradas expectativas e detestei.) e estava preparado para mais outra 'experiência' quando entrei na sessão do filme sábado passado. Mas, para minha surpresa, saí de lá com uma pontinha de decepção indisfarçável. Uma sensação de que ficaram algumas (ou muitas) pontas soltas no ar ou, confesso, de que eu não entendi diversas situações que o filme não se preocupou em esclarecer e, especialmente, o seu final. O meu amigo que me acompanhava, adorou, mas depois que comentávamos algumas cenas, percebi que ele também não tinha entendido nada! Será motivo para eu me preocupar?


2 - Divertido também foi ler as reações - das mais diversas - que Inception andou provocando. Na crítica brasileira, percebi que eu não estava sozinho: Zeca Camargo escreve uma resenha entusiasmada no seu blogue e ironiza dizendo que 'acha' que entendeu o filme. Fiquei aliviado. O colunista do Estadão Alexandre Matias, no seu blogue Trabalho Sujo, passou as últimas duas semanas monotemático: 49 postagens só sobre Inception. Ana Maria Bahiana, sempre elegante e bem articulada, escreveu as mais belas palavras sobre o filme que eu já li. Bahiana admite que é fácil se perder na narrativa (ufa!) mas acha que um blockbuster em pleno verão que não se dá ao luxo de mastigar tudo ao espectador é uma coisa a ser louvada. Bingo was his name. Por outro lado, André Barcinski , sempre polêmico, detonou o filme na Folha de São Paulo. E após a enxurrada de e-mails insultuosos dos fãs do filme, resolveu re-acender aquela velha discussão crítica vs fãs no seu blogue. Para terminar, o Carlos Merten do sisudo Estadão, perde a compostura no seu blogue e chama o Barcinski de "uma besta qualquer" por ele ter falado mal do filme. Isso tudo sem sequer ter lido a crítica publicada. Preciso, definitivamente, rever Inception.

21/12/09

Em defesa de 'Avatar'

Engraçado como se tem discutido muito onde está o 'cinema' em Avatar. Em quase todas as críticas que li - especialmente na imprensa portuguesa - há uma séria discussão e questionamento se a história que James Cameron quer contar é uma fachada por detrás do 3D. O crítico João Lopes (do DN) levanta questões séríssimas ali no seu blogue sobre o 'futuro do cinema' que já é tão mais velho que o próprio cinema. E num outro blogue que já não me lembro qual vi uma reflexão muito interessante sobre a 'morte' da convencionalidade em se contar uma história em favor das infinitas possibilidades que a 'tecnologia' pode fazer. Pessoalmente, essa discussão me interessa muito pouco. É difícil separar o que é realmente relevante nesta chuva de argumentos e o que só é conservadorismo inconsequente. Luís Miguel de Oliveira fez muita gente discutir - e cair matando - a questão dos óculos (no caso do visionamento em 3D) na caixa de comentários no Ipsilón online e, confesso, isso me dá uma canseira dos diabos. Como diria meu conterrâneo Macunaíma ai, que preguiça! Me lembro que na altura que saiu o 'The Blair Witch Project' (1999) houve - num outro contexto, exactamente o oposto do que se discute aqui - toda uma discussão sobre se 'aquilo' era cinema ou não. Eu vi muito e muito bom cinema em 'A bruxa de Blair' mas sou - do auge da minha reconhecida insignifância - a pessoa menos indicada para tentar discutir uma possível morte do cinema. Acho muito mais válida as discussões em torno das reacções emocionais e sensoriais que o cinema, ou aquilo ao que acostumamo-nos a chamar 'cinema' desperta em mim e nos outros como espectador do que qualquer outra coisa. Acho que essa é a verdadeira e mais importante questão. Fui ver 'Avatar' com algumas expectativas em relação à tudo o que tinha lido, sobre essa tal 'revolução' que Cameron trouxe para o cinema. Meia hora depois, passada a frustração em descobrir que 'aquilo' não era o futuro de coisíssima alguma, me deixei levar pela história do soldado tetraplégico em busca de redenção num mundo completamente desconhecido. A clássica parábola do auto-descobrimento, da viagem interior contada pela enésima vez. Saí da projecção e pouco me lembro do 3D, dos óculos ou da tecnologia 'jamais vista'. Sai de lá sem ter visto nada disso. Nem de uma tal famosa perseguição de 20 minutos me lembro. De facto, a experiência 3D do filme é um espectáculo visual eu diria que quase religioso, é um show à parte. E também que James Cameron tem sim essa maneira maniqueísta e simplória de 'ver o mundo', de contar uma história. Mas acho que é mesmo essa limitação narrativa, essa opção em deixar a subtileza em segundo plano, os dispositivos que jogam a seu favor. No final da projecção, ouvi meus amigos todos falarem em 3D, em tecnologia, e nos malditos óculos. O que eu vi foi um filme majestoso, daquelas aventuras clássicas dispostas a mexer com alguma coisa escondida dentro de cada um ali naquela sala. Mesmo que o cinismo nauseabundo faça bloqueios mentais, 'Avatar' é mais que um simples filme em 3D. É uma experiência sensorial. E quem se deixa levar por ela, tem garantida quase três horas de uma viagem apocalíptica sem volta.

18/10/09

Filmes chatos e amados


O badalado filme sueco «Let the right one in» (Deixa-me entrar em Portugal) estreou há uma semana no Brasil e como não podia deixar de ser, a crítica brasileira também escreveu maravilhas sobre. Fiquei aliviado quando vi o crítico de cinema do Estado de São Paulo Luiz Carlos Merten dizendo no seu blogue que não tinha gostado: "Não vou dizer que é o pior filme que já vi (embora talvez seja o pior de vampiros, porque é metido a besta). Sério. Não entendi nada. Filme jovem, original, cheio de ideias. Não sei não, mas os filmes sobre os quais tenho ouvido essas referências ultimamente são os que menos ideias expressam, ou as que menos têm me interessado." O filme conta a história de uma estranha amizade entre uma garota de doze anos que é vampira e um menino da mesma idade. Da primeira vez que vi, pensei que as minhas expectativas tinham estragado o meu visionamento. Hoje vi pela segunda vez para tirar a prova dos três, e o Luiz Merten está certíssimo, que filme chato e pretensioso.

01/12/06

Estreou «Turistas» lá fora


Hoje estréia nos EUA o filme Turistas. Uma variaçao do terror género «Hostel» só que desta vez, situado naquele país exótico e desconhecido do outro lado do atlântico: o Brazil. Com "Z". O Brasil típico do samba, da caipirinha e de pessoas muito mal-intencionadas. O Washington Post e o New York Times como era de se esperar, destruíram o filme. A classificaçao ficou com um Rated R. Isto é, menores de dezessete anos só acompanhados dos pais. Medo.
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A frase de promoção no trailer é realmente uma incógnita para mim:  «...mas em um país onde vale tudo, tudo pode acontecer» Como assim, vale tudo?

UPDATE: Vi o filme hoje em Lisboa, com vários amigos, todos brasileiros e atravessávamos as paredes do constrangimento cada vez que um personagem brasileiro abria a boca. Para a próxima vez já aprendi: alugo o DVD e vejo escondido em casa.