27/11/10

Ode to Berlin

Minha irmã diz que eu ando obcecado com Berlim. Deve ser a depressão pós Berlim que o Brecht tanto falava. Mas quando vejo os - quase diários - posts do Nuno Galopim no Sound + Vision sobre a cidade maravilhosa (esta sim) fico até mais descansado.

24/11/10

Os 20 filmes mais subestimados dos últimos 20 anos

Já faz um tempinho que o IMDB fez essa listinha com os vinte filmes mais subestimados dos últimos 20 anos mas só agora me lembrei de comentá-la por aqui. O mais interessante da compilação é que a lista,  apesar de absolutamente idiossincrática, claro, é bem heterogênea e foge das obviedades que nós julgaríamos "subestimadas". Por exemplo, se fosse eu a fazê-la, nunca incluiria o fabuloso Leaving Las Vegas na compania daqueles filmes. Não só porque sou um fã confesso do longa mas porque o filme de Mike Figgis (talvez o único bom filme da sua filmografia) fez uma respeitável carreira nas bilheteiras, ganhou uma série de prêmios importantes - entre eles globo de ouro e oscar para Nicolas Cage, nomeação de melhor actriz à Elisabeth Shue e melhor realizador ao Mike Figgis - e virou instantaneamente objecto de culto dos anos  90. Uma outra curiosidade associada ao filme é que John O'Brien, o autor da autobiografia que deu origem ao filme, suicidou-se duas semanas após o filme ter entrado em produção. E o realizador Mike Figgis, que quase chegou a abandonar o projecto, resolveu levá-lo adiante e transforma-lo numa belíssima homenagem a O'Brien. Por isso, não entendi muito bem a sua inclusão na lista e nem o  IMDB se deu ao trabalho de explicar. A lista completa pode ser vista aqui.

20/11/10

As cassetes de Erika Iris Simmons

Quando vi o trabalho da artista plástica Erika Iris Simmons lembrei logo daqueles puristas que volta e meia proclamam a morte das artes plásticas alegando que tudo já foi feito. Ora bem, é facto que a artista se apropriou do passado - literalmente: seus trabalhos são basicamente fita cassete em tela e com alusões a ícones da música pop norte-americana - para criar algo totalmente novo (assim como um senhor chamado Andy Warhol fez nos anos 1960). E o fez de forma simples, com uma plástica apelativa (e que pisca um olho à pop art) e o mais importante: é absurdamente original. Os outros trabalhos da artista podem ser vistos na sua página pessoal.

18/11/10

Porque «Scott Pilgrim vs. the World» é (e não é) divertido


Sejamos honestos com nós próprios: Scott Pilgrim vs. the World é muito barulho por nada.
Se você, assim como eu, não é um daqueles fãs "xiitas" da banda desenhada que dá nome à personagem e, portanto, caiu completamente de pára-quedas numa sessão do filme, provavelmente você deve estar pensando o mesmo que eu: que Scott Pilgrim não é lá estas coisas. Para despacharmos já isto sem mal entendidos, acho que o único problema de Scott Pilgrim vs. the World é o hype em doses cavalares injectados ao longo dos últimos meses. Só quem estava em Marte não ouviu falar da adaptação ao cinema da cultuada banda desenhada.
Dito isto, o que é que fica? Um filme despretensioso, com alguns momentos acertados, outros nem tanto e que tem uma banda sonora que quase vale pelo filme todo. Banda sonora, aliás, que garante os melhores momentos (e as melhores piadas) do filme. Se você ainda não o viu (passou no Estoril Film Festival mas estreia em Portugal dia 09 de Dezembro) aconselho que então vá vê-lo sem expectativas elevadas. Porque senão a decepção vai ser catastrófica. Abaixo eu listo (eba! lista!) as razões porque Scott Pilgrim vs. the World deve ser visto (em doses moderadas).

1 - O genérico inicial, com a banda [fictícia] Sex Bob-omb quebrando tudo.
2 - Os Sex Bob-omb, a banda do Scott Pilgrim, que são cool até a medula e que deviam sair da ficção e vir para a vida real.
3 - Michael Cera, que é cool até a medula mesmo interpretando a si próprio pela bilionésima vez.
4 - A baterista ruiva e de poucas palavras interpretada por Alison Pill.
5 - Os Crash and the Boys que também são fictícios e que são o máximo.
6 - Os The Clash at Demonhead, banda também fictícia, que faz uma versão matadora de "Black Sheep" dos canadianos Metric.
7 - A referência à Seinfeld.
8 - "We are Sex Bob-Omb and we are here to make you think about death and get sad and stuff."

17/11/10

«The Kids Are All Right» estreia em Portugal


Quase duas horas de fila depois, finalmente consigo bilhetes para o último dia da Berlinale deste ano. The Kids Are All Right - o segundo filme de Lisa Cholodenko - foi o filme escolhido e, felizmente, acertei em cheio. O filme teve cinco sessões no festival e no dia em que vi, foi um verdadeiro hit, aplaudido de pé entusiasticamente no final. A versão apresentada na Berlinale, finalizada as pressas para entrar na competição, é ligeiramente diferente da versão actual do filme, mas nada que tenha afectado significativamente o produto final.
O filme anterior de Lisa Cholodenko "Laurel Canyon" (que em Portugal recebeu o título de "Atracção Acidental") já mostrava o seu olhar atento e cuidadoso às imperfeições humanas e as suas relações. Em The Kids Are All Right ela volta a cutucar umas feridas abertas e para isso recruta Mark Ruffalo para desestabilizar a relaçao do casal formado por Julianne Moore e Annete Benning.
No filme, Josh Hutcherson e Mia Wasikowska dão vida aos dois irmãos que decidem encontrar o homem que doou o sêmen que os gerou, pois ambos são filhos de um casal lésbico (Moore e Bening). Após a chegada do doador, a harmonia da família fica irremediavelmente abalada.
Cholodenko conhece bem as suas personagens e desenvolve-as uma a uma, com a subtileza e elegância que lhe é habitual. O filme é uma comédia dramática mas transita com segurança entre os dois géneros sem nunca deixar as personagens caírem na caricatura ou estereotipos banais tão comuns às comédias dramáticas.
Especulou-se muito a questão do "tema polémico" que o filme trata: duas mulheres, homossexuais, que têm filhos através de inseminação artificial e que têm vidas completamente estáveis. Mas Lisa Cholodenko tratou o "tema" com a leveza necessária, desdramatizando e desconstruindo expectativas desnecessárias e não cedendo nunca à tentação de levantar qualquer bandeira política. Mesmo assim, o filme venceu o Teddy Bear na Berlinale, o prémio do festival dedicado às cinematografias com temática gay. Em Portugal estreia comercialmente amanhã com um título ligeiramente diferente do anunciado anteriormente pela Castello Lopes: Os Miúdos Estão Bem.

16/11/10

Melhores músicas de 2010 (15) - «Limit To Your Love»



Sabe aquelas versões que ficam absurdamente melhores que as originais? Esta Limit To Your Love, originalmente composta e interpretada pela Feist, é um desses casos. James Blake é o londrino por trás do vozeirão. Tem 22 anos, edita disco de estreia no ano que vem e até já foi comparado à Joni Mitchell. Um dos nomes a não perder de vista em 2011.