Depois do meu post falando das máscaras do filme «V de Vingança» sendo usadas como símbolo de resistência nos protestos em apoio ao «Occupy Wall Street» foi com um sorriso indisfarçável que eu vi a capa da Veja dessa semana com a chamada «Dez motivos para se indignar com a corrupção». Me lembrei de um slogan famoso da revista Trip quando eles davam um furo antes das grandes mídias: «a Trip deu antes».
31/10/11
Ouça o novo Girl in a Coma "Exits and all the Rest"
Eu só descobri as meninas texanas do Girl in a Coma agora, no quarto (!) disco. Pecado mais que imperdoável porque o power trio da cidadezinha de San Antonio merece a nossa atenção. Fãs dos «The Smiths», as irmãs Nina e Phanie Diaz escolheram uma de suas músicas, girlfriend in a coma, para batizar a banda. O terceiro elememento do trio é a amiga de longa data, Jenn Alva, que assume as funções de baixista.
O som das meninas, ao contrário do que eu pensava, nada tem do rock raivoso das feministas do riot girl e exibem um amadurecimento típico de bandas veteranas que tiveram muito tempo na estrada desenvolvendo e trabalhando o seu estilo. A prova disso é o novo «Exits and all the Rest», que o portal NPR disponibiliza para audição na íntegra aqui. O disco sai mundialmente amanhã pelo selo Blackheart Records e faz lembrar os melhores momentos dos escoceses «Sons & Daughters».
O som das meninas, ao contrário do que eu pensava, nada tem do rock raivoso das feministas do riot girl e exibem um amadurecimento típico de bandas veteranas que tiveram muito tempo na estrada desenvolvendo e trabalhando o seu estilo. A prova disso é o novo «Exits and all the Rest», que o portal NPR disponibiliza para audição na íntegra aqui. O disco sai mundialmente amanhã pelo selo Blackheart Records e faz lembrar os melhores momentos dos escoceses «Sons & Daughters».
28/10/11
«In The Grace of Your Love» The Rapture
Bem bom o novo disco «In The Grace Of Your Love» do The Rapture. Parece que cresce progressivamente a cada audição. A minha preferida até agora é a faixa que dá título ao disco e que me faz lembrar muito o groove de um hit de uns anos trás do Cold War Kids «Hang Me Up To Dry».
27/10/11
A corajosa capa da Trip
“A excelente edição da “Trip” traz uma entrevista de Zé Celso (que se define, gloriosamente, num lance de anti-identidade, como homem sexual); uma matéria com pessoas que mantêm relações grupais amorosas e sexuais; (...) São formas de vida que não se deixaram intimidar pela monogamia compulsória, fonte de tantos sofrimentos. Sim, pois a monogamia ocupa um lugar simbólico análogo ao das drogas na nossa sociedade: uma mistura de tabu e hipocrisia. As drogas, quase todo mundo nega, mas muita gente usa; a monogamia, muita gente exige, mas quase todo mundo descumpre. Assim como acontece com a política fracassada das drogas, o obscurantismo na tematização da monogamia leva a uma política potencialmente fracassada das relações amorosas.”
Francisco Bosco, sobre a corajosa capa histórica da revista Trip desse mês na sua coluna no jornal carioca O Globo.
18/10/11
Billy Elliot cresceu
Lembram do Billy Elliot? Ou, melhor, de Jamie Bell o seu fabuloso protagonista? Pois é, o menino cresceu. E figura todo bonitão na capa da Vogue Homme desse mês fazendo pose de galã hollywoodiano.
Novo «My Brightest Diamond» 'All Things Will Unwind' em streaming
Shara Worden é a texana por trás do projeto/banda My Brightest Diamond que deu às caras e chamou a atenção em 2006 com o seu belíssimo «Bring me the Workhorse». Desse disco, pelos menos duas canções ainda ecoam no media player desse que vos fala: a belíssima «Drangonfly» (que tinha um clipe muito parecido com 1979 dos Smashing Pumpkins) e «Gone Away».
O projeto voltou a editar outro belo, porém discreto, segundo disco («A Thousand Shark's Teeth») em 2008 e agora volta com o terceiro tomo esta semana com «All Things Will Unwind». O site NPR, mais uma vez, sai em exclusividade e apresenta a primeira audição dos disco em streaming, seguindo esse link aqui. O primeiro single do disco já tem vídeo e segue abaixo.
16/10/11
Harper's Bazaar homenageia Scorsese
E a Harper's Bazaar fez uma bela homenagem aos filmes do cineasta Martin Scorsese com um ensaio na sua edição de Outubro. O editorial batizado de “The Age of Scorsese” (para quem não conhece o filme, uma corruptela com o seu clássico "The Age of Innocence") tem como gancho o seu último filme "Hugo" e tem várias caras conhecidas do star system norte-americano como Michael Pitt, Keanu Reeves and Sir Ben Kingsley.
A minha preferida é a recriação de "Taxi Driver" onde a fofa Chloë Moretz (de 500 Days of Summer e "Kick-Ass") faz pose de Jodie Foster. Chloë diz que nunca viu o filme, porque sua mãe diz que ela ainda não tem idade para tal.
O ensaio todo, com as entrevistas e um vídeo promocional pode ser visto clicando aqui.
15/10/11
Marilyn Manson, um novo homem na Vogue Itália
Parece que Marilyn Manson deixou de ser cool da noite para o dia ou foi só impressão minha? Ou será que ele nunca sequer foi cool? Eu, longe do fã que era dez anos atrás, devo dizer que ainda gosto muito dos seus primeiros discos (em especial «Antichrist Superstar» e «Mechanical Animals») e que já o vi duas vezes ao vivo e fiquei muito impressionado com a sua atuação.
E tudo isso para dizer o quê mesmo? Para dizer que eu acho mister Manson super talentoso, inteligente e bem articulado mas que não deixou de deslizar na cartilha dos lugares-comuns do rockstar: se repetiu em montes de discos banais, namorou vedetas pop de Hollywood, arranjou brigas e desavenças com vacas sagradas (Trent Reznor chegou a dizer que Manson era "um cara malicioso, que passa por cima de qualquer pessoa para chegar ao sucesso e cruza qualquer linha de decência. É um palhaço drogado") e se afundou nas indispensáveis substâncias químicas.
Mesmo assim, Manson parecia imparável. Seus discos seguintes, cada um pior que o outro, reproduzia aquela mesma cartilha do choque gratuito: Deus, religião, sexo e culpa. Em plena década dos zeros, perfeitos antítodos contra a insônia.
Mas eis que Manson retorna das trevas e, para fechar o ciclo comeback com chave de ouro, faz ensaio fotográfico para a Vogue Italiana com o disco novo Born Villain na bagagem. "Eu fiz este álbum com o mesmo espírito que eu tinha dez anos atrás quando eu ainda desejava o sucesso. Depois de ter tudo e perder tudo, estou de volta com a mesma energia" diz Manson em discurso mea culpa.
O ensaio é perturbador: a maquiagem que lhe era tão característica ficou de fora, as caras e bocas e os maneirismos que lhe deram fama também. Manson agora é um novo homem. Que aprendeu com os erros, que aprendeu com as drogas, que aprendeu com o sucesso que quase o engoliu. Mas que continua a rezar a sua missa, seguindo one by one cada um dos clichês da história da música pop.
12/10/11
07/10/11
Madonna, Scarlett e os efeitos especiais
Descobrir que as celebridades na verdade têm o mesmo relógio biológico que nós, habitantes do chamado "mundo normal", é fantástico. E mais: descobrir que podemos parecer tal e qual nos efeitos e truques como se tivessemos vindo diretos da Industrial Light & Magic, é melhor ainda.
Sexta-feira vazaram na web umas fotos que supostamente seriam de Madonna na sua mais íntima privacidade. As imagens, na verdade, faziam parte das fotos descartadas do ensaio publicado pela revista W em fevereiro de 2009, na época em que a cantora namoriscava o modelo brasileiro Jesus Luz.
Nas imagens, feitas por Steven Klein, Madonna aparecia em poses sensuais no quarto de um hotel no Rio de Janeiro dividindo a cena com Jesus Luz. As fotos insinuavam uma espécie de releitura de Justify My Love, só que duas décadas mais tarde. Madonna, mais uma vez, brincava com a imagem de dominatrix. Mas desta vez a material girl era jogada para um canto dando lugar à mulher loba e ninfomaníaca.
No entanto, as fotos que não entraram para a edição final do ensaio não mostravam nada disso. Nelas, víamos Madonna, no alto dos seus cinquenta e tantos anos, em poses nada ensaiadas e como nunca a vimos antes. Um prato cheio para a festa da imprensa marrom: de uma hora para outra, a musa pop deixava de ser sex symbol para ser apedrejada na praça pública. O seu maior pecado? Ter ficado... velha.
Se as fotos são verídicas ou não, ninguém sabe e são irrelevantes para este post. Mas, mais que as próprias formas anatômicas da cantora, estas fotos dizem muito mais sobre o estado atual das coisas: a espetacularização da fama (e, por consequência, da vida alheia) onde ser "velho" é ter ultrapassado o prazo de validade da linha do tempo. O ostracismo à que condenamos os que - como Madonna - não morreram jovens e, por isso, são julgados à luz do moralismo da praça pública, é extremamente vergonhoso.
Com efeito, estas fotos de Madonna contrapoem-se às de Scarlett Johanson (linda e em poses de Lolita em frente ao espelho) que também caíram na internet algumas semanas atrás. E mais: elas reagem contra a demagogia que obriga a celebrar os famosos “jovens e saudáveis”, ao ponto de transforma-los em marionetes alheias a qualquer espécie de conteúdo.
Madonna está batendo a casa dos sessenta e, como se tem visto nos últimos anos, recusa-se tratar a própria "velhice" como se a sua mera existência implicasse numa condescendência social: dança por horas em cima do palco como se fosse há 20 anos, coleciona namorados jovens, bonitos e cobiçados por todos e usa e abusa das correções estéticas no seu rosto como se não houvesse amanhã. Enquanto Scarlett contempla em frente ao espelho, como Narciso, a sua beleza monumental e incontestável, Madonna, sem truques de edição e sem o (habitual) controle da sua própria imagem, dá-nos uma lição que vale por mais que mil aulas de antropologia. Quicker than a ray of light.
Créditos das fotos da Madonna: blogue 'Eat Blog And Die '
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