24/08/10

Os 50 melhores clipes dos '90 segundo o Pitchfork


Vi lá no Pedro que o Pitchfork fez uma lista com os 50 melhores vídeos dos anos 90. Ultimamente ando lendo muita coisa sobre uma tal "ressurreição" do videoclipe em tempos onde nem a própria MTV já os passa mais. E "ressurreição" esta, na maioria das vezes, atribuída à tal da Lady Gaga. Coisa que eu acho de um total absurdo mas que não é relevante para a discussão em causa. Eu acho que a popularização do You Tube, do MySpace e outros sites de partilha de vídeo, os "culpados" pela tal morte do video dizem alguns, foram (e são) impulsionadores do formato e chegaram para somar. Houve sim uma mudança de hábito de quem consumia videoclipe, como é óbvio, mas não acredito que existiu de fato uma "morte". A internet deu maior democratização e projeção ao videoclipe, mesmo que sem o impacto que ele teve nas décadas anteriores mas com muito mais liberdade criativa e experimentação. E os clipes novos dos Yeasayer "Madder Red" ou o belíssimo "Cold War" da Janelle Monae estão aí para me dar razão.


Mas voltando à lista, acho que tem muita coisa boa por lá. E ela já começa despertando logo meu interesse com Man Size da grande PJ Harvey na 50ª posição. O genial Everything is Everything da Lauryn Hill, onde Deus é o dj e até faz uns scratches não podia nunca ficar de fora. E por falar em Deus, tem Closer dos Nine Inch Nails, clipe que me deixou muito perturbado na época quando saiu. E a referência à Deus mencionada, que eu nem me atrevo a traduzir, está logo no começo do seu refrão herético. Claro que toda lista é completamente arbitrária mas achei que faltaram algumas coisas importantes, como Smack My Bitch Up dos Prodigy e algum do Marilyn Manson, quando ele chutou o pau da barraca com o fabuloso Mechanical Animals. Deste disco, há vídeos memoráveis como os policiais se beijando em "Dope Show" ou recriando a morte de John Kennedy na lindíssima "Coma White".

Nos lugares cimeiros tinha de constar, obviamente, Björk. E botaram logo dois. Acho que depois de Michael Jackson (nos anos 80) e Madonna (cadê "Express Yourself" do David Fincher na lista? cadê "Bedtime Story"?) Björk foi a verdadeira revolução do videoclipe nos anos 90 levando-o à uma outra dimensão. Mas nem um dos que figuram na lista é o meu preferido. Eu daria o primeiríssimo lugar ao alucinante e poderoso Army of Me , dirigido pelo então desconhecido, Michel Gondry.

23/08/10

Os fãs nada "cools" dos King of Leon

Sempre tive uma espécie de relação amor e ódio - e alguma indiferença pelo meio - com os King of Leon. Acho o primeiro disco muitíssimo bom, o segundo nem sequer ouvi direito e gosto moderadamente do último, que trouxe a consagração da banda junto às massas (lê-se: das "menininhas"), e fez o hit Sex on Fire se tornar numa das músicas mais insuportáveis da história. Isso tudo a propósito das declarações polêmicas - que eu só soube agora - do vocalista contra os "novos" fãs da banda, graças a Sex on Fire.
O vocalista Caleb Followill disse recentemente que acha a música uma merda e que os fãs do hit pegajoso da banda, não são "cools". Eu só tenho uma coisa a dizer sobre a polêmica: um ponto para você, Caleb!

A vida sem os Broken Social Scene


Eu confesso que nunca tinha ouvido uma música inteira dos Broken Social Scene na vida. Coisa estranha, já que eu me considero um dos maiores entusiastas do rock canadense. E não foi por falta de oportunidade. Sempre que lia alguma resenha e a banda era citada, sentia uma pontinha indisfarçável de vergonha. Mas sei lá, por razões que a razão desconhece, a banda nunca me interessou. Aí lendo a crítica da Pitchfork para o novo disco dos Land of Talk, o crítico diz que Swift Coin (o primeiro single do disco) é muitíssimo parecida com 7/4 Shoreline dos BSC e eu fui correndo para o You Tube conferir. Ficou a pergunta que não quer calar: como é possível passar uma vida sem escutar os Broken Social Scene?

22/08/10

Lost in Translation (parte 1)

Estas coisas de comparar traduções em português (tanto no Brasil como em Portugal) de títulos em inglês de filmes e de livros, dá pano para muita manga (além de ser muito divertido, claro). Em Lisboa sempre ouvia meus amigos tugas rirem de títulos brasileiros como A Noviça Rebelde (The Sound of the Music) ou O Poderoso Chefão (The Godfather) mas eles esqueciam que as traduções portuguesas também não ficavam muito atrás, e eu estava lá para lembrá-los de pérolas como Um Mal Nunca Vem Só (Lock, Stock and Two Smoking Barrels), a estréia do Guy Ritchie no cinema, ou o clássico infantil The Parent Trap, que em Portugal foi hilariantemente chamado de Pai para mim...Mãe para ti.
Hoje lendo uma entrevista com a escritora canadense Margaret Atwood no Ipsilón, descubro que o seu clássico futurista The Handmaid's Tale foi lá batizado de Crónica de Uma Serva (!). Um título tão auto-explicativo que me fez lembrar de uma recente descoberta minha: Robin Hood, me disse uma amiga recém chegada de Lisboa, em Portugal se chama nada menos que... Robin dos Bosques !

O gato do Simon



Você conhece o gato do Simon? Não? então corre para o You Tube e faz logo o dever de casa. Simon Tofield é um animador, que tem quatro gatos em casa, e que um dia resolveu dar vida aos seus bichanos. O resultado são pequenos episódios em flash, sob o título Simon's Cat com situações cotidianas em torno do gatinho. O seu canal no You Tube foi um tremendo sucesso na internet (mais de 45 milhões de acessos!) e a popularidade foi tanta que agora acaba de sair também em livro. Inclusive em Portugal pela editora Objectiva por módicos 14€. Se você tem ou já teve gatos, é paixão à primeira vista.


20/08/10

'Land of Talk' novo vaza e vocalista reclama no Facebook

Há duas semanas do super aguardado segundo álbum "Cloak and Cipher" dos canadenses Land of Talk chegar às lojas, como era inevitável, vaza na internet. Nessa mesma noite, num surpreendente e honesto desabafo, a vocalista Elizabeth Powell publica na página da banda no Facebook uma "resposta" àqueles que fizeram o download do disco. Na mensagem, Powell diz que mora em apartamento alugado, que não tem carro, que tem os dois cartões de crédito estourados e que precisa começar a fazer algum dinheiro com a banda. No dia seguinte, deve ter se arrependido e publicou outra notinha, pedindo desculpas e se justificando. A mensagem original você lê clicando aqui.

19/08/10

O novo single dos Ting Tings

Os The Ting Tings acabam de divulgar, na sua página no Facebook, o novo single que antecipa o segundo álbum "kunst" ("arte" em alemão). Hands poderia fácil ser uma música da Madonna fase 80's, não fosse a inconfundível voz da carismática Katie white. Mesmo assim, o novo single não passa de mais uma musiquinha inofensiva de verão.

13/08/10

Duas ou três coisas sobre 'Inception'

1 - Eu tenho uma confissão estranha a fazer. Eu sinto uma certa inveja das pessoas que adoraram Inception e, pior, que conseguiram acompanhá-lo - sem perder o fio da meada - em toda a sua grandiosa narrativa nada linear. Eu gosto de praticamente tudo o que Christopher Nolan já fez (com a excepção, nada consensual eu sei, de Memento que eu vi com exageradas expectativas e detestei.) e estava preparado para mais outra 'experiência' quando entrei na sessão do filme sábado passado. Mas, para minha surpresa, saí de lá com uma pontinha de decepção indisfarçável. Uma sensação de que ficaram algumas (ou muitas) pontas soltas no ar ou, confesso, de que eu não entendi diversas situações que o filme não se preocupou em esclarecer e, especialmente, o seu final. O meu amigo que me acompanhava, adorou, mas depois que comentávamos algumas cenas, percebi que ele também não tinha entendido nada! Será motivo para eu me preocupar?


2 - Divertido também foi ler as reações - das mais diversas - que Inception andou provocando. Na crítica brasileira, percebi que eu não estava sozinho: Zeca Camargo escreve uma resenha entusiasmada no seu blogue e ironiza dizendo que 'acha' que entendeu o filme. Fiquei aliviado. O colunista do Estadão Alexandre Matias, no seu blogue Trabalho Sujo, passou as últimas duas semanas monotemático: 49 postagens só sobre Inception. Ana Maria Bahiana, sempre elegante e bem articulada, escreveu as mais belas palavras sobre o filme que eu já li. Bahiana admite que é fácil se perder na narrativa (ufa!) mas acha que um blockbuster em pleno verão que não se dá ao luxo de mastigar tudo ao espectador é uma coisa a ser louvada. Bingo was his name. Por outro lado, André Barcinski , sempre polêmico, detonou o filme na Folha de São Paulo. E após a enxurrada de e-mails insultuosos dos fãs do filme, resolveu re-acender aquela velha discussão crítica vs fãs no seu blogue. Para terminar, o Carlos Merten do sisudo Estadão, perde a compostura no seu blogue e chama o Barcinski de "uma besta qualquer" por ele ter falado mal do filme. Isso tudo sem sequer ter lido a crítica publicada. Preciso, definitivamente, rever Inception.

12/08/10

Inception e o Tio Patinhas

Vi no Alexandre Matias que o Inception do Christopher Nolan é muitíssimo semelhante à uma história do Tio Patinhas de 2002. A história - disponível na íntegra no site da Disney - chega a assustar de tão parecida! Será que vai dar barraco? Esperemos que sim.

24/07/10

Arcade Fire em estado de graça


The Suburbs é tão bom e recheado de canções lindas e perfeitas que fica difícil escolher uma só. Escolhi esta Sprawl II (Mountains Beyond Mountains) porque parece que caiu ali no meio, sem avisar, como uma alienígena organizando o caos. Régine Chassagne em estado de graça.

23/07/10

'The Suburbs' vazou

O terceiro disco da banda canadense, que é melhor que o 'Ok Computer' segundo a resenha da BBC, vazou ontém de madrugada na internet e hoje dominou as atualizações de blogues, twitters e até numa notinha na Folha de São Paulo. O link da felicidade você encontra aqui.

26/05/10

serviço de utilidade pública #2: Thou por $0,01 na Amazon!

Um dos meus discos preferidos de sempre "Put Us in Tune" da banda belga Thou, é um disco inclassificável. Com sobras de remisturas dos Portishead, e alguns ecos de pós-punk, os Thou debutaram em 2001 com esta belíssima coleção de canções e, mesmo assim, passaram despercebidos à muita gente. Com o aparecimento dos The XX (que, acredito, deve muito à este álbum) desenterrei o disco das trevas e notei que cada vez mais, envelhece com classe.
Assim como os "Land of Talk" do post anterior, encontrei-o na Amazon norte-americana por menos que 1 cêntimo (!) e não podia deixar de postar. Um dia, num futuro não muito distante, você vai agradecer aos céus por ter lido este post, vai por mim.

09/03/10

Serviço de utilidade pública: Land of Talk por 0,01€ na Amazon!

'Applause Cheer Boo Hiss' o EP de estréia da dupla canadiana 'Land of Talk' lançado em 2007 é daqueles discos que não podem faltar na coleção de ninguém. Talvez o disco que mais habitou meu media player nos últimos meses. Queria oferecê-lo a um amigo e acabei por encontra-lo na Amazon inglesa por módicos 0,01€ ! E tem montes deles por lá, o caminho para a felicidade é este aqui.

Boxhagener Platz - o novo 'Goodbye Lenin' ?

Estréia semana que vem nos cinemas alemães e pelos vistos - com uma publicidade eficiente e um trailer que faz todo mundo rir no cinema - é bem capaz de repetir o sucesso global de 'Goodbye Lenin!'. Esta semana as revistas especializadas em cinema e cultura não falam de outra coisa.

06/03/10

Os filmes do Oscar

Os primeiros meses do ano normalmente é sempre bom para quem gosta de bom cinema. É nesta época que as distribuidoras, espertas, lançam seus filmes a espera de um lugar ao sol nos Oscars. Este ano, como em 2009, há muita coisa interessante para se ver nas salas mas sem grandes títulos que possa ser considerado 'imperdível'. E cada vez mais filmes com menos 'cara' de oscar.

Com a excepção de "The Blind State" vi todos os dez nomeados e meu favorito ao prémio principal continua sendo o que menor chances tem de sair com alguma estatueta: "Distrito 9"do estreante sul africano Neill Blomkamp. "Distrito 9" é cinemão disfarçado de série B. Blomkamp (com uma mãozinha de Peter Jackson) recupera o filme de género e tira-o do gueto. E para isso atualiza Cronenberg dos antigos (especialmente 'A Mosca') e faz uma sátira social atual e urgente, sem nunca cair no reducionismo pedagógico. E isto tudo num filme cheio de ação e adrenalina, que não nos deixa respirar um único segundo. Também sou dos que gostaram muito de "Avatar" mas acho que o filme de James Cameron já teve o seu (excessivo) lugar ao sol e ganhar mais prémios seria - já dizia o chavão - como chover no molhado.

Outro filme que eu estava especialmente curioso para ver, principalmente porque Nick Hornby (um dos meus escritores atuais favoritos) adaptou o argumento, era "An Education". Saí tão decepcionado do filme que não acreditava que Hornby tinha realmente escrito um argumento tão pobre e tão banal como aquele. Numa entrevista que encontrei no YouTube ele diz que ficou um bocado nervoso em adaptar a história da jornalista Lynn Barber, principalmente porque a conhecia pessoalmente e porque odiava ter de tirar coisas importantes do livro original (pode-se ler um longo resumo da história - verdadeira - contada pela própria na sua coluna no The Guardian aqui). Já não havia gostado dos filmes anteriores da Lone Scherfig mas este tinha material e muitos bons nomes envolvidos para ser mais um dos seus filmes mediocres. É uma pena que o produto final me fez continuar com a mesma opinião.

"Estado de Guerra" e "Inglorious Basterds" são dois filmes que não me convenceram. E teve tanta rasgaçao de seda entre a crítica (e público) para ambos que estou convencido de que tenho de vê-los novamente para tirar a prova dos nove. Gosto muito de Tarantino e da Bigelow e até acho que estes são dois bons filmes, e seria bom ver qualquer um dos dois com um oscar na mão. Mas, honestamente, acho seria pelos filmes errados.

"Precious" para os cínicos e os detratores de plantão é apenas um melodrama piegas (passe o pleonasmo) financiado - e divulgado - pela Oprah. Na página online do suplemento cultural do Público (o Ipisilón) eu vi o nome da Oprah citado pelo menos umas cinco vezes nos comentários. É fácil abandonar uma sessão de 'Precious' e dizer que é um apenas filme lamechas. Se esquecermos de tudo isto e vermos o filme pelo que ele realmente é, sem fingirmos que aquilo é só ficção (porque nao é) é possível ver que o buraco - fundo e negro - é muito mais embaixo.

Para finalizar, vi ontém "Nine" e "Up In The Air". Do primeiro, quase desisti a meio de tão mau, tão aborrecido e tao pretensioso que é. E olhe que nem sou fã do "Oito e Meio" do Fellini. O segundo é uma comédia simpática com uma boa idéia mas que deixa o filme cansativo depois de quarenta minutos...deste último, nunca me esquecerei de uma piada genial (envolvendo George Clooney, uma comissária de bordo e um jogo de palavras) que quase vale o filme todo.

13/02/10

Eu e a Berlinale

Eu subestimei a Berlinale. Quando peguei a programação em mãos, e circulei todos os filmes que eu queria ver, não fazia a minima idéia do tamanho da minha ingenuidade. Conseguir um mísero bilhete para a Berlinale, desde a estréia na 5ª feira, é uma ilusão. Mesmo com os valores dos bilhetes - onze euros - a preços nada populares. Fiquei na fila 40 minutos e desisti. Tentei então comprar pela internet mas tudo o que estava disponível online já estava completamente "sold out". Tentei chegar de manhazinha no local (as portas abriam as dez da manhã) mas a fila de pessoas acampando em frente a bilheteira era desanimadora. Uma mulher ontém perambulava pela Potsdamer Platz com uma plaquinha "compro 2 bilhetes para The Ghost Writer pago bem" mas algo me diz que ela não teve muito sucesso na sua busca. 'The Ghost Writer', o novo Polanski, era um dos filmes mais esperados da Berlinale. Apesar de uma recepção fria por parte do público, já há um rumor na imprensa alemã de que o prémio pode ir para Polanski por puro protesto à sua prisão na Suíça. A Berlinale dura até dia 21 e ainda pretendo fazer umas tentativas pelas sessões menos concorridas. Caso contrário, vou ter de me juntar ao povão que vai todo dia à Postdamer Platz ver as estrelas acenarem no tapete vermelho do festival. Saudades do IndieLisboa.

03/02/10

A figura feminina em 'Anticristo'

De que mulher(es) Lars Von Trier fala no seu último filme 'Anticristo'? E, consequentemente, em quase todos os seus filmes anteriores? Suas mulheres sofrem tanto porque são seres superiores, complexos e destituídos de (quaisquer) valores morais ou as provocações de Von Trier mais levanta dúvidas do que as responde? O que sentem as mulheres quando se deparam com objectos como este 'Anticristo'? Perguntas para as quais este blogger não tem respostas.

25/01/10

Década dos Zeros

Onze de Setembro. Blogues. Strokes. You Tube. Gyslene expulsa da Uniban. Gmail. Guerra do Afeganistão. ¿Por qué no te callas?. €uro. Tchau João Paulo! Olá Bento XVI. Skype. Lula presidente. Mensalão. Blu-Ray. Orkut. Facebook. MySpace. Twitter. Michael Moore. Google Earth. Plutão não é mais planeta. Timor Leste independente. Sadan Hussein enforcado. Independência de Kosovo. Obama presidente. Brasil Pentacampeão do mundo. Big Brother. Lost. 24. Playstation 2. MSN. Wikipédia. Mozilla Firefox. Emos. Escova progressiva. Gripe Suína. MP3. Ipod. Morte de Michael Jackson. Estupra mas não mata!. Bonde do Tigrão. Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno porra!. Windows XP. Amy Winehouse. Indie Rock. O Senhor dos Anéis. Tapa na Pantera. Harry Potter. Star Wars - O Ataque dos Clones. Furacão Katrina. Bitch, you don't have a future. Tsunami. o diploma de José Sócrates. Why so serious?. Rock In Rio Lisboa. Suzane von Richthofen. Caricatura de Maomé na Dinamarca. Orhan Pamuk nobel da Literatura. Playstation 3. Caso Madeleine. Iphone. Salazar maior português de sempre. Eurovisão. Desperate Housewives. Airbus A380. Tratado de Lisboa. Al Gore nobel da paz. Britney sem calcinha. Sasha educada em inglês. Raúl Castro 2º presidente de Cuba. Avaliação dos professores em Portugal. Falência da Varig. Josef Fritzl. Windows Vista. Nepal república. Dercy Gonçalves morre aos 101 anos. Google Chrome. Crise mundial. 007 Casino Royale. Arcade Fire. Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Avatar. Obama nobel da paz.

18/01/10

Melhores de 2009 - As Músicas

Quando acabei minha rápida pesquisa para fazer esta lista, já estava em mais de trinta canções. Não foi nada fácil chegar a estas dez. Apesar do ano não ter sido lá estas coisas para os discos, os bons e certeiros hits fizeram a festa em 2009. Mesmo em discos medianos como a estréia dos ingleses Fanfarlo («Harold T. Wilkins») ou o «Balf Quarry» dos desconstrutivistas Magik Markers («Don't Talk In Your Sleep») tinha um petardo daqueles impossíveis de não chamar sua atenção. Como queria me limitar a apenas dez, as músicas que se seguem chegaram aqui a ferro e fogo. E todas - sem excepção - capaz de deixar um sorriso largo de duas horas estampado na cara. Assim sendo, segue então meu top ten canções de 2009 com os devidos links para o seu próprio deleite.

01 - «Mouthful Of Diamonds» - Phantogram
02 - «This Is Our Lot» - Wild Beasts
03 - «Basic Space» - The XX
04 - «Little Secrets» - Passion Pit
05 - «Solo» - Chew Lips
06 - «Two Weeks» - Grizzly Bear
07 - «Heads Will Roll» - Yeah Yeah Yeahs
08 - «1901» - Phoenix
10 - «Surf Solar» - Fuck Buttons

Melhores de 2009 - Os Discos

Confesso que o meu melhor disco de 2009 é, na verdade, de 2008. Descobri os canadianos Land Of Talk e o seu début «Some Are Lakes» através da fabulosa 'Give me back my heart attack' e foi paixão imediata. Ultimamente, coincidência ou não, o que se faz de melhor na música indie/pop está vindo do Canadá e bandas como Controller.Controller, Pony Up! (as novas Sleater Kinney? espero que sim) e Fucked Up estão aí para não me deixar mentir. Apesar de estar nos tops do meu media player, infelizmente, o Canadá não está presente no meu top ten do ano. Já que os londrinos The XX arrasaram tudo com o seu álbum destruidor de estréia (do qual eu já falei muito por aqui) «XX». A medalha de prata da casa vai para o irretocável «Eyelids Movies» dos abençoados Phantogram. Um disco feito de camadas electrónicas, samplers ganchudos, ruídos herméticos e descontruções pop sem nunca perder a elegância. E que a cada audição cresce um pouco mais. Os Phantogram também foram os autores da melhor música do ano e espero que nos próximos anos não nos dêem descanso, porque nesse mar de trivialidades que se tornou a música pop - graças ao mp3 - só sobrevive quem é mesmo bom. E o duo nova-iorquino é muito, muito bom. Eis o meu top discos de 2009.

01 - The XX - XX
02 - Phantogram - Eyelids Movies
03 - Passion Pit - Manners
04 - Phoenix - Wolfgang Amadeus Phoenix
05 - Washed Out - Life Of Leisure (EP)
06 - Fuck Buttons - Tarot Sport
07 - Grizzly Bear - Veckatimest
08 - Wild Beasts - Two Lovers
09 - Yeah Yeah Yeahs - It's Blitz
10 - Micachu & The Shapes - Jewllery

Melhores de 2009 - Os Filmes

Já tinha preparado há algum tempinho minha lista de melhores filmes do ano. Então li este post sobre «Mary & Max» e céptico, fui fazer o meu último visionamento de 2009. E vi a luz. «Mary & Max» é beleza em estado bruto. É daqueles filmes que penetram no mais profundo do nosso íntimo e nos rouba algo que inexplicavelmente não conseguimos explicar. A (belíssima) animação em stop-motion é um mero dispositivo estético e narrativo porque «Mary & Max» está muito longe de ser um filme para crianças. É um filme adulto, sério, com a morte sempre a espreitar por cima do ombro. O humor aqui é quase desesperado, feito de subtilezas, de camadas negras e feridas secas que se vão abrindo a medida que os protagonistas trocam cartas. «Mary & Max» é como um abraço apertado de um amigo esquecido. Na última cena do filme, as lágrimas de plasticina correm pelos olhos da protagonista e, quando nos damos conta, as lágrimas da vida real estão a escorrer pelo nosso próprio rosto. 2009 foi uma caixinha de bons bombons recheados no que toca ao cinema e, por isso, escolher os dez mais que listo abaixo foi uma tarefa mais que árdua.

01 - Revolutionary Road

02 - Mary & Max

03 - 500 Days of Summer

04 - Phoebe in Wonderland

05 - Districto 9

06 - O Complexo Baader Meinhof
07 - Frost/Nixon
08 - Precious
09 - Wendy & Lucy
10 - Slumdog Millionaire


06/01/10

Melhores de 2009 - Guilty Pleasures

Assim como nos anos anteriores este blogger preparou uma listinha com os prazeres culpados do ano, este ano segue mais uma. Mais tímida, porque a memória guilty de 2009 ja está castigada demais para voltar a funcionar mas, mesmo assim, precisa. Nos próximos posts publicarei melhores músicas, discos e filmes que fizeram em 2009 a cabeça do Prepúcio. Sem trocadilhos, por favor.


Confessemos todos: esta é uma das delícias pop de 2009 e pronto. Além do clipe que, de tão simples e tão bom, gerou paródias pelo mundo todo tem um gancho pop ali que é impossível ficar indiferente. Beyoncé consegue reinventar-se mais uma vez, e mesmo abusando dos sintetizadores que fazem a fama das Ladys Gaga da vida, ainda mantém fincado um pézinho nas raízes negras e faz um hit pop improvável. Funk classudo e cheio de swing retro, "Single Ladies" faz por 2009 o que 'Umbrella' da Rihanna fez por 2007. E isso já basta para garantir o seu lugar nos anais dos clássicos pop.


Taí uma música que me venceu pelo cansaço. Minha primeira audição foi ódio a primeira vista mas depois, como que por vingança, a música me perseguiu por todos os bares e discotecas onde eu estava e a cada vez que eu a escutava, entrava uma coisinha aqui e outra acolá. Kitsch sem limites, disfarçada de musa indie, La Roux - se tudo der certo - será produto de um hit só. Mas até ela sumir do mapa dá para se acabar na pista com esta 'Bulletproof' e depois chegar em casa e ajoelhar-se sobre milho, para pagar todos os pecados e continuar a vida de consciência limpa.


As meninas do 'The Veronicas' posam de rock stars indie-góticas e tal nos clipes mas não enganam ninguém. São umas meninas bonitas que fazem música pop teen do mesmo saco de onde saiu a Avril Lavigne. Ou se quisermos sermos um bocado mais cínicos: róquinho rebelde. Ouvi o disco uma única vez e fiquei enjoado. Aliás, na terceira música você já nem sabe mais o que está ouvindo. Mas essa 'Untouched' é um caramelo com camada dupla. Relembrando os bons tempos (?) das lesbo-russas T.A.T.U juntam todos os clichês das boas canções pop (amor, perda, redenção) à falsestes e riffs ganchudos de guitarrinhas de plástico e fazem um dos melhores guilty pleasures do ano. Agora só falta tocar na rádio e ganharem o mundo. Pose, beleza e roupas pretas já têm.


Sim, você leu direito. Marley & Eu. Nem nos meus sonhos mais loucos eu podia pensar que este filme pudesse ocupar qualquer espaço que fosse neste blogue. Fui ver o filme esperando o pior. Há algum tempo atrás vendo os extras do DVD de 'O Diabo Veste Prada' fiquei irritado com uma entrevista do diretor David Frankel [o mesmo do 'Marley']. Na entrevista, ele dizia que não gostava do primeiro guião que recebeu de 'O Diabo' porque achava-o muito 'negro' e então quando chegou a versão suave, ele soube imediatamente que era isto o que iria filmar. Quem leu o 'Diabo' diz que o filme é uma caricatura politicamente correcta do livro mas qualquer um que também conheça o trabalho anterior de Frankel sabe que ele não era capaz de muito mais que isso. Frankel faz filmes para toda a família, e isso já diz tudo o que é preciso saber. Foi então com uma estranha surpresa que vi, numa história aparentemente idiota, um dedo inquisidor apontando para todos os totens e valores familiares que o 'cinemão família' tanto defende: casamento, felicidade, estabilidade... Era muito fácil falar mal de 'Marley & Eu' mas no meio do status quo hollywoodiano, Frankel conseguiu ser gente grande e fez sim um filme para toda a família mas sem deixar de lhes puxar o tapete no final. E só por isso, ele merece uma vénia.

04/01/10

Filmes de 2009 que precisam de uma segunda chance

Andei olhando as listas alheias dos melhores filmes do ano e é impressionante como tem filme elogiado nos quatro cantos que simplesmente não me pegou. Ou porque é simplesmente ruim mesmo ou porque precisam de uma segunda chance. Rubens Ewald Filho, o crítico de cinema mais mediático do Brasil disse exactamente isso no seu blogue sobre o «Anticristo» do Lars Von Trier. O último petardo de Von Trier, assim como «Dogville», não é filme de fácil digestão. Vi uma única vez e ainda não sei o que pensar dele. As vezes me parecia um deboche sobre a própria psicanálise outras vezes uma profunda metáfora sobre alienação dos tempos. O genérico inicial, é qualquer coisa de lírico e genial e só Von Trier para pegar naquilo que é belo e imaculado e o transformar em terror absoluto. Outro filme que precisa de mais um visionamento atento é o sueco «Let the Right One In» ou 'como seria o «Crepúsculo» se fosse filmado por Bergmar' como disse uma amiga. Visualmente, acho um filme belíssimo mas é só. O filme de vampiros sueco é banal e chato demais para me alongar numa dissertação mais profunda, quem sabe num próximo - e muito futuro - visionamento. «Inglorious Basterds» é um Tarantino que definitivamente não compreendi. Acho que Tarantino coleciona algumas obras-primas no seu pequeno - e aclamado - currículo mas este filme não é decididamente uma delas. Tarantino sabe como poucos frustrar expectativas, baralhar géneros e fórmulas pré-fabricadas mas neste «Basterds» parece que está enterrado no buraco que ele próprio cavou. Longe de ser um filme ruim, é um Tarantino menor, sem o brilho e a inventividade de quando estava no seu auge criativo, que não foi há tento tempo assim. 2009 foi definitivamente um ano em que o cinema não deu trégua.

O que é feito de «Frontiére(s)» ?

Vi o DVD de «Frontiére(s)» acumulando pó numa loja em Londres e me dei conta de que este filme nunca chegou a estrear em sala em Portugal (não sei no Brasil). Vi-o em 2008 no festival Motelx incluído na secção 'Nouvelle Vague' do novíssimo terror do cinema francês. E foi um dos melhores filmes do género que vi nos últimos anos. Um grupo de jovens vindos directamente dos subúrbios criminalizados de Paris, vê-se numa fazenda no meio do nada perto da fronteira à procura de abrigo antes de seguir para a Holanda de carro. O problema é que o espaço rural não é habitado apenas por vacas e pasto e a noite transforma-se num verdadeiro pesadelo. O filme não traz nada de original ao tema mas deixa qualquer um preso à cadeira até a última e triunfante cena final, quando saímos aliviados do visionamento, por termos sobrevivido a tamanha tortura física e psicológica. Corra atrás imediatamente.

21/12/09

Em defesa de 'Avatar'

Engraçado como se tem discutido muito onde está o 'cinema' em Avatar. Em quase todas as críticas que li - especialmente na imprensa portuguesa - há uma séria discussão e questionamento se a história que James Cameron quer contar é uma fachada por detrás do 3D. O crítico João Lopes (do DN) levanta questões séríssimas ali no seu blogue sobre o 'futuro do cinema' que já é tão mais velho que o próprio cinema. E num outro blogue que já não me lembro qual vi uma reflexão muito interessante sobre a 'morte' da convencionalidade em se contar uma história em favor das infinitas possibilidades que a 'tecnologia' pode fazer. Pessoalmente, essa discussão me interessa muito pouco. É difícil separar o que é realmente relevante nesta chuva de argumentos e o que só é conservadorismo inconsequente. Luís Miguel de Oliveira fez muita gente discutir - e cair matando - a questão dos óculos (no caso do visionamento em 3D) na caixa de comentários no Ipsilón online e, confesso, isso me dá uma canseira dos diabos. Como diria meu conterrâneo Macunaíma ai, que preguiça! Me lembro que na altura que saiu o 'The Blair Witch Project' (1999) houve - num outro contexto, exactamente o oposto do que se discute aqui - toda uma discussão sobre se 'aquilo' era cinema ou não. Eu vi muito e muito bom cinema em 'A bruxa de Blair' mas sou - do auge da minha reconhecida insignifância - a pessoa menos indicada para tentar discutir uma possível morte do cinema. Acho muito mais válida as discussões em torno das reacções emocionais e sensoriais que o cinema, ou aquilo ao que acostumamo-nos a chamar 'cinema' desperta em mim e nos outros como espectador do que qualquer outra coisa. Acho que essa é a verdadeira e mais importante questão. Fui ver 'Avatar' com algumas expectativas em relação à tudo o que tinha lido, sobre essa tal 'revolução' que Cameron trouxe para o cinema. Meia hora depois, passada a frustração em descobrir que 'aquilo' não era o futuro de coisíssima alguma, me deixei levar pela história do soldado tetraplégico em busca de redenção num mundo completamente desconhecido. A clássica parábola do auto-descobrimento, da viagem interior contada pela enésima vez. Saí da projecção e pouco me lembro do 3D, dos óculos ou da tecnologia 'jamais vista'. Sai de lá sem ter visto nada disso. Nem de uma tal famosa perseguição de 20 minutos me lembro. De facto, a experiência 3D do filme é um espectáculo visual eu diria que quase religioso, é um show à parte. E também que James Cameron tem sim essa maneira maniqueísta e simplória de 'ver o mundo', de contar uma história. Mas acho que é mesmo essa limitação narrativa, essa opção em deixar a subtileza em segundo plano, os dispositivos que jogam a seu favor. No final da projecção, ouvi meus amigos todos falarem em 3D, em tecnologia, e nos malditos óculos. O que eu vi foi um filme majestoso, daquelas aventuras clássicas dispostas a mexer com alguma coisa escondida dentro de cada um ali naquela sala. Mesmo que o cinismo nauseabundo faça bloqueios mentais, 'Avatar' é mais que um simples filme em 3D. É uma experiência sensorial. E quem se deixa levar por ela, tem garantida quase três horas de uma viagem apocalíptica sem volta.

16/12/09

'500 days of Summer'

Li em todo lugar que o estreante Marc Webb subverteu a comédia romântica americana com '500 days of Summer' e levou-a a outro patamar. Eu discordo completamente por uma única razão: '500 days' não é uma comédia. É sim um conto ácido de amor - apesar do narrador anunciar logo no começo que não é - com um pedaço de vidro espetado no coração. Mas não é nunca uma comédia. Quando faz graça, sorrimos amarelo. Aqui não há redenção, não há joguinhos de sedução e não há final feliz. É tudo brutalmente despejado à nossa cara com uma sinceridade tão dilacerante que quando os créditos sobem é muito difícil não verter uma lágrima. Há uma cena em '500 days' que de tão real que é, ficou ecoando na minha cabeça horas depois de ter visto o filme. Na cena, Summer (Zooey Deschanel, linda) está na cama com Tom (Joseph Gordon-Levitt ainda melhor que em 'Mysterious Skin') contando sobre seus ex namorados. 'Mas e aí, o que aconteceu?' Tom pergunta intrigado em saber porque seus relacionamentos não duraram. E Summer com a maior naturalidade do mundo, como que a um nível acima dos pobres mortais que ainda não entenderam essa coisa misteriosa e complexa que são as relações humanas, responde 'o que acontece com todos os relacionamentos: life'. Ouvir isso é como levar uma facada nas costas. E quando vem da boca do seu objecto do desejo, quando a paixão está no seu ápice romântico, é de uma crueldade sem fim. E só quem nunca passou por isso, vê '500 days of Summer' como uma simples comédia romântica. Marc Webb fez um filme sobre o amor e sobre os buracos negros que são os relacionamentos. E ele sabe muito bem do que está falando.

13/12/09

Precious

E como sobreviver a 'Precious' ? Como sair da sala escura e, como disse o Zeca Camargo em seu blogue, saber que há uma ou mais Precious morando não muito longe de você e não fazer nada? Assistir simplesmente ao desfile de horrores como se fosse impossível mudar alguma coisa? Se existir uma palavra no dicionário que identifique o antónimo de 'esperança', é este o sentimento pós 'Precious'.

05/11/09

Música do Dia: You've Got the Love (XX remix)

Nunca achei grande coisa da Florence + the Machine, confesso. Tem umas músiquinhas divertidas e tals mas nunca entendi essa histeria e popularidade toda. Mas este remix/versão da sua "You've Got the Love" pelos The XX é uma pequena pérola pop que vicia logo na primeira audição.

20/10/09

não perder de vista: Washed Out


A edição online do The Guardian elegeu como a banda da semama e lá fomos nós conferir: Washed Out é uma delícia pop que não pode passar despercebida jamais. Ernest Greene é o homem por trás da banda. Webdesigner desempregado na Georgia, começou o projecto apenas por hobby e com a disseminação à velocidade da luz da internet, foi parar nos blogues in do mundo indie e até no Pitchfork. O som é uma espécie de synth-pop muito original resultado de um híbrido entre uma psicodelia seventie e a electrónica de países frios europeus. Ernest gravou, mixou e masterizou tudo sozinho e o resultado disso foi o EP "Life of Leisure" que saiu no final do ano passado pelo selo independente Mexican Summer. Segundo o mesmo artigo do Guardian, o álbum é já para o final de Outubro. Vá direto às faixas «You'll See It» e «Feel It All Around» e diga se não vale cada centavo investido.


18/10/09

Filmes chatos e amados


O badalado filme sueco «Let the right one in» (Deixa-me entrar em Portugal) estreou há uma semana no Brasil e como não podia deixar de ser, a crítica brasileira também escreveu maravilhas sobre. Fiquei aliviado quando vi o crítico de cinema do Estado de São Paulo Luiz Carlos Merten dizendo no seu blogue que não tinha gostado: "Não vou dizer que é o pior filme que já vi (embora talvez seja o pior de vampiros, porque é metido a besta). Sério. Não entendi nada. Filme jovem, original, cheio de ideias. Não sei não, mas os filmes sobre os quais tenho ouvido essas referências ultimamente são os que menos ideias expressam, ou as que menos têm me interessado." O filme conta a história de uma estranha amizade entre uma garota de doze anos que é vampira e um menino da mesma idade. Da primeira vez que vi, pensei que as minhas expectativas tinham estragado o meu visionamento. Hoje vi pela segunda vez para tirar a prova dos três, e o Luiz Merten está certíssimo, que filme chato e pretensioso.

17/09/09

A agenda de concertos de Berlim

Shannon Wright, Dirty Projectors, The Fiery Furnaces, Micatone, Skunk Anansie, Lydia Lunch, The Gossip, Ellen Alien, MSTRKRFT, Sonic Youth, Passion Pit, Morrissey... pára! Assim, não dá. Com tantos concertos borbulhando em Berlim, não tem nem como um gajo comprar o pão de cada dia...

08/09/09

Juliette Lewis: disco novo, capa asquerosa

Não me entendam mal. Eu adoro a Juliette, desde «Natural Born Killers», que é um dos meus filmes de cabeçeira. E mesmo que eu sempre tenha achado seus discos sofríveis (com ou sem os The Licks), ainda nutro um simpatia infinita pela moça. Mas a capinha desse «Terra Incógnita» vamos combinar né, minha gente? Mais asquerosa, impossível. Produzida no fundo do quintal pelo seu vizinho mexicano com photoshop em casa. Mas não tô nem aí: dia 04 de novembro estarei na filinha para ouvir e ver suas loucuras em palco. O amor é cego. E surdo.

22/08/09

As 500 melhores músicas da década segundo o Pitchfork

A década dos 00 ainda nem acabou mas o Pitchfork já deu seu parecer sobre as 500 melhores e mais importantes músicas da decada. Como não podia deixar de ser, não podia discordar mais. Uma rápida vista de olhos pelos primeiros 10 lugares já se percebe a arbitrariedade da coisa. Por mais que eu goste de ver os Arcade Fire várias vezes na lista, colocar "B.O.B" dos Outkast em primeira posição e "Crazy In Love" da Beyoncé em quarto parece piada de humor negro (sem trocadilhos, por favor). Nas 100 primeiras posições - com pequenas excepções - quase tudo é composto por canções editadas na segunda metade da década. Onde estão os Strokes? Não foi com "Is This It" que renasceu este "revival" garage-rock morto e enterrado nos anos '90? Pelo menos uma música do disco tinha que constar obrigatoriamente ali. Como manda o lugar comum, fiz uma pesquisa rápida pelas 500 canções do site e elaborei uma lista minha (quem é que resiste a uma lista?) com as minhas 20 melhores músicas da década. Por alguma razão que desconheço (ou talvez nem desconheço tanto assim, afinal sou um rato dos anos '90 e consumidor compulsivo de "riot girl rock") a primeira metade da década aparece em peso, portanto, uma lista absolutamente idiossincrática.

01 - "A Place Called Home" (2000) - PJ Harvey
02 - "Better Living through Chemistry" (2000) - QOTSA
03 - "Last Night" (2001) - Strokes
04 - "All Medicated Geniuses" (03) - Pretty Girls Make Graves
05 - "No Cars Go" (2005) - Arcade Fire
06 - "We Used To Be Friends" (2003) - The Dandy Warhols
07 - "Standing In The Way Of Control" (2006) - The Gossip
08 - "Like A Pen" (2006) - The Knife
09 - "Seven Nation Army" (2003) - White Stripes
10 - "Unison" (2001) - Björk
11 - "Portray" (2004) - Shannon Wright
12 - "Svo hljótt" (2005) - Sigus Rós
13 - "Hate to Say I Told You So" (2002) - The Hives
14 - "2+2=5" (2003) - Radiohead
15 - "Train" (2003) - Goldfrapp
16 - "Kanske Ar Jäg Kar I Dig" (2007) - Jens Lekman
17 - "You Know I'm No Good" (2007) - Amy Winehouse
18 - "The Fox" - Sleater Kinney
19 - "Mistery Girl" (2002) - Yeah Yeah Yeahs
20 - "Crystal" (2002) - New Order

17/08/09

Radiohead funky

Ouvindo a WOXY nessas madrugadas de insónia e descubro esta cover fe-no-me-nal dos Radiohead feita pelo Mark-Valerie-Ronson e fico maravilhado. Fui correndo para o Google e descobro que esta pequena pérola é de 2007! Provavelmente o mundo todo ja a conhecia, só eu é que não.

16/08/09

The XX - "XX"

O disco só sai amanhã mas se você, assim como eu, não consegue esperar a versão paga e física - que ocupará aquele lugar especial da sua colecção destinado só aos iluminados - pode começar por aqui a se deleitar já.

07/08/09

The XX vai destruir o seu coração


Desde que ouvi falar dos The XX, ou melhor, desde que ouvi as suas poucas músicas disponiveis na internet, foi paixão à primeira vista. Sem disco ainda sequer editado (sai no próximo dia 17), a estréia dos The XX para mim já é seguramente o acontecimento discográfico do ano. Sei que isto é um chavão mais que gasto, mas cada música dos XX é tão linda e tão absurdamente perfeita que fica difícil racionalizar aqui em palavras o quanto estes meninos de Londres mexem com este meu coração cético e petrificado. A banda é formada por dois meninos e duas meninas (Romy, Oliver, Baria e Jamie) entre os 17 e os 19 anos e fazem um som que remete para uma certa atmosfera soturna e minimalista que algumas bandas dos anos 80, como os Young Marble Giants, faziam.
Mas, no caso do The XX, com um toque de modernidade e classicismo que é quase impossível de se acreditar quando se descobre a idade dos garotos. Nas primeiras audições me veio logo à cabeça um disco lindíssimo de uma banda que já nem existe, os belgas Thou, que na sua estréia «Put us in tune» (2001) produzida por John Parish, usaram os mesmos estúdios que os Portishead e lhe pediram as sobras e restos de materias sonoros não usados pela banda de Bristol para trabalharem o seu début.
O resultado foi um auspicioso e quase irretocável disco que, apesar de achar que os meninos dos The XX nunca nem sequer ouviram, gosto de acreditar que sim e que quiseram fazer o seu próprio «Put us in tune» versão 2009. Canções para corações dilacerados ou a espera de uma segunda chance.

05/08/09

2 + 2 = 5

O que aconteceria se se fundissem os Tv On The Radio + Animal Collective + uma pitadinha de dEUS ? Os Cymbals Eat Guitars!

31/07/09

Madonna e o seu "Celebration"

Ouvi o novo single da Madonna - que anda lançando disco na mesma velocidade com que troca de roupa - no blogue Sound + Vision e achei de uma pobreza descomunal. Não consegui ouvir até o final. A musiquinha é tudo aquilo que eu costumo chamar de "som de Ibiza" que são aquelas canções dançáveis ultraproduzidas que infesta as "rádios dance" do planeta. Nesta "celebration" a voz de Madonna é posta em segundo plano e os sintetizadores, no meio de tanta trafulhice, se estapeiam na busca de protagonismo, numa música que se não serve para dançar, pelo menos vai encher os bolsos da cantora.

24/07/09

A morte (de João Bénard) e a (nova) vida da Cinemateca

Eu nem ia falar nada aqui sobre a morte desse senhor - mesmo porque já tinha falado dele de uma forma não muito agradável aqui quando ele ainda era vivo - mas na hora da morte, esta fria e imprevisível senhora de negro, as pessoas parecem que perdem o passo e não sabem como reagir.As coisas que alguns dos seus detractores mais ferrenhos escreveram na imprensa sobre ele parece brincadeira de mau gosto. E nem estou falando de falta de respeito com a morte alheia, porque isso é outra conversa. João Bénard da Costa, que eu tive o desprazer de conhecer numa situação passada, mostrou-se para mim tudo aquilo que seus maravilhosos textos escondiam: uma truculência de um cowboy disfarçada sob a capa de intelectual e um autoritarismo nauseabundo que era quase impossível de se acreditar. Já na Cinemateca, eram muitos os que reclamavam a sua demissão ou a deposição do seu cargo de director, tamanha era a sua comodidade de cargo público canonizado, do alto do seu trono inabalável. Já ninguém mais aguentava as mesmas coisas, os mesmos filmes, os mesmos ciclos. A Cinemateca já não era património público, era património dele. Mas claro, não era preciso que fosse a morte que lhe tirasse estupidamente das suas funções. Isso tudo para dizer o quê? Que apesar do título pretensioso desse post, eu espero - e acredito que o caminho será este - que (mesmo sem director ainda) a saída do senhor Bénard da Costa è frente da Cinemateca seja um dos belos e grandes motivos para se voltar a ver cinema com prazer naquelas salas míticas. Porque há muito tempo que isso não se via por aqueles lados e porque a Cinemateca de Lisboa é um dos pequenos tesouros guardados dessa cidade. Seria uma pena deixar essa oportunidade passar ao lado agora. Viva a nova Cinemateca!

O "Anticristo" de Lars Von Trier e a fronteira da dor

"Faremos uma versão católica para os mercados mais conservadores que possa cumprir os requisitos de censura. Ainda não sabemos que cenas serão eliminadas, estamos em conversações com as distribuidoras para encontrar a fronteira da dor"

disse o director da Zentropa, Peter Aalbaek Jensen, em declarações ao diário Berlingske Tidende.

18/06/09

Capas de Discos

Certamente que a capa deste disco, da nórdica Silje Nergaard «A Thousand True Stories» é uma das mais belas vista por este que vos fala, no ano que corre. O disco é secundário - composto daquelas musiquinhas que enchem os barzinhos modernos do Bairro Alto - mas a capa é um show à parte. Optima para impressionar aqueles amigos leigos que julgam discos pelas capas.

10/06/09

Prepúcio Recomenda: Be Your Own Pet

Pronto, ja deixei o disquinho dos Los Campesinos! de lado...

Melhor música do ano, já?

Eles nem tem disco ainda, apenas três belas cançonetas. É hit no Incógnito e hype nos bas-fond londrinos são autores do hit - e do refrão - mais delicioso do ano!

Directos do Rio: Glass and Glue


Pelo que li pelos blogues da vida, os Glass and Glue bandinha indie-pop nascida no Rio de Janeiro estão bombando na cena underground carioca já há algum tempinho. Fui ouvi-los no MySpace da banda e gostei muito. A primeira da lista "Bipolar" é uma pedrada arrasa-quarteirão e "Good Enough" me fez lembrar tanto dos Hole do primeiro disco que até deu vontade de ligar para Courtney Love. Recomendadíssimos!