17/07/11

Melhores de 2010 - Os Discos

01 - Arcade Fire - The Suburbs


 
02 - The Joy Formidable - A Balloon Called Moaning


03 - Yeasayer - Odd Blood


04 - Warpaint - The Fool

05 - Darwin Deez - Darwin Deez


16/07/11

Melhores de 2010 - As músicas


01 - Arcade Fire - Sprawl II
02 - Land of Talk - The Hate I Won't Commit 
03 - The Hundred in the Hands - Tom Tom
04 - Yeasayer - O.N.E
05 - Sleigh Bells - Rill Rill
06 - Caribou - Odessa
07 - LCD Soundsystem - Dance Yrself Clean
08 - Céu - Grains de Beaute
09 - Charlotte Gainsbourg - La Collectionneuse
10 - Warpaint - Undertow

02/01/11

Sem palavras para a grandiosidade de "Black Swan"


Estou sem palavras para descrever o que senti vendo Black Swan. Tem Natalie Portman, linda, perfeita, vulnerável, em ebulição a ponto de explodir. Tem Barbara Hershey, renascida das cinzas e brilhando como a mãe controladora.Tem aquela música, densa, que permeia todo o filme e que baralha as expectativas do espectador desavisado. E tem Darren Aronofsky, mestre da técnica e mestre das emoções a flôr da pele. E que faz o filme da sua vida, explorando ao máximo toda a sua genialidade e que nos faz acreditar no cinema novamente.

05/12/10

The Hundred in The Hands, seus lindos

A minha intenção inicial era escrever aqui sobre os concertos que vi nos dois dias do Super Bock em Stock que aconteceu nesse fim de semana em Lisboa mas estou tão entusiasmado com o duo maravilha The Hundred in The Hands que não tenho olhos, digo ouvidos, para mais ninguém. A banda é composta por Eleanore Everdell e Jason Friedman, e eles vêm de onde têm saído as mais interessantes bandas dos últimos anos: do Brooklyn.
Lançaram um EP no comecinho do ano (o fabuloso "This Desert") e mais para o final do verão o debut que leva o nome da banda no título. Os Hundred já foram comparados a novas bandas como Crystal Castles e os Sleigh Bells mas a disparidade de géneros que se ouve nos dois registos editados pelo duo foge a qualquer catalogalização reducionista. É dificil fugir dos rótulos, eu sei, e os The Hundred in The Hands não são uma banda indie por excelência mas vai lá beber muitas influências. Poderia descrever o seu som como um electro-indie intenso que mistura influências que vão da música de dança minimalista ao power pop mais exaltado passando de leve pelo pós-punk.
Ao vivo, transpiram sensualidade e fazem-nos lembrar, por vezes, uns The Kills mais hedonistas ou, exageremos, uns White Stripes menos pretensiosos. Mérito da lindíssima Eleanore Everdell, que faz as vezes de mestre de cerimónias entre banda e público e interpreta cada canção de forma desesperada como se fosse a última vez.
Tive de deixar o concerto explosivo do Kele a meio e fui correndo para a garagem do Marquês de Pombal para chegar a tempo de vê-los a entrarem em palco, pois os concertos - ao contrário do segundo dia - começavam religiosamente no horário. A banda tocou cronometrados 45 minutos que mais pareceram cinco e eu de simpatizante curioso passei a fã incondicional.

27/11/10

Ode to Berlin

Minha irmã diz que eu ando obcecado com Berlim. Deve ser a depressão pós Berlim que o Brecht tanto falava. Mas quando vejo os - quase diários - posts do Nuno Galopim no Sound + Vision sobre a cidade maravilhosa (esta sim) fico até mais descansado.

24/11/10

Os 20 filmes mais subestimados dos últimos 20 anos

Já faz um tempinho que o IMDB fez essa listinha com os vinte filmes mais subestimados dos últimos 20 anos mas só agora me lembrei de comentá-la por aqui. O mais interessante da compilação é que a lista,  apesar de absolutamente idiossincrática, claro, é bem heterogênea e foge das obviedades que nós julgaríamos "subestimadas". Por exemplo, se fosse eu a fazê-la, nunca incluiria o fabuloso Leaving Las Vegas na compania daqueles filmes. Não só porque sou um fã confesso do longa mas porque o filme de Mike Figgis (talvez o único bom filme da sua filmografia) fez uma respeitável carreira nas bilheteiras, ganhou uma série de prêmios importantes - entre eles globo de ouro e oscar para Nicolas Cage, nomeação de melhor actriz à Elisabeth Shue e melhor realizador ao Mike Figgis - e virou instantaneamente objecto de culto dos anos  90. Uma outra curiosidade associada ao filme é que John O'Brien, o autor da autobiografia que deu origem ao filme, suicidou-se duas semanas após o filme ter entrado em produção. E o realizador Mike Figgis, que quase chegou a abandonar o projecto, resolveu levá-lo adiante e transforma-lo numa belíssima homenagem a O'Brien. Por isso, não entendi muito bem a sua inclusão na lista e nem o  IMDB se deu ao trabalho de explicar. A lista completa pode ser vista aqui.

20/11/10

As cassetes de Erika Iris Simmons

Quando vi o trabalho da artista plástica Erika Iris Simmons lembrei logo daqueles puristas que volta e meia proclamam a morte das artes plásticas alegando que tudo já foi feito. Ora bem, é facto que a artista se apropriou do passado - literalmente: seus trabalhos são basicamente fita cassete em tela e com alusões a ícones da música pop norte-americana - para criar algo totalmente novo (assim como um senhor chamado Andy Warhol fez nos anos 1960). E o fez de forma simples, com uma plástica apelativa (e que pisca um olho à pop art) e o mais importante: é absurdamente original. Os outros trabalhos da artista podem ser vistos na sua página pessoal.

18/11/10

Porque «Scott Pilgrim vs. the World» é (e não é) divertido


Sejamos honestos com nós próprios: Scott Pilgrim vs. the World é muito barulho por nada.
Se você, assim como eu, não é um daqueles fãs "xiitas" da banda desenhada que dá nome à personagem e, portanto, caiu completamente de pára-quedas numa sessão do filme, provavelmente você deve estar pensando o mesmo que eu: que Scott Pilgrim não é lá estas coisas. Para despacharmos já isto sem mal entendidos, acho que o único problema de Scott Pilgrim vs. the World é o hype em doses cavalares injectados ao longo dos últimos meses. Só quem estava em Marte não ouviu falar da adaptação ao cinema da cultuada banda desenhada.
Dito isto, o que é que fica? Um filme despretensioso, com alguns momentos acertados, outros nem tanto e que tem uma banda sonora que quase vale pelo filme todo. Banda sonora, aliás, que garante os melhores momentos (e as melhores piadas) do filme. Se você ainda não o viu (passou no Estoril Film Festival mas estreia em Portugal dia 09 de Dezembro) aconselho que então vá vê-lo sem expectativas elevadas. Porque senão a decepção vai ser catastrófica. Abaixo eu listo (eba! lista!) as razões porque Scott Pilgrim vs. the World deve ser visto (em doses moderadas).

1 - O genérico inicial, com a banda [fictícia] Sex Bob-omb quebrando tudo.
2 - Os Sex Bob-omb, a banda do Scott Pilgrim, que são cool até a medula e que deviam sair da ficção e vir para a vida real.
3 - Michael Cera, que é cool até a medula mesmo interpretando a si próprio pela bilionésima vez.
4 - A baterista ruiva e de poucas palavras interpretada por Alison Pill.
5 - Os Crash and the Boys que também são fictícios e que são o máximo.
6 - Os The Clash at Demonhead, banda também fictícia, que faz uma versão matadora de "Black Sheep" dos canadianos Metric.
7 - A referência à Seinfeld.
8 - "We are Sex Bob-Omb and we are here to make you think about death and get sad and stuff."

17/11/10

«The Kids Are All Right» estreia em Portugal


Quase duas horas de fila depois, finalmente consigo bilhetes para o último dia da Berlinale deste ano. The Kids Are All Right - o segundo filme de Lisa Cholodenko - foi o filme escolhido e, felizmente, acertei em cheio. O filme teve cinco sessões no festival e no dia em que vi, foi um verdadeiro hit, aplaudido de pé entusiasticamente no final. A versão apresentada na Berlinale, finalizada as pressas para entrar na competição, é ligeiramente diferente da versão actual do filme, mas nada que tenha afectado significativamente o produto final.
O filme anterior de Lisa Cholodenko "Laurel Canyon" (que em Portugal recebeu o título de "Atracção Acidental") já mostrava o seu olhar atento e cuidadoso às imperfeições humanas e as suas relações. Em The Kids Are All Right ela volta a cutucar umas feridas abertas e para isso recruta Mark Ruffalo para desestabilizar a relaçao do casal formado por Julianne Moore e Annete Benning.
No filme, Josh Hutcherson e Mia Wasikowska dão vida aos dois irmãos que decidem encontrar o homem que doou o sêmen que os gerou, pois ambos são filhos de um casal lésbico (Moore e Bening). Após a chegada do doador, a harmonia da família fica irremediavelmente abalada.
Cholodenko conhece bem as suas personagens e desenvolve-as uma a uma, com a subtileza e elegância que lhe é habitual. O filme é uma comédia dramática mas transita com segurança entre os dois géneros sem nunca deixar as personagens caírem na caricatura ou estereotipos banais tão comuns às comédias dramáticas.
Especulou-se muito a questão do "tema polémico" que o filme trata: duas mulheres, homossexuais, que têm filhos através de inseminação artificial e que têm vidas completamente estáveis. Mas Lisa Cholodenko tratou o "tema" com a leveza necessária, desdramatizando e desconstruindo expectativas desnecessárias e não cedendo nunca à tentação de levantar qualquer bandeira política. Mesmo assim, o filme venceu o Teddy Bear na Berlinale, o prémio do festival dedicado às cinematografias com temática gay. Em Portugal estreia comercialmente amanhã com um título ligeiramente diferente do anunciado anteriormente pela Castello Lopes: Os Miúdos Estão Bem.

16/11/10

Melhores músicas de 2010 (15) - «Limit To Your Love»



Sabe aquelas versões que ficam absurdamente melhores que as originais? Esta Limit To Your Love, originalmente composta e interpretada pela Feist, é um desses casos. James Blake é o londrino por trás do vozeirão. Tem 22 anos, edita disco de estreia no ano que vem e até já foi comparado à Joni Mitchell. Um dos nomes a não perder de vista em 2011.

02/10/10

Motelx e os filmes da década: Os Olhos da Cidade São Meus*


Começou desde quarta-feira o Motelx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Um dos melhores e mais bem organizados festivais de cinema acontecendo em Lisboa. Esta 4ª edição, está tão boa e tão brilhantemente programada que arrisco dizer que é a melhor edição de todas. 
Li em algum lugar que o facto de o Queer Lisboa ter acontecido ali dias antes possa ter prejudicado uma promoção mais elaborada por parte do Motelx, pois a impressão de que houve uma overdose de festivais em tão pouco tempo ainda ecoava na memória dos lisboetas. 
Pelo que eu vi até agora, acho que a organização tem andado bem satisfeita. As salas estão quase sempre cheias, o merchandising disponível é impecável e super informativo e a lista de convidados deste ano está - sem trocadilhos - assustadora. Esqueçam lá um pouquinho o George Romero, façam favor. Está cá um dos mestres vivos do novo terror britânico, está cá o Neil Marshall, minha gente. O homem que fez The Descent (A Descida ou O Abismo do Medo depende em que continente você está) e que não precisa fazer mais nada para morrer canonizado e respeitado.


Aliás The Descent passou na quinta-feira e como já disse alguém na página do festival no Facebook, é um filme que tem de ser visto na tela grande para funcionar em toda sua grandiosidade. O filme agradou a tanta gente justamente por se destacar de todos estes pastiches requentados que infestam os cinemas todas as semanas. E desenvolvia, sem pressas, todas as personagens - seu passado, seus traumas e fantasmas - para depois criar aquela tensão aterradora em crescendo, sempre com subtileza e mão ágil, para depois fazer cada uma delas liberar os seus instintos mais primitivos na luta pela sobrevivência. Neil Marshall virou realizador de culto instantaneamente, trazendo uma ressurreição (sim, mais uma) ao género terror. Para quem perdeu o filme dessa vez, aconselho esperar por reposição na cinemateca ou algo assim. Ou nada feito.
Neste mesmo ano de 2005, outro pequeno filme independente, crescia no boca-a-boca dos festivais mundo afora. Era o fabuloso Wolf Creek do australiano Greg McLean e começava aí na segunda metade da década uma série de novos filmes perturbadores que não lhe iam deixar dormir como tão bem fazia antigamente.

Na edição de 2008 do festival aterrissava, desta vez vindo da França, outro ovni empenhado em fazer plateias inteiras se contorcerem de pânico e terror na sala do São Jorge. Era o brutal Frontiére(s) que testava os limites humanos de um grupo de amigos perdidos algures na Holanda e do qual já comentei aqui. E o filme francês foi só um aperitivo para este ano de 2008, pois alguns meses mais tarde, inspirado num conto do Stephen King, chegava discretamente às salas lisboetas um dos filmes mais perturbadores destes últimos anos: The Mist. Daquele senhor que já nos tinha acostumado a tantos filmes maus e piegas, o norte-americano Frank Darabont. Neste filme, ele consegue atingir um nível de sobriedade surpreendente e faz, para mim, o melhor filme de toda sua carreira. No final fica difícil perceber o que assusta mais: se é o estranho nevoeiro que cai sobre a cidadezinha ou a fanática religiosa personificada por Marcia Gay Harden.
E para acabar esta pequena lista, queria mencionar aqui também o apavorante 30 Days of Night. Filme que se passa no Alasca onde das terras geladas da inóspita região surge uma força do mal que espalha terror entre os habitantes da cidade. Sam Raimi queria ter realizado o filme (e detinha os direitos de adaptação) mas acabou passando a bola ao britânico David Slade, mais conhecido pela sua elogiada estreia Hard Candy ou o último filme dos vampiros vegetarianos, o Eclipse. O filme foi baptizado em Portugal de 30 Dias de Escuridão e o link da felicidade você encontra aqui.

* o título do post é uma brincadeira com o título em Português que um clássico do género, Anguish de Bigas Luna, teve no Brasil.

29/09/10

«Lola» de Brillante Mendoza é cinema a céu aberto

Uma vez, há alguns anos, um rapaz moçambicano que trabalhava na Cinemateca de Lisboa me disse que Juventude em Marcha de Pedro Costa era um filme para ser visto com camisa de forças, num cinema lotado e apertado no meio de uma fileira completamente cheia de pessoas, sem chance de escapatória possível. Me lembrei das suas sábias palavras quando vi o último filme do filipino Brillante Mendoza. 




Lola é um destes filmes, negro, grandioso e do qual é mais muito mais fácil fugir do que enfrentar. O filme conta a história de duas avós, uma à procura de enterrar o neto assassinado a outra de redimir o neto que perpretou o crime. O destino das duas avós se cruza e afecta a vida de todos à volta. 
Mas isso é mera desculpa para Brillante filmar, num tom quase documental, a dureza de se viver em Manila - capital das Filipinas -  e fazer um filme político, subversivo, a céu aberto (literalmente: chove o tempo todo) e discutir o valor da vida (e dos mortos).
Assistir Lola na sala escura é como segurar a respiração debaixo d'água pelo maior tempo possível para depois emergir aliviado, deixando para trás aquele cenário cruel que insistentemente volta a ecoar na memória após a projecção. As imagens de Manila são uma experiência visual maior que a vida e, por isso mesmo, maior que cada uma daquelas tristes personagens que improvisam dentro do seu universo caótico.

27/09/10

Melhores músicas de 2010 (parte 14) - Warpaint «Elephants»



Descobri as norte-americanas Warpaint através daquela lista com as 50 melhores novas bandas que o semanário NME fez há algumas semanas. A banda, que a Wikipédia define como um grupo que faz art rock experimental, são uma das mais interessantes promessas desse ano. A banda é composta pela vocalista Emily Kokal , Theresa Wayman (voz e guitarras),  Jenny Lee Lindberg (baixo e voz), e Stella Mozgawa na bateria. 
O single Elephant - carro chefe do disco que sai a 25 de Outubro próximo - já começa arrepiando com a sua letra pontiaguda «I'll break your heart / to keep you far from where / all dangers start» e faz lembrar um bocado as outras talentosas do Electrelane. 
E a julgar pelas belíssimas músicas disponíveis no seu MySpace e pelas recentes companhias (elas têm excursionado com os ingleses The XX pelos Estados Unidos) as Warpaint têm tudo para trilharem um belo futuro pela frente. 

20/09/10

Lost in Translation (3) - The Kids Are All Right em Portugal



A Castello Lopes acaba de divulgar o trailer do fabuloso The Kids Are All Right que estreia em Portugal no próximo 04 novembro. O filme, que foi uma verdadeira sensação na última Berlinale, vencendo o Teddy Bear, ganhou um título em Português digno da série «lost in translation»: Os Miúdos Estão na Boa. Mas o filme de Lisa Cholodenko é tão bom que nem o título dado pela Castello Lopes consegue ofuscar as suas (muitas) qualidades. Prometo falar mais sobre o filme em breve.

14/09/10

Porque «Do Começo ao Fim» deve ser o pior filme do ano

Quando os créditos finais deste Do Começo ao Fim chegaram ao fim eu quase saí correndo da sala antes mesmo de as luzes se acenderem. O meu constrangimento, talvez por ser brasileiro, era tanto, que saí da sala no mais absoluto silêncio. Parecia aquela fatídica sessão de Turistas, há quatro anos, nos cinemas nefastos do Colombo.
Vi o filme em Berlim há alguns meses, numa sala lotada de um festival que já não me lembro do nome e antes do filme começar, entrou um homenzinho careca de microfone na mão para fazer uma pequena introdução ao filme. Ele explicou aos presentes, que o filme "tinha dado o que falar" no Brasil e que foi alvo de muitos boicotes por parte dos defensores da boa conduta moral por aqueles lados. Coisa impensável num país com tantos corpos à mostra, os alemães devem ter pensando. Mas depois da introdução inflamada do homenzinho, quem já estava curioso para ver o tal filme ficou em pulgas. Eu incluído.


Indo direto ao ponto: «Do Começo ao Fim» é um filme fetichista, ridículo e inofensivo. É um videoclipe homoerótico de hora e meia com objetivo único de fazer barulho. Tudo aqui soa falso e inverossímil. Desde a mise-en-scène artificial aos diálogos mecânicos e canastrões.
O filme é suposto ser uma história de incesto, sobre dois irmãos que se apaixonam, mas aqui o conflito foi jogado para um canto. Se existiu mesmo polêmica, esta se deu simplesmnete pelo facto de que desde o começo nós (espectadores) sabemos que eles são irmãos. Só nós, porque os protagonistas e todo o resto do elenco parecem ignorar este detalhe por completo. A simbologia fraternal aqui é um mero detalhe.  Não existe questionamento aos valores morais, às convenções sociais (familiares e religiosas), nada. Tudo se resume a um banal conto erótico de amor entre dois homens bonitos e saudáveis.
O diretor, Aluízio Abranches, disse numa entrevista que não queria fazer política nem se posicionar moralmente sobre o tema e que seu filme é "pós-tudo". Mas ao se desvencilhar da responsabiliadade (e da oportunidade) de fazer um filme "político" ou uma abordagem mais complexa, Abranches faz um filme que é "pós-nada". Pois o seu filme levita num vazio de ideias ocas e, como disse João Nunes - crítico do Correio Popular -  está mais para um "comercial de margarina" que para qualquer outra coisa.
O filme abre o 14º Queer Lisboa o festival de cinema gay e lésbico de Lisboa, que começa já na próxima sexta-feira no cinema São Jorge.

13/09/10

Duas ou três coisas sobre «The Suburbs» (e o vídeo interativo)

1- Que uma banda estrear sua discografia já quebrando tudo com um disco como Funeral cause um certo trabalho em administrar as expectativas alheias para com os álbuns futuros, é perfeitamente compreensível. Mas daí quando estas eternas expectativas são razão de comparação ad aeternum... tem uma hora que isso cansa, minha gente. Eu achei que já tinha ficado bem claro com Neon Bible há três anos: que os Arcade Fire não vão fazer outro Funeral. Simples assim. E a vida continua.


2 - Eu até pensei escrever algo sobre o disco mas para quê gastar meus dois solitários neurônios, se a Lídia já sintetizou tudo o que eu penso sobre o disco aqui? Se bem que o Zeca Camargo tem muita razão aqui também.

3 - Sobre o (já famoso) vídeo interativo de We Used To Wait (comentado aqui e aqui) devo dizer que com endereços brasileiros (e berlinenses, porque a lei alemã não permite) o vídeo não fica tão bacana por causa das fracas imagens de satélite mas, com qualquer endereço de Lisboa, o vídeo fica perfeito. 
O quê? Você não mora e nem nunca morou em Lisboa? Não sabe o que está perdendo.

07/09/10

O remake de «Let The Right One In» estreia em Outubro


Estou muito curioso para ver o remake norte-americano do chatíssimo filme sueco Deixa-Me Entrar (ou Deixa Ela Entrar no Brasil) que estreia em Portugal dia 14 de Outubro ao mesmo tempo que a estreia nos Estados Unidos. A direção é do talentoso Matt Reeve (que dirigiu Cloverfield há dois anos) e no papel da garotinha protagonista está a (outra talentosa) Chloe Moretez, que deu vida à irmã guru de Tom em 500 Days of Summer e estourou agora como uma das protagonistas em Kick-Ass. As poucas reações que saíram na imprensa lá fora dizem que o filme é verdadeiramente assustador. Esperemos que sim, porque o original parecia que estava mais empenhado em curar a insônia. A intelligentsia cinéfila que me perdoe.

05/09/10

Da série "pessoas que não sabem a hora de parar": Rita Lee


Até fora do Brasil já falam das mensagenzinhas de efeito que a Rita Lee anda postando no seu Twitter. Li na revista Blitz que suas mensagens andam causando "furor" no Brasil, divertindo uns e escandalizando outros. A revista fez um best of das suas mensagens:

"Tem gente que pensa que todo artista é rico. Numa época eu até fui, mas fumei, cheirei e bebi tudo. Hoje moro no mato e 'trampo' para pagar as contas." 

"Certa vez uma senhora elegante me disse que minhas músicas eram perfeitas para serem ouvidas num motel . Desconfiei que ela falava de si própria quando levava garotinhos para fazerem coisas que o Papa não aprovaria."

Eu fico me perguntando se as pessoas ficam mesmo chocadas com estas baboseiras que a Rita Lee cospe todos os dias no Twitter (e desde que se entende por gente, penso eu) ou se a nossa inércia é tanta que passamos a achar que isso é realmente relevante e digno de nota. Um longo bocejo para você, Rita.

04/09/10

«Moon» uma bela surpresa ignorada nos cinemas


Fui ver ontem Moon por pura falta de opção (de filmes legendados nas salas berlinenses) e fiquei incrivelmente surpreendido. Sam Rockwell é Sam Bell, um funcionário contratado pela Lunar Industries enviado à lua com um contrato de três anos a fim de extrair e estudar uma substância que produz energia para a Terra. Perto das últimas semanas do fim do contrato Sam sofre um acidente no qual as consequências irão mudar para sempre a sua vida.
Prosseguir com a história sem revelar dados importantes para o seu desenvolvimento (e a sua surpresa) é praticamente impossível (e por isso recomendo que NÃO vejam o trailer cheio de spoilers) então paro já por aqui. Moon é um tour de force de Sam Rockwell, que é o único protagonista e que carrega o filme todo nas costas. Kevin Spacey faz a voz do Robô Gerty fazendo nos lembrar a todo momento o aterrorizante HAL 9000, o robô cheio de más intenções do clássico 2001 - uma odisseia no espaço do mestre Kubrick. 
O filme é do estreante Ducan Jones, filho de David Bowie e vi que vai estar na retrospectiva "Um Ano de Cinema" que o cinema King vai promover de Setembro a Outubro. A não perder. 

Os Guns N' Roses e a (merecida) chuva de garrafas em Dublin



Axl Rose e a sua Guns N' Roses (quem?), muito provavelmente a banda mais asquerosa de todos os tempos,  foram escorraçados sob uma chuva de garrafas d'água num concerto em Dublin ontem a noite. Se isto não é a melhor notícia desde que o mesmo aconteceu com o Carlinhos Brown no Rock In Rio em 2001, é porque não há mesmo justiça no mundo.

Nota: Esta postagem foi publicada no blogue ontem e, por lapso, apaguei sem querer. Volto então a republicá-la

Melhores músicas de 2010 (parte 13) - Yeasayer "Madder Red"



Comecei esta lista «melhores músicas de 2010» na minha página no Facebook de acordo com as canções novas que eu ia descobrindo ao longo do ano e agora passo a publicar aqui também, quando possível, com os vídeos originais. Para quem quiser ver os vídeos anteriores, segue os links:

12 - Janelle Monáe - TightRope
11 - Arcade Fire - Ready to Start
10 - Sleigh Bells - Rill Rill
09 - Kelis - Acapella
08 - Arcade Fire - The Suburbs
07 - Céu - Grains de Beaute
06 - LCD Soundsystem - Dance Yrself Clean
05 - Caribou - Odessa
04 - Darwin Deez - Radar Detector 
03 - Delphic - Counterpoint
02 - Hot Chip - Take It In
01 - Charlotte Gainsbourg - La Collectionneuse

03/09/10

O bom mocismo de «Brothers» o último filme de Jim Sheridan



Jim Sheridan é um homem que faz filmes cheio de boas intenções. Mas como reza o chavão, de boas intenções o inferno está cheio. Meu Pé Esquerdo abusava da sacarina mas era um belo drama, Em Nome do Pai era maniqueísta mas tinha o poderoso e denso romance do Humerto Eco por trás e Na América um belíssimo conto moral sobre uma família que resolve começar sua vida do zero. Todos eles bons filmes, munidos das melhores intenções, mas que na hora de decolar, voaram baixo e ficaram aquém do que prometiam.
Quero com isto dizer que Sheridan faz filmes medíocres? Nada disso. Sheridan é homem talentoso mas que tem um medo absurdo do risco. Seus filmes jogam sempre pelo seguro, têm sempre uma causa social ou política por trás e talvez este seja o maior problema da sua filmografia: começam com uma boa premissa e acabam resvalando para o bom mocismo.
Em Brothers a coisa não é diferente. Tommy Cahill (Jake Gyllenhaal) e Sam Cahill (Tobey Maguire) são irmãos. Sam é um homem de família, orgulho do pai e casado com sua namorada do secundário, Grace (Natalie Portman), com quem tem duas filhas. Tommy é o filho rebelde, passou os últimos meses na prisão por assalto à mão armada e é liberado pouco tempo antes da partida de Sam para o Afeganistão. Semanas depois da sua partida Grace recebe a notícia de que Sam foi morto em combate. Tommy e Grace então se tornam próximos e daí nasce um relacionamento amoroso. Até que um belo dia, Tommy - que está vivíssimo da silva - volta para casa e o caos se instala.
Com uma premissa destas era impossível fazer um filme mediano. Mas Sheridan não soube explorar a tensão que o trailer sugeria, e desperdiça tempo na relação de Grace e Tommy, e depois num triâgulo amoroso insípido e sem interesse algum. Não existe tensão alguma, as disputas de poder e território entre os irmãos é jogada para um canto e o filme se arrasta por quase duas horas sem grandes novidades. Sheridan está mais interessado em contar uma outra história. A história que corre em paralelo quando Tommy estava no Afeganistão e foi dado como morto mas, quando decide contá-la, o filme já está pela metade. E aí é tarde demais para recuperar o tempo perdido e principalmente, o nosso precioso interesse.

01/09/10

Coisas que aprendi vendo filmes de época


Acabei de assistir ao insosso Young Victoria e fiquei aqui pensando como os filmes de época seguem um mesmo padrão narrativo. Parece que saíram todos do mesmo manual de regras. Desde adaptações da Jane Austen à biografias históricas. É tudo igual: os mesmos clichês, os mesmos diálogos e as mesmas variações de caráter distribuídas entre meia dúzia de personagens. Se um ET caísse na terra agora e só tivesse filmes de época para aprender uma coisa ou outra sobre a humanidade, eis o que ele iria descobrir:

1- Que pessoas que se interessam por política são moralmente dúbias ou são vilões.
2- Que todo mundo é superficial e que jantares sociais só servem a um único propósito: sentar a língua na vida alheia.
3- Que factos históricos são um mero detalhe.
4- Que republicanos são pessoas más e liberais são pessoas boas.
5- Que todo mundo tem de ensaiar exaustivamente os mesmos passos de dança antes de ir a qualquer evento social.
6- Que a libido é uma coisa que só foi inventada no século XX.
7- Que quando você estiver triste ou pensativo, a qualquer momento vai aparecer alguém com chá e bolachas para animar a sua vida.

31/08/10

Ainda sobre o último post


Ontém a jornalista e correspondente internacional da Globo Ana Maria Bahiana postou em seu Twitter o quanto tinha ficado impressionada com o vídeo interativo dos Arcade Fire (que eu comentei no post anterior) e eu escrevi-lhe imediatamente contando do meu entusiasmo também. Na mesma hora ela me respondeu perguntando se eu tinha enviado o postal (eu não tinha) e com duas informações preciosas: o postal enviado para nós mesmos vira parte do clipe (conferi depois, fica lindo) e pode ser usado pela banda futuramente nos shows como material visual de apoio. 
Outra coisa que eu descobri: eu escrevi que funcionava melhor no Chrome, mas a verdade é que só funciona no Chrome. Mas também, quem é que usa Explorer hoje em dia anyways?

30/08/10

Arcade Fire no subúrbio onde você cresceu

Todo mundo já viu este The Wilderness Downtown que o Google e os Arcade Fire divulgaram hoje na internet? Se você ainda não, pára tudo, e vai correndo ver. A ideia partiu do diretor Chris Milk e do Google Creative Lab, que queria criar um vídeo personalizado, sem estar preso aos formatos padrões de vídeo. E se trata de uma das experiências audiovisuais mais lindas que eu já vi. Com várias janelas se abrindo simultaneamente enquanto a belíssima We Used To Wait da banda canadense é tocada ao fundo. Fiquei tão impressionado vendo o homenzinho correndo ali no "subúrbio" onde cresci, que até me emocionei.


Dica: funciona melhor com o Google Chrome.

29/08/10

Lost in Translation (parte 2)

The Box o inefável novo filme do Richard "Donnie Darko" Kelly - que eu já comentei aqui -  estreou na última quinta-feira em Portugal. O título em português que a Lusomundo deu para o filme é lindo: Presente de Morte!

27/08/10

"Foi traída pelo namorado? compartilhe no GetNosy.com"


Enquanto eu tentava ver um vídeo no YouTube há pouco, na lateral corria uma daquelas irritantes propagandas do costume. Só que desta vez, esta atraiu minha atenção: Cheated on by your boyfriend? Don't let him get away with it! share it on GetNosy.com. Fui voando para o site, claro. 
O GetNosy se dedica à uma causa nobre: a prática de humilhação pública contra aquelas pessoas que você detesta. E avisam logo na página de entrada que você pode humilhar "aquelas pessoas" que não sabem se comportar, de uma forma totalmente gratuita e anônima. É ou não é uma maravilha? Olha só o texto de introdução:

Você não está cansado de pessoas más? Nós estamos. Elas mentem, enganam e induzem ao mau caminho. Elas são rudes, egoístas, sem consideração, etc. Na GetNosy.com nós defendemos um novo conceito, de que todas as pessoas devem ser boas. Boas pessoas sabem o que é uma boa conduta. Algumas não sabem ou simplesmente não se importam. O objetivo do GetNosy.com é simples: forçar o bom comportamento através da partilha de informação livre: envergonhando por mau comportamento ou celebrando por bom comportamento.

GetNosy em Português já! (ps. se cuida, Gledislaine.)

26/08/10

Breaknews: Spike Jonze era o homenzinho de 'Praise You' !

Voltando ao assunto do último post, só depois de postar meu comentário à lista da Pitchfork é que descobri que o homenzinho desajeitado que lidera o grupo de dança no clipe de Praise You é o Spike Jonze  himself! Além de dirigir e atuar, ele é o criador da coreografia que ficou tão famosa. Pura falta de atenção minha, porque pelos vistos, todo mundo já sabia, menos eu.
E não ficando por aqui, na noite de "descobertas" que foi ontém, fui pesquisar sobre a participação de Jonze no clipe do Fatboy Slim e acabei por desenterrar mais uma: a ginasta protagonista do Elektrobank dos Chemical Brothers (dirigido também por Jonze) é ninguém menos que... Sofia Coppola!


24/08/10

Os 50 melhores clipes dos '90 segundo o Pitchfork


Vi lá no Pedro que o Pitchfork fez uma lista com os 50 melhores vídeos dos anos 90. Ultimamente ando lendo muita coisa sobre uma tal "ressurreição" do videoclipe em tempos onde nem a própria MTV já os passa mais. E "ressurreição" esta, na maioria das vezes, atribuída à tal da Lady Gaga. Coisa que eu acho de um total absurdo mas que não é relevante para a discussão em causa. Eu acho que a popularização do You Tube, do MySpace e outros sites de partilha de vídeo, os "culpados" pela tal morte do video dizem alguns, foram (e são) impulsionadores do formato e chegaram para somar. Houve sim uma mudança de hábito de quem consumia videoclipe, como é óbvio, mas não acredito que existiu de fato uma "morte". A internet deu maior democratização e projeção ao videoclipe, mesmo que sem o impacto que ele teve nas décadas anteriores mas com muito mais liberdade criativa e experimentação. E os clipes novos dos Yeasayer "Madder Red" ou o belíssimo "Cold War" da Janelle Monae estão aí para me dar razão.


Mas voltando à lista, acho que tem muita coisa boa por lá. E ela já começa despertando logo meu interesse com Man Size da grande PJ Harvey na 50ª posição. O genial Everything is Everything da Lauryn Hill, onde Deus é o dj e até faz uns scratches não podia nunca ficar de fora. E por falar em Deus, tem Closer dos Nine Inch Nails, clipe que me deixou muito perturbado na época quando saiu. E a referência à Deus mencionada, que eu nem me atrevo a traduzir, está logo no começo do seu refrão herético. Claro que toda lista é completamente arbitrária mas achei que faltaram algumas coisas importantes, como Smack My Bitch Up dos Prodigy e algum do Marilyn Manson, quando ele chutou o pau da barraca com o fabuloso Mechanical Animals. Deste disco, há vídeos memoráveis como os policiais se beijando em "Dope Show" ou recriando a morte de John Kennedy na lindíssima "Coma White".

Nos lugares cimeiros tinha de constar, obviamente, Björk. E botaram logo dois. Acho que depois de Michael Jackson (nos anos 80) e Madonna (cadê "Express Yourself" do David Fincher na lista? cadê "Bedtime Story"?) Björk foi a verdadeira revolução do videoclipe nos anos 90 levando-o à uma outra dimensão. Mas nem um dos que figuram na lista é o meu preferido. Eu daria o primeiríssimo lugar ao alucinante e poderoso Army of Me , dirigido pelo então desconhecido, Michel Gondry.

23/08/10

Os fãs nada "cools" dos King of Leon

Sempre tive uma espécie de relação amor e ódio - e alguma indiferença pelo meio - com os King of Leon. Acho o primeiro disco muitíssimo bom, o segundo nem sequer ouvi direito e gosto moderadamente do último, que trouxe a consagração da banda junto às massas (lê-se: das "menininhas"), e fez o hit Sex on Fire se tornar numa das músicas mais insuportáveis da história. Isso tudo a propósito das declarações polêmicas - que eu só soube agora - do vocalista contra os "novos" fãs da banda, graças a Sex on Fire.
O vocalista Caleb Followill disse recentemente que acha a música uma merda e que os fãs do hit pegajoso da banda, não são "cools". Eu só tenho uma coisa a dizer sobre a polêmica: um ponto para você, Caleb!

A vida sem os Broken Social Scene


Eu confesso que nunca tinha ouvido uma música inteira dos Broken Social Scene na vida. Coisa estranha, já que eu me considero um dos maiores entusiastas do rock canadense. E não foi por falta de oportunidade. Sempre que lia alguma resenha e a banda era citada, sentia uma pontinha indisfarçável de vergonha. Mas sei lá, por razões que a razão desconhece, a banda nunca me interessou. Aí lendo a crítica da Pitchfork para o novo disco dos Land of Talk, o crítico diz que Swift Coin (o primeiro single do disco) é muitíssimo parecida com 7/4 Shoreline dos BSC e eu fui correndo para o You Tube conferir. Ficou a pergunta que não quer calar: como é possível passar uma vida sem escutar os Broken Social Scene?

22/08/10

Lost in Translation (parte 1)

Estas coisas de comparar traduções em português (tanto no Brasil como em Portugal) de títulos em inglês de filmes e de livros, dá pano para muita manga (além de ser muito divertido, claro). Em Lisboa sempre ouvia meus amigos tugas rirem de títulos brasileiros como A Noviça Rebelde (The Sound of the Music) ou O Poderoso Chefão (The Godfather) mas eles esqueciam que as traduções portuguesas também não ficavam muito atrás, e eu estava lá para lembrá-los de pérolas como Um Mal Nunca Vem Só (Lock, Stock and Two Smoking Barrels), a estréia do Guy Ritchie no cinema, ou o clássico infantil The Parent Trap, que em Portugal foi hilariantemente chamado de Pai para mim...Mãe para ti.
Hoje lendo uma entrevista com a escritora canadense Margaret Atwood no Ipsilón, descubro que o seu clássico futurista The Handmaid's Tale foi lá batizado de Crónica de Uma Serva (!). Um título tão auto-explicativo que me fez lembrar de uma recente descoberta minha: Robin Hood, me disse uma amiga recém chegada de Lisboa, em Portugal se chama nada menos que... Robin dos Bosques !

O gato do Simon



Você conhece o gato do Simon? Não? então corre para o You Tube e faz logo o dever de casa. Simon Tofield é um animador, que tem quatro gatos em casa, e que um dia resolveu dar vida aos seus bichanos. O resultado são pequenos episódios em flash, sob o título Simon's Cat com situações cotidianas em torno do gatinho. O seu canal no You Tube foi um tremendo sucesso na internet (mais de 45 milhões de acessos!) e a popularidade foi tanta que agora acaba de sair também em livro. Inclusive em Portugal pela editora Objectiva por módicos 14€. Se você tem ou já teve gatos, é paixão à primeira vista.


20/08/10

'Land of Talk' novo vaza e vocalista reclama no Facebook

Há duas semanas do super aguardado segundo álbum "Cloak and Cipher" dos canadenses Land of Talk chegar às lojas, como era inevitável, vaza na internet. Nessa mesma noite, num surpreendente e honesto desabafo, a vocalista Elizabeth Powell publica na página da banda no Facebook uma "resposta" àqueles que fizeram o download do disco. Na mensagem, Powell diz que mora em apartamento alugado, que não tem carro, que tem os dois cartões de crédito estourados e que precisa começar a fazer algum dinheiro com a banda. No dia seguinte, deve ter se arrependido e publicou outra notinha, pedindo desculpas e se justificando. A mensagem original você lê clicando aqui.

19/08/10

O novo single dos Ting Tings

Os The Ting Tings acabam de divulgar, na sua página no Facebook, o novo single que antecipa o segundo álbum "kunst" ("arte" em alemão). Hands poderia fácil ser uma música da Madonna fase 80's, não fosse a inconfundível voz da carismática Katie white. Mesmo assim, o novo single não passa de mais uma musiquinha inofensiva de verão.

13/08/10

Duas ou três coisas sobre 'Inception'

1 - Eu tenho uma confissão estranha a fazer. Eu sinto uma certa inveja das pessoas que adoraram Inception e, pior, que conseguiram acompanhá-lo - sem perder o fio da meada - em toda a sua grandiosa narrativa nada linear. Eu gosto de praticamente tudo o que Christopher Nolan já fez (com a excepção, nada consensual eu sei, de Memento que eu vi com exageradas expectativas e detestei.) e estava preparado para mais outra 'experiência' quando entrei na sessão do filme sábado passado. Mas, para minha surpresa, saí de lá com uma pontinha de decepção indisfarçável. Uma sensação de que ficaram algumas (ou muitas) pontas soltas no ar ou, confesso, de que eu não entendi diversas situações que o filme não se preocupou em esclarecer e, especialmente, o seu final. O meu amigo que me acompanhava, adorou, mas depois que comentávamos algumas cenas, percebi que ele também não tinha entendido nada! Será motivo para eu me preocupar?


2 - Divertido também foi ler as reações - das mais diversas - que Inception andou provocando. Na crítica brasileira, percebi que eu não estava sozinho: Zeca Camargo escreve uma resenha entusiasmada no seu blogue e ironiza dizendo que 'acha' que entendeu o filme. Fiquei aliviado. O colunista do Estadão Alexandre Matias, no seu blogue Trabalho Sujo, passou as últimas duas semanas monotemático: 49 postagens só sobre Inception. Ana Maria Bahiana, sempre elegante e bem articulada, escreveu as mais belas palavras sobre o filme que eu já li. Bahiana admite que é fácil se perder na narrativa (ufa!) mas acha que um blockbuster em pleno verão que não se dá ao luxo de mastigar tudo ao espectador é uma coisa a ser louvada. Bingo was his name. Por outro lado, André Barcinski , sempre polêmico, detonou o filme na Folha de São Paulo. E após a enxurrada de e-mails insultuosos dos fãs do filme, resolveu re-acender aquela velha discussão crítica vs fãs no seu blogue. Para terminar, o Carlos Merten do sisudo Estadão, perde a compostura no seu blogue e chama o Barcinski de "uma besta qualquer" por ele ter falado mal do filme. Isso tudo sem sequer ter lido a crítica publicada. Preciso, definitivamente, rever Inception.

12/08/10

Inception e o Tio Patinhas

Vi no Alexandre Matias que o Inception do Christopher Nolan é muitíssimo semelhante à uma história do Tio Patinhas de 2002. A história - disponível na íntegra no site da Disney - chega a assustar de tão parecida! Será que vai dar barraco? Esperemos que sim.

24/07/10

Arcade Fire em estado de graça


The Suburbs é tão bom e recheado de canções lindas e perfeitas que fica difícil escolher uma só. Escolhi esta Sprawl II (Mountains Beyond Mountains) porque parece que caiu ali no meio, sem avisar, como uma alienígena organizando o caos. Régine Chassagne em estado de graça.

23/07/10

'The Suburbs' vazou

O terceiro disco da banda canadense, que é melhor que o 'Ok Computer' segundo a resenha da BBC, vazou ontém de madrugada na internet e hoje dominou as atualizações de blogues, twitters e até numa notinha na Folha de São Paulo. O link da felicidade você encontra aqui.

26/05/10

serviço de utilidade pública #2: Thou por $0,01 na Amazon!

Um dos meus discos preferidos de sempre "Put Us in Tune" da banda belga Thou, é um disco inclassificável. Com sobras de remisturas dos Portishead, e alguns ecos de pós-punk, os Thou debutaram em 2001 com esta belíssima coleção de canções e, mesmo assim, passaram despercebidos à muita gente. Com o aparecimento dos The XX (que, acredito, deve muito à este álbum) desenterrei o disco das trevas e notei que cada vez mais, envelhece com classe.
Assim como os "Land of Talk" do post anterior, encontrei-o na Amazon norte-americana por menos que 1 cêntimo (!) e não podia deixar de postar. Um dia, num futuro não muito distante, você vai agradecer aos céus por ter lido este post, vai por mim.