07/10/11

Madonna, Scarlett e os efeitos especiais

Descobrir que as celebridades na verdade têm o mesmo relógio biológico que nós, habitantes do chamado "mundo normal", é fantástico. E mais: descobrir que podemos parecer tal e qual nos efeitos e truques como se tivessemos vindo diretos da Industrial Light & Magic, é melhor ainda. 
Sexta-feira vazaram na web umas fotos que supostamente seriam de Madonna na sua mais íntima privacidade. As imagens, na verdade, faziam parte das fotos descartadas do ensaio publicado pela revista W  em fevereiro de 2009, na época em que a cantora namoriscava o modelo brasileiro Jesus Luz.



Nas imagens, feitas por Steven Klein, Madonna aparecia em poses sensuais no quarto de um hotel no Rio de Janeiro dividindo a cena com Jesus Luz. As fotos insinuavam uma espécie de releitura de Justify My Love, só que duas décadas mais tarde. Madonna, mais uma vez, brincava com a imagem de dominatrix. Mas desta vez a material girl era jogada para um canto dando lugar à mulher loba e ninfomaníaca.


No entanto, as fotos que não entraram para a edição final do ensaio não mostravam nada disso. Nelas, víamos Madonna, no alto dos seus cinquenta e tantos anos, em poses nada ensaiadas e como nunca a vimos antes. Um prato cheio para a festa da imprensa marrom: de uma hora para outra, a musa pop deixava de ser sex symbol para ser apedrejada na praça pública. O seu maior pecado? Ter ficado... velha.


Se as fotos são verídicas ou não, ninguém sabe e são irrelevantes para este post. Mas, mais que as próprias formas anatômicas da cantora, estas fotos dizem muito mais sobre o estado atual das coisas: a espetacularização da fama (e, por consequência, da vida alheia) onde ser "velho" é ter ultrapassado o prazo de validade da linha do tempo. O ostracismo à que condenamos os que - como Madonna - não morreram jovens e, por isso, são julgados à luz do moralismo da praça pública, é extremamente vergonhoso.


Com efeito, estas fotos de Madonna contrapoem-se às de Scarlett Johanson (linda e em poses de Lolita em frente ao espelho) que também caíram na internet algumas semanas atrás. E mais: elas reagem contra a demagogia que obriga a celebrar os famosos “jovens e saudáveis”, ao ponto de transforma-los em marionetes alheias a qualquer espécie de conteúdo.


Madonna está batendo a casa dos sessenta e, como se tem visto nos últimos anos, recusa-se tratar a própria "velhice" como se a sua mera existência implicasse numa condescendência social: dança por horas em cima do palco como se fosse há 20 anos, coleciona namorados jovens, bonitos e cobiçados por todos e usa e abusa das correções estéticas no seu rosto como se não houvesse amanhã. Enquanto Scarlett contempla em frente ao espelho, como Narciso, a sua beleza monumental e incontestável, Madonna, sem truques de edição e sem o (habitual) controle da sua própria imagem, dá-nos uma lição que vale por mais que mil aulas de antropologia. Quicker than a ray of light.

Créditos das fotos da Madonna: blogue 'Eat Blog And Die '

15/09/11

Enquanto isso...



...o disco de estreia do Washed Out «Within and Without» vai ficando cada vez melhor. É uma música mais linda que a outra.

05/09/11

'Strange Mercy' de St. Vincent na íntegra em streaming


A boa notícia do dia vem do portal NPR que, mais uma vez, saiu com exclusividade na frente dos outros e disponibilizou para audição na íntegra o novo - e super aguardado - disco de St. Vincent «Strange Mercy» de onde já retiramos uma das músicas do ano: Cruel.  Annie Clark é a norte-americana por trás da banda e nos últimos anos vem ganhando a aclamação da crítica a cada disco que lança. O link da felicidade você encontra aqui.

01/09/11

Los Campesinos! anunciam novo disco


Chega dia 15 de novembro pelo selo Arts And Crafts e vai se chamar «Hello Sadness» o novo disco do Los Campesinos!. Os fãs xiitas - eu incluído -  aguardam ansiosamente um bom regresso às origens.

31/08/11

Björk divulga capa de 'Biophilia'


E esta será a capa do muito aguardado próximo álbum da cantora islandesa Biophilia, a ser lançado no próximo dia 27 de setembro. Mais do mesmo mas, mesmo assim, bonitinha né?

30/08/11

Drew McWeeny, Sundance e «The Woman»

"Lucky McKee is, without question, a radical feminist horror filmmaker.  All you need to do is go back to his first feature "May" and then work your way forward.  His sensitivity towards his actresses, and the perspective each of his films takes, is practically political.  He returns to themes of power inequality and gender struggle, and he externalizes his subtext.  He has been consistent in his interests, and as a result, he hasn't been making $50 million studio films.  He doesn't seem terribly interested in remaking something or doing the easy jump-scare thing, and that can lead to some very difficult years for any horror filmmaker."

Drew McWeeny famoso ex-colaborador do Ain't It Cool News sobre a - já popular - tumultuada apresentação de «The Woman» no último festival de Sundance. Drew era um dos presentes na sessão e fala sobre o filme e a sua visão do infame episódio (vídeo). O texto na íntegra pode ser lido aqui.

29/08/11

O Book Crossing dos alemães


Alguém aí se lembra do Book Crossing? O conceito surgiu por volta de 2003/2004 e consistia em deixar livros "abandonados" em locais públicos para serem "adotados". Aqui na Alemanha, os alemães resolveram organizar melhor a coisa (e organização é o que eles têm de melhor) e colocaram umas prateleiras no meio da cidade com os livros arrumadinhos lá dentro. Quem quiser, é só chegar, escolher e levar para casa. Depois de ler, só tem de retornar o livro à prateleira. Isso tudo sem inscrições, assinaturas ou fichas para preencher. E o melhor de tudo: todo mundo se comporta como gente grande. Vi aqui no Deutsche Welle.

27/08/11

Red State - o novo Kevin Smith que promete


Estou com as mãos coçando para ver o último Kevin Smith «Red State» sobre um grupo de fundamentalistas religiosos que sequestram três rapazes que estavam à procura de sexo anônimo. O filme passou no último Fantasy Film Festival (do qual eu já falei aqui) e eu perdi, mas os poucos amigos que viram dizem que é arrepiante. Kevin Smith ficou conhecido no começo dos anos 90 pelo seu filme filme cult «Clerks» ('O Balconista' no Brasil) depois sentiu o gosto amargo da decepção da crítica e público com o filme seguinte «Mallrats» (para mim, o melhor filme de Smith) mas depois voltou à ribalta do cinema independente com os insossos «Chasing Amy» e «Dogma» onde Alanis Morissette interpretava Deus. 
Depois disso Smith afundou num ostracismo sem fim fazendo filmes sem qualquer interesse, flops de bilheteria um atrás do outro, passando por aquele filme infame com Ben Affleck que era uma suposta tentativa de fazê-lo fazer as pazes com o público. Tudo em vão.
Agora com o novo «Red State» causando comoção pelos festivais por onde passa (um grupo de religiosos da Igreja Baptista tentou impedir a exibição do filme em Sundance) e se aventurando num gênero em que não lhe era nada familiar (o terror) Smith vê a sua chance de brilhar novamente. E se depender do trailer - que faz arrepiar os pelos já nos primeiros segundos - «Red State» tem tudo para fazer uma respeitável carreira no cinema. Aguardamos ansiosamente.

26/08/11

03/08/11

A grandiosidade pequena dos Balthazar

Entrei em contato com os meninos (e menina) belgas do Balthazar há alguns meses quando eles abriram pros The Joy Formidable aqui em Berlim. Eles não só fizeram um showzaço de abertura como ofuscaram completamente a atração principal. No final, fecharam com esta «Blood Like Wine» que, ao vivo, foi aquela coisa maior que a vida. Feito conseguido, atualmente, só por aquela super banda canadense que você já conhece muito bem. Vida longa aos Balthazar!

02/08/11

Amy Winehouse e os falsos profetas

"(...) Aliás, foi “a falta de amor a Deus” que matou Amy, muito se escreveu comentando o falecimento da cantora. A morte de Amy, ocasionada pela doença e pelo acaso, foi uma previsão de muitos moralistas. “Ah, eu já sabia”. Atenção, falsos profetas, eu também posso dizer: eu sei que todos aqui vão morrer. Eu já sabia disso desde que nasci, até eu mesmo sei que um dia irei morrer. Dentro desse “eu já sabia” esconde-se o ovo da serpente, um moralismo da pior qualidade, pois ele camufla aquele que condena o modo de vida dos outros."

Vítor Angelo, jornalista e escritor, certeiro e afiado no seu Blogay lá na Folha de São Paulo sobre a morte da Amy e os moralistas de plantão. A íntegra do post pode ser lida aqui.

Lost in Translation (parte 4) - Bad Teacher


É incrível a imaginação que as distribuidoras do Brasil têm na hora de "traduzir" os títulos dos filmes para o mercado brasileiro. A última pérola (ou vítima, depende do ponto de vista) é a comédia norte-americana com a Cameron Diaz «Bad Teacher», que no Brasil foi rebatizado de... «Uma Professora Sem Classe». Simplesmente genial.

01/08/11

Laerte, sempre genial

Tem mais aqui.

Mesa para dois no Dorsia


É uma das cenas mais icônicas (dentre muitas) de «American Psycho», a sátira social que  Mary Harron dirigiu em 2000. Patrick Bateman (Christian Bale) liga, em cima da hora, para tentar reservar uma mesa no badalado restaurante Dórsia. Só que este não é um restaurante qualquer e Bateman recebe na cara, o gostinho do próprio veneno: a gargalhada histérica e desdenhosa de quem está do outro lado.
Eis que, procurando o vídeo no YouTube me deparei com isto: um suposto Dorsia que abre suas portas em setembro, em Londres. Para ter muito, muito medo.

31/07/11

Bernardo Carvalho e o prazer alheio

"O prazer é uma das coisas que mais incomoda os outros. As pessoas não gostam de ver os outros sentindo prazer. É isso o que acontece com as bicicletas. É um modo de vida diferente daquele do sujeito que tem de trabalhar de carro e está preso no trânsito. Pode parecer um clichê, mas é verdadeiro também. A liberdade dos outros incomoda quando você está preso." 
Um dos meus escritores brasileiros preferidos, Bernardo Carvalho, na Trip desse mês falando da experiência de se mudar para Berlim no começo do mês. Na hora eu me lembrei do último filme do Mike Leigh, «Another Year», do qual eu já falei esta semana aqui.

30/07/11

Metronomy por Erol Alkan


O quarteto de Brighton, Metronomy, é o autor de um discos mais deliciosos e viciantes de 2011 «English Riviera» que eu prometo falar mais aqui em breve. Por enquanto, vou só deixar esse novo remix que aportou lá no Hype Machine esta semana: uma remistura de Erol Alkan para «The Bay». Confere só a pedrada, que é coisa fina.

Metronomy - The Bay (Erol Alkan's Extended Rework) by SeekSickSound

Is This It - 10 anos


Se não fosse pelos Strokes e este «Is This It» talvez nenhuma destas bandas existiriam hoje: White Stripes, Yeah Yeah Yeahs, The Kills e mais recentemente, Artic Monkeys. Você pode até tentar argumentar que os White Stripes já existiam antes dos Strokes terem lançado o primeiro disco deles mas sem o caminho que «Is This It» abriu - com todo aquele revival "garage rock" no início da década de 2000 - os White Stripes não tinham sequer chegado ao segundo álbum.


a capa da edição americana (acima) e a que foi censurada (topo) e virou ícone no resto do mundo

«Is This It» é o «Nevermind» dos anos 2000: foi um divisor de águas, ressucitou o rock que estava quase morto e enterrado no final dos '90 e deu origem à milhares de bandas, que tentavam desesperadamente pegar carona no sucesso dos meninos de Nova Iorque.
A estreia do quinteto fantástico, liderado por Julian Casablancas, foi explosiva. Stooges, Velvet Underground, e rock garageiro dos anos 70: as influências estavam todas lá e, mesmo assim, o disco soava absurdamente novo e excitante. O disco era tão bom que parecia uma coletânea de singles. 
Na época do lançamento o respeitado Pitchfork deu nota 9,1 (uma das mais altas da história do portal) e em 2009, o semanário londrino NME elegeu «Is This It» o melhor disco da década de 2000. Classicaço absoluto.

29/07/11

Facebook bane capa icônica de Nevermind


Como já falei aqui antes, o disco seminal do Nirvana «Nevermind» está completando 20 anitos de existência. E para comemorar a ocasião, o site oficial do Nirvana vai reeditar uma versão deluxe do disco com 4 CD's + 1 DVD no próximo 26 de Setembro.
A capa da edição deluxe, com a foto clássica do bebê pelado na piscina, foi publicada no Facebook pela página oficial do Nirvana e imediatamente retirada pela rede social. O Facebook alegou que a foto "violava os temos e condições" daquele site: Facebook does not allow photos that attack an individual or group, or that contain nudity, drug use, violence or other violations of the Terms of Use. 
Em outras palavras: material de ouro para benefício próprio que o concorrente Google+ não pode perder.

Another Year, o último filme de Mike Leigh


Só recentemente vi o último Mike Leigh «Another Year» em DVD, porque em Berlim - uma pena - já tinha saído de cartaz há algum tempo. Leigh é um dos maiores e mais talentosos cineastas vivos e autor do que é para mim, a resposta habitual para aquela pergunta infame sobre o filme da minha vida: que é o irretocável «Segredos e Mentiras».
Mas fazia um bom tempo que eu não gostava tanto assim de um filme dele como gostei de «Another Year». O filme conta a história de um casal de idosos (interpretado pelos soberbos Ruth Sheen e Jim Broadment) que a cada ano que passa, vão levando a vida a dois de forma tranquila e saudável. Felizes e sem crises, os dois se tornam espectadores ativos da decomposição emocional de todos os amigos que os cercam e Leigh propõe o mesmo questionamento do seu filme anterior «Happy-Go-Lucky»: como lidar com a estabilidade e a felicidade alheia?

28/07/11

E aí Björk, será que é desta?


Tenho uma relação de amor e ódio com Björk. Acho que ela fez três dos mais importantes álbuns dos anos 90 (a saber: «Post» «Homogenic» e «Vespertine»), reinventou o videoclipe nessa mesma década e baralhou gêneros, criou um som único, próprio e merece todos os créditos por isso.
O problema é que nos últimos anos Björk se transformou numa chata de galocha: discos "conceituais" que não levaram à lugar nenhum, virou notícia mais pelos seus escândalos constantes com a imprensa do que pela música e de uma hora para outra perdeu o rumo da sua brilhante carreira. Sua música já não era mais relevante.
Felizmente, os novos caminhos que apontam para «Biophilia», o próximo e muito aguardado novo disco da cantora islandesa, parecem apontar para um lado mais feliz. A provar isso, são as duas ou três músicas divulgadas na mídia nos últimos meses. Daqui, a gente só torce que tudo corra bem. Sem afetação, sem virtuosismo e no auge daquilo que Björk tem de melhor: o talento absurdo.



Update: fui avisado por uma amiga que «Vespertine», na verdade, é de 2001. O que não deixa de tirar a sua relevância aqui para o post pois é um dos melhores álbuns de Björk e marca a transição dos seus ábuns anteriores e o início da década dos zeros.

Nevermind - 20 anos

Nevermind o discaço dos seminais Nirvana que dividiu águas, mudou o curso do rock e a vida de muita gente, fez 20 anos este mês. E para comemorar a ocasião, a revista Spin editou um disquinho só com covers de outras bandas (disponíveil para download di grátis) com cada uma das faixas! Você só tem de dar um "like" na página da revista no Facebook e partir pro abraço.


27/07/11

Oh Land

Oh Land é banda de uma mulher só: Nanna Øland Fabricius. A líndíssima dinamarquesa sediada no Brooklyn que acaba de lançar seu segundo disco, homônimo, pela Epic Records. Ainda nem cheguei ao final do disco mas já posso garantir: «Wolf & I» é de destruir o coração de tão linda que é.

OH LAND - Wolf & I Viral video from EQ Video on Vimeo.

Amy, as piadas e a imprensa cor de rosa

Sei lá, ainda acho de muito mau gosto as piadas sobre a morte da Amy que ando lendo poraí. Posso parecer careta com esse discurso, mas tenho a impressão que é mais fácil para alguns lidar com o assunto em tom de escárnio do que tentar entender porque perdemos uma menina de 27 anos para as drogas. Triste isso.



26/07/11

Ricky Gervais strikes back

Se Seinfeld não estivesse acima de Deus, e já não tivesse garantido ad eternum o topo da lista de melhor série de humor da história, esse lugar seria obviamente ocupado por Extras, do übergênio Ricky Gervais. Eis que esta semana circulou pela internet o vídeo de divulgação de Life's Too Short.
A série conta a vida do ator anão Willow (uma personagem ficcionada do próprio ator Warwick Davis) nos mesmos moldes de The Office, criando uma atmosfera de (falso) documentário. E acreditamos, como tudo o que Gervais poe a mão, que deve ser genial. 

Eleanor Friedberger a solo

A belíssima Eleanor Friedberger, vocalista dos sublimes The Fiery Furnaces, acaba de se aventurar em carreira solo com o super aguardado «Last Summer». O disco - que estava disponível na íntegra há algumas semanas no site NPR - não funcionou muito comigo na primeira audição. Mas depois, insistindo mais um pouco, redescobri essa «Inn on the seventh ray» que recupera o lado mais lírico dos Furnaces numa canção que beira a perfeição, em cada um dos seus acordes.

24/07/11

Adeus, Amy


Fui à procura do que eu tinha escrito aqui no blogue sobre aquele show desastroso no Rock in Rio em Lisboa e me deparei, sem palavras, com a minha própria frase que fechava o post comparando Amy à Kurt Cobain: «Só esperamos, de dedos cruzados, que a bela Amy não tenha o mesmo fim». 
A irônia de uma tragédia anunciada, onde todos assistimos passivos e cínicos, como num Big Brother inimterrupto, ao fim de uma das mais promissoras carreiras surgidas nos últimos tempos. Mundo estranho esse, onde os bons morrem tão jovens. 

17/07/11

Melhores de 2010 - Os Discos

01 - Arcade Fire - The Suburbs


 
02 - The Joy Formidable - A Balloon Called Moaning


03 - Yeasayer - Odd Blood


04 - Warpaint - The Fool

05 - Darwin Deez - Darwin Deez


16/07/11

Melhores de 2010 - As músicas


01 - Arcade Fire - Sprawl II
02 - Land of Talk - The Hate I Won't Commit 
03 - The Hundred in the Hands - Tom Tom
04 - Yeasayer - O.N.E
05 - Sleigh Bells - Rill Rill
06 - Caribou - Odessa
07 - LCD Soundsystem - Dance Yrself Clean
08 - Céu - Grains de Beaute
09 - Charlotte Gainsbourg - La Collectionneuse
10 - Warpaint - Undertow

02/01/11

Sem palavras para a grandiosidade de "Black Swan"


Estou sem palavras para descrever o que senti vendo Black Swan. Tem Natalie Portman, linda, perfeita, vulnerável, em ebulição a ponto de explodir. Tem Barbara Hershey, renascida das cinzas e brilhando como a mãe controladora.Tem aquela música, densa, que permeia todo o filme e que baralha as expectativas do espectador desavisado. E tem Darren Aronofsky, mestre da técnica e mestre das emoções a flôr da pele. E que faz o filme da sua vida, explorando ao máximo toda a sua genialidade e que nos faz acreditar no cinema novamente.

05/12/10

The Hundred in The Hands, seus lindos

A minha intenção inicial era escrever aqui sobre os concertos que vi nos dois dias do Super Bock em Stock que aconteceu nesse fim de semana em Lisboa mas estou tão entusiasmado com o duo maravilha The Hundred in The Hands que não tenho olhos, digo ouvidos, para mais ninguém. A banda é composta por Eleanore Everdell e Jason Friedman, e eles vêm de onde têm saído as mais interessantes bandas dos últimos anos: do Brooklyn.
Lançaram um EP no comecinho do ano (o fabuloso "This Desert") e mais para o final do verão o debut que leva o nome da banda no título. Os Hundred já foram comparados a novas bandas como Crystal Castles e os Sleigh Bells mas a disparidade de géneros que se ouve nos dois registos editados pelo duo foge a qualquer catalogalização reducionista. É dificil fugir dos rótulos, eu sei, e os The Hundred in The Hands não são uma banda indie por excelência mas vai lá beber muitas influências. Poderia descrever o seu som como um electro-indie intenso que mistura influências que vão da música de dança minimalista ao power pop mais exaltado passando de leve pelo pós-punk.
Ao vivo, transpiram sensualidade e fazem-nos lembrar, por vezes, uns The Kills mais hedonistas ou, exageremos, uns White Stripes menos pretensiosos. Mérito da lindíssima Eleanore Everdell, que faz as vezes de mestre de cerimónias entre banda e público e interpreta cada canção de forma desesperada como se fosse a última vez.
Tive de deixar o concerto explosivo do Kele a meio e fui correndo para a garagem do Marquês de Pombal para chegar a tempo de vê-los a entrarem em palco, pois os concertos - ao contrário do segundo dia - começavam religiosamente no horário. A banda tocou cronometrados 45 minutos que mais pareceram cinco e eu de simpatizante curioso passei a fã incondicional.

27/11/10

Ode to Berlin

Minha irmã diz que eu ando obcecado com Berlim. Deve ser a depressão pós Berlim que o Brecht tanto falava. Mas quando vejo os - quase diários - posts do Nuno Galopim no Sound + Vision sobre a cidade maravilhosa (esta sim) fico até mais descansado.

24/11/10

Os 20 filmes mais subestimados dos últimos 20 anos

Já faz um tempinho que o IMDB fez essa listinha com os vinte filmes mais subestimados dos últimos 20 anos mas só agora me lembrei de comentá-la por aqui. O mais interessante da compilação é que a lista,  apesar de absolutamente idiossincrática, claro, é bem heterogênea e foge das obviedades que nós julgaríamos "subestimadas". Por exemplo, se fosse eu a fazê-la, nunca incluiria o fabuloso Leaving Las Vegas na compania daqueles filmes. Não só porque sou um fã confesso do longa mas porque o filme de Mike Figgis (talvez o único bom filme da sua filmografia) fez uma respeitável carreira nas bilheteiras, ganhou uma série de prêmios importantes - entre eles globo de ouro e oscar para Nicolas Cage, nomeação de melhor actriz à Elisabeth Shue e melhor realizador ao Mike Figgis - e virou instantaneamente objecto de culto dos anos  90. Uma outra curiosidade associada ao filme é que John O'Brien, o autor da autobiografia que deu origem ao filme, suicidou-se duas semanas após o filme ter entrado em produção. E o realizador Mike Figgis, que quase chegou a abandonar o projecto, resolveu levá-lo adiante e transforma-lo numa belíssima homenagem a O'Brien. Por isso, não entendi muito bem a sua inclusão na lista e nem o  IMDB se deu ao trabalho de explicar. A lista completa pode ser vista aqui.

20/11/10

As cassetes de Erika Iris Simmons

Quando vi o trabalho da artista plástica Erika Iris Simmons lembrei logo daqueles puristas que volta e meia proclamam a morte das artes plásticas alegando que tudo já foi feito. Ora bem, é facto que a artista se apropriou do passado - literalmente: seus trabalhos são basicamente fita cassete em tela e com alusões a ícones da música pop norte-americana - para criar algo totalmente novo (assim como um senhor chamado Andy Warhol fez nos anos 1960). E o fez de forma simples, com uma plástica apelativa (e que pisca um olho à pop art) e o mais importante: é absurdamente original. Os outros trabalhos da artista podem ser vistos na sua página pessoal.

18/11/10

Porque «Scott Pilgrim vs. the World» é (e não é) divertido


Sejamos honestos com nós próprios: Scott Pilgrim vs. the World é muito barulho por nada.
Se você, assim como eu, não é um daqueles fãs "xiitas" da banda desenhada que dá nome à personagem e, portanto, caiu completamente de pára-quedas numa sessão do filme, provavelmente você deve estar pensando o mesmo que eu: que Scott Pilgrim não é lá estas coisas. Para despacharmos já isto sem mal entendidos, acho que o único problema de Scott Pilgrim vs. the World é o hype em doses cavalares injectados ao longo dos últimos meses. Só quem estava em Marte não ouviu falar da adaptação ao cinema da cultuada banda desenhada.
Dito isto, o que é que fica? Um filme despretensioso, com alguns momentos acertados, outros nem tanto e que tem uma banda sonora que quase vale pelo filme todo. Banda sonora, aliás, que garante os melhores momentos (e as melhores piadas) do filme. Se você ainda não o viu (passou no Estoril Film Festival mas estreia em Portugal dia 09 de Dezembro) aconselho que então vá vê-lo sem expectativas elevadas. Porque senão a decepção vai ser catastrófica. Abaixo eu listo (eba! lista!) as razões porque Scott Pilgrim vs. the World deve ser visto (em doses moderadas).

1 - O genérico inicial, com a banda [fictícia] Sex Bob-omb quebrando tudo.
2 - Os Sex Bob-omb, a banda do Scott Pilgrim, que são cool até a medula e que deviam sair da ficção e vir para a vida real.
3 - Michael Cera, que é cool até a medula mesmo interpretando a si próprio pela bilionésima vez.
4 - A baterista ruiva e de poucas palavras interpretada por Alison Pill.
5 - Os Crash and the Boys que também são fictícios e que são o máximo.
6 - Os The Clash at Demonhead, banda também fictícia, que faz uma versão matadora de "Black Sheep" dos canadianos Metric.
7 - A referência à Seinfeld.
8 - "We are Sex Bob-Omb and we are here to make you think about death and get sad and stuff."

17/11/10

«The Kids Are All Right» estreia em Portugal


Quase duas horas de fila depois, finalmente consigo bilhetes para o último dia da Berlinale deste ano. The Kids Are All Right - o segundo filme de Lisa Cholodenko - foi o filme escolhido e, felizmente, acertei em cheio. O filme teve cinco sessões no festival e no dia em que vi, foi um verdadeiro hit, aplaudido de pé entusiasticamente no final. A versão apresentada na Berlinale, finalizada as pressas para entrar na competição, é ligeiramente diferente da versão actual do filme, mas nada que tenha afectado significativamente o produto final.
O filme anterior de Lisa Cholodenko "Laurel Canyon" (que em Portugal recebeu o título de "Atracção Acidental") já mostrava o seu olhar atento e cuidadoso às imperfeições humanas e as suas relações. Em The Kids Are All Right ela volta a cutucar umas feridas abertas e para isso recruta Mark Ruffalo para desestabilizar a relaçao do casal formado por Julianne Moore e Annete Benning.
No filme, Josh Hutcherson e Mia Wasikowska dão vida aos dois irmãos que decidem encontrar o homem que doou o sêmen que os gerou, pois ambos são filhos de um casal lésbico (Moore e Bening). Após a chegada do doador, a harmonia da família fica irremediavelmente abalada.
Cholodenko conhece bem as suas personagens e desenvolve-as uma a uma, com a subtileza e elegância que lhe é habitual. O filme é uma comédia dramática mas transita com segurança entre os dois géneros sem nunca deixar as personagens caírem na caricatura ou estereotipos banais tão comuns às comédias dramáticas.
Especulou-se muito a questão do "tema polémico" que o filme trata: duas mulheres, homossexuais, que têm filhos através de inseminação artificial e que têm vidas completamente estáveis. Mas Lisa Cholodenko tratou o "tema" com a leveza necessária, desdramatizando e desconstruindo expectativas desnecessárias e não cedendo nunca à tentação de levantar qualquer bandeira política. Mesmo assim, o filme venceu o Teddy Bear na Berlinale, o prémio do festival dedicado às cinematografias com temática gay. Em Portugal estreia comercialmente amanhã com um título ligeiramente diferente do anunciado anteriormente pela Castello Lopes: Os Miúdos Estão Bem.

16/11/10

Melhores músicas de 2010 (15) - «Limit To Your Love»



Sabe aquelas versões que ficam absurdamente melhores que as originais? Esta Limit To Your Love, originalmente composta e interpretada pela Feist, é um desses casos. James Blake é o londrino por trás do vozeirão. Tem 22 anos, edita disco de estreia no ano que vem e até já foi comparado à Joni Mitchell. Um dos nomes a não perder de vista em 2011.

02/10/10

Motelx e os filmes da década: Os Olhos da Cidade São Meus*


Começou desde quarta-feira o Motelx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Um dos melhores e mais bem organizados festivais de cinema acontecendo em Lisboa. Esta 4ª edição, está tão boa e tão brilhantemente programada que arrisco dizer que é a melhor edição de todas. 
Li em algum lugar que o facto de o Queer Lisboa ter acontecido ali dias antes possa ter prejudicado uma promoção mais elaborada por parte do Motelx, pois a impressão de que houve uma overdose de festivais em tão pouco tempo ainda ecoava na memória dos lisboetas. 
Pelo que eu vi até agora, acho que a organização tem andado bem satisfeita. As salas estão quase sempre cheias, o merchandising disponível é impecável e super informativo e a lista de convidados deste ano está - sem trocadilhos - assustadora. Esqueçam lá um pouquinho o George Romero, façam favor. Está cá um dos mestres vivos do novo terror britânico, está cá o Neil Marshall, minha gente. O homem que fez The Descent (A Descida ou O Abismo do Medo depende em que continente você está) e que não precisa fazer mais nada para morrer canonizado e respeitado.


Aliás The Descent passou na quinta-feira e como já disse alguém na página do festival no Facebook, é um filme que tem de ser visto na tela grande para funcionar em toda sua grandiosidade. O filme agradou a tanta gente justamente por se destacar de todos estes pastiches requentados que infestam os cinemas todas as semanas. E desenvolvia, sem pressas, todas as personagens - seu passado, seus traumas e fantasmas - para depois criar aquela tensão aterradora em crescendo, sempre com subtileza e mão ágil, para depois fazer cada uma delas liberar os seus instintos mais primitivos na luta pela sobrevivência. Neil Marshall virou realizador de culto instantaneamente, trazendo uma ressurreição (sim, mais uma) ao género terror. Para quem perdeu o filme dessa vez, aconselho esperar por reposição na cinemateca ou algo assim. Ou nada feito.
Neste mesmo ano de 2005, outro pequeno filme independente, crescia no boca-a-boca dos festivais mundo afora. Era o fabuloso Wolf Creek do australiano Greg McLean e começava aí na segunda metade da década uma série de novos filmes perturbadores que não lhe iam deixar dormir como tão bem fazia antigamente.

Na edição de 2008 do festival aterrissava, desta vez vindo da França, outro ovni empenhado em fazer plateias inteiras se contorcerem de pânico e terror na sala do São Jorge. Era o brutal Frontiére(s) que testava os limites humanos de um grupo de amigos perdidos algures na Holanda e do qual já comentei aqui. E o filme francês foi só um aperitivo para este ano de 2008, pois alguns meses mais tarde, inspirado num conto do Stephen King, chegava discretamente às salas lisboetas um dos filmes mais perturbadores destes últimos anos: The Mist. Daquele senhor que já nos tinha acostumado a tantos filmes maus e piegas, o norte-americano Frank Darabont. Neste filme, ele consegue atingir um nível de sobriedade surpreendente e faz, para mim, o melhor filme de toda sua carreira. No final fica difícil perceber o que assusta mais: se é o estranho nevoeiro que cai sobre a cidadezinha ou a fanática religiosa personificada por Marcia Gay Harden.
E para acabar esta pequena lista, queria mencionar aqui também o apavorante 30 Days of Night. Filme que se passa no Alasca onde das terras geladas da inóspita região surge uma força do mal que espalha terror entre os habitantes da cidade. Sam Raimi queria ter realizado o filme (e detinha os direitos de adaptação) mas acabou passando a bola ao britânico David Slade, mais conhecido pela sua elogiada estreia Hard Candy ou o último filme dos vampiros vegetarianos, o Eclipse. O filme foi baptizado em Portugal de 30 Dias de Escuridão e o link da felicidade você encontra aqui.

* o título do post é uma brincadeira com o título em Português que um clássico do género, Anguish de Bigas Luna, teve no Brasil.