29/09/10

«Lola» de Brillante Mendoza é cinema a céu aberto

Uma vez, há alguns anos, um rapaz moçambicano que trabalhava na Cinemateca de Lisboa me disse que Juventude em Marcha de Pedro Costa era um filme para ser visto com camisa de forças, num cinema lotado e apertado no meio de uma fileira completamente cheia de pessoas, sem chance de escapatória possível. Me lembrei das suas sábias palavras quando vi o último filme do filipino Brillante Mendoza. 




Lola é um destes filmes, negro, grandioso e do qual é mais muito mais fácil fugir do que enfrentar. O filme conta a história de duas avós, uma à procura de enterrar o neto assassinado a outra de redimir o neto que perpretou o crime. O destino das duas avós se cruza e afecta a vida de todos à volta. 
Mas isso é mera desculpa para Brillante filmar, num tom quase documental, a dureza de se viver em Manila - capital das Filipinas -  e fazer um filme político, subversivo, a céu aberto (literalmente: chove o tempo todo) e discutir o valor da vida (e dos mortos).
Assistir Lola na sala escura é como segurar a respiração debaixo d'água pelo maior tempo possível para depois emergir aliviado, deixando para trás aquele cenário cruel que insistentemente volta a ecoar na memória após a projecção. As imagens de Manila são uma experiência visual maior que a vida e, por isso mesmo, maior que cada uma daquelas tristes personagens que improvisam dentro do seu universo caótico.

27/09/10

Melhores músicas de 2010 (parte 14) - Warpaint «Elephants»



Descobri as norte-americanas Warpaint através daquela lista com as 50 melhores novas bandas que o semanário NME fez há algumas semanas. A banda, que a Wikipédia define como um grupo que faz art rock experimental, são uma das mais interessantes promessas desse ano. A banda é composta pela vocalista Emily Kokal , Theresa Wayman (voz e guitarras),  Jenny Lee Lindberg (baixo e voz), e Stella Mozgawa na bateria. 
O single Elephant - carro chefe do disco que sai a 25 de Outubro próximo - já começa arrepiando com a sua letra pontiaguda «I'll break your heart / to keep you far from where / all dangers start» e faz lembrar um bocado as outras talentosas do Electrelane. 
E a julgar pelas belíssimas músicas disponíveis no seu MySpace e pelas recentes companhias (elas têm excursionado com os ingleses The XX pelos Estados Unidos) as Warpaint têm tudo para trilharem um belo futuro pela frente. 

20/09/10

Lost in Translation (3) - The Kids Are All Right em Portugal



A Castello Lopes acaba de divulgar o trailer do fabuloso The Kids Are All Right que estreia em Portugal no próximo 04 novembro. O filme, que foi uma verdadeira sensação na última Berlinale, vencendo o Teddy Bear, ganhou um título em Português digno da série «lost in translation»: Os Miúdos Estão na Boa. Mas o filme de Lisa Cholodenko é tão bom que nem o título dado pela Castello Lopes consegue ofuscar as suas (muitas) qualidades. Prometo falar mais sobre o filme em breve.

14/09/10

Porque «Do Começo ao Fim» deve ser o pior filme do ano

Quando os créditos finais deste Do Começo ao Fim chegaram ao fim eu quase saí correndo da sala antes mesmo de as luzes se acenderem. O meu constrangimento, talvez por ser brasileiro, era tanto, que saí da sala no mais absoluto silêncio. Parecia aquela fatídica sessão de Turistas, há quatro anos, nos cinemas nefastos do Colombo.
Vi o filme em Berlim há alguns meses, numa sala lotada de um festival que já não me lembro do nome e antes do filme começar, entrou um homenzinho careca de microfone na mão para fazer uma pequena introdução ao filme. Ele explicou aos presentes, que o filme "tinha dado o que falar" no Brasil e que foi alvo de muitos boicotes por parte dos defensores da boa conduta moral por aqueles lados. Coisa impensável num país com tantos corpos à mostra, os alemães devem ter pensando. Mas depois da introdução inflamada do homenzinho, quem já estava curioso para ver o tal filme ficou em pulgas. Eu incluído.


Indo direto ao ponto: «Do Começo ao Fim» é um filme fetichista, ridículo e inofensivo. É um videoclipe homoerótico de hora e meia com objetivo único de fazer barulho. Tudo aqui soa falso e inverossímil. Desde a mise-en-scène artificial aos diálogos mecânicos e canastrões.
O filme é suposto ser uma história de incesto, sobre dois irmãos que se apaixonam, mas aqui o conflito foi jogado para um canto. Se existiu mesmo polêmica, esta se deu simplesmnete pelo facto de que desde o começo nós (espectadores) sabemos que eles são irmãos. Só nós, porque os protagonistas e todo o resto do elenco parecem ignorar este detalhe por completo. A simbologia fraternal aqui é um mero detalhe.  Não existe questionamento aos valores morais, às convenções sociais (familiares e religiosas), nada. Tudo se resume a um banal conto erótico de amor entre dois homens bonitos e saudáveis.
O diretor, Aluízio Abranches, disse numa entrevista que não queria fazer política nem se posicionar moralmente sobre o tema e que seu filme é "pós-tudo". Mas ao se desvencilhar da responsabiliadade (e da oportunidade) de fazer um filme "político" ou uma abordagem mais complexa, Abranches faz um filme que é "pós-nada". Pois o seu filme levita num vazio de ideias ocas e, como disse João Nunes - crítico do Correio Popular -  está mais para um "comercial de margarina" que para qualquer outra coisa.
O filme abre o 14º Queer Lisboa o festival de cinema gay e lésbico de Lisboa, que começa já na próxima sexta-feira no cinema São Jorge.

13/09/10

Duas ou três coisas sobre «The Suburbs» (e o vídeo interativo)

1- Que uma banda estrear sua discografia já quebrando tudo com um disco como Funeral cause um certo trabalho em administrar as expectativas alheias para com os álbuns futuros, é perfeitamente compreensível. Mas daí quando estas eternas expectativas são razão de comparação ad aeternum... tem uma hora que isso cansa, minha gente. Eu achei que já tinha ficado bem claro com Neon Bible há três anos: que os Arcade Fire não vão fazer outro Funeral. Simples assim. E a vida continua.


2 - Eu até pensei escrever algo sobre o disco mas para quê gastar meus dois solitários neurônios, se a Lídia já sintetizou tudo o que eu penso sobre o disco aqui? Se bem que o Zeca Camargo tem muita razão aqui também.

3 - Sobre o (já famoso) vídeo interativo de We Used To Wait (comentado aqui e aqui) devo dizer que com endereços brasileiros (e berlinenses, porque a lei alemã não permite) o vídeo não fica tão bacana por causa das fracas imagens de satélite mas, com qualquer endereço de Lisboa, o vídeo fica perfeito. 
O quê? Você não mora e nem nunca morou em Lisboa? Não sabe o que está perdendo.

07/09/10

O remake de «Let The Right One In» estreia em Outubro


Estou muito curioso para ver o remake norte-americano do chatíssimo filme sueco Deixa-Me Entrar (ou Deixa Ela Entrar no Brasil) que estreia em Portugal dia 14 de Outubro ao mesmo tempo que a estreia nos Estados Unidos. A direção é do talentoso Matt Reeve (que dirigiu Cloverfield há dois anos) e no papel da garotinha protagonista está a (outra talentosa) Chloe Moretez, que deu vida à irmã guru de Tom em 500 Days of Summer e estourou agora como uma das protagonistas em Kick-Ass. As poucas reações que saíram na imprensa lá fora dizem que o filme é verdadeiramente assustador. Esperemos que sim, porque o original parecia que estava mais empenhado em curar a insônia. A intelligentsia cinéfila que me perdoe.

05/09/10

Da série "pessoas que não sabem a hora de parar": Rita Lee


Até fora do Brasil já falam das mensagenzinhas de efeito que a Rita Lee anda postando no seu Twitter. Li na revista Blitz que suas mensagens andam causando "furor" no Brasil, divertindo uns e escandalizando outros. A revista fez um best of das suas mensagens:

"Tem gente que pensa que todo artista é rico. Numa época eu até fui, mas fumei, cheirei e bebi tudo. Hoje moro no mato e 'trampo' para pagar as contas." 

"Certa vez uma senhora elegante me disse que minhas músicas eram perfeitas para serem ouvidas num motel . Desconfiei que ela falava de si própria quando levava garotinhos para fazerem coisas que o Papa não aprovaria."

Eu fico me perguntando se as pessoas ficam mesmo chocadas com estas baboseiras que a Rita Lee cospe todos os dias no Twitter (e desde que se entende por gente, penso eu) ou se a nossa inércia é tanta que passamos a achar que isso é realmente relevante e digno de nota. Um longo bocejo para você, Rita.

04/09/10

«Moon» uma bela surpresa ignorada nos cinemas


Fui ver ontem Moon por pura falta de opção (de filmes legendados nas salas berlinenses) e fiquei incrivelmente surpreendido. Sam Rockwell é Sam Bell, um funcionário contratado pela Lunar Industries enviado à lua com um contrato de três anos a fim de extrair e estudar uma substância que produz energia para a Terra. Perto das últimas semanas do fim do contrato Sam sofre um acidente no qual as consequências irão mudar para sempre a sua vida.
Prosseguir com a história sem revelar dados importantes para o seu desenvolvimento (e a sua surpresa) é praticamente impossível (e por isso recomendo que NÃO vejam o trailer cheio de spoilers) então paro já por aqui. Moon é um tour de force de Sam Rockwell, que é o único protagonista e que carrega o filme todo nas costas. Kevin Spacey faz a voz do Robô Gerty fazendo nos lembrar a todo momento o aterrorizante HAL 9000, o robô cheio de más intenções do clássico 2001 - uma odisseia no espaço do mestre Kubrick. 
O filme é do estreante Ducan Jones, filho de David Bowie e vi que vai estar na retrospectiva "Um Ano de Cinema" que o cinema King vai promover de Setembro a Outubro. A não perder. 

Os Guns N' Roses e a (merecida) chuva de garrafas em Dublin



Axl Rose e a sua Guns N' Roses (quem?), muito provavelmente a banda mais asquerosa de todos os tempos,  foram escorraçados sob uma chuva de garrafas d'água num concerto em Dublin ontem a noite. Se isto não é a melhor notícia desde que o mesmo aconteceu com o Carlinhos Brown no Rock In Rio em 2001, é porque não há mesmo justiça no mundo.

Nota: Esta postagem foi publicada no blogue ontem e, por lapso, apaguei sem querer. Volto então a republicá-la

Melhores músicas de 2010 (parte 13) - Yeasayer "Madder Red"



Comecei esta lista «melhores músicas de 2010» na minha página no Facebook de acordo com as canções novas que eu ia descobrindo ao longo do ano e agora passo a publicar aqui também, quando possível, com os vídeos originais. Para quem quiser ver os vídeos anteriores, segue os links:

12 - Janelle Monáe - TightRope
11 - Arcade Fire - Ready to Start
10 - Sleigh Bells - Rill Rill
09 - Kelis - Acapella
08 - Arcade Fire - The Suburbs
07 - Céu - Grains de Beaute
06 - LCD Soundsystem - Dance Yrself Clean
05 - Caribou - Odessa
04 - Darwin Deez - Radar Detector 
03 - Delphic - Counterpoint
02 - Hot Chip - Take It In
01 - Charlotte Gainsbourg - La Collectionneuse

03/09/10

O bom mocismo de «Brothers» o último filme de Jim Sheridan



Jim Sheridan é um homem que faz filmes cheio de boas intenções. Mas como reza o chavão, de boas intenções o inferno está cheio. Meu Pé Esquerdo abusava da sacarina mas era um belo drama, Em Nome do Pai era maniqueísta mas tinha o poderoso e denso romance do Humerto Eco por trás e Na América um belíssimo conto moral sobre uma família que resolve começar sua vida do zero. Todos eles bons filmes, munidos das melhores intenções, mas que na hora de decolar, voaram baixo e ficaram aquém do que prometiam.
Quero com isto dizer que Sheridan faz filmes medíocres? Nada disso. Sheridan é homem talentoso mas que tem um medo absurdo do risco. Seus filmes jogam sempre pelo seguro, têm sempre uma causa social ou política por trás e talvez este seja o maior problema da sua filmografia: começam com uma boa premissa e acabam resvalando para o bom mocismo.
Em Brothers a coisa não é diferente. Tommy Cahill (Jake Gyllenhaal) e Sam Cahill (Tobey Maguire) são irmãos. Sam é um homem de família, orgulho do pai e casado com sua namorada do secundário, Grace (Natalie Portman), com quem tem duas filhas. Tommy é o filho rebelde, passou os últimos meses na prisão por assalto à mão armada e é liberado pouco tempo antes da partida de Sam para o Afeganistão. Semanas depois da sua partida Grace recebe a notícia de que Sam foi morto em combate. Tommy e Grace então se tornam próximos e daí nasce um relacionamento amoroso. Até que um belo dia, Tommy - que está vivíssimo da silva - volta para casa e o caos se instala.
Com uma premissa destas era impossível fazer um filme mediano. Mas Sheridan não soube explorar a tensão que o trailer sugeria, e desperdiça tempo na relação de Grace e Tommy, e depois num triâgulo amoroso insípido e sem interesse algum. Não existe tensão alguma, as disputas de poder e território entre os irmãos é jogada para um canto e o filme se arrasta por quase duas horas sem grandes novidades. Sheridan está mais interessado em contar uma outra história. A história que corre em paralelo quando Tommy estava no Afeganistão e foi dado como morto mas, quando decide contá-la, o filme já está pela metade. E aí é tarde demais para recuperar o tempo perdido e principalmente, o nosso precioso interesse.

01/09/10

Coisas que aprendi vendo filmes de época


Acabei de assistir ao insosso Young Victoria e fiquei aqui pensando como os filmes de época seguem um mesmo padrão narrativo. Parece que saíram todos do mesmo manual de regras. Desde adaptações da Jane Austen à biografias históricas. É tudo igual: os mesmos clichês, os mesmos diálogos e as mesmas variações de caráter distribuídas entre meia dúzia de personagens. Se um ET caísse na terra agora e só tivesse filmes de época para aprender uma coisa ou outra sobre a humanidade, eis o que ele iria descobrir:

1- Que pessoas que se interessam por política são moralmente dúbias ou são vilões.
2- Que todo mundo é superficial e que jantares sociais só servem a um único propósito: sentar a língua na vida alheia.
3- Que factos históricos são um mero detalhe.
4- Que republicanos são pessoas más e liberais são pessoas boas.
5- Que todo mundo tem de ensaiar exaustivamente os mesmos passos de dança antes de ir a qualquer evento social.
6- Que a libido é uma coisa que só foi inventada no século XX.
7- Que quando você estiver triste ou pensativo, a qualquer momento vai aparecer alguém com chá e bolachas para animar a sua vida.

31/08/10

Ainda sobre o último post


Ontém a jornalista e correspondente internacional da Globo Ana Maria Bahiana postou em seu Twitter o quanto tinha ficado impressionada com o vídeo interativo dos Arcade Fire (que eu comentei no post anterior) e eu escrevi-lhe imediatamente contando do meu entusiasmo também. Na mesma hora ela me respondeu perguntando se eu tinha enviado o postal (eu não tinha) e com duas informações preciosas: o postal enviado para nós mesmos vira parte do clipe (conferi depois, fica lindo) e pode ser usado pela banda futuramente nos shows como material visual de apoio. 
Outra coisa que eu descobri: eu escrevi que funcionava melhor no Chrome, mas a verdade é que só funciona no Chrome. Mas também, quem é que usa Explorer hoje em dia anyways?

30/08/10

Arcade Fire no subúrbio onde você cresceu

Todo mundo já viu este The Wilderness Downtown que o Google e os Arcade Fire divulgaram hoje na internet? Se você ainda não, pára tudo, e vai correndo ver. A ideia partiu do diretor Chris Milk e do Google Creative Lab, que queria criar um vídeo personalizado, sem estar preso aos formatos padrões de vídeo. E se trata de uma das experiências audiovisuais mais lindas que eu já vi. Com várias janelas se abrindo simultaneamente enquanto a belíssima We Used To Wait da banda canadense é tocada ao fundo. Fiquei tão impressionado vendo o homenzinho correndo ali no "subúrbio" onde cresci, que até me emocionei.


Dica: funciona melhor com o Google Chrome.

29/08/10

Lost in Translation (parte 2)

The Box o inefável novo filme do Richard "Donnie Darko" Kelly - que eu já comentei aqui -  estreou na última quinta-feira em Portugal. O título em português que a Lusomundo deu para o filme é lindo: Presente de Morte!

27/08/10

"Foi traída pelo namorado? compartilhe no GetNosy.com"


Enquanto eu tentava ver um vídeo no YouTube há pouco, na lateral corria uma daquelas irritantes propagandas do costume. Só que desta vez, esta atraiu minha atenção: Cheated on by your boyfriend? Don't let him get away with it! share it on GetNosy.com. Fui voando para o site, claro. 
O GetNosy se dedica à uma causa nobre: a prática de humilhação pública contra aquelas pessoas que você detesta. E avisam logo na página de entrada que você pode humilhar "aquelas pessoas" que não sabem se comportar, de uma forma totalmente gratuita e anônima. É ou não é uma maravilha? Olha só o texto de introdução:

Você não está cansado de pessoas más? Nós estamos. Elas mentem, enganam e induzem ao mau caminho. Elas são rudes, egoístas, sem consideração, etc. Na GetNosy.com nós defendemos um novo conceito, de que todas as pessoas devem ser boas. Boas pessoas sabem o que é uma boa conduta. Algumas não sabem ou simplesmente não se importam. O objetivo do GetNosy.com é simples: forçar o bom comportamento através da partilha de informação livre: envergonhando por mau comportamento ou celebrando por bom comportamento.

GetNosy em Português já! (ps. se cuida, Gledislaine.)

26/08/10

Breaknews: Spike Jonze era o homenzinho de 'Praise You' !

Voltando ao assunto do último post, só depois de postar meu comentário à lista da Pitchfork é que descobri que o homenzinho desajeitado que lidera o grupo de dança no clipe de Praise You é o Spike Jonze  himself! Além de dirigir e atuar, ele é o criador da coreografia que ficou tão famosa. Pura falta de atenção minha, porque pelos vistos, todo mundo já sabia, menos eu.
E não ficando por aqui, na noite de "descobertas" que foi ontém, fui pesquisar sobre a participação de Jonze no clipe do Fatboy Slim e acabei por desenterrar mais uma: a ginasta protagonista do Elektrobank dos Chemical Brothers (dirigido também por Jonze) é ninguém menos que... Sofia Coppola!


24/08/10

Os 50 melhores clipes dos '90 segundo o Pitchfork


Vi lá no Pedro que o Pitchfork fez uma lista com os 50 melhores vídeos dos anos 90. Ultimamente ando lendo muita coisa sobre uma tal "ressurreição" do videoclipe em tempos onde nem a própria MTV já os passa mais. E "ressurreição" esta, na maioria das vezes, atribuída à tal da Lady Gaga. Coisa que eu acho de um total absurdo mas que não é relevante para a discussão em causa. Eu acho que a popularização do You Tube, do MySpace e outros sites de partilha de vídeo, os "culpados" pela tal morte do video dizem alguns, foram (e são) impulsionadores do formato e chegaram para somar. Houve sim uma mudança de hábito de quem consumia videoclipe, como é óbvio, mas não acredito que existiu de fato uma "morte". A internet deu maior democratização e projeção ao videoclipe, mesmo que sem o impacto que ele teve nas décadas anteriores mas com muito mais liberdade criativa e experimentação. E os clipes novos dos Yeasayer "Madder Red" ou o belíssimo "Cold War" da Janelle Monae estão aí para me dar razão.


Mas voltando à lista, acho que tem muita coisa boa por lá. E ela já começa despertando logo meu interesse com Man Size da grande PJ Harvey na 50ª posição. O genial Everything is Everything da Lauryn Hill, onde Deus é o dj e até faz uns scratches não podia nunca ficar de fora. E por falar em Deus, tem Closer dos Nine Inch Nails, clipe que me deixou muito perturbado na época quando saiu. E a referência à Deus mencionada, que eu nem me atrevo a traduzir, está logo no começo do seu refrão herético. Claro que toda lista é completamente arbitrária mas achei que faltaram algumas coisas importantes, como Smack My Bitch Up dos Prodigy e algum do Marilyn Manson, quando ele chutou o pau da barraca com o fabuloso Mechanical Animals. Deste disco, há vídeos memoráveis como os policiais se beijando em "Dope Show" ou recriando a morte de John Kennedy na lindíssima "Coma White".

Nos lugares cimeiros tinha de constar, obviamente, Björk. E botaram logo dois. Acho que depois de Michael Jackson (nos anos 80) e Madonna (cadê "Express Yourself" do David Fincher na lista? cadê "Bedtime Story"?) Björk foi a verdadeira revolução do videoclipe nos anos 90 levando-o à uma outra dimensão. Mas nem um dos que figuram na lista é o meu preferido. Eu daria o primeiríssimo lugar ao alucinante e poderoso Army of Me , dirigido pelo então desconhecido, Michel Gondry.

23/08/10

Os fãs nada "cools" dos King of Leon

Sempre tive uma espécie de relação amor e ódio - e alguma indiferença pelo meio - com os King of Leon. Acho o primeiro disco muitíssimo bom, o segundo nem sequer ouvi direito e gosto moderadamente do último, que trouxe a consagração da banda junto às massas (lê-se: das "menininhas"), e fez o hit Sex on Fire se tornar numa das músicas mais insuportáveis da história. Isso tudo a propósito das declarações polêmicas - que eu só soube agora - do vocalista contra os "novos" fãs da banda, graças a Sex on Fire.
O vocalista Caleb Followill disse recentemente que acha a música uma merda e que os fãs do hit pegajoso da banda, não são "cools". Eu só tenho uma coisa a dizer sobre a polêmica: um ponto para você, Caleb!

A vida sem os Broken Social Scene


Eu confesso que nunca tinha ouvido uma música inteira dos Broken Social Scene na vida. Coisa estranha, já que eu me considero um dos maiores entusiastas do rock canadense. E não foi por falta de oportunidade. Sempre que lia alguma resenha e a banda era citada, sentia uma pontinha indisfarçável de vergonha. Mas sei lá, por razões que a razão desconhece, a banda nunca me interessou. Aí lendo a crítica da Pitchfork para o novo disco dos Land of Talk, o crítico diz que Swift Coin (o primeiro single do disco) é muitíssimo parecida com 7/4 Shoreline dos BSC e eu fui correndo para o You Tube conferir. Ficou a pergunta que não quer calar: como é possível passar uma vida sem escutar os Broken Social Scene?

22/08/10

Lost in Translation (parte 1)

Estas coisas de comparar traduções em português (tanto no Brasil como em Portugal) de títulos em inglês de filmes e de livros, dá pano para muita manga (além de ser muito divertido, claro). Em Lisboa sempre ouvia meus amigos tugas rirem de títulos brasileiros como A Noviça Rebelde (The Sound of the Music) ou O Poderoso Chefão (The Godfather) mas eles esqueciam que as traduções portuguesas também não ficavam muito atrás, e eu estava lá para lembrá-los de pérolas como Um Mal Nunca Vem Só (Lock, Stock and Two Smoking Barrels), a estréia do Guy Ritchie no cinema, ou o clássico infantil The Parent Trap, que em Portugal foi hilariantemente chamado de Pai para mim...Mãe para ti.
Hoje lendo uma entrevista com a escritora canadense Margaret Atwood no Ipsilón, descubro que o seu clássico futurista The Handmaid's Tale foi lá batizado de Crónica de Uma Serva (!). Um título tão auto-explicativo que me fez lembrar de uma recente descoberta minha: Robin Hood, me disse uma amiga recém chegada de Lisboa, em Portugal se chama nada menos que... Robin dos Bosques !

O gato do Simon



Você conhece o gato do Simon? Não? então corre para o You Tube e faz logo o dever de casa. Simon Tofield é um animador, que tem quatro gatos em casa, e que um dia resolveu dar vida aos seus bichanos. O resultado são pequenos episódios em flash, sob o título Simon's Cat com situações cotidianas em torno do gatinho. O seu canal no You Tube foi um tremendo sucesso na internet (mais de 45 milhões de acessos!) e a popularidade foi tanta que agora acaba de sair também em livro. Inclusive em Portugal pela editora Objectiva por módicos 14€. Se você tem ou já teve gatos, é paixão à primeira vista.


20/08/10

'Land of Talk' novo vaza e vocalista reclama no Facebook

Há duas semanas do super aguardado segundo álbum "Cloak and Cipher" dos canadenses Land of Talk chegar às lojas, como era inevitável, vaza na internet. Nessa mesma noite, num surpreendente e honesto desabafo, a vocalista Elizabeth Powell publica na página da banda no Facebook uma "resposta" àqueles que fizeram o download do disco. Na mensagem, Powell diz que mora em apartamento alugado, que não tem carro, que tem os dois cartões de crédito estourados e que precisa começar a fazer algum dinheiro com a banda. No dia seguinte, deve ter se arrependido e publicou outra notinha, pedindo desculpas e se justificando. A mensagem original você lê clicando aqui.

19/08/10

O novo single dos Ting Tings

Os The Ting Tings acabam de divulgar, na sua página no Facebook, o novo single que antecipa o segundo álbum "kunst" ("arte" em alemão). Hands poderia fácil ser uma música da Madonna fase 80's, não fosse a inconfundível voz da carismática Katie white. Mesmo assim, o novo single não passa de mais uma musiquinha inofensiva de verão.

13/08/10

Duas ou três coisas sobre 'Inception'

1 - Eu tenho uma confissão estranha a fazer. Eu sinto uma certa inveja das pessoas que adoraram Inception e, pior, que conseguiram acompanhá-lo - sem perder o fio da meada - em toda a sua grandiosa narrativa nada linear. Eu gosto de praticamente tudo o que Christopher Nolan já fez (com a excepção, nada consensual eu sei, de Memento que eu vi com exageradas expectativas e detestei.) e estava preparado para mais outra 'experiência' quando entrei na sessão do filme sábado passado. Mas, para minha surpresa, saí de lá com uma pontinha de decepção indisfarçável. Uma sensação de que ficaram algumas (ou muitas) pontas soltas no ar ou, confesso, de que eu não entendi diversas situações que o filme não se preocupou em esclarecer e, especialmente, o seu final. O meu amigo que me acompanhava, adorou, mas depois que comentávamos algumas cenas, percebi que ele também não tinha entendido nada! Será motivo para eu me preocupar?


2 - Divertido também foi ler as reações - das mais diversas - que Inception andou provocando. Na crítica brasileira, percebi que eu não estava sozinho: Zeca Camargo escreve uma resenha entusiasmada no seu blogue e ironiza dizendo que 'acha' que entendeu o filme. Fiquei aliviado. O colunista do Estadão Alexandre Matias, no seu blogue Trabalho Sujo, passou as últimas duas semanas monotemático: 49 postagens só sobre Inception. Ana Maria Bahiana, sempre elegante e bem articulada, escreveu as mais belas palavras sobre o filme que eu já li. Bahiana admite que é fácil se perder na narrativa (ufa!) mas acha que um blockbuster em pleno verão que não se dá ao luxo de mastigar tudo ao espectador é uma coisa a ser louvada. Bingo was his name. Por outro lado, André Barcinski , sempre polêmico, detonou o filme na Folha de São Paulo. E após a enxurrada de e-mails insultuosos dos fãs do filme, resolveu re-acender aquela velha discussão crítica vs fãs no seu blogue. Para terminar, o Carlos Merten do sisudo Estadão, perde a compostura no seu blogue e chama o Barcinski de "uma besta qualquer" por ele ter falado mal do filme. Isso tudo sem sequer ter lido a crítica publicada. Preciso, definitivamente, rever Inception.

12/08/10

Inception e o Tio Patinhas

Vi no Alexandre Matias que o Inception do Christopher Nolan é muitíssimo semelhante à uma história do Tio Patinhas de 2002. A história - disponível na íntegra no site da Disney - chega a assustar de tão parecida! Será que vai dar barraco? Esperemos que sim.

24/07/10

Arcade Fire em estado de graça


The Suburbs é tão bom e recheado de canções lindas e perfeitas que fica difícil escolher uma só. Escolhi esta Sprawl II (Mountains Beyond Mountains) porque parece que caiu ali no meio, sem avisar, como uma alienígena organizando o caos. Régine Chassagne em estado de graça.

23/07/10

'The Suburbs' vazou

O terceiro disco da banda canadense, que é melhor que o 'Ok Computer' segundo a resenha da BBC, vazou ontém de madrugada na internet e hoje dominou as atualizações de blogues, twitters e até numa notinha na Folha de São Paulo. O link da felicidade você encontra aqui.

26/05/10

serviço de utilidade pública #2: Thou por $0,01 na Amazon!

Um dos meus discos preferidos de sempre "Put Us in Tune" da banda belga Thou, é um disco inclassificável. Com sobras de remisturas dos Portishead, e alguns ecos de pós-punk, os Thou debutaram em 2001 com esta belíssima coleção de canções e, mesmo assim, passaram despercebidos à muita gente. Com o aparecimento dos The XX (que, acredito, deve muito à este álbum) desenterrei o disco das trevas e notei que cada vez mais, envelhece com classe.
Assim como os "Land of Talk" do post anterior, encontrei-o na Amazon norte-americana por menos que 1 cêntimo (!) e não podia deixar de postar. Um dia, num futuro não muito distante, você vai agradecer aos céus por ter lido este post, vai por mim.

09/03/10

Serviço de utilidade pública: Land of Talk por 0,01€ na Amazon!

'Applause Cheer Boo Hiss' o EP de estréia da dupla canadiana 'Land of Talk' lançado em 2007 é daqueles discos que não podem faltar na coleção de ninguém. Talvez o disco que mais habitou meu media player nos últimos meses. Queria oferecê-lo a um amigo e acabei por encontra-lo na Amazon inglesa por módicos 0,01€ ! E tem montes deles por lá, o caminho para a felicidade é este aqui.

Boxhagener Platz - o novo 'Goodbye Lenin' ?

Estréia semana que vem nos cinemas alemães e pelos vistos - com uma publicidade eficiente e um trailer que faz todo mundo rir no cinema - é bem capaz de repetir o sucesso global de 'Goodbye Lenin!'. Esta semana as revistas especializadas em cinema e cultura não falam de outra coisa.

06/03/10

Os filmes do Oscar

Os primeiros meses do ano normalmente é sempre bom para quem gosta de bom cinema. É nesta época que as distribuidoras, espertas, lançam seus filmes a espera de um lugar ao sol nos Oscars. Este ano, como em 2009, há muita coisa interessante para se ver nas salas mas sem grandes títulos que possa ser considerado 'imperdível'. E cada vez mais filmes com menos 'cara' de oscar.

Com a excepção de "The Blind State" vi todos os dez nomeados e meu favorito ao prémio principal continua sendo o que menor chances tem de sair com alguma estatueta: "Distrito 9"do estreante sul africano Neill Blomkamp. "Distrito 9" é cinemão disfarçado de série B. Blomkamp (com uma mãozinha de Peter Jackson) recupera o filme de género e tira-o do gueto. E para isso atualiza Cronenberg dos antigos (especialmente 'A Mosca') e faz uma sátira social atual e urgente, sem nunca cair no reducionismo pedagógico. E isto tudo num filme cheio de ação e adrenalina, que não nos deixa respirar um único segundo. Também sou dos que gostaram muito de "Avatar" mas acho que o filme de James Cameron já teve o seu (excessivo) lugar ao sol e ganhar mais prémios seria - já dizia o chavão - como chover no molhado.

Outro filme que eu estava especialmente curioso para ver, principalmente porque Nick Hornby (um dos meus escritores atuais favoritos) adaptou o argumento, era "An Education". Saí tão decepcionado do filme que não acreditava que Hornby tinha realmente escrito um argumento tão pobre e tão banal como aquele. Numa entrevista que encontrei no YouTube ele diz que ficou um bocado nervoso em adaptar a história da jornalista Lynn Barber, principalmente porque a conhecia pessoalmente e porque odiava ter de tirar coisas importantes do livro original (pode-se ler um longo resumo da história - verdadeira - contada pela própria na sua coluna no The Guardian aqui). Já não havia gostado dos filmes anteriores da Lone Scherfig mas este tinha material e muitos bons nomes envolvidos para ser mais um dos seus filmes mediocres. É uma pena que o produto final me fez continuar com a mesma opinião.

"Estado de Guerra" e "Inglorious Basterds" são dois filmes que não me convenceram. E teve tanta rasgaçao de seda entre a crítica (e público) para ambos que estou convencido de que tenho de vê-los novamente para tirar a prova dos nove. Gosto muito de Tarantino e da Bigelow e até acho que estes são dois bons filmes, e seria bom ver qualquer um dos dois com um oscar na mão. Mas, honestamente, acho seria pelos filmes errados.

"Precious" para os cínicos e os detratores de plantão é apenas um melodrama piegas (passe o pleonasmo) financiado - e divulgado - pela Oprah. Na página online do suplemento cultural do Público (o Ipisilón) eu vi o nome da Oprah citado pelo menos umas cinco vezes nos comentários. É fácil abandonar uma sessão de 'Precious' e dizer que é um apenas filme lamechas. Se esquecermos de tudo isto e vermos o filme pelo que ele realmente é, sem fingirmos que aquilo é só ficção (porque nao é) é possível ver que o buraco - fundo e negro - é muito mais embaixo.

Para finalizar, vi ontém "Nine" e "Up In The Air". Do primeiro, quase desisti a meio de tão mau, tão aborrecido e tao pretensioso que é. E olhe que nem sou fã do "Oito e Meio" do Fellini. O segundo é uma comédia simpática com uma boa idéia mas que deixa o filme cansativo depois de quarenta minutos...deste último, nunca me esquecerei de uma piada genial (envolvendo George Clooney, uma comissária de bordo e um jogo de palavras) que quase vale o filme todo.

13/02/10

Eu e a Berlinale

Eu subestimei a Berlinale. Quando peguei a programação em mãos, e circulei todos os filmes que eu queria ver, não fazia a minima idéia do tamanho da minha ingenuidade. Conseguir um mísero bilhete para a Berlinale, desde a estréia na 5ª feira, é uma ilusão. Mesmo com os valores dos bilhetes - onze euros - a preços nada populares. Fiquei na fila 40 minutos e desisti. Tentei então comprar pela internet mas tudo o que estava disponível online já estava completamente "sold out". Tentei chegar de manhazinha no local (as portas abriam as dez da manhã) mas a fila de pessoas acampando em frente a bilheteira era desanimadora. Uma mulher ontém perambulava pela Potsdamer Platz com uma plaquinha "compro 2 bilhetes para The Ghost Writer pago bem" mas algo me diz que ela não teve muito sucesso na sua busca. 'The Ghost Writer', o novo Polanski, era um dos filmes mais esperados da Berlinale. Apesar de uma recepção fria por parte do público, já há um rumor na imprensa alemã de que o prémio pode ir para Polanski por puro protesto à sua prisão na Suíça. A Berlinale dura até dia 21 e ainda pretendo fazer umas tentativas pelas sessões menos concorridas. Caso contrário, vou ter de me juntar ao povão que vai todo dia à Postdamer Platz ver as estrelas acenarem no tapete vermelho do festival. Saudades do IndieLisboa.

03/02/10

A figura feminina em 'Anticristo'

De que mulher(es) Lars Von Trier fala no seu último filme 'Anticristo'? E, consequentemente, em quase todos os seus filmes anteriores? Suas mulheres sofrem tanto porque são seres superiores, complexos e destituídos de (quaisquer) valores morais ou as provocações de Von Trier mais levanta dúvidas do que as responde? O que sentem as mulheres quando se deparam com objectos como este 'Anticristo'? Perguntas para as quais este blogger não tem respostas.

25/01/10

Década dos Zeros

Onze de Setembro. Blogues. Strokes. You Tube. Gyslene expulsa da Uniban. Gmail. Guerra do Afeganistão. ¿Por qué no te callas?. €uro. Tchau João Paulo! Olá Bento XVI. Skype. Lula presidente. Mensalão. Blu-Ray. Orkut. Facebook. MySpace. Twitter. Michael Moore. Google Earth. Plutão não é mais planeta. Timor Leste independente. Sadan Hussein enforcado. Independência de Kosovo. Obama presidente. Brasil Pentacampeão do mundo. Big Brother. Lost. 24. Playstation 2. MSN. Wikipédia. Mozilla Firefox. Emos. Escova progressiva. Gripe Suína. MP3. Ipod. Morte de Michael Jackson. Estupra mas não mata!. Bonde do Tigrão. Dadinho é o caralho, meu nome é Zé Pequeno porra!. Windows XP. Amy Winehouse. Indie Rock. O Senhor dos Anéis. Tapa na Pantera. Harry Potter. Star Wars - O Ataque dos Clones. Furacão Katrina. Bitch, you don't have a future. Tsunami. o diploma de José Sócrates. Why so serious?. Rock In Rio Lisboa. Suzane von Richthofen. Caricatura de Maomé na Dinamarca. Orhan Pamuk nobel da Literatura. Playstation 3. Caso Madeleine. Iphone. Salazar maior português de sempre. Eurovisão. Desperate Housewives. Airbus A380. Tratado de Lisboa. Al Gore nobel da paz. Britney sem calcinha. Sasha educada em inglês. Raúl Castro 2º presidente de Cuba. Avaliação dos professores em Portugal. Falência da Varig. Josef Fritzl. Windows Vista. Nepal república. Dercy Gonçalves morre aos 101 anos. Google Chrome. Crise mundial. 007 Casino Royale. Arcade Fire. Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Avatar. Obama nobel da paz.

18/01/10

Melhores de 2009 - As Músicas

Quando acabei minha rápida pesquisa para fazer esta lista, já estava em mais de trinta canções. Não foi nada fácil chegar a estas dez. Apesar do ano não ter sido lá estas coisas para os discos, os bons e certeiros hits fizeram a festa em 2009. Mesmo em discos medianos como a estréia dos ingleses Fanfarlo («Harold T. Wilkins») ou o «Balf Quarry» dos desconstrutivistas Magik Markers («Don't Talk In Your Sleep») tinha um petardo daqueles impossíveis de não chamar sua atenção. Como queria me limitar a apenas dez, as músicas que se seguem chegaram aqui a ferro e fogo. E todas - sem excepção - capaz de deixar um sorriso largo de duas horas estampado na cara. Assim sendo, segue então meu top ten canções de 2009 com os devidos links para o seu próprio deleite.

01 - «Mouthful Of Diamonds» - Phantogram
02 - «This Is Our Lot» - Wild Beasts
03 - «Basic Space» - The XX
04 - «Little Secrets» - Passion Pit
05 - «Solo» - Chew Lips
06 - «Two Weeks» - Grizzly Bear
07 - «Heads Will Roll» - Yeah Yeah Yeahs
08 - «1901» - Phoenix
10 - «Surf Solar» - Fuck Buttons

Melhores de 2009 - Os Discos

Confesso que o meu melhor disco de 2009 é, na verdade, de 2008. Descobri os canadianos Land Of Talk e o seu début «Some Are Lakes» através da fabulosa 'Give me back my heart attack' e foi paixão imediata. Ultimamente, coincidência ou não, o que se faz de melhor na música indie/pop está vindo do Canadá e bandas como Controller.Controller, Pony Up! (as novas Sleater Kinney? espero que sim) e Fucked Up estão aí para não me deixar mentir. Apesar de estar nos tops do meu media player, infelizmente, o Canadá não está presente no meu top ten do ano. Já que os londrinos The XX arrasaram tudo com o seu álbum destruidor de estréia (do qual eu já falei muito por aqui) «XX». A medalha de prata da casa vai para o irretocável «Eyelids Movies» dos abençoados Phantogram. Um disco feito de camadas electrónicas, samplers ganchudos, ruídos herméticos e descontruções pop sem nunca perder a elegância. E que a cada audição cresce um pouco mais. Os Phantogram também foram os autores da melhor música do ano e espero que nos próximos anos não nos dêem descanso, porque nesse mar de trivialidades que se tornou a música pop - graças ao mp3 - só sobrevive quem é mesmo bom. E o duo nova-iorquino é muito, muito bom. Eis o meu top discos de 2009.

01 - The XX - XX
02 - Phantogram - Eyelids Movies
03 - Passion Pit - Manners
04 - Phoenix - Wolfgang Amadeus Phoenix
05 - Washed Out - Life Of Leisure (EP)
06 - Fuck Buttons - Tarot Sport
07 - Grizzly Bear - Veckatimest
08 - Wild Beasts - Two Lovers
09 - Yeah Yeah Yeahs - It's Blitz
10 - Micachu & The Shapes - Jewllery

Melhores de 2009 - Os Filmes

Já tinha preparado há algum tempinho minha lista de melhores filmes do ano. Então li este post sobre «Mary & Max» e céptico, fui fazer o meu último visionamento de 2009. E vi a luz. «Mary & Max» é beleza em estado bruto. É daqueles filmes que penetram no mais profundo do nosso íntimo e nos rouba algo que inexplicavelmente não conseguimos explicar. A (belíssima) animação em stop-motion é um mero dispositivo estético e narrativo porque «Mary & Max» está muito longe de ser um filme para crianças. É um filme adulto, sério, com a morte sempre a espreitar por cima do ombro. O humor aqui é quase desesperado, feito de subtilezas, de camadas negras e feridas secas que se vão abrindo a medida que os protagonistas trocam cartas. «Mary & Max» é como um abraço apertado de um amigo esquecido. Na última cena do filme, as lágrimas de plasticina correm pelos olhos da protagonista e, quando nos damos conta, as lágrimas da vida real estão a escorrer pelo nosso próprio rosto. 2009 foi uma caixinha de bons bombons recheados no que toca ao cinema e, por isso, escolher os dez mais que listo abaixo foi uma tarefa mais que árdua.

01 - Revolutionary Road

02 - Mary & Max

03 - 500 Days of Summer

04 - Phoebe in Wonderland

05 - Districto 9

06 - O Complexo Baader Meinhof
07 - Frost/Nixon
08 - Precious
09 - Wendy & Lucy
10 - Slumdog Millionaire


06/01/10

Melhores de 2009 - Guilty Pleasures

Assim como nos anos anteriores este blogger preparou uma listinha com os prazeres culpados do ano, este ano segue mais uma. Mais tímida, porque a memória guilty de 2009 ja está castigada demais para voltar a funcionar mas, mesmo assim, precisa. Nos próximos posts publicarei melhores músicas, discos e filmes que fizeram em 2009 a cabeça do Prepúcio. Sem trocadilhos, por favor.


Confessemos todos: esta é uma das delícias pop de 2009 e pronto. Além do clipe que, de tão simples e tão bom, gerou paródias pelo mundo todo tem um gancho pop ali que é impossível ficar indiferente. Beyoncé consegue reinventar-se mais uma vez, e mesmo abusando dos sintetizadores que fazem a fama das Ladys Gaga da vida, ainda mantém fincado um pézinho nas raízes negras e faz um hit pop improvável. Funk classudo e cheio de swing retro, "Single Ladies" faz por 2009 o que 'Umbrella' da Rihanna fez por 2007. E isso já basta para garantir o seu lugar nos anais dos clássicos pop.


Taí uma música que me venceu pelo cansaço. Minha primeira audição foi ódio a primeira vista mas depois, como que por vingança, a música me perseguiu por todos os bares e discotecas onde eu estava e a cada vez que eu a escutava, entrava uma coisinha aqui e outra acolá. Kitsch sem limites, disfarçada de musa indie, La Roux - se tudo der certo - será produto de um hit só. Mas até ela sumir do mapa dá para se acabar na pista com esta 'Bulletproof' e depois chegar em casa e ajoelhar-se sobre milho, para pagar todos os pecados e continuar a vida de consciência limpa.


As meninas do 'The Veronicas' posam de rock stars indie-góticas e tal nos clipes mas não enganam ninguém. São umas meninas bonitas que fazem música pop teen do mesmo saco de onde saiu a Avril Lavigne. Ou se quisermos sermos um bocado mais cínicos: róquinho rebelde. Ouvi o disco uma única vez e fiquei enjoado. Aliás, na terceira música você já nem sabe mais o que está ouvindo. Mas essa 'Untouched' é um caramelo com camada dupla. Relembrando os bons tempos (?) das lesbo-russas T.A.T.U juntam todos os clichês das boas canções pop (amor, perda, redenção) à falsestes e riffs ganchudos de guitarrinhas de plástico e fazem um dos melhores guilty pleasures do ano. Agora só falta tocar na rádio e ganharem o mundo. Pose, beleza e roupas pretas já têm.


Sim, você leu direito. Marley & Eu. Nem nos meus sonhos mais loucos eu podia pensar que este filme pudesse ocupar qualquer espaço que fosse neste blogue. Fui ver o filme esperando o pior. Há algum tempo atrás vendo os extras do DVD de 'O Diabo Veste Prada' fiquei irritado com uma entrevista do diretor David Frankel [o mesmo do 'Marley']. Na entrevista, ele dizia que não gostava do primeiro guião que recebeu de 'O Diabo' porque achava-o muito 'negro' e então quando chegou a versão suave, ele soube imediatamente que era isto o que iria filmar. Quem leu o 'Diabo' diz que o filme é uma caricatura politicamente correcta do livro mas qualquer um que também conheça o trabalho anterior de Frankel sabe que ele não era capaz de muito mais que isso. Frankel faz filmes para toda a família, e isso já diz tudo o que é preciso saber. Foi então com uma estranha surpresa que vi, numa história aparentemente idiota, um dedo inquisidor apontando para todos os totens e valores familiares que o 'cinemão família' tanto defende: casamento, felicidade, estabilidade... Era muito fácil falar mal de 'Marley & Eu' mas no meio do status quo hollywoodiano, Frankel conseguiu ser gente grande e fez sim um filme para toda a família mas sem deixar de lhes puxar o tapete no final. E só por isso, ele merece uma vénia.

04/01/10

Filmes de 2009 que precisam de uma segunda chance

Andei olhando as listas alheias dos melhores filmes do ano e é impressionante como tem filme elogiado nos quatro cantos que simplesmente não me pegou. Ou porque é simplesmente ruim mesmo ou porque precisam de uma segunda chance. Rubens Ewald Filho, o crítico de cinema mais mediático do Brasil disse exactamente isso no seu blogue sobre o «Anticristo» do Lars Von Trier. O último petardo de Von Trier, assim como «Dogville», não é filme de fácil digestão. Vi uma única vez e ainda não sei o que pensar dele. As vezes me parecia um deboche sobre a própria psicanálise outras vezes uma profunda metáfora sobre alienação dos tempos. O genérico inicial, é qualquer coisa de lírico e genial e só Von Trier para pegar naquilo que é belo e imaculado e o transformar em terror absoluto. Outro filme que precisa de mais um visionamento atento é o sueco «Let the Right One In» ou 'como seria o «Crepúsculo» se fosse filmado por Bergmar' como disse uma amiga. Visualmente, acho um filme belíssimo mas é só. O filme de vampiros sueco é banal e chato demais para me alongar numa dissertação mais profunda, quem sabe num próximo - e muito futuro - visionamento. «Inglorious Basterds» é um Tarantino que definitivamente não compreendi. Acho que Tarantino coleciona algumas obras-primas no seu pequeno - e aclamado - currículo mas este filme não é decididamente uma delas. Tarantino sabe como poucos frustrar expectativas, baralhar géneros e fórmulas pré-fabricadas mas neste «Basterds» parece que está enterrado no buraco que ele próprio cavou. Longe de ser um filme ruim, é um Tarantino menor, sem o brilho e a inventividade de quando estava no seu auge criativo, que não foi há tento tempo assim. 2009 foi definitivamente um ano em que o cinema não deu trégua.

O que é feito de «Frontiére(s)» ?

Vi o DVD de «Frontiére(s)» acumulando pó numa loja em Londres e me dei conta de que este filme nunca chegou a estrear em sala em Portugal (não sei no Brasil). Vi-o em 2008 no festival Motelx incluído na secção 'Nouvelle Vague' do novíssimo terror do cinema francês. E foi um dos melhores filmes do género que vi nos últimos anos. Um grupo de jovens vindos directamente dos subúrbios criminalizados de Paris, vê-se numa fazenda no meio do nada perto da fronteira à procura de abrigo antes de seguir para a Holanda de carro. O problema é que o espaço rural não é habitado apenas por vacas e pasto e a noite transforma-se num verdadeiro pesadelo. O filme não traz nada de original ao tema mas deixa qualquer um preso à cadeira até a última e triunfante cena final, quando saímos aliviados do visionamento, por termos sobrevivido a tamanha tortura física e psicológica. Corra atrás imediatamente.