11/11/11

Pelas ruas de Berlim - Corra Lola Corra

Lola Rennt ou, como foi batizado no Brasil, Corra Lola Corra foi uma espécie de síntese da estética do videoclipe e da cultura indie popular que marcou a segunda metade dos anos 90. Tentar fazer o percurso que Lola fez em vinte minutos, seria fisicamente impossível, nem mesmo se ela tivesse dirigindo um bat móvel. Segundo o Google, o percurso todo a pé seria por volta de 16,5 kilometros ou 18,7 de carro. 
Lola atravessa a cidade de uma ponta a outra: sua jornada começa quando deixa o seu apartamento na Albrechtstrasse número 13, no coração de Mitte, e corre para o Deutsche Bank Transfer na Behrenstrasse 37, onde seu pai é o gerente. Seu objetivo é conseguir 100 mil marcos e entregá-lo a Manni (Moritz Bleibtreu), que esqueceu o saco com o dinheiro da máfia alemã num vagão do U-bahn.


perdida pelas ruas de Friedrichshain
 
cruzando a Französische Strasse e à direita por dentro da Oberbaumbrücke 


o mapa do (suposto) percurso que Lola faz em Berlim


Lola atravessando a estação de metrô Schlesisches Tor em Kreuzberg

a linha do u-bahn de Schlesisches Tor em 2011

08/11/11

Girl In a Coma «Exits and all the Rest» para download


Ao quarto disco, as meninas texanas do Girl in a Coma provam que idade nem sempre é sinônimo de amadurecimento. As meninas têm uma média de idade entre os 18 e 20 anos e, com  «Exits and all the Rest», mostram que andaram fazendo a lição de casa direitinho. O trio se conhece há mais de dez anos e da paixão mútua por Smiths, Nirvana, Velvet Underground entre outros decidiram criar a própria banda. A vocalista, irmã da guitarrista Phanie, Nina Diaz (que no início da banda tinha apenas 12 anos) foi uma escolha natural. Com escalas vocais que já foram comparadas às de Björk e Patsy Cline, Diaz é o coração da banda. Suas letras falam de emancipação feminina (como PJ Harvey fez em «Dry») mas passam longe do "teenage angst" que Alanis Morissette popularizou com «Jagged little Pill». O disco saiu mundialmente ontem e, para este que vos fala, já é um dos melhores do ano. O download do álbum você encontra aqui.

04/11/11

Quem é essa garota?


Elizabeth Grant é a novaiorquina de 25 anos por trás do hype do momento (sic) Lana Del Rey. O nome vem da junção da atriz Lana Turner e do carro brasileiro Ford Del Rey. Lana acaba de lançar o EP «Video Games EP» e foi imediatamente incensada pela crítica especializada, sendo comparada à versão feminina de Frank Sinatra, tendo seu EP recebendo notas máximas em importantes blogues e mídias especializadas.
O hype se justifica: Lana tem um vozeirão ligeiramente rouco - que transita entre o grave e às notas mais altas como num passe de mágica - e faz parte de um universo musical que já foi ocupado por outras cantoras como Tori Amos, Marianne Faithfull ou Julee Cruise. Aliás, o single carro-chefe do EP «Blue Jeans» lembra muito os bons momentos de Amos. 
O hype todo aconteceu quando o influente Pitchfork colocou a sua música «video games» na seção «best new music» e chamou a atenção do selo de Trent Reznor, a Interscope. Só esperamos que estes quinze minutos de fama renda um álbum completo em breve.





03/11/11

Os Phantogram estão de volta



Alguém aí se lembra dos Phantogram? O duo de Saratoga Springs, composto por Josh Carter e a lindíssima Sarah Barthel lançaram o seu debut em 2009 e, fora dos Estados Unidos, foram completamente ignorados. O disco «Eyelid Movies» foi uma das estreias mais promissoras dos últimos anos (incluídos aqui no Prepúcio entre as melhores músicas e discos de 2009) com concertos esgotados lá no hemisfério norte e abrindo para bandas como Metric, Caribou, The xx e Yeasayer. Porém, continuavam ilustres desconhecidos na Europa e no Brasil. 
O disco fazia uma espécie de releitura da música pop eletrônica dos anos 2000. Por entre sintetizadores e guitarras cortantes, a voz cristalina de Barthel (por vezes se revezando com a de Carter) dava um clima lírico àquele conjunto de onze canções, como se eles tivessem encontrado a fórmula mágica de criar canções pop perfeitas. Me fez lembrar uma outra estreia deslumbrante, a dos Portishead, lá no longínquo ano de 1994. Esta semana os Phantogram editam novo disco, o EP «Nightlife» que a revista Spin disponibiliza para audição na íntegra aqui. O disco não chega a superar a qualidade do seu antecessor mas ajuda a entender a fase de amadurecimento do som que a banda produz. E que venha logo o próximo!

31/10/11

V de Veja - a capa da semana


Depois do meu post falando das máscaras do filme «V de Vingança» sendo usadas como símbolo de resistência nos protestos em apoio ao «Occupy Wall Street» foi com um sorriso indisfarçável que eu vi a capa da Veja dessa semana com a chamada «Dez motivos para se indignar com a corrupção». Me lembrei de um slogan famoso da revista Trip quando eles davam um furo antes das grandes mídias: «a Trip deu antes».

Ouça o novo Girl in a Coma "Exits and all the Rest"


Eu só descobri as meninas texanas do Girl in a Coma agora, no quarto (!) disco. Pecado mais que imperdoável porque o power trio da cidadezinha de San Antonio merece a nossa atenção. Fãs dos «The Smiths», as irmãs Nina e Phanie Diaz escolheram uma de suas músicas, girlfriend in a coma, para batizar a banda. O terceiro elememento do trio é a amiga de longa data, Jenn Alva, que assume as funções de baixista.
O som das meninas, ao contrário do que eu pensava, nada tem do rock raivoso das feministas do riot girl e exibem um amadurecimento típico de bandas veteranas que tiveram muito tempo na estrada desenvolvendo e trabalhando o seu estilo. A prova disso é o novo «Exits and all the Rest», que o portal NPR disponibiliza para audição na íntegra aqui. O disco sai mundialmente amanhã pelo selo Blackheart Records e faz lembrar os melhores momentos dos escoceses «Sons & Daughters».

28/10/11

«In The Grace of Your Love» The Rapture


Bem bom o novo disco «In The Grace Of Your Love» do The Rapture. Parece que cresce progressivamente a cada audição. A minha preferida até agora é a faixa que dá título ao disco e que me faz lembrar muito o groove de um hit de uns anos trás do Cold War Kids «Hang Me Up To Dry».


27/10/11

A corajosa capa da Trip


“A excelente edição da “Trip” traz uma entrevista de Zé Celso (que se define, gloriosamente, num lance de anti-identidade, como homem sexual); uma matéria com pessoas que mantêm relações grupais amorosas e sexuais; (...) São formas de vida que não se deixaram intimidar pela monogamia compulsória, fonte de tantos sofrimentos. Sim, pois a monogamia ocupa um lugar simbólico análogo ao das drogas na nossa sociedade: uma mistura de tabu e hipocrisia. As drogas, quase todo mundo nega, mas muita gente usa; a monogamia, muita gente exige, mas quase todo mundo descumpre. Assim como acontece com a política fracassada das drogas, o obscurantismo na tematização da monogamia leva a uma política potencialmente fracassada das relações amorosas.”

Francisco Bosco, sobre a corajosa capa histórica da revista Trip desse mês na sua coluna no jornal carioca O Globo.

18/10/11

Billy Elliot cresceu


Lembram do Billy Elliot? Ou, melhor, de Jamie Bell o seu fabuloso protagonista? Pois é, o menino cresceu. E figura todo bonitão na capa da Vogue Homme desse mês fazendo pose de galã hollywoodiano.


Novo «My Brightest Diamond» 'All Things Will Unwind' em streaming


Shara Worden é a texana por trás do projeto/banda My Brightest Diamond que deu às caras e chamou a atenção em 2006 com o seu belíssimo «Bring me the Workhorse». Desse disco, pelos menos duas canções ainda ecoam no media player desse que vos fala: a belíssima «Drangonfly» (que tinha um clipe muito parecido com 1979 dos Smashing Pumpkins) e «Gone Away». 
O projeto voltou a editar outro belo, porém discreto, segundo disco («A Thousand Shark's Teeth») em 2008 e agora volta com o terceiro tomo esta semana com «All Things Will Unwind». O site NPR, mais uma vez, sai em exclusividade e apresenta a primeira audição dos disco em streaming, seguindo esse link aqui. O primeiro single do disco já tem vídeo e segue abaixo.


16/10/11

Harper's Bazaar homenageia Scorsese

 

E a Harper's Bazaar fez uma bela homenagem aos filmes do cineasta Martin Scorsese com um ensaio na sua edição de Outubro. O editorial batizado de “The Age of Scorsese” (para quem não conhece o filme, uma corruptela com o seu clássico "The Age of Innocence") tem como gancho o seu último filme "Hugo" e  tem várias caras conhecidas do star system norte-americano como Michael Pitt, Keanu Reeves and Sir Ben Kingsley.


A minha preferida é a recriação de "Taxi Driver" onde a fofa Chloë Moretz (de 500 Days of Summer e "Kick-Ass") faz pose de Jodie Foster. Chloë diz que nunca viu o filme, porque sua mãe diz que ela ainda não tem idade para tal.




O ensaio todo, com as entrevistas e um vídeo promocional pode ser visto clicando aqui.

15/10/11

Marilyn Manson, um novo homem na Vogue Itália

Parece que Marilyn Manson deixou de ser cool da noite para o dia ou foi só impressão minha? Ou será que ele nunca sequer foi cool? Eu, longe do fã que era dez anos atrás, devo dizer que ainda gosto muito dos seus primeiros discos (em especial «Antichrist Superstar» e «Mechanical Animals») e que já o vi duas vezes ao vivo e fiquei muito impressionado com a sua atuação. 


E tudo isso para dizer o quê mesmo? Para dizer que eu acho mister Manson super talentoso, inteligente e bem articulado mas que não deixou de deslizar na cartilha dos lugares-comuns do rockstar: se repetiu em montes de discos banais, namorou vedetas pop de Hollywood, arranjou brigas e desavenças com vacas sagradas (Trent Reznor chegou a dizer que Manson era "um cara malicioso, que passa por cima de qualquer pessoa para chegar ao sucesso e cruza qualquer linha de decência. É um palhaço drogado") e se afundou nas indispensáveis substâncias químicas.


Mesmo assim, Manson parecia imparável. Seus discos seguintes, cada um pior que o outro, reproduzia aquela mesma cartilha do choque gratuito: Deus, religião, sexo e culpa. Em plena década dos zeros, perfeitos antítodos contra a insônia.
Mas eis que Manson retorna das trevas e, para fechar o ciclo comeback com chave de ouro, faz ensaio fotográfico para a Vogue Italiana com o disco novo Born Villain na bagagem. "Eu fiz este álbum com o mesmo espírito que eu tinha dez anos atrás quando eu ainda desejava o sucesso. Depois de ter tudo e perder tudo, estou de volta com a mesma energia" diz Manson em discurso mea culpa. 



O ensaio é perturbador: a maquiagem que lhe era tão característica ficou de fora, as caras e bocas e os maneirismos que lhe deram fama também. Manson agora é um novo homem. Que aprendeu com os erros, que aprendeu com as drogas, que aprendeu com o sucesso que quase o engoliu. Mas que continua a rezar a sua missa, seguindo one by one cada um dos clichês da história da música pop. 

07/10/11

Madonna, Scarlett e os efeitos especiais

Descobrir que as celebridades na verdade têm o mesmo relógio biológico que nós, habitantes do chamado "mundo normal", é fantástico. E mais: descobrir que podemos parecer tal e qual nos efeitos e truques como se tivessemos vindo diretos da Industrial Light & Magic, é melhor ainda. 
Sexta-feira vazaram na web umas fotos que supostamente seriam de Madonna na sua mais íntima privacidade. As imagens, na verdade, faziam parte das fotos descartadas do ensaio publicado pela revista W  em fevereiro de 2009, na época em que a cantora namoriscava o modelo brasileiro Jesus Luz.



Nas imagens, feitas por Steven Klein, Madonna aparecia em poses sensuais no quarto de um hotel no Rio de Janeiro dividindo a cena com Jesus Luz. As fotos insinuavam uma espécie de releitura de Justify My Love, só que duas décadas mais tarde. Madonna, mais uma vez, brincava com a imagem de dominatrix. Mas desta vez a material girl era jogada para um canto dando lugar à mulher loba e ninfomaníaca.


No entanto, as fotos que não entraram para a edição final do ensaio não mostravam nada disso. Nelas, víamos Madonna, no alto dos seus cinquenta e tantos anos, em poses nada ensaiadas e como nunca a vimos antes. Um prato cheio para a festa da imprensa marrom: de uma hora para outra, a musa pop deixava de ser sex symbol para ser apedrejada na praça pública. O seu maior pecado? Ter ficado... velha.


Se as fotos são verídicas ou não, ninguém sabe e são irrelevantes para este post. Mas, mais que as próprias formas anatômicas da cantora, estas fotos dizem muito mais sobre o estado atual das coisas: a espetacularização da fama (e, por consequência, da vida alheia) onde ser "velho" é ter ultrapassado o prazo de validade da linha do tempo. O ostracismo à que condenamos os que - como Madonna - não morreram jovens e, por isso, são julgados à luz do moralismo da praça pública, é extremamente vergonhoso.


Com efeito, estas fotos de Madonna contrapoem-se às de Scarlett Johanson (linda e em poses de Lolita em frente ao espelho) que também caíram na internet algumas semanas atrás. E mais: elas reagem contra a demagogia que obriga a celebrar os famosos “jovens e saudáveis”, ao ponto de transforma-los em marionetes alheias a qualquer espécie de conteúdo.


Madonna está batendo a casa dos sessenta e, como se tem visto nos últimos anos, recusa-se tratar a própria "velhice" como se a sua mera existência implicasse numa condescendência social: dança por horas em cima do palco como se fosse há 20 anos, coleciona namorados jovens, bonitos e cobiçados por todos e usa e abusa das correções estéticas no seu rosto como se não houvesse amanhã. Enquanto Scarlett contempla em frente ao espelho, como Narciso, a sua beleza monumental e incontestável, Madonna, sem truques de edição e sem o (habitual) controle da sua própria imagem, dá-nos uma lição que vale por mais que mil aulas de antropologia. Quicker than a ray of light.

Créditos das fotos da Madonna: blogue 'Eat Blog And Die '

15/09/11

Enquanto isso...



...o disco de estreia do Washed Out «Within and Without» vai ficando cada vez melhor. É uma música mais linda que a outra.

05/09/11

'Strange Mercy' de St. Vincent na íntegra em streaming


A boa notícia do dia vem do portal NPR que, mais uma vez, saiu com exclusividade na frente dos outros e disponibilizou para audição na íntegra o novo - e super aguardado - disco de St. Vincent «Strange Mercy» de onde já retiramos uma das músicas do ano: Cruel.  Annie Clark é a norte-americana por trás da banda e nos últimos anos vem ganhando a aclamação da crítica a cada disco que lança. O link da felicidade você encontra aqui.

01/09/11

Los Campesinos! anunciam novo disco


Chega dia 15 de novembro pelo selo Arts And Crafts e vai se chamar «Hello Sadness» o novo disco do Los Campesinos!. Os fãs xiitas - eu incluído -  aguardam ansiosamente um bom regresso às origens.

31/08/11

Björk divulga capa de 'Biophilia'


E esta será a capa do muito aguardado próximo álbum da cantora islandesa Biophilia, a ser lançado no próximo dia 27 de setembro. Mais do mesmo mas, mesmo assim, bonitinha né?

30/08/11

Drew McWeeny, Sundance e «The Woman»

"Lucky McKee is, without question, a radical feminist horror filmmaker.  All you need to do is go back to his first feature "May" and then work your way forward.  His sensitivity towards his actresses, and the perspective each of his films takes, is practically political.  He returns to themes of power inequality and gender struggle, and he externalizes his subtext.  He has been consistent in his interests, and as a result, he hasn't been making $50 million studio films.  He doesn't seem terribly interested in remaking something or doing the easy jump-scare thing, and that can lead to some very difficult years for any horror filmmaker."

Drew McWeeny famoso ex-colaborador do Ain't It Cool News sobre a - já popular - tumultuada apresentação de «The Woman» no último festival de Sundance. Drew era um dos presentes na sessão e fala sobre o filme e a sua visão do infame episódio (vídeo). O texto na íntegra pode ser lido aqui.

29/08/11

O Book Crossing dos alemães


Alguém aí se lembra do Book Crossing? O conceito surgiu por volta de 2003/2004 e consistia em deixar livros "abandonados" em locais públicos para serem "adotados". Aqui na Alemanha, os alemães resolveram organizar melhor a coisa (e organização é o que eles têm de melhor) e colocaram umas prateleiras no meio da cidade com os livros arrumadinhos lá dentro. Quem quiser, é só chegar, escolher e levar para casa. Depois de ler, só tem de retornar o livro à prateleira. Isso tudo sem inscrições, assinaturas ou fichas para preencher. E o melhor de tudo: todo mundo se comporta como gente grande. Vi aqui no Deutsche Welle.

27/08/11

Red State - o novo Kevin Smith que promete


Estou com as mãos coçando para ver o último Kevin Smith «Red State» sobre um grupo de fundamentalistas religiosos que sequestram três rapazes que estavam à procura de sexo anônimo. O filme passou no último Fantasy Film Festival (do qual eu já falei aqui) e eu perdi, mas os poucos amigos que viram dizem que é arrepiante. Kevin Smith ficou conhecido no começo dos anos 90 pelo seu filme filme cult «Clerks» ('O Balconista' no Brasil) depois sentiu o gosto amargo da decepção da crítica e público com o filme seguinte «Mallrats» (para mim, o melhor filme de Smith) mas depois voltou à ribalta do cinema independente com os insossos «Chasing Amy» e «Dogma» onde Alanis Morissette interpretava Deus. 
Depois disso Smith afundou num ostracismo sem fim fazendo filmes sem qualquer interesse, flops de bilheteria um atrás do outro, passando por aquele filme infame com Ben Affleck que era uma suposta tentativa de fazê-lo fazer as pazes com o público. Tudo em vão.
Agora com o novo «Red State» causando comoção pelos festivais por onde passa (um grupo de religiosos da Igreja Baptista tentou impedir a exibição do filme em Sundance) e se aventurando num gênero em que não lhe era nada familiar (o terror) Smith vê a sua chance de brilhar novamente. E se depender do trailer - que faz arrepiar os pelos já nos primeiros segundos - «Red State» tem tudo para fazer uma respeitável carreira no cinema. Aguardamos ansiosamente.

26/08/11

03/08/11

A grandiosidade pequena dos Balthazar

Entrei em contato com os meninos (e menina) belgas do Balthazar há alguns meses quando eles abriram pros The Joy Formidable aqui em Berlim. Eles não só fizeram um showzaço de abertura como ofuscaram completamente a atração principal. No final, fecharam com esta «Blood Like Wine» que, ao vivo, foi aquela coisa maior que a vida. Feito conseguido, atualmente, só por aquela super banda canadense que você já conhece muito bem. Vida longa aos Balthazar!

02/08/11

Amy Winehouse e os falsos profetas

"(...) Aliás, foi “a falta de amor a Deus” que matou Amy, muito se escreveu comentando o falecimento da cantora. A morte de Amy, ocasionada pela doença e pelo acaso, foi uma previsão de muitos moralistas. “Ah, eu já sabia”. Atenção, falsos profetas, eu também posso dizer: eu sei que todos aqui vão morrer. Eu já sabia disso desde que nasci, até eu mesmo sei que um dia irei morrer. Dentro desse “eu já sabia” esconde-se o ovo da serpente, um moralismo da pior qualidade, pois ele camufla aquele que condena o modo de vida dos outros."

Vítor Angelo, jornalista e escritor, certeiro e afiado no seu Blogay lá na Folha de São Paulo sobre a morte da Amy e os moralistas de plantão. A íntegra do post pode ser lida aqui.

Lost in Translation (parte 4) - Bad Teacher


É incrível a imaginação que as distribuidoras do Brasil têm na hora de "traduzir" os títulos dos filmes para o mercado brasileiro. A última pérola (ou vítima, depende do ponto de vista) é a comédia norte-americana com a Cameron Diaz «Bad Teacher», que no Brasil foi rebatizado de... «Uma Professora Sem Classe». Simplesmente genial.

01/08/11

Laerte, sempre genial

Tem mais aqui.

Mesa para dois no Dorsia


É uma das cenas mais icônicas (dentre muitas) de «American Psycho», a sátira social que  Mary Harron dirigiu em 2000. Patrick Bateman (Christian Bale) liga, em cima da hora, para tentar reservar uma mesa no badalado restaurante Dórsia. Só que este não é um restaurante qualquer e Bateman recebe na cara, o gostinho do próprio veneno: a gargalhada histérica e desdenhosa de quem está do outro lado.
Eis que, procurando o vídeo no YouTube me deparei com isto: um suposto Dorsia que abre suas portas em setembro, em Londres. Para ter muito, muito medo.

31/07/11

Bernardo Carvalho e o prazer alheio

"O prazer é uma das coisas que mais incomoda os outros. As pessoas não gostam de ver os outros sentindo prazer. É isso o que acontece com as bicicletas. É um modo de vida diferente daquele do sujeito que tem de trabalhar de carro e está preso no trânsito. Pode parecer um clichê, mas é verdadeiro também. A liberdade dos outros incomoda quando você está preso." 
Um dos meus escritores brasileiros preferidos, Bernardo Carvalho, na Trip desse mês falando da experiência de se mudar para Berlim no começo do mês. Na hora eu me lembrei do último filme do Mike Leigh, «Another Year», do qual eu já falei esta semana aqui.

30/07/11

Metronomy por Erol Alkan


O quarteto de Brighton, Metronomy, é o autor de um discos mais deliciosos e viciantes de 2011 «English Riviera» que eu prometo falar mais aqui em breve. Por enquanto, vou só deixar esse novo remix que aportou lá no Hype Machine esta semana: uma remistura de Erol Alkan para «The Bay». Confere só a pedrada, que é coisa fina.

Metronomy - The Bay (Erol Alkan's Extended Rework) by SeekSickSound

Is This It - 10 anos


Se não fosse pelos Strokes e este «Is This It» talvez nenhuma destas bandas existiriam hoje: White Stripes, Yeah Yeah Yeahs, The Kills e mais recentemente, Artic Monkeys. Você pode até tentar argumentar que os White Stripes já existiam antes dos Strokes terem lançado o primeiro disco deles mas sem o caminho que «Is This It» abriu - com todo aquele revival "garage rock" no início da década de 2000 - os White Stripes não tinham sequer chegado ao segundo álbum.


a capa da edição americana (acima) e a que foi censurada (topo) e virou ícone no resto do mundo

«Is This It» é o «Nevermind» dos anos 2000: foi um divisor de águas, ressucitou o rock que estava quase morto e enterrado no final dos '90 e deu origem à milhares de bandas, que tentavam desesperadamente pegar carona no sucesso dos meninos de Nova Iorque.
A estreia do quinteto fantástico, liderado por Julian Casablancas, foi explosiva. Stooges, Velvet Underground, e rock garageiro dos anos 70: as influências estavam todas lá e, mesmo assim, o disco soava absurdamente novo e excitante. O disco era tão bom que parecia uma coletânea de singles. 
Na época do lançamento o respeitado Pitchfork deu nota 9,1 (uma das mais altas da história do portal) e em 2009, o semanário londrino NME elegeu «Is This It» o melhor disco da década de 2000. Classicaço absoluto.

29/07/11

Facebook bane capa icônica de Nevermind


Como já falei aqui antes, o disco seminal do Nirvana «Nevermind» está completando 20 anitos de existência. E para comemorar a ocasião, o site oficial do Nirvana vai reeditar uma versão deluxe do disco com 4 CD's + 1 DVD no próximo 26 de Setembro.
A capa da edição deluxe, com a foto clássica do bebê pelado na piscina, foi publicada no Facebook pela página oficial do Nirvana e imediatamente retirada pela rede social. O Facebook alegou que a foto "violava os temos e condições" daquele site: Facebook does not allow photos that attack an individual or group, or that contain nudity, drug use, violence or other violations of the Terms of Use. 
Em outras palavras: material de ouro para benefício próprio que o concorrente Google+ não pode perder.

Another Year, o último filme de Mike Leigh


Só recentemente vi o último Mike Leigh «Another Year» em DVD, porque em Berlim - uma pena - já tinha saído de cartaz há algum tempo. Leigh é um dos maiores e mais talentosos cineastas vivos e autor do que é para mim, a resposta habitual para aquela pergunta infame sobre o filme da minha vida: que é o irretocável «Segredos e Mentiras».
Mas fazia um bom tempo que eu não gostava tanto assim de um filme dele como gostei de «Another Year». O filme conta a história de um casal de idosos (interpretado pelos soberbos Ruth Sheen e Jim Broadment) que a cada ano que passa, vão levando a vida a dois de forma tranquila e saudável. Felizes e sem crises, os dois se tornam espectadores ativos da decomposição emocional de todos os amigos que os cercam e Leigh propõe o mesmo questionamento do seu filme anterior «Happy-Go-Lucky»: como lidar com a estabilidade e a felicidade alheia?

28/07/11

E aí Björk, será que é desta?


Tenho uma relação de amor e ódio com Björk. Acho que ela fez três dos mais importantes álbuns dos anos 90 (a saber: «Post» «Homogenic» e «Vespertine»), reinventou o videoclipe nessa mesma década e baralhou gêneros, criou um som único, próprio e merece todos os créditos por isso.
O problema é que nos últimos anos Björk se transformou numa chata de galocha: discos "conceituais" que não levaram à lugar nenhum, virou notícia mais pelos seus escândalos constantes com a imprensa do que pela música e de uma hora para outra perdeu o rumo da sua brilhante carreira. Sua música já não era mais relevante.
Felizmente, os novos caminhos que apontam para «Biophilia», o próximo e muito aguardado novo disco da cantora islandesa, parecem apontar para um lado mais feliz. A provar isso, são as duas ou três músicas divulgadas na mídia nos últimos meses. Daqui, a gente só torce que tudo corra bem. Sem afetação, sem virtuosismo e no auge daquilo que Björk tem de melhor: o talento absurdo.



Update: fui avisado por uma amiga que «Vespertine», na verdade, é de 2001. O que não deixa de tirar a sua relevância aqui para o post pois é um dos melhores álbuns de Björk e marca a transição dos seus ábuns anteriores e o início da década dos zeros.

Nevermind - 20 anos

Nevermind o discaço dos seminais Nirvana que dividiu águas, mudou o curso do rock e a vida de muita gente, fez 20 anos este mês. E para comemorar a ocasião, a revista Spin editou um disquinho só com covers de outras bandas (disponíveil para download di grátis) com cada uma das faixas! Você só tem de dar um "like" na página da revista no Facebook e partir pro abraço.


27/07/11

Oh Land

Oh Land é banda de uma mulher só: Nanna Øland Fabricius. A líndíssima dinamarquesa sediada no Brooklyn que acaba de lançar seu segundo disco, homônimo, pela Epic Records. Ainda nem cheguei ao final do disco mas já posso garantir: «Wolf & I» é de destruir o coração de tão linda que é.

OH LAND - Wolf & I Viral video from EQ Video on Vimeo.

Amy, as piadas e a imprensa cor de rosa

Sei lá, ainda acho de muito mau gosto as piadas sobre a morte da Amy que ando lendo poraí. Posso parecer careta com esse discurso, mas tenho a impressão que é mais fácil para alguns lidar com o assunto em tom de escárnio do que tentar entender porque perdemos uma menina de 27 anos para as drogas. Triste isso.



26/07/11

Ricky Gervais strikes back

Se Seinfeld não estivesse acima de Deus, e já não tivesse garantido ad eternum o topo da lista de melhor série de humor da história, esse lugar seria obviamente ocupado por Extras, do übergênio Ricky Gervais. Eis que esta semana circulou pela internet o vídeo de divulgação de Life's Too Short.
A série conta a vida do ator anão Willow (uma personagem ficcionada do próprio ator Warwick Davis) nos mesmos moldes de The Office, criando uma atmosfera de (falso) documentário. E acreditamos, como tudo o que Gervais poe a mão, que deve ser genial. 

Eleanor Friedberger a solo

A belíssima Eleanor Friedberger, vocalista dos sublimes The Fiery Furnaces, acaba de se aventurar em carreira solo com o super aguardado «Last Summer». O disco - que estava disponível na íntegra há algumas semanas no site NPR - não funcionou muito comigo na primeira audição. Mas depois, insistindo mais um pouco, redescobri essa «Inn on the seventh ray» que recupera o lado mais lírico dos Furnaces numa canção que beira a perfeição, em cada um dos seus acordes.

24/07/11

Adeus, Amy


Fui à procura do que eu tinha escrito aqui no blogue sobre aquele show desastroso no Rock in Rio em Lisboa e me deparei, sem palavras, com a minha própria frase que fechava o post comparando Amy à Kurt Cobain: «Só esperamos, de dedos cruzados, que a bela Amy não tenha o mesmo fim». 
A irônia de uma tragédia anunciada, onde todos assistimos passivos e cínicos, como num Big Brother inimterrupto, ao fim de uma das mais promissoras carreiras surgidas nos últimos tempos. Mundo estranho esse, onde os bons morrem tão jovens.