30/08/11

Drew McWeeny, Sundance e «The Woman»

"Lucky McKee is, without question, a radical feminist horror filmmaker.  All you need to do is go back to his first feature "May" and then work your way forward.  His sensitivity towards his actresses, and the perspective each of his films takes, is practically political.  He returns to themes of power inequality and gender struggle, and he externalizes his subtext.  He has been consistent in his interests, and as a result, he hasn't been making $50 million studio films.  He doesn't seem terribly interested in remaking something or doing the easy jump-scare thing, and that can lead to some very difficult years for any horror filmmaker."

Drew McWeeny famoso ex-colaborador do Ain't It Cool News sobre a - já popular - tumultuada apresentação de «The Woman» no último festival de Sundance. Drew era um dos presentes na sessão e fala sobre o filme e a sua visão do infame episódio (vídeo). O texto na íntegra pode ser lido aqui.

29/08/11

O Book Crossing dos alemães


Alguém aí se lembra do Book Crossing? O conceito surgiu por volta de 2003/2004 e consistia em deixar livros "abandonados" em locais públicos para serem "adotados". Aqui na Alemanha, os alemães resolveram organizar melhor a coisa (e organização é o que eles têm de melhor) e colocaram umas prateleiras no meio da cidade com os livros arrumadinhos lá dentro. Quem quiser, é só chegar, escolher e levar para casa. Depois de ler, só tem de retornar o livro à prateleira. Isso tudo sem inscrições, assinaturas ou fichas para preencher. E o melhor de tudo: todo mundo se comporta como gente grande. Vi aqui no Deutsche Welle.

27/08/11

Red State - o novo Kevin Smith que promete


Estou com as mãos coçando para ver o último Kevin Smith «Red State» sobre um grupo de fundamentalistas religiosos que sequestram três rapazes que estavam à procura de sexo anônimo. O filme passou no último Fantasy Film Festival (do qual eu já falei aqui) e eu perdi, mas os poucos amigos que viram dizem que é arrepiante. Kevin Smith ficou conhecido no começo dos anos 90 pelo seu filme filme cult «Clerks» ('O Balconista' no Brasil) depois sentiu o gosto amargo da decepção da crítica e público com o filme seguinte «Mallrats» (para mim, o melhor filme de Smith) mas depois voltou à ribalta do cinema independente com os insossos «Chasing Amy» e «Dogma» onde Alanis Morissette interpretava Deus. 
Depois disso Smith afundou num ostracismo sem fim fazendo filmes sem qualquer interesse, flops de bilheteria um atrás do outro, passando por aquele filme infame com Ben Affleck que era uma suposta tentativa de fazê-lo fazer as pazes com o público. Tudo em vão.
Agora com o novo «Red State» causando comoção pelos festivais por onde passa (um grupo de religiosos da Igreja Baptista tentou impedir a exibição do filme em Sundance) e se aventurando num gênero em que não lhe era nada familiar (o terror) Smith vê a sua chance de brilhar novamente. E se depender do trailer - que faz arrepiar os pelos já nos primeiros segundos - «Red State» tem tudo para fazer uma respeitável carreira no cinema. Aguardamos ansiosamente.

26/08/11

03/08/11

A grandiosidade pequena dos Balthazar

Entrei em contato com os meninos (e menina) belgas do Balthazar há alguns meses quando eles abriram pros The Joy Formidable aqui em Berlim. Eles não só fizeram um showzaço de abertura como ofuscaram completamente a atração principal. No final, fecharam com esta «Blood Like Wine» que, ao vivo, foi aquela coisa maior que a vida. Feito conseguido, atualmente, só por aquela super banda canadense que você já conhece muito bem. Vida longa aos Balthazar!

02/08/11

Amy Winehouse e os falsos profetas

"(...) Aliás, foi “a falta de amor a Deus” que matou Amy, muito se escreveu comentando o falecimento da cantora. A morte de Amy, ocasionada pela doença e pelo acaso, foi uma previsão de muitos moralistas. “Ah, eu já sabia”. Atenção, falsos profetas, eu também posso dizer: eu sei que todos aqui vão morrer. Eu já sabia disso desde que nasci, até eu mesmo sei que um dia irei morrer. Dentro desse “eu já sabia” esconde-se o ovo da serpente, um moralismo da pior qualidade, pois ele camufla aquele que condena o modo de vida dos outros."

Vítor Angelo, jornalista e escritor, certeiro e afiado no seu Blogay lá na Folha de São Paulo sobre a morte da Amy e os moralistas de plantão. A íntegra do post pode ser lida aqui.

Lost in Translation (parte 4) - Bad Teacher


É incrível a imaginação que as distribuidoras do Brasil têm na hora de "traduzir" os títulos dos filmes para o mercado brasileiro. A última pérola (ou vítima, depende do ponto de vista) é a comédia norte-americana com a Cameron Diaz «Bad Teacher», que no Brasil foi rebatizado de... «Uma Professora Sem Classe». Simplesmente genial.

01/08/11

Laerte, sempre genial

Tem mais aqui.

Mesa para dois no Dorsia


É uma das cenas mais icônicas (dentre muitas) de «American Psycho», a sátira social que  Mary Harron dirigiu em 2000. Patrick Bateman (Christian Bale) liga, em cima da hora, para tentar reservar uma mesa no badalado restaurante Dórsia. Só que este não é um restaurante qualquer e Bateman recebe na cara, o gostinho do próprio veneno: a gargalhada histérica e desdenhosa de quem está do outro lado.
Eis que, procurando o vídeo no YouTube me deparei com isto: um suposto Dorsia que abre suas portas em setembro, em Londres. Para ter muito, muito medo.

31/07/11

Bernardo Carvalho e o prazer alheio

"O prazer é uma das coisas que mais incomoda os outros. As pessoas não gostam de ver os outros sentindo prazer. É isso o que acontece com as bicicletas. É um modo de vida diferente daquele do sujeito que tem de trabalhar de carro e está preso no trânsito. Pode parecer um clichê, mas é verdadeiro também. A liberdade dos outros incomoda quando você está preso." 
Um dos meus escritores brasileiros preferidos, Bernardo Carvalho, na Trip desse mês falando da experiência de se mudar para Berlim no começo do mês. Na hora eu me lembrei do último filme do Mike Leigh, «Another Year», do qual eu já falei esta semana aqui.

30/07/11

Metronomy por Erol Alkan


O quarteto de Brighton, Metronomy, é o autor de um discos mais deliciosos e viciantes de 2011 «English Riviera» que eu prometo falar mais aqui em breve. Por enquanto, vou só deixar esse novo remix que aportou lá no Hype Machine esta semana: uma remistura de Erol Alkan para «The Bay». Confere só a pedrada, que é coisa fina.

Metronomy - The Bay (Erol Alkan's Extended Rework) by SeekSickSound

Is This It - 10 anos


Se não fosse pelos Strokes e este «Is This It» talvez nenhuma destas bandas existiriam hoje: White Stripes, Yeah Yeah Yeahs, The Kills e mais recentemente, Artic Monkeys. Você pode até tentar argumentar que os White Stripes já existiam antes dos Strokes terem lançado o primeiro disco deles mas sem o caminho que «Is This It» abriu - com todo aquele revival "garage rock" no início da década de 2000 - os White Stripes não tinham sequer chegado ao segundo álbum.


a capa da edição americana (acima) e a que foi censurada (topo) e virou ícone no resto do mundo

«Is This It» é o «Nevermind» dos anos 2000: foi um divisor de águas, ressucitou o rock que estava quase morto e enterrado no final dos '90 e deu origem à milhares de bandas, que tentavam desesperadamente pegar carona no sucesso dos meninos de Nova Iorque.
A estreia do quinteto fantástico, liderado por Julian Casablancas, foi explosiva. Stooges, Velvet Underground, e rock garageiro dos anos 70: as influências estavam todas lá e, mesmo assim, o disco soava absurdamente novo e excitante. O disco era tão bom que parecia uma coletânea de singles. 
Na época do lançamento o respeitado Pitchfork deu nota 9,1 (uma das mais altas da história do portal) e em 2009, o semanário londrino NME elegeu «Is This It» o melhor disco da década de 2000. Classicaço absoluto.

29/07/11

Facebook bane capa icônica de Nevermind


Como já falei aqui antes, o disco seminal do Nirvana «Nevermind» está completando 20 anitos de existência. E para comemorar a ocasião, o site oficial do Nirvana vai reeditar uma versão deluxe do disco com 4 CD's + 1 DVD no próximo 26 de Setembro.
A capa da edição deluxe, com a foto clássica do bebê pelado na piscina, foi publicada no Facebook pela página oficial do Nirvana e imediatamente retirada pela rede social. O Facebook alegou que a foto "violava os temos e condições" daquele site: Facebook does not allow photos that attack an individual or group, or that contain nudity, drug use, violence or other violations of the Terms of Use. 
Em outras palavras: material de ouro para benefício próprio que o concorrente Google+ não pode perder.

Another Year, o último filme de Mike Leigh


Só recentemente vi o último Mike Leigh «Another Year» em DVD, porque em Berlim - uma pena - já tinha saído de cartaz há algum tempo. Leigh é um dos maiores e mais talentosos cineastas vivos e autor do que é para mim, a resposta habitual para aquela pergunta infame sobre o filme da minha vida: que é o irretocável «Segredos e Mentiras».
Mas fazia um bom tempo que eu não gostava tanto assim de um filme dele como gostei de «Another Year». O filme conta a história de um casal de idosos (interpretado pelos soberbos Ruth Sheen e Jim Broadment) que a cada ano que passa, vão levando a vida a dois de forma tranquila e saudável. Felizes e sem crises, os dois se tornam espectadores ativos da decomposição emocional de todos os amigos que os cercam e Leigh propõe o mesmo questionamento do seu filme anterior «Happy-Go-Lucky»: como lidar com a estabilidade e a felicidade alheia?

28/07/11

E aí Björk, será que é desta?


Tenho uma relação de amor e ódio com Björk. Acho que ela fez três dos mais importantes álbuns dos anos 90 (a saber: «Post» «Homogenic» e «Vespertine»), reinventou o videoclipe nessa mesma década e baralhou gêneros, criou um som único, próprio e merece todos os créditos por isso.
O problema é que nos últimos anos Björk se transformou numa chata de galocha: discos "conceituais" que não levaram à lugar nenhum, virou notícia mais pelos seus escândalos constantes com a imprensa do que pela música e de uma hora para outra perdeu o rumo da sua brilhante carreira. Sua música já não era mais relevante.
Felizmente, os novos caminhos que apontam para «Biophilia», o próximo e muito aguardado novo disco da cantora islandesa, parecem apontar para um lado mais feliz. A provar isso, são as duas ou três músicas divulgadas na mídia nos últimos meses. Daqui, a gente só torce que tudo corra bem. Sem afetação, sem virtuosismo e no auge daquilo que Björk tem de melhor: o talento absurdo.



Update: fui avisado por uma amiga que «Vespertine», na verdade, é de 2001. O que não deixa de tirar a sua relevância aqui para o post pois é um dos melhores álbuns de Björk e marca a transição dos seus ábuns anteriores e o início da década dos zeros.

Nevermind - 20 anos

Nevermind o discaço dos seminais Nirvana que dividiu águas, mudou o curso do rock e a vida de muita gente, fez 20 anos este mês. E para comemorar a ocasião, a revista Spin editou um disquinho só com covers de outras bandas (disponíveil para download di grátis) com cada uma das faixas! Você só tem de dar um "like" na página da revista no Facebook e partir pro abraço.


27/07/11

Oh Land

Oh Land é banda de uma mulher só: Nanna Øland Fabricius. A líndíssima dinamarquesa sediada no Brooklyn que acaba de lançar seu segundo disco, homônimo, pela Epic Records. Ainda nem cheguei ao final do disco mas já posso garantir: «Wolf & I» é de destruir o coração de tão linda que é.

OH LAND - Wolf & I Viral video from EQ Video on Vimeo.

Amy, as piadas e a imprensa cor de rosa

Sei lá, ainda acho de muito mau gosto as piadas sobre a morte da Amy que ando lendo poraí. Posso parecer careta com esse discurso, mas tenho a impressão que é mais fácil para alguns lidar com o assunto em tom de escárnio do que tentar entender porque perdemos uma menina de 27 anos para as drogas. Triste isso.



26/07/11

Ricky Gervais strikes back

Se Seinfeld não estivesse acima de Deus, e já não tivesse garantido ad eternum o topo da lista de melhor série de humor da história, esse lugar seria obviamente ocupado por Extras, do übergênio Ricky Gervais. Eis que esta semana circulou pela internet o vídeo de divulgação de Life's Too Short.
A série conta a vida do ator anão Willow (uma personagem ficcionada do próprio ator Warwick Davis) nos mesmos moldes de The Office, criando uma atmosfera de (falso) documentário. E acreditamos, como tudo o que Gervais poe a mão, que deve ser genial. 

Eleanor Friedberger a solo

A belíssima Eleanor Friedberger, vocalista dos sublimes The Fiery Furnaces, acaba de se aventurar em carreira solo com o super aguardado «Last Summer». O disco - que estava disponível na íntegra há algumas semanas no site NPR - não funcionou muito comigo na primeira audição. Mas depois, insistindo mais um pouco, redescobri essa «Inn on the seventh ray» que recupera o lado mais lírico dos Furnaces numa canção que beira a perfeição, em cada um dos seus acordes.

24/07/11

Adeus, Amy


Fui à procura do que eu tinha escrito aqui no blogue sobre aquele show desastroso no Rock in Rio em Lisboa e me deparei, sem palavras, com a minha própria frase que fechava o post comparando Amy à Kurt Cobain: «Só esperamos, de dedos cruzados, que a bela Amy não tenha o mesmo fim». 
A irônia de uma tragédia anunciada, onde todos assistimos passivos e cínicos, como num Big Brother inimterrupto, ao fim de uma das mais promissoras carreiras surgidas nos últimos tempos. Mundo estranho esse, onde os bons morrem tão jovens. 

17/07/11

Melhores de 2010 - Os Discos

01 - Arcade Fire - The Suburbs


 
02 - The Joy Formidable - A Balloon Called Moaning


03 - Yeasayer - Odd Blood


04 - Warpaint - The Fool

05 - Darwin Deez - Darwin Deez


16/07/11

Melhores de 2010 - As músicas


01 - Arcade Fire - Sprawl II
02 - Land of Talk - The Hate I Won't Commit 
03 - The Hundred in the Hands - Tom Tom
04 - Yeasayer - O.N.E
05 - Sleigh Bells - Rill Rill
06 - Caribou - Odessa
07 - LCD Soundsystem - Dance Yrself Clean
08 - Céu - Grains de Beaute
09 - Charlotte Gainsbourg - La Collectionneuse
10 - Warpaint - Undertow

02/01/11

Sem palavras para a grandiosidade de "Black Swan"


Estou sem palavras para descrever o que senti vendo Black Swan. Tem Natalie Portman, linda, perfeita, vulnerável, em ebulição a ponto de explodir. Tem Barbara Hershey, renascida das cinzas e brilhando como a mãe controladora.Tem aquela música, densa, que permeia todo o filme e que baralha as expectativas do espectador desavisado. E tem Darren Aronofsky, mestre da técnica e mestre das emoções a flôr da pele. E que faz o filme da sua vida, explorando ao máximo toda a sua genialidade e que nos faz acreditar no cinema novamente.

05/12/10

The Hundred in The Hands, seus lindos

A minha intenção inicial era escrever aqui sobre os concertos que vi nos dois dias do Super Bock em Stock que aconteceu nesse fim de semana em Lisboa mas estou tão entusiasmado com o duo maravilha The Hundred in The Hands que não tenho olhos, digo ouvidos, para mais ninguém. A banda é composta por Eleanore Everdell e Jason Friedman, e eles vêm de onde têm saído as mais interessantes bandas dos últimos anos: do Brooklyn.
Lançaram um EP no comecinho do ano (o fabuloso "This Desert") e mais para o final do verão o debut que leva o nome da banda no título. Os Hundred já foram comparados a novas bandas como Crystal Castles e os Sleigh Bells mas a disparidade de géneros que se ouve nos dois registos editados pelo duo foge a qualquer catalogalização reducionista. É dificil fugir dos rótulos, eu sei, e os The Hundred in The Hands não são uma banda indie por excelência mas vai lá beber muitas influências. Poderia descrever o seu som como um electro-indie intenso que mistura influências que vão da música de dança minimalista ao power pop mais exaltado passando de leve pelo pós-punk.
Ao vivo, transpiram sensualidade e fazem-nos lembrar, por vezes, uns The Kills mais hedonistas ou, exageremos, uns White Stripes menos pretensiosos. Mérito da lindíssima Eleanore Everdell, que faz as vezes de mestre de cerimónias entre banda e público e interpreta cada canção de forma desesperada como se fosse a última vez.
Tive de deixar o concerto explosivo do Kele a meio e fui correndo para a garagem do Marquês de Pombal para chegar a tempo de vê-los a entrarem em palco, pois os concertos - ao contrário do segundo dia - começavam religiosamente no horário. A banda tocou cronometrados 45 minutos que mais pareceram cinco e eu de simpatizante curioso passei a fã incondicional.

27/11/10

Ode to Berlin

Minha irmã diz que eu ando obcecado com Berlim. Deve ser a depressão pós Berlim que o Brecht tanto falava. Mas quando vejo os - quase diários - posts do Nuno Galopim no Sound + Vision sobre a cidade maravilhosa (esta sim) fico até mais descansado.

24/11/10

Os 20 filmes mais subestimados dos últimos 20 anos

Já faz um tempinho que o IMDB fez essa listinha com os vinte filmes mais subestimados dos últimos 20 anos mas só agora me lembrei de comentá-la por aqui. O mais interessante da compilação é que a lista,  apesar de absolutamente idiossincrática, claro, é bem heterogênea e foge das obviedades que nós julgaríamos "subestimadas". Por exemplo, se fosse eu a fazê-la, nunca incluiria o fabuloso Leaving Las Vegas na compania daqueles filmes. Não só porque sou um fã confesso do longa mas porque o filme de Mike Figgis (talvez o único bom filme da sua filmografia) fez uma respeitável carreira nas bilheteiras, ganhou uma série de prêmios importantes - entre eles globo de ouro e oscar para Nicolas Cage, nomeação de melhor actriz à Elisabeth Shue e melhor realizador ao Mike Figgis - e virou instantaneamente objecto de culto dos anos  90. Uma outra curiosidade associada ao filme é que John O'Brien, o autor da autobiografia que deu origem ao filme, suicidou-se duas semanas após o filme ter entrado em produção. E o realizador Mike Figgis, que quase chegou a abandonar o projecto, resolveu levá-lo adiante e transforma-lo numa belíssima homenagem a O'Brien. Por isso, não entendi muito bem a sua inclusão na lista e nem o  IMDB se deu ao trabalho de explicar. A lista completa pode ser vista aqui.

20/11/10

As cassetes de Erika Iris Simmons

Quando vi o trabalho da artista plástica Erika Iris Simmons lembrei logo daqueles puristas que volta e meia proclamam a morte das artes plásticas alegando que tudo já foi feito. Ora bem, é facto que a artista se apropriou do passado - literalmente: seus trabalhos são basicamente fita cassete em tela e com alusões a ícones da música pop norte-americana - para criar algo totalmente novo (assim como um senhor chamado Andy Warhol fez nos anos 1960). E o fez de forma simples, com uma plástica apelativa (e que pisca um olho à pop art) e o mais importante: é absurdamente original. Os outros trabalhos da artista podem ser vistos na sua página pessoal.

18/11/10

Porque «Scott Pilgrim vs. the World» é (e não é) divertido


Sejamos honestos com nós próprios: Scott Pilgrim vs. the World é muito barulho por nada.
Se você, assim como eu, não é um daqueles fãs "xiitas" da banda desenhada que dá nome à personagem e, portanto, caiu completamente de pára-quedas numa sessão do filme, provavelmente você deve estar pensando o mesmo que eu: que Scott Pilgrim não é lá estas coisas. Para despacharmos já isto sem mal entendidos, acho que o único problema de Scott Pilgrim vs. the World é o hype em doses cavalares injectados ao longo dos últimos meses. Só quem estava em Marte não ouviu falar da adaptação ao cinema da cultuada banda desenhada.
Dito isto, o que é que fica? Um filme despretensioso, com alguns momentos acertados, outros nem tanto e que tem uma banda sonora que quase vale pelo filme todo. Banda sonora, aliás, que garante os melhores momentos (e as melhores piadas) do filme. Se você ainda não o viu (passou no Estoril Film Festival mas estreia em Portugal dia 09 de Dezembro) aconselho que então vá vê-lo sem expectativas elevadas. Porque senão a decepção vai ser catastrófica. Abaixo eu listo (eba! lista!) as razões porque Scott Pilgrim vs. the World deve ser visto (em doses moderadas).

1 - O genérico inicial, com a banda [fictícia] Sex Bob-omb quebrando tudo.
2 - Os Sex Bob-omb, a banda do Scott Pilgrim, que são cool até a medula e que deviam sair da ficção e vir para a vida real.
3 - Michael Cera, que é cool até a medula mesmo interpretando a si próprio pela bilionésima vez.
4 - A baterista ruiva e de poucas palavras interpretada por Alison Pill.
5 - Os Crash and the Boys que também são fictícios e que são o máximo.
6 - Os The Clash at Demonhead, banda também fictícia, que faz uma versão matadora de "Black Sheep" dos canadianos Metric.
7 - A referência à Seinfeld.
8 - "We are Sex Bob-Omb and we are here to make you think about death and get sad and stuff."

17/11/10

«The Kids Are All Right» estreia em Portugal


Quase duas horas de fila depois, finalmente consigo bilhetes para o último dia da Berlinale deste ano. The Kids Are All Right - o segundo filme de Lisa Cholodenko - foi o filme escolhido e, felizmente, acertei em cheio. O filme teve cinco sessões no festival e no dia em que vi, foi um verdadeiro hit, aplaudido de pé entusiasticamente no final. A versão apresentada na Berlinale, finalizada as pressas para entrar na competição, é ligeiramente diferente da versão actual do filme, mas nada que tenha afectado significativamente o produto final.
O filme anterior de Lisa Cholodenko "Laurel Canyon" (que em Portugal recebeu o título de "Atracção Acidental") já mostrava o seu olhar atento e cuidadoso às imperfeições humanas e as suas relações. Em The Kids Are All Right ela volta a cutucar umas feridas abertas e para isso recruta Mark Ruffalo para desestabilizar a relaçao do casal formado por Julianne Moore e Annete Benning.
No filme, Josh Hutcherson e Mia Wasikowska dão vida aos dois irmãos que decidem encontrar o homem que doou o sêmen que os gerou, pois ambos são filhos de um casal lésbico (Moore e Bening). Após a chegada do doador, a harmonia da família fica irremediavelmente abalada.
Cholodenko conhece bem as suas personagens e desenvolve-as uma a uma, com a subtileza e elegância que lhe é habitual. O filme é uma comédia dramática mas transita com segurança entre os dois géneros sem nunca deixar as personagens caírem na caricatura ou estereotipos banais tão comuns às comédias dramáticas.
Especulou-se muito a questão do "tema polémico" que o filme trata: duas mulheres, homossexuais, que têm filhos através de inseminação artificial e que têm vidas completamente estáveis. Mas Lisa Cholodenko tratou o "tema" com a leveza necessária, desdramatizando e desconstruindo expectativas desnecessárias e não cedendo nunca à tentação de levantar qualquer bandeira política. Mesmo assim, o filme venceu o Teddy Bear na Berlinale, o prémio do festival dedicado às cinematografias com temática gay. Em Portugal estreia comercialmente amanhã com um título ligeiramente diferente do anunciado anteriormente pela Castello Lopes: Os Miúdos Estão Bem.

16/11/10

Melhores músicas de 2010 (15) - «Limit To Your Love»



Sabe aquelas versões que ficam absurdamente melhores que as originais? Esta Limit To Your Love, originalmente composta e interpretada pela Feist, é um desses casos. James Blake é o londrino por trás do vozeirão. Tem 22 anos, edita disco de estreia no ano que vem e até já foi comparado à Joni Mitchell. Um dos nomes a não perder de vista em 2011.

02/10/10

Motelx e os filmes da década: Os Olhos da Cidade São Meus*


Começou desde quarta-feira o Motelx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa. Um dos melhores e mais bem organizados festivais de cinema acontecendo em Lisboa. Esta 4ª edição, está tão boa e tão brilhantemente programada que arrisco dizer que é a melhor edição de todas. 
Li em algum lugar que o facto de o Queer Lisboa ter acontecido ali dias antes possa ter prejudicado uma promoção mais elaborada por parte do Motelx, pois a impressão de que houve uma overdose de festivais em tão pouco tempo ainda ecoava na memória dos lisboetas. 
Pelo que eu vi até agora, acho que a organização tem andado bem satisfeita. As salas estão quase sempre cheias, o merchandising disponível é impecável e super informativo e a lista de convidados deste ano está - sem trocadilhos - assustadora. Esqueçam lá um pouquinho o George Romero, façam favor. Está cá um dos mestres vivos do novo terror britânico, está cá o Neil Marshall, minha gente. O homem que fez The Descent (A Descida ou O Abismo do Medo depende em que continente você está) e que não precisa fazer mais nada para morrer canonizado e respeitado.


Aliás The Descent passou na quinta-feira e como já disse alguém na página do festival no Facebook, é um filme que tem de ser visto na tela grande para funcionar em toda sua grandiosidade. O filme agradou a tanta gente justamente por se destacar de todos estes pastiches requentados que infestam os cinemas todas as semanas. E desenvolvia, sem pressas, todas as personagens - seu passado, seus traumas e fantasmas - para depois criar aquela tensão aterradora em crescendo, sempre com subtileza e mão ágil, para depois fazer cada uma delas liberar os seus instintos mais primitivos na luta pela sobrevivência. Neil Marshall virou realizador de culto instantaneamente, trazendo uma ressurreição (sim, mais uma) ao género terror. Para quem perdeu o filme dessa vez, aconselho esperar por reposição na cinemateca ou algo assim. Ou nada feito.
Neste mesmo ano de 2005, outro pequeno filme independente, crescia no boca-a-boca dos festivais mundo afora. Era o fabuloso Wolf Creek do australiano Greg McLean e começava aí na segunda metade da década uma série de novos filmes perturbadores que não lhe iam deixar dormir como tão bem fazia antigamente.

Na edição de 2008 do festival aterrissava, desta vez vindo da França, outro ovni empenhado em fazer plateias inteiras se contorcerem de pânico e terror na sala do São Jorge. Era o brutal Frontiére(s) que testava os limites humanos de um grupo de amigos perdidos algures na Holanda e do qual já comentei aqui. E o filme francês foi só um aperitivo para este ano de 2008, pois alguns meses mais tarde, inspirado num conto do Stephen King, chegava discretamente às salas lisboetas um dos filmes mais perturbadores destes últimos anos: The Mist. Daquele senhor que já nos tinha acostumado a tantos filmes maus e piegas, o norte-americano Frank Darabont. Neste filme, ele consegue atingir um nível de sobriedade surpreendente e faz, para mim, o melhor filme de toda sua carreira. No final fica difícil perceber o que assusta mais: se é o estranho nevoeiro que cai sobre a cidadezinha ou a fanática religiosa personificada por Marcia Gay Harden.
E para acabar esta pequena lista, queria mencionar aqui também o apavorante 30 Days of Night. Filme que se passa no Alasca onde das terras geladas da inóspita região surge uma força do mal que espalha terror entre os habitantes da cidade. Sam Raimi queria ter realizado o filme (e detinha os direitos de adaptação) mas acabou passando a bola ao britânico David Slade, mais conhecido pela sua elogiada estreia Hard Candy ou o último filme dos vampiros vegetarianos, o Eclipse. O filme foi baptizado em Portugal de 30 Dias de Escuridão e o link da felicidade você encontra aqui.

* o título do post é uma brincadeira com o título em Português que um clássico do género, Anguish de Bigas Luna, teve no Brasil.

29/09/10

«Lola» de Brillante Mendoza é cinema a céu aberto

Uma vez, há alguns anos, um rapaz moçambicano que trabalhava na Cinemateca de Lisboa me disse que Juventude em Marcha de Pedro Costa era um filme para ser visto com camisa de forças, num cinema lotado e apertado no meio de uma fileira completamente cheia de pessoas, sem chance de escapatória possível. Me lembrei das suas sábias palavras quando vi o último filme do filipino Brillante Mendoza. 




Lola é um destes filmes, negro, grandioso e do qual é mais muito mais fácil fugir do que enfrentar. O filme conta a história de duas avós, uma à procura de enterrar o neto assassinado a outra de redimir o neto que perpretou o crime. O destino das duas avós se cruza e afecta a vida de todos à volta. 
Mas isso é mera desculpa para Brillante filmar, num tom quase documental, a dureza de se viver em Manila - capital das Filipinas -  e fazer um filme político, subversivo, a céu aberto (literalmente: chove o tempo todo) e discutir o valor da vida (e dos mortos).
Assistir Lola na sala escura é como segurar a respiração debaixo d'água pelo maior tempo possível para depois emergir aliviado, deixando para trás aquele cenário cruel que insistentemente volta a ecoar na memória após a projecção. As imagens de Manila são uma experiência visual maior que a vida e, por isso mesmo, maior que cada uma daquelas tristes personagens que improvisam dentro do seu universo caótico.

27/09/10

Melhores músicas de 2010 (parte 14) - Warpaint «Elephants»



Descobri as norte-americanas Warpaint através daquela lista com as 50 melhores novas bandas que o semanário NME fez há algumas semanas. A banda, que a Wikipédia define como um grupo que faz art rock experimental, são uma das mais interessantes promessas desse ano. A banda é composta pela vocalista Emily Kokal , Theresa Wayman (voz e guitarras),  Jenny Lee Lindberg (baixo e voz), e Stella Mozgawa na bateria. 
O single Elephant - carro chefe do disco que sai a 25 de Outubro próximo - já começa arrepiando com a sua letra pontiaguda «I'll break your heart / to keep you far from where / all dangers start» e faz lembrar um bocado as outras talentosas do Electrelane. 
E a julgar pelas belíssimas músicas disponíveis no seu MySpace e pelas recentes companhias (elas têm excursionado com os ingleses The XX pelos Estados Unidos) as Warpaint têm tudo para trilharem um belo futuro pela frente. 

20/09/10

Lost in Translation (3) - The Kids Are All Right em Portugal



A Castello Lopes acaba de divulgar o trailer do fabuloso The Kids Are All Right que estreia em Portugal no próximo 04 novembro. O filme, que foi uma verdadeira sensação na última Berlinale, vencendo o Teddy Bear, ganhou um título em Português digno da série «lost in translation»: Os Miúdos Estão na Boa. Mas o filme de Lisa Cholodenko é tão bom que nem o título dado pela Castello Lopes consegue ofuscar as suas (muitas) qualidades. Prometo falar mais sobre o filme em breve.

14/09/10

Porque «Do Começo ao Fim» deve ser o pior filme do ano

Quando os créditos finais deste Do Começo ao Fim chegaram ao fim eu quase saí correndo da sala antes mesmo de as luzes se acenderem. O meu constrangimento, talvez por ser brasileiro, era tanto, que saí da sala no mais absoluto silêncio. Parecia aquela fatídica sessão de Turistas, há quatro anos, nos cinemas nefastos do Colombo.
Vi o filme em Berlim há alguns meses, numa sala lotada de um festival que já não me lembro do nome e antes do filme começar, entrou um homenzinho careca de microfone na mão para fazer uma pequena introdução ao filme. Ele explicou aos presentes, que o filme "tinha dado o que falar" no Brasil e que foi alvo de muitos boicotes por parte dos defensores da boa conduta moral por aqueles lados. Coisa impensável num país com tantos corpos à mostra, os alemães devem ter pensando. Mas depois da introdução inflamada do homenzinho, quem já estava curioso para ver o tal filme ficou em pulgas. Eu incluído.


Indo direto ao ponto: «Do Começo ao Fim» é um filme fetichista, ridículo e inofensivo. É um videoclipe homoerótico de hora e meia com objetivo único de fazer barulho. Tudo aqui soa falso e inverossímil. Desde a mise-en-scène artificial aos diálogos mecânicos e canastrões.
O filme é suposto ser uma história de incesto, sobre dois irmãos que se apaixonam, mas aqui o conflito foi jogado para um canto. Se existiu mesmo polêmica, esta se deu simplesmnete pelo facto de que desde o começo nós (espectadores) sabemos que eles são irmãos. Só nós, porque os protagonistas e todo o resto do elenco parecem ignorar este detalhe por completo. A simbologia fraternal aqui é um mero detalhe.  Não existe questionamento aos valores morais, às convenções sociais (familiares e religiosas), nada. Tudo se resume a um banal conto erótico de amor entre dois homens bonitos e saudáveis.
O diretor, Aluízio Abranches, disse numa entrevista que não queria fazer política nem se posicionar moralmente sobre o tema e que seu filme é "pós-tudo". Mas ao se desvencilhar da responsabiliadade (e da oportunidade) de fazer um filme "político" ou uma abordagem mais complexa, Abranches faz um filme que é "pós-nada". Pois o seu filme levita num vazio de ideias ocas e, como disse João Nunes - crítico do Correio Popular -  está mais para um "comercial de margarina" que para qualquer outra coisa.
O filme abre o 14º Queer Lisboa o festival de cinema gay e lésbico de Lisboa, que começa já na próxima sexta-feira no cinema São Jorge.

13/09/10

Duas ou três coisas sobre «The Suburbs» (e o vídeo interativo)

1- Que uma banda estrear sua discografia já quebrando tudo com um disco como Funeral cause um certo trabalho em administrar as expectativas alheias para com os álbuns futuros, é perfeitamente compreensível. Mas daí quando estas eternas expectativas são razão de comparação ad aeternum... tem uma hora que isso cansa, minha gente. Eu achei que já tinha ficado bem claro com Neon Bible há três anos: que os Arcade Fire não vão fazer outro Funeral. Simples assim. E a vida continua.


2 - Eu até pensei escrever algo sobre o disco mas para quê gastar meus dois solitários neurônios, se a Lídia já sintetizou tudo o que eu penso sobre o disco aqui? Se bem que o Zeca Camargo tem muita razão aqui também.

3 - Sobre o (já famoso) vídeo interativo de We Used To Wait (comentado aqui e aqui) devo dizer que com endereços brasileiros (e berlinenses, porque a lei alemã não permite) o vídeo não fica tão bacana por causa das fracas imagens de satélite mas, com qualquer endereço de Lisboa, o vídeo fica perfeito. 
O quê? Você não mora e nem nunca morou em Lisboa? Não sabe o que está perdendo.

07/09/10

O remake de «Let The Right One In» estreia em Outubro


Estou muito curioso para ver o remake norte-americano do chatíssimo filme sueco Deixa-Me Entrar (ou Deixa Ela Entrar no Brasil) que estreia em Portugal dia 14 de Outubro ao mesmo tempo que a estreia nos Estados Unidos. A direção é do talentoso Matt Reeve (que dirigiu Cloverfield há dois anos) e no papel da garotinha protagonista está a (outra talentosa) Chloe Moretez, que deu vida à irmã guru de Tom em 500 Days of Summer e estourou agora como uma das protagonistas em Kick-Ass. As poucas reações que saíram na imprensa lá fora dizem que o filme é verdadeiramente assustador. Esperemos que sim, porque o original parecia que estava mais empenhado em curar a insônia. A intelligentsia cinéfila que me perdoe.

05/09/10

Da série "pessoas que não sabem a hora de parar": Rita Lee


Até fora do Brasil já falam das mensagenzinhas de efeito que a Rita Lee anda postando no seu Twitter. Li na revista Blitz que suas mensagens andam causando "furor" no Brasil, divertindo uns e escandalizando outros. A revista fez um best of das suas mensagens:

"Tem gente que pensa que todo artista é rico. Numa época eu até fui, mas fumei, cheirei e bebi tudo. Hoje moro no mato e 'trampo' para pagar as contas." 

"Certa vez uma senhora elegante me disse que minhas músicas eram perfeitas para serem ouvidas num motel . Desconfiei que ela falava de si própria quando levava garotinhos para fazerem coisas que o Papa não aprovaria."

Eu fico me perguntando se as pessoas ficam mesmo chocadas com estas baboseiras que a Rita Lee cospe todos os dias no Twitter (e desde que se entende por gente, penso eu) ou se a nossa inércia é tanta que passamos a achar que isso é realmente relevante e digno de nota. Um longo bocejo para você, Rita.

04/09/10

«Moon» uma bela surpresa ignorada nos cinemas


Fui ver ontem Moon por pura falta de opção (de filmes legendados nas salas berlinenses) e fiquei incrivelmente surpreendido. Sam Rockwell é Sam Bell, um funcionário contratado pela Lunar Industries enviado à lua com um contrato de três anos a fim de extrair e estudar uma substância que produz energia para a Terra. Perto das últimas semanas do fim do contrato Sam sofre um acidente no qual as consequências irão mudar para sempre a sua vida.
Prosseguir com a história sem revelar dados importantes para o seu desenvolvimento (e a sua surpresa) é praticamente impossível (e por isso recomendo que NÃO vejam o trailer cheio de spoilers) então paro já por aqui. Moon é um tour de force de Sam Rockwell, que é o único protagonista e que carrega o filme todo nas costas. Kevin Spacey faz a voz do Robô Gerty fazendo nos lembrar a todo momento o aterrorizante HAL 9000, o robô cheio de más intenções do clássico 2001 - uma odisseia no espaço do mestre Kubrick. 
O filme é do estreante Ducan Jones, filho de David Bowie e vi que vai estar na retrospectiva "Um Ano de Cinema" que o cinema King vai promover de Setembro a Outubro. A não perder. 

Os Guns N' Roses e a (merecida) chuva de garrafas em Dublin



Axl Rose e a sua Guns N' Roses (quem?), muito provavelmente a banda mais asquerosa de todos os tempos,  foram escorraçados sob uma chuva de garrafas d'água num concerto em Dublin ontem a noite. Se isto não é a melhor notícia desde que o mesmo aconteceu com o Carlinhos Brown no Rock In Rio em 2001, é porque não há mesmo justiça no mundo.

Nota: Esta postagem foi publicada no blogue ontem e, por lapso, apaguei sem querer. Volto então a republicá-la

Melhores músicas de 2010 (parte 13) - Yeasayer "Madder Red"



Comecei esta lista «melhores músicas de 2010» na minha página no Facebook de acordo com as canções novas que eu ia descobrindo ao longo do ano e agora passo a publicar aqui também, quando possível, com os vídeos originais. Para quem quiser ver os vídeos anteriores, segue os links:

12 - Janelle Monáe - TightRope
11 - Arcade Fire - Ready to Start
10 - Sleigh Bells - Rill Rill
09 - Kelis - Acapella
08 - Arcade Fire - The Suburbs
07 - Céu - Grains de Beaute
06 - LCD Soundsystem - Dance Yrself Clean
05 - Caribou - Odessa
04 - Darwin Deez - Radar Detector 
03 - Delphic - Counterpoint
02 - Hot Chip - Take It In
01 - Charlotte Gainsbourg - La Collectionneuse

03/09/10

O bom mocismo de «Brothers» o último filme de Jim Sheridan



Jim Sheridan é um homem que faz filmes cheio de boas intenções. Mas como reza o chavão, de boas intenções o inferno está cheio. Meu Pé Esquerdo abusava da sacarina mas era um belo drama, Em Nome do Pai era maniqueísta mas tinha o poderoso e denso romance do Humerto Eco por trás e Na América um belíssimo conto moral sobre uma família que resolve começar sua vida do zero. Todos eles bons filmes, munidos das melhores intenções, mas que na hora de decolar, voaram baixo e ficaram aquém do que prometiam.
Quero com isto dizer que Sheridan faz filmes medíocres? Nada disso. Sheridan é homem talentoso mas que tem um medo absurdo do risco. Seus filmes jogam sempre pelo seguro, têm sempre uma causa social ou política por trás e talvez este seja o maior problema da sua filmografia: começam com uma boa premissa e acabam resvalando para o bom mocismo.
Em Brothers a coisa não é diferente. Tommy Cahill (Jake Gyllenhaal) e Sam Cahill (Tobey Maguire) são irmãos. Sam é um homem de família, orgulho do pai e casado com sua namorada do secundário, Grace (Natalie Portman), com quem tem duas filhas. Tommy é o filho rebelde, passou os últimos meses na prisão por assalto à mão armada e é liberado pouco tempo antes da partida de Sam para o Afeganistão. Semanas depois da sua partida Grace recebe a notícia de que Sam foi morto em combate. Tommy e Grace então se tornam próximos e daí nasce um relacionamento amoroso. Até que um belo dia, Tommy - que está vivíssimo da silva - volta para casa e o caos se instala.
Com uma premissa destas era impossível fazer um filme mediano. Mas Sheridan não soube explorar a tensão que o trailer sugeria, e desperdiça tempo na relação de Grace e Tommy, e depois num triâgulo amoroso insípido e sem interesse algum. Não existe tensão alguma, as disputas de poder e território entre os irmãos é jogada para um canto e o filme se arrasta por quase duas horas sem grandes novidades. Sheridan está mais interessado em contar uma outra história. A história que corre em paralelo quando Tommy estava no Afeganistão e foi dado como morto mas, quando decide contá-la, o filme já está pela metade. E aí é tarde demais para recuperar o tempo perdido e principalmente, o nosso precioso interesse.

01/09/10

Coisas que aprendi vendo filmes de época


Acabei de assistir ao insosso Young Victoria e fiquei aqui pensando como os filmes de época seguem um mesmo padrão narrativo. Parece que saíram todos do mesmo manual de regras. Desde adaptações da Jane Austen à biografias históricas. É tudo igual: os mesmos clichês, os mesmos diálogos e as mesmas variações de caráter distribuídas entre meia dúzia de personagens. Se um ET caísse na terra agora e só tivesse filmes de época para aprender uma coisa ou outra sobre a humanidade, eis o que ele iria descobrir:

1- Que pessoas que se interessam por política são moralmente dúbias ou são vilões.
2- Que todo mundo é superficial e que jantares sociais só servem a um único propósito: sentar a língua na vida alheia.
3- Que factos históricos são um mero detalhe.
4- Que republicanos são pessoas más e liberais são pessoas boas.
5- Que todo mundo tem de ensaiar exaustivamente os mesmos passos de dança antes de ir a qualquer evento social.
6- Que a libido é uma coisa que só foi inventada no século XX.
7- Que quando você estiver triste ou pensativo, a qualquer momento vai aparecer alguém com chá e bolachas para animar a sua vida.